2007-02-03

FAVA: é urgente escutar a voz da consciência


Diante de uma situação a consciência bem formada não pergunta
"que mal está nisso?",
mas sim "que bem há nisso?"

2 comentários:

  1. Caros amigos

    Há muito que não visitava o Regador, facto de que só me posso penalizar pois que o encontro pujante de vida e de ideias. Confesso que tive pouca fé na continuidade deste blog. Contudo, o que me foi dado ver hoje leva-me a ter de me penitenciar e dar os parabéns ao Paulo e Domingas pelo excelente trabalho que quase sem apoios, pelo que conseguir perceber, tem continuado a desenvolver para passar a Mensagem.

    Como o desafio do último post apela à formação da consciência dos católicos (e não só), resolvi participar com um texto que os médicos católicos me pediram para difundir. Poderá ser um texto que levanta algumas polémicas, mas é uma posição assumida por uma associação de pessoas que irão ter uma participação muito particular no problema do aborto.

    Deixo-o, assim, aqui para que o aceitem publicar ou o retirem se assim o entenderem.

    umamigo

    DECLARAÇÃO DOS MÉDICOS CATÓLICOS SOBRE O REFERENDO

    O referendo sobre o aborto está próximo. A pergunta está escolhida, é complexa e abrange várias questões. Importa, por isso, tornar claro o que está em causa.

    Trata-se de responder se a lei em vigor deve ou não ser alargada de modo a permitir o aborto até às dez semanas sem que se verifiquem as situações já nela contempladas. A lei vigente permite que o aborto seja uma opção em caso de gravidez causada por violação, quando haja risco grave para a saúde física ou psíquica da mulher, ou quando o feto tenha doença ou lesão grave. A alteração à lei propõe que o aborto seja permitido, mesmo na ausência de qualquer daquelas situações, apenas por decisão da mulher. Quer dizer, a lei em vigor permite a opção do aborto quando haja razões de ordem médica ou criminológica. A alteração proposta alarga as possibilidades de abortar, nas dez primeiras semanas, sempre que a mulher deseje abortar. Isto significa que uma mulher normal, com uma gravidez normal e um filho normal tenha direito a abortar.

    Como médicos, em pleno século XXI, sabemos que é irrefutável que a concepção marca o início de cada Vida Humana. Na concepção forma-se o zigoto, assim lhe chamamos em linguagem médica. Este, é a primeira forma que apresenta o corpo humano. É um corpo humano. À medida que passam as semanas e os meses, este corpo humano vai mudando de forma, mas é sempre corpo humano, seja na primeira semana, na oitava, na décima, na vigésima ou aos nove meses. Não acontece nada às dez semanas de gravidez que justifique a definição deste prazo. É desde o início um corpo humano, vivo, com uma identidade genética própria, que se manifesta em todo o tempo do desenvolvimento, de uma forma contínua, até à morte natural.

    Como médicos, preocupamo-nos com as mulheres. As mulheres que se vêem confrontadas com uma gravidez sentida como impossível por razões económicas e sociais, as mulheres entregues à solidão de uma gravidez vivida sem parceiro com quem partilhar a responsabilidade e o sonho, as mulheres a sofrerem o drama do aborto consumado por razões psicológicas, mas contra as razões do coração. É também por causa das mulheres que nos comprometemos, porque com a liberalização do aborto, todas estas situações não só não encontrariam solução, mas tornar-se-iam ainda mais pesadas para as mulheres, assim expostas a novas formas de pressão. A nossa sociedade tem de ser capaz - e é capaz - de dar à mulher e ao seu filho soluções verdadeiramente humanas. Bem vindo será todo o apoio da lei e da sociedade – porque todos estamos implicados – para que a mulher grávida receba toda a ajuda de que necessita para que possa viver, sem sofrimento, a grandeza incomparável da maternidade. Bem vindo será também um conjunto de leis que promova a educação da juventude na verdade sexual e na construção de um projecto de família generoso e responsável.

    Como médicos, existimos para servir a Vida. E sabemos que se a sociedade perder esta referência fundamental da Vida como norte seguro, é a própria sociedade que se perde como comunidade humana.
    Porque acreditamos na Vida, fazemos público testemunho destas certezas, porque acreditamos ser isso que o momento histórico nos exige, a nós médicos, para que o mais básico dos dados de que dispomos não seja confundido.

    Acreditamos que há Vida e Vida Humana. Subscrevemos a sua intrínseca dignidade. Acreditamos que o caminho da realização pessoal passa por viver a liberdade na responsabilidade. Acreditamos que o sentido da vida do Homem é o Amor. E não podemos optar por uma sociedade que o negue à mulher e ao seu filho no seu ventre.

    Obrigado pela vossa atenção.

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  2. Anónimo4/2/07 14:08

    Na continuação do comentário anterior, acrescento:


    Recebi o seguinte comentário a um mail que enviei:

    > «Como não sabes no que vais votar??
    > Achas que a despenalização, obriga alguem a abortar??
    > Achas que uma mulher que fez um aborto, deve ser condenada e/ou presa??
    > Não seria melhor, o aborto com 10 semanas, que o assassinato ao fim de 8 ou
    > 9 anos, como a miuda do Algarve (joana?). Quantas Joanas existem por aí????
    >
    > PENSA POR ESTA VIA ...............»


    Ao qual respondi:

    «Acho que estás a ver o problema com muita emoção e pouca informação.

    «Considerando que:
    1 - é sabido que a legislação espanhola é igual à portuguesa;
    2 - que se fazem muitos abortos legais em Espanha porque os médicos
    espanhóis atendem muito ao argumento de danos psíquicos (considerados
    na lei actual) e os médicos portugueses, não;
    3 - que um número elevado das espanholas que abortaram legalmente
    sofre agora de problemas psíquicos por tê-lo feito;
    4 - que a generalidade do povo espanhol está satisfeita com a
    legislação e não vê motivos para a alterar;

    «eu votaria indiferentemente no NÃO ou no SIM, se:
    1 - fosse garantido que as mulheres que querem abortar tivessem um
    acompanhamento/aconselhamento psicológico honesto que promovesse o seu
    bem-estar no momento da decisão (seja ela qual for) e no futuro; é
    preciso não esquecer que o bem-estar da mulher significa o bem-estar
    do embrião (?), do feto e da criança nascida, se a gravidez for
    mantida;
    2 - fossem criados todos os meios necessários (em pessoal, logísticos
    e financeiros) à mulher e à criança no caso de se manter a gravidez;
    3 - permanecesse o acompanhamento psicológico e material à mulher que abortou;
    4 - implementasse uma educação sexual e planeamento familiar fiáveis;
    5 - fosse alterada a actual lei da adopção para a agilizar (há muitos
    casais à espera de autorização para adoptar).

    «Como vês, eu não tenho dúvidas sobre o que pretendo acerca do aborto -
    eu tenho certezas. A minha dúvida está somente no sentido do voto, que
    provavelmente será em branco. Tudo o resto que se diz por aí a favor
    ou contra é cientificamente discutível, ou preconceituado, emocional,
    muitas vezes falso e, portanto, irrelevante. É de lamentar que, quem
    tem poder de decisão ou de a precionar tenha andado a dormir sobre o
    assunto e só acorde para os referendos.

    «Considero este referendo prematuro. Devia ter-se criado primeiro as
    condições necessárias (e depois até nem seria necessário o referendo).
    Por outro lado, o referendo tem que ser feito agora para pressionar a
    alteração da má situação actual, pois os indivíduos e instituições só
    pensam no problema quando sentem o rabo a arder.»

    António da Veiga

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