"Vigiai, pois não sabeis quando virá o dono da casa: se de tarde, à noite, ao cantar do galo ou de manhã." Mc. 13, 35
São
quatro horas da manhã. O galo canta, A aurora desponta sobre as
colinas. Os camponeses levantam-se e partem para os arrozais. No meu
país, muito rural, o Vietname, o galo é precioso, especialmente para as
pessoas idosas: é o seu relógio vivo. Aqui, cada ano tem como patrono um
animal. Estamos no ano do galo, o ano de acordar e do trabalho assíduo.
O
Evangelho deste dia pede-nos para estarmos vigilantes porque o mestre
virá - quem sabe, talvez ao cantar do galo? Mas quem é este mestre, quem
é esse rei que vem a nós? Desde que estou em França, descobri que temos
todos relógios, smartfones, alertas. Estamos sobreocupados,
frequentemente atrasados, agimos movidos pela urgência. Será que nos
sobra algum tempo para vigiar, para cuidar da nossa vida espiritual?
Tempo para o silêncio, para a oração tempo para o encontro com Deus? Qual será o canto que nos irá despertar?
E se esse canto fosse um silêncio, o silêncio absoluto? Escutemos. Deus
não se faz anunciar forçosamente com uma fanfarra. Vigiemos porque Deus
vem a nós.
Desde a noite dos tempos o homem ouve a voz de
Deus "que se passeia no seu jardim ao romper do dia". Ele vem a nós em
silêncio, no segredo da consciência de cada um de nós. Permanecer
acordado não é privar-se do sono, mas continuar atento ao que se passa
no fundo de si mesmo, dar lugar ao inesperado do encontro na profundeza
do nosso ser. Eis a urgência, pois embora saibamos bem a data da nossa
chegada a este mundo, ignoramos quando surgirá Jesus na nossa vida.
Estejamos preparados.
Frère Dominique Nguyen Thành Luong
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