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2010-11-13

O Templo, no tempo de Jesus

Maquete de Jerusalém no tempo de Jesus, com a reconstituição do Templo em primeiro plano (Jesursalém, Museu do Livro, Setembro, 2010)

"Como alguns falassem do templo, dizendo que estava adornado de belas pedras e de ofertas votivas, respondeu: «Virá o dia em que, de tudo isto que estais a contemplar, não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído."

2010-11-07

Santa Sé: conflito palestino-israelense precisa de solução


ZENIT - Santa Sé: conflito palestino-israelense precisa de solução

Dom Francis Chullikatt, observador permanente da Santa Sé na ONU (...) mostrou sua esperança de que o renovado processo de paz "possa levar às causas profundas destes sintomas e, de uma vez por todas, que ajude israelenses e palestinos a estabelecerem um Estado seguro para os cidadãos de Israel e um Estado seguro que seja pátria para o povo palestino".

Dom Chullikatt instou as partes envolvidas a enfrentar as negociações, com "a comunicação mútua e a partilha respeitosa de posturas, de maneira responsável, sem demora".

O prelado reiterou que, depois de 6 décadas de conflito, "chegou a hora de substituir este fracasso com a determinação de recorrer à negociação ao invés da violência", com o fim de "alcançar a estabilidade e a paz na Terra Santa".

"A Santa Sé - acrescentou o prelado - sublinha mais uma vez que uma solução duradoura deveria incluir o status da Cidade Santa de Jerusalém."

2010-10-14

Palestina e Israel - por Vargas Llosa

Israel Palestina - Paz ou Guerra Santa
de Mario Vargas Llosa, reimpressão: 2007, Quasi Edições,
ISBN: 9789895522460

Esta semana, deambulando ao acaso na biblioteca, encontrei esta preciosidade: um livro de Mário Vargas Llosa (prémio Nobel da Literatura deste ano) feito a partir da sua viagem em 2005 a Israel e aos territórios Palestinianos, incluindo a Faixa de Gaza e vários campos de refugiados. Aqui fica a apresentação:


"Estes textos foram escritos em Israel, na faixa de Gaza e nos territórios ocupados da Cisjordânia em meados de 2005. Fui até lá com a minha filha Morgana para tentar averiguar se a decisão unilateral de Ariel Sharon de desalojar os colonatos de Gaza abria uma nova perspectiva de paz na região e a maneira como palestinianos e israelitas reagiam perante esta iniciativa. Embora o território seja tão pequeno que um viajante pode percorrê-lo entre o pequeno-almoço e o jantar, na realidade resulta complicado percorrê-lo - às vezes é um pesadelo - devido às barreiras militares e o muro que o rodeia e as filas, controlos e interrogatórios que em cada um destes pontos atrasam o tráfego. Apesar disso, a experiência resultou fascinante porque naquele recanto do mundo a história parece mais potente e a vida mais intensa do que em qualquer outro lugar."

2010-09-28

Desapontamento


"Secretary-General Ban Ki-moon today voiced disappointment at Israel’s move to not extend the moratorium on the building of Jewish settlements in the occupied Palestinian territory, and expressed concern over provocative actions taking place on the ground.
(...)
Mr. Ban reiterated that settlement activity in the occupied Palestinian territory, including East Jerusalem,
is illegal under international law. He urged Israel to fulfil its obligation under the Roadmap obligation to freeze settlement activity."

Ver aqui o texto completo.

2010-09-10

Jerusalém - A Igreja Latina é árabe



Esta sexta-feira fomos recebidos, logo de manhã, por D. Kamal Hanna Bathish, bispo auxiliar do Patriarcado Latino de Jerusalém e titular de Jericó. É um bispo árabe, como a esmagadora maioria dos católicos de Israel e da Palestina (por isso aqui as missas são celebradas em árabe). Aqui dizer Igreja Latina não identifica a língua usada.
O Patriarcado Latino de Jerusalém é um dos 5 patriarcados da Igreja primitiva (Jerusalém, Roma, Constantinopla, Alexandria e Antioquia). Todavia, após o cisma, o patriarcado latino só voltou a Jerusalém em 1847. Actualmente abrange 5 regiões distintas: Jerusalém, Israel, Palestina, Jordânia e Chipre.
Jerusalém é das raras dioceses com co-catedrais: a do Patriarcado e a do Santo Sepulcro.
De seguida espreitamos duas sinagogas onde, para surpresa de muitos, fomos convidados a entrar. Demos depois uma volta pelo bairro judeu, em grande parte constituído por novos e bonitos edifícios, construídos em cima de estacas para não estragar as ruínas arqueológicas que se encontram por debaixo. O contraste com os restantes bairros da cidade chega a ser chocante. Almoçamos num restaurante arménio.

2010-09-09

Jerusalém, ano 5771



9 de Setembro é o primeiro dia do ano 5771 do calendário Judeu. Por isso de ontem para hoje foi a passagem de ano. Há festa por todo o lado e hoje e amanhã é feriado para os Judeus. Para os Muçulmanos hoje é o último dia do Ramadão, pelo que também amanhã é feriado para esta comunidade tão importante em Jerusalém.

Hoje foi um dia dedicado aos locais da Páscoa. Começamos pelo Jardim das Oliveiras, na parte oriental da cidade, para lá do vale do Cedrón. Lá celebra-se o ensino de Jesus, numa basílica dedicada ao Pai-Nosso (que lá está escrito em grande placards em mais de 150 línguas, incluindo 4 em Braile). A partir daí descemos a pé o íngreme monte das Oliveiras, fazendo o percurso que JC terá feito de burro ao entrar em Jerusalém vindo de Betânia, como se recorda no Domingo de Ramos. Quem estivesse na esplanada do Tempo haveria de facilmente se aperceber do que se passava deste lado do Cedrón (foto). A meio paramos na capela que celebra o momento em que JC chorou e na Igreja do Getsemeni (que quer dizer lugar do lagar de azeite).

Almoço na Maison d'Abraham à Jérusalem, onde fomos recebidos pelo Pde Mickel, irlandês, dos Padres Brancos. Trata-se de uma casa de acolhimento criada por vontade de Paulo VI, aquando da sua visita histórica a Jerusalém. Só que, a partir de 1967, os cristãos dos países vizinhos (da Síria, do Líbano, da Jordânia) deixaram de poder vir a Jerusalém. Falou-nos da enorme tensão que existe na cidade, em que cada metro quadrado pertence a uns e é reividicado por outros. Quando se pergunta o que podemos fazer para ajudar os cristãos da Terra Santa a resposta tem sido sempre a mesma: venham visitar-nos!
Do terraço da casa temos uma vista impressionante sobre Jerusalém.


Toda a tarde foi dedicada ao Santo Sepulcro. É um local enorme, repartido um múltiplos lugares, cada um da responsabilidade de uma Igreja diferente. Estão presente a Igreja Grega, a Igreja Latina (da responsabilidade dos Franciscanos), a Igreja Copta. Além disso há ainda locais dos cristãos arménios, sírios e da Étiopia.
Tem uma estética e um ambiente que não nos é muito familiar, com uma certa confusão, desarrumação e falta de luz. Mas é um símbolo da diversidade de expressões cristãs. E tem múltiplas influências dos diferentes períodos históricos pelos quais passou. É o local da celebração da ressurreição, pelo que não há evidências históricas de JC: Ele não está ali, ressuscitou! (Lc 24,6).

Jerusalém - 2


O antigo templo visto da Cidadela
Hoje, dia 8, começamos por uma visita ao Museu da Cidade de Jerusalém, onde é muito bem apresentada a sucessão de povos que por aqui passou e as sucessivas destruições da cidade. O museu fica na cidadela, local onde Jesus foi preso e interrogado por Pilatos. Pitatos vivia em Cesareia, mas vinha a Jerusalém nas grandes festas judaicas.
Do alto da cidadela vê-se muito bem o templo, pelo que as autoridades podiam controlar facilmente tudo o que lá acontecia.
Almoçamos numa bonita casa das Irmãs Maronitas, com um terraço com uma vista panorâmica da cidade.
Á tarde fomos ao local onde terá sido o cenáculo.
Como nos dizia um dominicano arqueólogo numa conversa depois de jantar, não existe qualquer certeza de locais Santos em Jerusalém. Foram os Bizantinos, no século IV que encontraram todos os locais santos, pois para os romanos era importante a peregrinação. E no Cristianismo primitivo não havia peregrinações. Os únicos locais onde de certeza Jesus esteve é o muro das lamentações e as escadas do templo, locais por onde seguramente passou e que ainda hoje permanecem. Todavia estes lugares são importantes para a história da Igreja com estes 1400 anos de contínua devoção dos cristãos de todo o mundo.

2010-09-08

Jerusalém




A maquete da cidade, com o antigo templo em primeiro plano
Ontem, dia 7, fomos visitar o muro das lamentações e a esplanada das mesquitas.
É impressionante aparato policial por todo o lado. Ao nosso lado entrou um grupo de Judeus que eram familiares e amigos de 4 Judeus assassinados na passada semana (por membros do Hamas?). Os familiares e amigos quiseram ir com os filhos pequenos à esplanada da mesquita, local dos muçulmanos.
Em cima do muro, parece do antigo templo, está construída a mesquita de El Aqsa, mas que, desde os incidentes de 2000 que deram origem à 2ª intifada, não é possível visitar.
Andamos pelas ruas da parte velha da cidade.
Visitámos o Museu de Israel onde se pode ver uma imensa maquete da cidade no tempo de Jesus e a história dos escritos de qumrã.
Á noite uma volta pela cidade.

2010-09-06

Terra Santa 5 - Cesareia




Hoje partimos do Monte das Bem Aventuranças, perto de Cafarnaun, fomos até Cesareia de Filipe, junto à fronteira com o Libano. É onde nasce o rio Jordão e foi por ali que se deu a transfiguração (e não no Monte Tabor, onde por facilidade a localizam habitualmente).
Almoçamos num restaurante de uma comunidade católica maronita, depois de visitar a sua Igreja.

Descemos então até Cesareia maritíma, importantíssimo antigo porto romano, onde S. Paulo esteve preso. Era o maior porto a seguir a Alexandria.
Tomamos banho no mar mediterrâneo, ao pé do aqueduto romano, e chegámos ao fim da tarde a Jerusalém! Uf...
Acabamos de regressar ao hotel, depois de uma volta pela parte antiga da cidade (porta de Damasco).
Imenso movimento à noite, pois estamos no ramadão e depois do pôr do sol que tudo se anima.

2010-04-27

Robert Fisk

Robert Fisk, notável jornalista e escritor, um dos mais premiados jornalistas do mundo, deu esta entrevista a Carlos Vaz Marques, da TSF. É britânico e vive em Beirute.

Para ouvir e reflectir. Essencial para perceber melhor o conflito do Médio Oriente.
Aqui.

2010-03-22

Custódia da Terra Santa

Acabo de receber este video em português com um noticiário que me parece que completa muito bem a entrevista do Patriarca.
É do noticiário da "Custódia da Terra Santa" dos franciscanos, que são os responsáveis da parte da Igreja Católica pelos Lugares Santos da Palestina há mais de 8 séculos.
Frei Eugénio

2010-03-21

3P's: Entrevista com o patriarca de Jerusalém

A voz não ouvida da Terra Santa

JERUSALÉM, segunda-feira, 15 de março de 2010
.
Ainda que os cristãos árabes sejam minoria na Terra Santa, poderiam ser uma ponte importante no conflito que dividiu a região durante tanto tempo, afirma o patriarca Fouad Twal.

O patriarca latino de Jerusalém lamenta, no entanto, que, dado que a comunidade internacional não os leva em consideração, o número de cristãos esteja diminuindo. Parte do problema, observa, é que o alto muro que cerca os territórios palestinos tornou quase impossível a vida diária de muitos.

Há aproximadamente 50 mil cristãos na Faixa de Gaza, Jerusalém Oriental e Cisjordânia, com mais de 200 mil em Israel.

Nesta entrevista lança um convite aos 3 "P" (em inglês: oração, Projetos,Pressão).

- O senhor poderia nos dizer qual é a situação atual dos cristãos na Terra Santa?

Temos de recordar que o Patriarcado Latino abrange 3 Estados: Jordânia, Palestina e Chipre. Não é fácil falar sobre um Estado, porque a situação muda de um para outro. Como sabemos, no mundo há normalmente um Estado com muitas dioceses; em nosso caso, temos uma diocese dentro de muitos Estados.

O fato de que vivamos em conflito significa que as fronteiras entre os Estados criam problemas; cruzar as fronteiras significa problemas; designar uma paróquia a outra paróquia não é fácil. Precisamos de passes – autorizações – de Israel para nos movermos dentro desses três Estados, que fazem parte de um único patriarcado de Jerusalém.

-Como descreveria os sentimentos das pessoas em Jerusalém, na Terra Santa, especialmente os dos cristãos?

É uma cidade especial, uma cidade belíssima e uma cidade dramática na qual inclusive o Senhor chorou. E ainda estamos chorando. Todos querem que Jerusalém seja sua própria capital; e Jerusalém, para mim, deve ser a mãe de todas as igrejas, a mãe de todos os crentes, e não para um só povo.

É um prazer ver, por um lado, essas pessoas que vêm visitar os Lugares Santos e, por outro, é doloroso ver que a igreja local, os cristãos locais não podem sequer visitar esses lugares santos. Um pároco de Belém não pode trazer seus fiéis em peregrinação a estes lugares santos. A mesma situação ocorre em Ramallah, na Jordânia e em outras paróquias; não podem se mover com facilidade, com tantos pontos de controle e o muro que os separa.

-Esta é a questão-chave. A situação dos cristãos da Terra Santa piorou a partir da construção do muro?

Claro que sim, o muro separou as famílias. Não é somente uma questão dos Lugares Santos, mas também uma questão de famílias, de algumas famílias, alguns jovens que não podem visitar seus avós do outro lado do muro. Não podem ir ao seu sítio, ao seu jardim ou ao seu olivar, do outro lado. O problema é grande e não é uma questão somente dos Lugares Santos, mas de dignidade das famílias, da separação entre jovens e idosos. Não podem sequer visitar alguém que morreu do outro lado.

-O senhor viaja com um passaporte diplomático do Vaticano?

Sim. O problema surge quando temos de transferir algum sacerdote. Na Jordânia – a maior parte do patriarcado e a fonte dos nossos sacerdotes, seminaristas e freiras –, a questão sempre é se poderemos trazê-los à Palestina. Outra questão é a que tem a ver com nossos jovens seminaristas que estão em Beit Jala, perto de Belém: se poderão passar as férias na Jordânia, para ver suas famílias.

-Os cristãos se encontram entre os extremistas muçulmanos e os extremistas sionistas. Como encaixam os cristãos? Há uma sensação de agressão à comunidade cristã de ambas as partes ou o senhor acha que não?

Penso que esta dramática situação deveria fazer que levássemos mais a sério o Evangelho. No Evangelho, o Senhor diz: “Quem quiser me seguir, tome sua cruz e me siga”.

E este é o nosso “pão de cada dia”: carregar a cruz nos mesmos lugares em que Ele a carregou. E como cristãos, como minoria, se esta cruz vem dos judeus, dos muçulmanos, de nós menos, não importa. O fato é que não podemos viver na Terra Santa, não podemos amar a Terra Santa, não podemos trabalhar na Terra Santa sem a cruz, de forma que a situação do muro nos faz levar ao pé da letra o Evangelho. Ao mesmo tempo, no Evangelho, o Senhor diz: “Não tenhais medo, eu estou convosco, nunca vos deixareis sozinhos”.

-Disse que os cristãos árabes são como uma ponte entre o Oriente e o Ocidente. Qual é o papel deles, neste contexto?

Em primeiro lugar, conservar e respeitar nossa identidade, tanto de árabes como de cristãos; não podemos esquecer esta identidade. Como árabes, temos as mesmas tradições, temos a mesma língua e temos a mesma concepção dos muçulmanos. Podemos falar com eles. Sentimo-nos mais árabes que eles; havia árabes no Oriente Médio vários séculos antes da chegada do Islã e estamos orgulhosos de dizer que somos árabes e viemos do deserto. Eu digo isso com prazer e não tenho nenhum problema com isso.

Ao mesmo tempo, somos cristãos e temos uma cultura, e uma cultura cristã, uma cultura ocidental; e podemos ser e devemos ser um fator de moderação, um fator de reconciliação, um fator ou ponte entre povos em conflito. A questão é se a comunidade internacional nos aceita ou nos considera dessa forma. Este é o ponto.

Costumam se esquecer de nós. Costumam tomar decisões sobre o Oriente Médio sem pensar na pequena minoria cristã desta região. E costumam pagar o preço das suas decisões porque ninguém nos considera nem considera nossa presença entre uma maioria de muçulmanos e uma maioria de judeus.

-Se tivesse que fazer uma petição aos católicos, o que pediria para os cristãos da Terra Santa?

A petição é fácil: é a petição dos três grandes “pês” (em inglês).

Oração: pedimos que a Igreja do mundo inteiro – com suas comunidades, seus sacerdotes e seus fiéis – reze pela paz na Terra Santa, porque ainda acreditamos no poder da oração. O Senhor disse: eu vos darei a minha paz. A paz que o mundo, que os políticos não podem dar, ou que talvez não queiram dar, Ele nos dará. Esta paz significa serenidade, fé, amor e respeito por todos.

O segundo “P” é projeto: adotem, por favor, algum projeto social, religioso ou cultural. Podem adotar escolas, podem adotar seminaristas e podem adotar o patriarcado; podem e devem ajudar.

O último “P” é pressão sobre os governos, para alcançar a paz. Precisamos disso mais que de qualquer outra coisa. Precisamos da paz. Precisamos de um calendário que acabe com os postos de controle, com o muro; e temos de estar em paz com todos.

Queremos garantir a todos que, com as armas, muros e postos de controle, não haverá paz nem segurança. A paz e a segurança serão para todos ou não serão para ninguém. Nenhum povo, nem o israelense nem o palestino, pode ter uma segurança ou uma paz unilateral: ambos devem ter paz e segurança ou, de outra forma, continuarão se matando e nunca acabaremos com esta violência. E não queremos isso.

Queremos paz e segurança para todos: judeus, muçulmanos e cristãos.

* * *

Esta entrevista foi realizada por Mark Riedemann, para “Deus chora na Terra”, um programa semanal produzido pela Catholic Radio and Television Network (CRTN), em parceria com a organização católica Ajuda à Igreja que Sofre.

Mais informação em www.aisbrasil.org.br, www.fundacao-ais.pt