2006-05-25

Adoração da cruz (mais)

Graças à competência e paciência do Paulo e Domingas, aqui estou novamente.

Agradeço os comentários à minha crítica sobre a adoração da cruz, mas devo dizer que apreciei particularmente o comentário do Director da Voz Portucalense, que transcrevo:

"Pessoalmente, também não me parece inteiramente correcto (e por isso não gosto) da designação 'adoração da cruz'. Por isso, nas celebrações prefiro dizer 'Adoração de Jesus Cristo Salvador na Cruz'. Está claro que é esse o sentido: o cristão adora Jesus Cristo na Cruz não o objecto material. No mesmo sentido se manifesta também o esclarecimento do Secretariado Diocesano da Liturgia."

Gosto de ver o reconhecimento (embora eclesiasticamente discreto) do erro e, quando possível, como é o caso, a sua correcção. Não basta à Igreja pensar correctamente (se é que o fez quando instituiu esta cerimónia), também é preciso expressar-se correctamente.

António da Veiga

3 comentários:

  1. A persistência na sua ideia já levou várias pessoas a meditarem nessa crítica.

    Parabéns.

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  2. É um bom exemplo de como devemos estar atentos às práticas religiosas e fazer ouvir a critica pertinente.

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  3. Disse e escreveu o Cardeal D. José da Cruz Policarpo [Obras Escolhidas, nº 8, Missão na Cidade, p. 178, sob o título Anunciamos ,Senhor ,a Vossa Morte, proferido na Sé Patriarcal, a 25 de Março de 2005, Homilia da Paixão do Senhor]:

    "4. Contemplemos e adoremos a Cruz do Senhor. Ela é, hoje, na Liturgia, um sacramento de presença real da Paixão de Cristo, o cálice do seu sangue que Ele próprio bebeu e que amanhã, partilhando connosco a sua ressurreição, voltará a estender-nos, dizendo: tomai e bebei vós também. Preparemos na adoração da Cruz a maneira nova de celebrar a Eucaristia, nesta Páscoa. Adorando a Cruz do Senhor ganhará realismo a tal visão silenciosa e densa da nossa vida, que se juntará ao sangue do cálice de Cristo. Na Cruz, do lado trespassado do Senhor morto, S. João viu sair sangue e água; do olhar sereno de Maria, a Mãe dolorosa, brota a serenidade da esperança. A luz da Páscoa que, na nossa fé, nos revela como protagonistas da nossa redenção, brilha já, com a densidade do sofrimento, na adoração daquele Calvário silencioso onde tudo foi consumado."
    Manuel Rocha

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