2023-06-24

Diálogo com o Evangelho

Diálogo com o Evangelho do 12º Domingo do Tempo Comum, 25 de junho, por Frei Eugénio Boléo, no programa de rádio da RCF "Construir sur la roche". Pode ouvir aqui.


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EVANGELHO (Mt. 10, 26 - 33)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Não tenhais medo dos homens, pois nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nada há oculto que não venha a conhecer-se.
O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido, proclamai-o sobre os telhados.
Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Temei antes Aquele que pode lançar na geena a alma e o corpo.
Não se vendem dois passarinhos por uma moeda? E nem um deles cairá por terra sem consentimento do vosso Pai.
Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.
Portanto, não temais: valeis muito mais do que todos os passarinhos.
A todo aquele que se tiver declarado por Mim diante dos homens, também Eu Me declararei por ele diante do meu Pai que está nos Céus.
Mas àquele que Me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante do meu Pai que está nos Céus».

 

DIÁLOGO


 

 

2023-06-17

Diálogo com o Evangelho

Diálogo com o Evangelho do 11º Domingo do Tempo Comum, 18 de junho, por Frei Eugénio Boléo, no programa de rádio da RCF "Construir sur la roche". Pode ouvir aqui.


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EVANGELHO (Mt. 9, 36 - 38.10, 1-8)

Naquele tempo, Jesus, ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Jesus disse então aos seus discípulos:
«A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos.
Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara».
Depois chamou a Si os seus doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos impuros e de curar todas as doenças e enfermidades.
São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão;
Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu;
Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou.
Jesus enviou estes doze, dando-lhes as seguintes instruções: «Não sigais o caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos.
«Ide primeiramente às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pelo caminho, proclamai que está perto o Reino dos Céus».
Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça.

 

DIÁLOGO

Durante três domingos, o que lemos hoje e os dois próximos, ouviremos o chamado «Discurso missionário» no Evangelho de Mateus.

Tudo começa pela compaixão de Jesus que é expressa numa palavra grega que implica um movimento visceral, maternal, de Jesus à vista das pessoas cansadas e abatidas «como ovelhas sem pastor» uma maneira muito bíblica que exprime a dispersão, o desalento,  a desilusão das pessoas.
É a mesma comoção interior que encontramos noutras circunstâncias: na cena da viúva de Naïm, na parábola do bom samaritano; na parábola do pai que tem dois filhos com atitudes opostas e que os acolhe a ambos cheio de misericórdia.
É sempre com a mesma maneira de ver os outros, enternecida e comovida, que Jesus diz aos seus discípulos: «A seara é grande,
mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor da seara
que mande trabalhadores para a sua seara».
 
A seara a que Jesus se refere é aquela que já está no momento da colheita e não na ocasião da sementeira.
Não se trata dum tempo de espera e de expectativa, mas da realização do Reino de Deus, com a vinda do Messias.
 
É neste contexto que Jesus envia em missão os seus doze apóstolos, chamados cada um pelo seu nome.
Eles ficam fortemente ligados a Jesus, através da autoridade que lhes é dada e que é sempre de Jesus. Também ficam ligados a Jesus que os envia e pelo que eles devem anunciar: “Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus.
Curai os enfermos, ressuscitai os mortos,
sarai os leprosos, expulsai os demónios”.
 
Jesus chama os doze, dá-lhes autoridade e envia-os.
A autoridade não é uma característica própria dos doze, ela é dada por Jesus e ela é recebida também da fonte, que é Jesus.
A autoridade destina-se a libertar as pessoas da influência dos espíritos impuros e a curá-las.
 
Expulsar os espíritos maus não é nem mais eficaz nem menos credível que as curas psicanalíticas do nosso tempo.
 
O envio é para anunciar que o Reino dos Céus já está próximo e que é preciso ir à procura das ovelhas perdidas para que o mundo fique cheio de paz e de esperança.
 
A missão não é resguardar-se no seu grupo de pertença e a partir daí, fazer propaganda religiosa.
A missão implica sair de si, mudar de situação e de atitude.
Implica ir à procura do outro que está perdido em uma qualquer margem da vida, e acolhê-lo e cuidar dele.
 
Tudo isto que se passou com os doze apóstolos, também se refere aos que, como nós, queremos ser discípulos de Jesus nos nossos dias e que gostaríamos de pôr em prática, com entusiasmo, este discurso missionário.
Que à nossa volta as pessoas possam descobrir que ninguém fica fora do Amor de Jesus de Nazaré.
 
         frei Eugénio, dominicano

2023-06-10

Diálogo com o Evangelho

Diálogo com o Evangelho do dia do Corpo de Deus, 8 de junho, por Frei Eugénio Boléo, no programa de rádio da RCF "Construir sur la roche". Pode ouvir aqui.

 


EVANGELHO (Mt. 9, 9-13)

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo».
Os judeus discutiam entre si: «Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?».
E Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós.
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia.
A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida.
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele.
Assim como o Pai, que vive, Me enviou e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim.
Este é o pão que desceu do Céu; não é como o dos vossos pais, que o comeram e morreram: quem comer deste pão viverá eternamente».
Assim falou Jesus, ao ensinar numa sinagoga, em Cafarnaum.

 

DIÁLOGO

 

A EUCARISTIA é importante. Não é uma invenção da Igreja.

Foi o próprio Jesus que disse na Última Ceia: “FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM.” (Lc. 22,19)

 

Neste diálogo que temos hoje convosco, vamos propor-lhes algumas ajudas práticas para se viver a Eucaristia dos Domingos de modo mais significativo e enriquecedor espiritualmente.

 

A Missa deve ser preparada antes, vivida durante, continuada depois.

 

Porquê?

 

1- Porque a Palavra de Deus, sobretudo os Evangelhos, são demasiado ricos em ensinamentos sobre o modo de viver com o estilo de Jesus, que merece ser bem preparada e vivida

 

2- A Eucaristia é a ocasião mais propícia em cada semana, para apresentarmos ao Senhor  os nossos principais arrependimentos, as nossas maiores preocupações, os nossos felizes agradecimentos.

Para o fazermos a partir da nossa vida concreta é preciso termos feito uma preparação anterior.

 

Sem ela, os momentos da Missa sucedem-se sem termos tido tempo de pensar o que queremos ter presente do que vivemos durante a semana.

Habitualmente, quando vamos a uma festa familiar ou entre amigos, pensamos no que vamos levar que dê gosto a quem nos convida.

Quando vamos ter uma reunião profissional importante preparamo-nos tendo em conta quem vai estar presente e estudamos o que se irá tratar.

 

Para preparar a Missa comecemos por marcar na nossa agenda a melhor altura da semana para o fazer. É sobretudo essencial para quem é muito ocupado!

 

No começo do momento da preparação peçamos ao Espírito Santo que nos ajude. Sugerimos uma breve oração:

“Ó Espírito Santo dá-me a Tua Sabedoria e o Teu Amor para bem preparar esta Eucaristia e para que o faça com gosto. Amen”

 

O que posso preparar antes de ir à Missa:

 

1-Comecemos pela Palavra de Deus

Das leituras propostas pelo calendário litúrgico, comecemos por ler o Evangelho. Das duas ou três leituras é a mais importante.

 

Ao ler tenhamos em atenção algumas questões simples:

O que se passa e quem intervêm na passagem lida?

Encontro hoje situações semelhantes às que são  narradas?

O texto levanta-me alguma dúvida ou interrogação à minha fé?

 O texto dá-me alguma resposta a dúvidas ou interrogações que tinha?

 

2-Para o Rito Penitencial, preparo o que irei pedir perdão ao Senhor.

Penso no que durante a semana posso ter feito ou pensado de mal doutras pessoas, com maior insistência ou mesmo provocando sofrimento.

Também o que devia ter feito de bem, importante para algumas pessoas e que não fiz.

 

3-Para a Oração dos Fiéis, penso nas diversas pessoas, situações ou acontecimentos pelos quais mais quero pedir.

 

4-Para o momento de Ação de Graças, agradeço ao Senhor o que de mais especial me foi dado durante a semana?

 

O que posso viver durante a Missa:

 

Podemos estar na Eucaristia como simples espetadores do que se está a passar no altar e à nossa volta e nesse caso só estamos fisicamente presentes.

Mas também podemos estar a participar interiormente, pondo lá aspetos da nossa vida, tal como como o que preparámos.

Também devemos rezar e cantar com a assembleia e estarmos atentos ao que o celebrante tem para nos dizer.

 

Se “vivermos” assim a Eucaristia e participarmos mais nela, esses momentos de encontro com Deus e connosco próprios tornar-se-ão um verdadeiro acontecimento

 

Missa continuada depois:

 

A Eucaristia pode não terminar à saída da igreja, se levarmos

- Algum propósito pessoal para melhorarmos durante a semana;

- Alguma atitude concreta de amor ao próximo;

- Persistência na oração diária.

 

Se pusermos em prática esta maneira de fazer que aqui partilhamos convosco:

- Prepararmos antes para levar a vida para a Missa;

- Vivermos durante a Missa o que preparámos;

- Levar para a vida o que vivemos na Missa

        a Eucaristia deixará de ser uma rotina e tornar-se-á num momento importante cheio das nossas vidas concretas.

 

      frei Eugénio, dominicano

 

2023-06-03

Diálogo com o Evangelho

Diálogo com o Evangelho do Domingo da Santíssima Trindade, 4 de junho, por Frei Eugénio Boléo, no programa de rádio da RCF "Construir sur la roche". Pode ouvir aqui.

 


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EVANGELHO (Jo. 3, 16-18)

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita nele não pereça, mas tenha a vida eterna.
Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».
Quem acredita nele não é condenado, mas quem não acredita nele já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus».

 

DIÁLOGO 

Permitam-me que partilhe convosco o que aconteceu com Santo Agostinho. 

 

Conta-se que ele especulou durante muito tempo sobre o mistério da Santíssima Trindade, utilizando todos os recursos filosóficos e linguísticos que conhecia bem, pois era professor de retórica, mas sem conseguir avançar muito no assunto. 

 

Depois de muito refletir, decidiu dar um passeio na praia junto ao mar Mediterrâneo. 

 

De repente, avistou um rapaz que tinha cavado um buraco na areia da praia e que ia buscar água do mar com uma concha para a deitar no buraco que tinha feito.

 

O comportamento do rapaz intrigou Santo Agostinho, que lhe perguntou:

«Caro rapaz, que estás a fazer?»

«Quero deitar toda a água do mar no meu buraco.»"

«Mas isso não é possível", respondeu Santo Agostinho,

«O mar é imenso e o buraco que fizeste é muito pequeno.»

 

O rapaz respondeu-lhe:

"Mas eu vou conseguir deitar toda a água do mar no meu buraco

 antes que o senhor consiga compreender o mistério da Santíssima Trindade.»

 

Então o rapaz desapareceu.

 

Santo Agostinho apercebeu-se que se tratava de um anjo que tinha tomado a forma de um rapaz para o ajudar a descobrir que não lhe era possível compreender o mistério da Santíssima Trindade.

 

Embora Santo Agostinho seja reconhecido como uma das mentes mais brilhantes que a humanidade conheceu, há mistérios, ou seja, verdades divinas reveladas, que ele nunca conseguiria compreender plenamente.

 

Como é que se pode abordar o inacessível?

 

Como imaginar o inimaginável?

 

A solenidade da Santíssima Trindade levanta estas questões.

 

A Escritura ajuda-nos muito na nossa busca de Deus, não porque nos dê respostas claras, mas precisamente porque não as dá.

 

O Evangelho de hoje alarga a nossa perceção da imagem divina

 

Em primeiro lugar, embora estejamos habituados a encontrar em João 3,16: «Deus amou tanto o mundo», alguns estudiosos da Bíblia sugerem uma tradução ligeiramente diferente;

 

"Porque foi assim que Deus amou o mundo".

 

Este modo de traduzir, tem uma nuance muito subtil: não se referindo à quantidade muito grande do Amor, mas sim ao modo como Deus ama, dizendo-nos que Deus ama “entregando o Seu Filho Unigénito.”

 

Cada momento da vida de Jesus manifestou como Deus ama as pessoas neste mundo.

 

Esta festa celebra o Amor de Deus revelado em Jesus e convida-nos a deixar que o Espírito de Deus atue em nós e entre nós.

 

O Deus dos cristãos é um Deus que ama pessoas reais em tempo real.

Falar da Trindade leva-nos àquela que é a crença mais misteriosa do cristianismo.

 

Embora o Novo Testamento não desenvolva verdadeiramente um conceito trinitário de Deus, Jesus introduziu subtilmente o conceito de Trindade referindo-se à sua relação com o Pai e na sua promessa do envio do Seu Espírito.

 

Podemos também dizer que esta festa centra a nossa atenção na auto-revelação de Deus, como sendo só Amor e como vivendo profundamente envolvido com toda a humanidade.

 

Esta festa convida-nos a contemplar a profundidade do Amor de Deus e o Seu desejo de nos atrair todos à Sua Vida Divina.

 

Não podemos nomear adequadamente Deus, mas experimentamos o mistério inacessível que nos convida a nos maravilharmos e a nos aproximarmos cada vez mais d’Ele.

 

Através da Criação e da Revelação, podemos experimentar, das mais variadas maneiras, muito para lá do que podemos imaginar, como podemos participar na Vida de Deus.

 

Hoje podemos apreciar alguns vislumbres de Deus, como se fossem miniaturas, enquanto aguardamos com expectativa o dia em que "seremos semelhantes a Cristo, porque o veremos face a face" (1 João 3,2).

   

      frei Eugénio, dominicano

 

 

 

 

 

2023-05-26

Diálogo com o Evangelho

Diálogo com o Evangelho do Domingo de Pentecostes, 28 de maio, por Frei Eugénio Boléo, no programa de rádio da RCF "Construir sur la roche". Pode ouvir aqui.



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EVANGELHO (Jo. 20, 19-23)

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco».
Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.
Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós».
Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo;
àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos». 

 

DIÁLOGO

Hoje, celebramos o Pentecostes, a festa do Espírito de Deus que enche a terra com todas as suas criaturas e culturas.

A que é que esta festa nos convida?

João, no seu Evangelho, que lemos começa por abrir uma janela para o que parece ser a sala onde os discípulos tinham recentemente celebrado a Páscoa com Jesus.

Mas agora, depois da sua morte, tinham fechado as portas à chave e tinham-se reunido com medo.

Sem aviso prévio, Jesus aparece no meio deles e diz-lhes «shalom».

Mostrando-lhes as marcas das suas feridas, voltou a dizer-lhes  «A paz esteja convosco».

Depois, resumindo o que tinha dito durante a última ceia, Jesus soprou o seu Espírito sobre eles e encarregou-os de prosseguir a sua própria vocação.

Assim começou uma incrível aventura de séculos de alargamento de horizontes.

Começando com a incrível experiência dos discípulos de poderem contar a história de Jesus a judeus "de todas as nações debaixo do céu", esta aventura continuaria durante anos, enviando discípulos a todos os povos e culturas do mundo.

Embora impulsionada pelo Espírito Santo, esta aventura evangélica nunca foi fácil.

Em cada novo passo do caminho, os cristãos precisavam de alargar a sua visão, questionar os seus conceitos dogmáticos e pedir orientação ao Espírito de Deus.

O grande teólogo do século XX, Karl Rahner, comentou que, depois dos acontecimentos da vida de Jesus e depois do Pentecostes se ter concretizado no "Concílio de Jerusalém" (Actos 15,1-31), o próximo grande passo para a comunidade cristã só aconteceu quando o Concílio Vaticano II, em 1962-65, abriu a Igreja ao mundo moderno e a todas as suas culturas.

O que é que o Pentecostes significa hoje?

No século XXI, quando se pode ir a todas as partes da Terra e que todas as línguas podem ser traduzidas rapidamente, o Papa Francisco diz-nos na Encíclica «Fratelli Tutti» sobre a fraternidade humana, que é tempo de apreciar a inevitável "e abençoada consciência de que somos todos parte uns dos outros" e que "já não podemos pensar em termos de 'eles' e 'aqueles', mas apenas de «nós».

Ao celebrarmos o Espírito de Deus presente em toda a criação, abandonemos as nossas mentalidades fechadas e aventuremo-nos em diálogos e encontros que alarguem a mente e a alma com a variedade maravilhosa das manifestações do Espírito Santo no nosso mundo.

O Pentecostes começou  há dois mil anos, mas continua a realizar-se entre nós, nos nossos dias!
 

Partilho convosco esta meditação que Inácio de Latakia,
Metropolita Ortodoxo disse na Assembleia Mundial das Igrejas, 1968
:
 
Sem o Espírito Santo, Deus está longe,

Cristo permanece no passado,

o Evangelho é uma letra morta,
a Igreja é uma mera organização,
autoridade é domínio,
a missão é propaganda,
o culto uma evocação,
e a acção cristã uma moral de escravos.
 

Mas no Espírito Santo:
o cosmos ergue-se e geme
       no nascimento do Reino,
Cristo Ressuscitado está presente,
o Evangelho é a força da vida,
a Igreja significa a comunhão trinitária,
a autoridade é um serviço libertador,
a missão é um Pentecostes,
a liturgia é memorial e antecipação,
a acção humana é deificada.


                   frei Eugénio, dominicano

 

2023-05-20

Diálogo com o Evangelho

Diálogo com o Evangelho do Domingo da Ascensão do Senhor, 21 de maio, por Frei Eugénio Boléo, no programa de rádio da RCF "Construir sur la roche". Pode ouvir aqui.

 


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EVANGELHO (Mt. 28, 16-20)

Naquele tempo, os onze discípulos partiram para a Galileia, em direção ao monte que Jesus lhes indicara.
Quando O viram, adoraram-no; mas alguns ainda duvidaram.
Jesus aproximou-Se e disse-lhes: «Todo o poder Me foi dado no Céu e na Terra.
Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».
 
 
DIÁLOGO

Já alguma vez imaginaram que também estavam presentes quando aconteceu a Ascensão?

Como se teriam sentido se tivessem estado lá?

Provavelmente a Ascensão ia-nos aparecer como uma separação, um afastamento.

Como discípulos de Jesus, recordaríamos com alegria o entusiasmo que a sua pregação nos tinha despertado, o seu modo muito próprio de viver.

Também teríamos presente a sua última semana de vida tão dramática, com a sua paixão e crucifixão, seguida da sua morte  e da sepultura do seu corpo no túmulo.

Também iríamos recordar os fantásticos encontros que tivemos com Jesus Ressuscitado quando nos apareceu, depois da sua ressurreição.

Como em qualquer experiência de um grupo de pessoas, contaríamos de formas diferentes o que teríamos vivido.

No Novo Testamento, há várias versões da Ascensão.
 
No Evangelho de Mateus, que acabámos de ler, há apenas um breve relato que, em vez de descrever a "ascensão" de Jesus, salienta a situação adquirida pela exaltação de Jesus, ou seja, a presença continuada que ele promete: "E eis que estou convosco todos os dias, até ao fim dos tempos".

Já a versão de Marcos apresenta uma afirmação fundamental (Mc 16,19):

«O Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi elevado ao céu

e sentou-se à direita de Deus.»

O "sentar-se à direita do Pai" significa a inauguração do reinado do Messias.

Esta designação simbólica é entendida como a glória e a honra da divindade.

O Mestre, que os discípulos tinham conhecido na Palestina como o carpinteiro de Nazaré, tinha-se tornado o Rei do Céu.

Recorde-se que os psicólogos são unânimes em reconhecer o valor simbólico do "subir" e do "descer".

Quando dizemos que alguém «subiu na vida» ou que «subiu na carreira profissional», não pretendemos dizer que ela ou ele passaram a deslocar-se mais alto que os outros, mas que passaram a ter posições com maiores benefícios ou com maior responsabilidade.

Por isso, é importante compreendermos o significado simbólico de «subir ao céu».

Assim, seremos menos tentados a equiparar a ascensão a uma subida à estratosfera e a pensar, como o astronauta Youri Gagarin que, segundo consta, teria dito que não tinha encontrado Deus quando se encontrava acima da atmosfera terrestre.

«Subir ao céu » não significa que se tenha estabelecido uma distância entre o céu e a terra, mas sim que o Ressuscitado, que se tornou Senhor, igual a Deus, está presente em todos os pontos do universo e em cada um de nós.

Uma das dificuldades que temos em partilhar ou dialogar sobre a Ascensão é o facto de usarmos frequentemente a linguagem do lugar para falar do «Céu».

Sabemos que o Céu não é um lugar enquanto tal, mas um tipo particular de realidade ou estado de perfeita comunhão de Amor e de Vida com a Trindade, como diz o Catecismo da Igreja Católica (cf. CIC, 1024).

O Evangelho de Mateus põe em relevo a exaltação acima de todos os Céus, quando Jesus diz aos discípulos: “Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos" (Mat, 28, 20) como lemos no final do Evangelho.

Neste modo de encarar a «ascensão», longe de descrever a "subida", é sublinhada a situação adquirida no Alto dos Céus, a partir da qual a terra é submetida como um todo à poderosa presença do Senhor Jesus.

É uma partida que cria uma ausência, mas é também cheia de promessas para o futuro.

Esta partida na Ascensão abre as portas a uma nova forma de presença aberta e universal do Mestre.

Todos podem  encontrar o Ressuscitado.

A nossa missão de discípulos de Jesus é testemunhar esta presença real do Amor de Deus.

Temos que testemunhar com atitudes, gestos, olhares, palavras de amor que acalmam e elevam, e ao mesmo tempo dizer que descobrimos, pela fé, que há uma fonte de Amor Humano que nos estimula a fazer isso.

Isto exige criatividade da nossa parte.

Temos uma fonte que Jesus nos ofereceu: o seu Espírito.

É o seu Espírito que nos torna criativos.

Na Ascensão de Nosso Senhor, encontramos a bússola da nossa vida: vemos agora para onde podemos e devemos ir.

 
         frei Eugénio, dominicano

2023-05-13

Diálogo com o Evangelho

Diálogo com o Evangelho do 6º Domingo de Páscoa, 14 de maio, por Frei Eugénio Boléo, no programa de rádio da RCF "Construir sur la roche". Pode ouvir aqui.

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EVANGELHO (Jo. 14, 21-29)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos.
E Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Paráclito, para estar sempre convosco:
Ele é o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece, mas que vós conheceis, porque habita convosco e está em vós.
Não vos deixarei órfãos: voltarei para junto de vós.
Daqui a pouco o mundo já não Me verá, mas vós ver-Me-eis, porque Eu vivo e vós vivereis.
Nesse dia reconhecereis que Eu estou no Pai e que vós estais em Mim e Eu em vós.
Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre, esse realmente Me ama. E quem Me ama será amado por meu Pai, e Eu amá-lo-ei e manifestar-Me-ei a ele».

 

DIÁLOGO

 

 


2023-05-08

Diálogo com o Evangelho

Diálogo com o Evangelho do 5º Domingo de Páscoa, 7 de maio, por Frei Eugénio Boléo, no programa de rádio da RCF "Construir sur la roche". Pode ouvir aqui.  (ainda não disponível)

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EVANGELHO (Jo. 14, 1-12)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: "Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós, quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós. E, para onde eu vou, vós conheceis o caminho”.
Tomé disse a Jesus: “Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”.
Disse Felipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Felipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai, que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras. Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai”.

 

DIÁLOGO

No Evangelho que acabamos de ler, os discípulos ouviram Jesus Ressuscitado que lhes tinha aparecido, a dizer que iria partir para lhes preparar um lugar junto de Deus Pai. Disse-lhes que não ficassem aflitos porque havia de vir buscá-los. Eles não entenderam muito bem e Jesus, então, fez uma afirmação surpreendente: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” e reforçou “ninguém vai ao Pai a não ser por mim.”

 

Como se não bastasse dizer, que Ele era o Caminho, disse que é o Caminho que leva ao Pai e reforçou que não há outro caminho. 

 

O normal é as pessoas crentes terem o desejo de conhecerem Deus e de chegarem mais próximo Dele. Se até aqui não sabíamos como atingir essa proximidade, a partir deste momento e no nosso tempo também, temos em Jesus como que um GPS para chegarmos a Deus.

 

Basta seguirmos o caminho que Ele nos propõe: olhar as pessoas como Jesus olhou, tocar as pessoas como Ele tocou, reagir às suas atitudes como Jesus reagiu, tratar todas as pessoas como iguais em dignidade e fazer da oração do Pai Nosso um lema de vida. 

 

Jesus veio trazer-nos a grande notícia que Deus é um Deus bom e que podemos contar sempre com Ele. É Nele que encontramos o nosso refúgio e proteção para todos.

 

Quando escrevo “todos”, é mesmo todos, como S. Paulo, mais tarde escreverá aos Gálatas: “não há judeu nem grego, escravo ou livre, homem ou mulher, porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” (Gal 3, 28)

 

É, assim, a vida em Deus que Jesus nos promete, se O seguirmos como o nosso Caminho. Uma vida de verdadeiro Amor, à maneira de Jesus e, cuja fonte é o próprio Deus. Uma fonte que não se esgota. 

 

Jesus também dirige a cada um de nós a mesma afirmação: “Há tanto tempo estou contigo, Ana, Paulo, Alice,… e não me conheces!”

 

Isto que Jesus nos diz não deve ser entendido como uma repreensão, mas como um incentivo a querermos conhecê-Lo melhor e a usarmos as nossas energias para colaborarmos com Ele.

 

frei Eugénio, o.p.

 

2023-04-29

Diálogo com o Evangelho

Diálogo com o Evangelho do 4º Domingo de Páscoa, 30 de abril, por Frei Eugénio Boléo, no programa de rádio da RCF "Construir sur la roche". Pode ouvir aqui.  (ainda não disponível)


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EVANGELHO (Jo. 10, 1-10)  10,1-10.

Naquele tempo, disse Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas entra por outro lado, é ladrão e salteador.
Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas.
O porteiro abre-lhe a porta e as ovelhas conhecem a sua voz. Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva-as para fora.
Depois de ter feito sair todas as que lhe pertencem, caminha à sua frente; e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz.
Se for um estranho, não o seguem, mas fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos».
Jesus apresentou-lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que queria dizer.
Jesus continuou: «Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas.
Aqueles que vieram antes de Mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os escutaram.
Eu sou a porta. Quem entrar por Mim será salvo: é como a ovelha que entra e sai do aprisco e encontra pastagem.
O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância».
 
DIÁLOGO
 
 

 

2023-04-23

Diálogo com o Evangelho

Diálogo com o Evangelho do 3º Domingo de Páscoa, 23 de abril, por Frei Eugénio Boléo, no programa de rádio da RCF "Construir sur la roche". Pode ouvir aqui

 


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EVANGELHO (Lc. 24, 13-35)

Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém.
Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido.
Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho.
Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem.
Ele perguntou-lhes. «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?». Pararam, com ar muito triste,
e um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias».
E Ele perguntou: «Que foi?». Responderam-Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo;
e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado.
Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu.
É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro,
não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns anjos a anunciar que Ele estava vivo.
Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram».
Então Jesus disse-lhes: «Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram!
Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?».
Depois, começando por Moisés e passando pelos profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito.
Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de ir para diante.
Mas eles convenceram-no a ficar, dizendo: «Fica connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles.
E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho.
Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-no. Mas Ele desapareceu da sua presença.
Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?».
Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles,
que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão».
E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.
 
DIÁLOGO
 
 

 


2023-04-15

Diálogo com o Evangelho

Diálogo com o Evangelho do 2º Domingo de Páscoa, 16 de abril, por Frei Eugénio Boléo, no programa de rádio da RCF "Construir sur la roche". Pode ouvir aqui


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EVANGELHO (Jo. 20, 19-31)

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco».
Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.
Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós».
Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo;
àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos».
Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus.
Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei».
Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco».
Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente».
Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!».
Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste, acreditaste; felizes os que acreditam sem terem visto».
Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro.
Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

 

DIÁLOGO


 

2023-04-08

Diálogo com o Evangelho

Diálogo com o Evangelho do Domingo de Páscoa, 9 de abril, por Frei Eugénio Boléo, no programa de rádio da RCF "Construir sur la roche". Pode ouvir aqui



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 EVANGELHO (Jo. 20, 1-9)

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro.
Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predileto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde O puseram».
Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro.
Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro.
Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou.
Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão
e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte.
Entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, viu e acreditou.
Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.
 
DIÁLOGO