2023-01-31

Francisco no Congo


 

Papa Francisco na República Democrática do Congo

31 de janeiro de 2023


DISCURSO NO ENCONTRO COM AS AUTORIDADES, A SOCIEDADE CIVIL E O CORPO DIPLOMÁTICO

(...)
"A propósito de desenvolvimento obstruído e retorno ao passado, é trágico que estes lugares, e o continente africano em geral, padeçam ainda de várias formas de exploração. 

Existe aquele lema que vem do inconsciente de muitas culturas e de muitas pessoas: «África deve ser explorada». 

Isto é terrível! De facto, depois da exploração política, desencadeou-se um «colonialismo económico» igualmente escravizador.
Assim, largamente saqueado, este país não consegue beneficiar suficientemente dos seus recursos imensos: chegou-se ao paradoxo de os frutos da sua terra o tornarem «estrangeiro» para os próprios habitantes. 

O veneno da ganância tornou os seus diamantes ensanguentados.
É um drama face ao qual, muitas vezes, o mundo economicamente mais desenvolvido fecha os olhos, os ouvidos e a boca.

Mas este país e este continente merecem ser respeitados e ouvidos, merecem espaço e atenção: tirem as mãos da República Democrática do Congo, tirem as mãos da África!

Basta com este sufocar a África: não é uma mina para explorar, nem uma terra para saquear. 

Que a África seja protagonista do seu destino!
Que o mundo recorde os desastres perpetrados ao longo dos séculos em prejuízo das populações locais, e não esqueça este país e este continente.  

Que a África, sorriso e esperança do mundo, conte mais: fale-se mais sobre ela, tenha mais peso e representatividade entre as Nações!"

(...)
"
Mas em nome de Cristo, que é o Deus da esperança, o Deus de todas as possibilidades que sempre dá a força para recomeçar, em nome da dignidade e do valor dos diamantes mais preciosos desta terra que são os seus cidadãos, quero convidar a todos para um recomeço social corajoso e inclusivo.
No-lo pede a história luminosa mas ferida do país, no-lo suplicam sobretudo os jovens e as crianças.
Estou unido a vós e, com a oração e a proximidade, acompanho todos os esforços por um futuro pacífico, harmonioso e próspero deste grande país.
Deus abençoe toda a nação congolesa!"

Texto completo aqui.

 

 

2023-01-29

Viagem do Papa Francisco a África

Viagem apostólica do Papa Francisco à República Democrática do Congo e Sudão do Sul (peregrinação ecuménica de paz no Sudão do sul), de 31 de janeiro a 5 de fevereiro de 2023.

No Sudão do Sul o Papar fará uma peregrinação ecuménica de paz em conjunto com o primaz da Igreja Anglicana e arcebispo de Cantuária, Justin Welby, e o moderador da Assembleia Geral da Igreja da Escócia, Iain Greenshields. O objetivo é dar continuidade aos esforços já realizados pelos três líderes religiosos para assegurar a paz no Sudão do Sul.

A viagem pode ser acompanhada através do canal de Youtube do Vatican News.
 

Link para o programa aqui

Fonte: 7Margens




2023-01-27

Diálogo com o Evangelho

Diálogo com o Evangelho de Domingo, 29 de janeiro, 4º Domingo do Tempo Comum, por Frei Eugénio Boléo, no programa de rádio da RCF "Construir sur la roche". Pode ouvir aqui. (gravação ainda não disponível)

 


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EVANGELHO (Mt. 5, 1-12)

Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-no os discípulos, e Ele começou a ensiná-los, dizendo:
«Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a Terra.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados sereis quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós.
Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa. Assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós».

 

DIÁLOGO

 

 

2023-01-21

Diálogo com o Evangelho

Diálogo com o Evangelho de Domingo, 22 de janeiro, 3º Domingo do Tempo Comum, por Frei Eugénio Boléo, no programa de rádio da RCF "Construir sur la roche". Pode ouvir aqui. (gravação ainda não disponível)

 


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EVANGELHO (Mt. 4,12-23)

Quando Jesus ouviu dizer que João Batista fora preso, retirou-Se para a Galileia.
Deixou Nazaré e foi habitar em Cafarnaum, terra à beira-mar, no território de Zabulão e Neftali. Assim se cumpria o que o profeta Isaías anunciara, ao dizer: «Terra de Zabulão e terra de Neftali, caminho do mar, além do Jordão, Galileia dos gentios: o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte, uma luz se levantou».
Desde então, Jesus começou a pregar: «Arrependei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus».
Caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores.
Disse-lhes Jesus: «Vinde e segui-Me, e farei de vós pescadores de homens».
Eles deixaram logo as redes e seguiram-no.
Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco, na companhia de seu pai, Zebedeu, a consertar as redes. Jesus chamou-os, e eles, deixando o barco e o pai, seguiram-no.
Depois começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo. 

 

DIÁLOGO

 

2023-01-14

Diálogo com o Evangelho

Diálogo com o Evangelho de Domingo, 15 de janeiro, 2º Domingo do Tempo Comum, por Frei Eugénio Boléo, no programa de rádio da RCF "Construir sur la roche". Pode ouvir aqui.

 


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EVANGELHO (Jo. 1,29-34)

No dia seguinte ao seu primeiro testemunho, João Batista viu Jesus, que vinha ao seu encontro, e exclamou: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
É dele que eu dizia: "Depois de mim vem um homem, que passou à minha frente, porque era antes de mim".
Eu não O conhecia, mas foi para Ele Se manifestar a Israel que eu vim batizar na água».
João deu este testemunho, dizendo: «Eu vi o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e permanecer sobre Ele.
Eu não O conhecia, mas quem me enviou a batizar na água é que me disse: "Aquele sobre quem vires o Espírito Santo descer e permanecer é que batiza no Espírito Santo".
Ora, eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus».
 
 
DIÁLOGO

Estamos a começar na liturgia católica a série de evangelhos que se enquadram no chamado “tempo comum” ou “tempo ordinário”.

No evangelho de João, que acabamos de ler, o principal atributo de João Batista é a humildade. Ele proclama “depois de mim, vem um homem que passou à minha frente porque existia antes de mim”, apesar de ele, João, ter nascido seis meses antes.

Enquanto João Batista testemunha que Jesus recebeu o batismo e que ele viu o Espírito Santo descer sobre Jesus, os outros Evangelistas descrevem com mais pormenores o batismo de Jesus no rio Jordão.

João Batista testemunha de dois modos a favor de Jesus: primeiro, diz simplesmente que ele próprio não é o Messias esperado e em seguida apresenta Jesus como sendo o Filho de Deus.

O que nos traz este testemunho de João Batista?

João indica-nos a ligação fundamental e íntima entre Deus, Jesus e o Espírito Santo. Intimidade de tal modo perfeita que fala mesmo de Jesus como sendo o Filho de Deus.

Mais tarde, Paulo escreve na sua Carta aos Efésios, capítulo 1, versículos 3 a 5:

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo:
Ele nos abençoou com toda a bênção espiritual, no céu, em Cristo.

Ele nos escolheu em Cristo antes de criar o mundo
para que sejamos santos e sem defeito diante dele, no amor.

Ele nos predestinou para sermos seus filhos adotivos
por meio de Jesus Cristo, conforme a benevolência da sua vontade.”

Esta constatação e consequente anúncio de Jesus que Deus não é só  Pai dele, mas é Pai de todos os homens e de todas as mulheres é a mensagem central e decisiva para a humanidade, é a Boa Nova, a boa notícia cheia de esperança que as relações todas mudem e o mundo se vá tornando mais fraterno, mais humano, mais à maneira de Deus.

É a fé nesta promessa que leva mais tarde São Paulo a anular as diferenças entre as diferentes pessoas, afirmando que, se Deus é Pai e Pai de todos, “então já não há mais diferença entre judeu e grego, entre escravo e homem livre, entre homem e mulher, pois todos vocês são um só em Jesus Cristo”, Gálatas 3, 28.

Foi a partir desta constatação que as sociedades começaram a encarar a dignidade dos homens de uma forma diferente: eram todos filhos de Deus e Deus não tinha preferências. Jesus veio mostrá-lo com toda a clareza.

E nós podemos entrar ainda mais nessa intimidade como filhos adotivos de Deus, a quem chamamos de Pai sempre que rezamos o “Pai Nosso”, fazendo tudo o que nos é possível para sermos como Jesus em todas as circunstâncias das nossas vidas.

Devemos pedir-Lhe incessantemente que nos envie o seu Espírito para discernirmos e pormos em prática o que Deus Pai quer, procurando sermos semelhantes a Jesus, tornando-nos portadores de uma energia de felicidade e esperança num mundo mais próximo daquele que Jesus nos vem anunciar.

Frei Eugénio Boléo, op


2023-01-07

Diálogo com o Evangelho

Diálogo com o Evangelho de Domingo, 8 de janeiro, festa da Epifania do Senhor, por Frei Eugénio Boléo, no programa de rádio da RCF "Construir sur la roche". Pode ouvir aqui. (gravação ainda não disponível)

 


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EVANGELHO (Mt. 2, 1-12)

Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente.
«Onde está», perguntaram eles, «o rei dos Judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo».
Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém.
Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias.
Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta:
"Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo"».
Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela.
Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo».
Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino.
Ao ver a estrela, sentiram grande alegria.
Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante dele, adoraram-no. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra.
E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.
 

DIÁLOGO

Proponho que hoje procuremos fazer caminho com os Magos, dos quais nos fala o Evangelho desta festa da Epifania.

Com eles, procuremos seguir a estrela que os orienta.

 

Quando lemos a história dos Magos contada por Mateus no seu Evangelho, ele fala apenas de "Magos” (embora a tradição lhes tenha chamado "Reis Magos"). Ficamos impressionados com a importância dada a uma estrela que os guia.

 

Deviam ser o que hoje chamamos cientistas astrónomos, que examinaram o aspeto fora do comum de uma estrela que se diz ter sido descoberta nessa época.

Será que realmente a estrela apareceu no céu naquela ocasião?

O importante para nós, mais do que saber se era uma verdadeira estrela, um cometa ou outro fenómeno, é vermos a sua ligação com a viagem que os Magos resolveram fazer.

 

Quem eram os Magos? Quantos eram?

Não sabemos!

No século IX, a tradição fez deles reis, príncipes do Oriente,

representantes de três raças: uma africana, uma asiática e uma europeia.

O que sabemos com mais precisão é que estamos lidando com estudiosos, pesquisadores, especialistas no campo da astronomia

e que, um dia, partiram conduzidos pela luz duma estrela.

 

Podemos dizer, utilizando a imaginação literária, que não foi só uma estrela que se ergueu diante deles no firmamento, mas que foram três estrelas.

 

Uma estrela, que se detém no lugar onde Deus se manifestou ao mundo no seu Filho, que se tornou uma criança como todas as outras, não é apenas uma luz externa, é também uma luz interior.

Os Magos são os primeiros discípulos de Jesus.

Eles serão mudados para sempre pelo seu encontro.

 

1- A primeira estrela é a que  se pode procurar com as lunetas para observar o céu, ou com os  telescópios.

Estes cientistas eram buscadores do céu, ansiosos de encontrarem a verdade dos factos que procuravam conhecer.

Como estudiosos que eram, começaram a sua pesquisa a partir dum sinal que foi o da estrela e que entra no contexto da observação das mesmas.

Os Magos resolvem seguir essa estrela, com a sua bagagem principal, que era o desejo de conhecer a verdade.

 

E nós hoje?

Deus comunica connosco utilizando o que constitui o quotidiano das nossas vidas e dos nossos trabalhos.

Deus fala connosco utilizando uma linguagem que podemos entender.

 

Esta luz de Deus é descoberta ao olharmos para a "estrela nos nossos corações".

Foi isto que os Magos fizeram ao caminhar e ao viajar.

 

Os Magos não permaneceram sentados nas suas mesas de trabalho, centrados nos seus estudos científicos, procurando aumentar os seus conhecimentos, ou confirmando os seus cálculos.

Eles partem para uma viagem, sem terem um mapa a orientá-los.

Viajaram com os riscos inerentes a qualquer viagem para regiões que são desconhecidas.

Eles despojaram-se do que não era o indispensável e necessário para seguirem a sua busca.

O caminho que seguiam não era uma estrada já pronta.

E eles caminharam seguindo a estrela.

 

2-Mas eles são motivados por outra estrela, que é interior, a estrela da fé.

 

Os Magos revelam-nos que todos as pessoas podem chegar à fé, através dos sinais que recebem de Deus.

 

De facto, esta é uma mensagem de grande importância neste relato sobre os Magos: "Olhai para a estrela dos vossos corações".

 

Provavelmente, outros astrónomos viram a nova estrela,

mas eles não acharam conveniente partirem seguindo o seu percurso no céu e permaneceram onde estavam.

Esta estrela, segundo eles, era uma ilusão ou sem interesse para continuarem as pesquisas.

 

Apenas os três Magos resolveram partir para o desconhecido.

Para guiá-los, tinham apenas essas duas estrelas:

a do firmamento, que brilhava apenas de forma intermitente e

que desapareceu mesmo quando eles chegaram a Jerusalém,

e a estrela do coração, a da fé, que os levou a continuar a sua busca.

 

Isto é o que nos acontece hoje na nossa viagem como crentes.

A fé é a nossa estrela.

Ter fé é aceitar correr riscos.

Significa estar atento aos acontecimentos a fim de discernir a presença de Deus, que muitas vezes está próximo de nós, mas sem que nos apercebamos da Sua presença e sem vermos os sinais que Ele nos dá.

 

Correr o "risco da fé" foi o que os Magos fizeram.

São para nós modelos inspiradores de como podemos ouvir a Palavra de Deus e encontrar sinais da Sua presença.

 

Através de Jesus, Deus espalha uma luz que o mundo em que vivemos e cada um de nós muito precisa.

Sem este dom da luz interior, para onde iríamos?

Os apóstolos confessarão mais tarde, quando ouviram Jesus: “Tu tens palavras da vida eterna" (João 6,68).

 

No bebé que os Magos irão adorar em Belém e a quem oferecem os seus presentes, a luz de Deus manifesta-se, assim como para aqueles que estão próximos de Jesus, como Maria, José e os pastores.

Esta luz não tem fronteiras.

 

E depois de terem experimentado o encontro com o Menino Jesus que os conduz a Deus, voltam às suas terras e ocupações, transformados para o resto da vida.

 

Eles serão testemunhas e mensageiros do amor de Deus pelas nações.

Serão os primeiros a ir "até aos confins da terra" para proclamarem a Boa Nova da salvação em Jesus Cristo.

Eles serão os profetas de uma nova era.

E nós, podemos seguir o seu exemplo!

As nossas vidas ganham um sentido e um valor novos.

 

E nós hoje?

O Evangelho refere-se ao caminho da fé que levará esses homens do Oriente ao Filho de Deus na manjedoura que Lhe serve de berço.

A fé é uma longa jornada em que é preciso superar as dificuldades.

 

É preciso persistência para não desanimar no caminho da fé, sobretudo quando não vemos claramente aonde esse caminho nos leva.

O texto deste Evangelho diz-nos que “Ao ver a estrela, sentiram grande alegria”.

A alegria é um bom critério para o discernimento, a fim de verificar se a luz que estamos seguindo é a do Espírito Santo que nos quer levar a Jesus.

 

3- E a terceira estrela é quando eles chegam

em frente à verdadeira estrela: um bebé, o Menino Jesus.

 

Aparentemente eles estão a viver o que é completamente oposto a uma luz brilhante e resplandecente.

No entanto, é esse Menino, essa estrela pouco visível, que eles adoram e se prostram até ao chão, em sinal de adoração.

 

E nós hoje?

O mesmo vale para nós discípulos de Jesus.

Essas três estrelas continuam brilhando para nós.

 

Alegremo-nos com este relato maravilhoso, tão inspirador e renovador.

Somos todos como os Magos e podemos encontrar-nos com Jesus

na manjedoura. 

 

Ele convida-nos não só a olhar para Ele, mas a agirmos, partindo e indo partilhar o que Ele nos inspira e o que nos faz viver como discípulos de Jesus.

 

   frei Eugénio op

 

2022-12-31

Dia Mundial da Paz - Ninguém pode salvar-se sozinho

 

Mensagem do Papa para o 56º dia Mundial da Paz

A Covid-19 precipitou-nos no coração da noite, desestabilizando a nossa vida quotidiana, transtornando os nossos planos e hábitos, subvertendo a aparente tranquilidade mesmo das sociedades mais privilegiadas, gerando desorientação e sofrimento, causando a morte de tantos irmãos e irmãs nossos.

(...)

Hoje somos chamados a questionar-nos: O que é que aprendemos com esta situação de pandemia? Quais são os novos caminhos que deveremos empreender para romper com as correntes dos nossos velhos hábitos, estar melhor preparados, ousar a novidade? Que sinais de vida e esperança podemos individuar para avançar e procurar tornar melhor o nosso mundo?

(...) 

Entretanto, quando já ousávamos esperar que estivesse superado o pior da noite da pandemia de Covid-19, eis que se abateu sobre a humanidade uma nova e terrível desgraça. 

(...) 

Na realidade, esta guerra, juntamente com todos os outros conflitos espalhados pelo globo, representa uma derrota não apenas para as partes diretamente envolvidas mas também para a humanidade inteira.  

(...) 

E assim somos chamados a enfrentar, com responsabilidade e compaixão, os desafios do nosso mundo.  

Devemos repassar o tema da garantia da saúde pública para todos; 

promover ações de paz para acabar com os conflitos e as guerras que continuam a gerar vítimas e pobreza; 

cuidar de forma concertada da nossa casa comum e implementar medidas claras e eficazes para fazer face às alterações climáticas; 

combater o vírus das desigualdades e garantir o alimento e um trabalho digno para todos, apoiando quantos não têm sequer um salário mínimo e passam por grandes dificuldades. 

Fere-nos o escândalo dos povos famintos

Precisamos de desenvolver, com políticas adequadas, o acolhimento e a integração, especialmente em favor dos migrantes e daqueles que vivem como descartados nas nossas sociedades. 

Somente despendendo-nos nestas situações, com um desejo altruísta inspirado no amor infinito e misericordioso de Deus, é que poderemos construir um mundo novo e contribuir para edificar o Reino de Deus, que é reino de amor, justiça e paz.

Texto integral aqui.

 

Diálogo com o Evangelho

Diálogo com o Evangelho de Domingo de Santa Maria Mãe de Deus, 1 de Janeiro, por Frei Eugénio Boléo, no programa de rádio da RCF "Construir sur la roche". Pode ouvir aqui.

 


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EVANGELHO (Lc. 2, 16-21)

Naquele tempo, os pastores dirigiram-se apressadamente para Belém e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. 

Quando O viram, começaram a contar o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino. 

E todos os que ouviam admiravam-se do que os pastores diziam.
Maria conservava todas estas palavras, meditando-as em seu coração. 
Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado.
Quando se completaram os oito dias para o Menino ser circuncidado, deram-Lhe o nome de Jesus, indicado pelo Anjo, antes de ter sido concebido no seio materno.
 
DIÁLOGO
 

56º DIA MUNDIAL DA PAZ -1º DE JANEIRO DE 2023

RESUMO DA MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO

NINGUÉM PODE SALVAR-SE SOZINHO.
JUNTOS, RECOMECEMOS A PARTIR DE COVID-19

PARA TRAÇAR CAMINHOS DE PAZ

«Quanto aos tempos e aos momentos, irmãos, não precisais que vos escreva. Com efeito, vós próprios sabeis perfeitamente que o Dia do Senhor chega de noite como um ladrão» (I Carta de São Paulo aos Tessalonicenses 5, 1-2).

 

Com estas palavras, o apóstolo Paulo convidava a comunidade de Tessalónica a que, na expectativa do encontro com o Senhor, permanecesse firme, com os pés e o coração bem assentes na terra, capazes dum olhar atento sobre a realidade e os factos da história. […]

 

2.

A Covid-19 precipitou-nos no coração da noite, desestabilizando a nossa vida quotidiana, transtornando os nossos planos e hábitos,

subvertendo a aparente tranquilidade mesmo das sociedades mais privilegiadas, gerando desorientação e sofrimento,

causando a morte de tantos irmãos e irmãs nossos.

 

Arrastados na voragem de desafios inesperados e numa situação que não era totalmente clara nem sequer do ponto de vista científico,

o mundo da saúde mobilizou-se para aliviar a dor de inúmeras pessoas

e procurar remediá-la;

e de igual modo fizeram as autoridades políticas, que tiveram de tomar medidas notáveis em termos de organização e gestão da emergência.

 

A par das manifestações físicas, a Covid-19 provocou – inclusive com efeitos de longa duração – um mal-estar geral, que se concentrou no coração de tantas pessoas e famílias, com implicações consideráveis, causadas por longos períodos de isolamento e diversas limitações da liberdade.    […]

 

3.

Passados três anos, neste início de 2023, é a ocasião de pararmos um pouco para nos interrogarmos, para aprendermos e crescermos e para nos deixarmos transformar, como indivíduos e como comunidades;

um tempo privilegiado para nos prepararmos para o «Dia do Senhor», expressão bíblica, que significa o triunfo de Deus sobre os seus inimigos e a transformação radical do universo.   

O papa Francisco tem relembrado numerosas vezes que dos momentos de crise, nunca saímos iguais: saímos melhores ou piores. […]

 

Hoje, somos chamados a nos questionarmos sobre os seguintes pontos:

1-O que é que aprendemos com esta situação de pandemia?

2-Quais são os novos caminhos que deveremos empreender para romper com as correntes dos nossos velhos hábitos, para estarmos melhor preparados e para ousar a novidade?

3-Que sinais de vida e de esperança podemos ter presentes para avançarmos e procurarmos tornar melhor o nosso mundo?

 

Certamente, tendo experimentado diretamente a fragilidade que carateriza a realidade humana e a nossa existência pessoal, podemos dizer que a maior lição que a Covid-19 nos deixa em herança é a consciência de que todos precisamos uns dos outros, que o nosso maior tesouro,

ainda que o mais frágil, é a fraternidade humana, fundada na filiação divina comum, e que ninguém se pode salvar sozinho.

[…]

A pandemia, permitiu-nos também de fazer descobertas positivas:

1-um benéfico regresso à humildade;

2-uma redução de certas pretensões consumistas;

3-um renovado sentido de solidariedade que nos encoraja a sair do nosso egoísmo, para nos abrirmos ao sofrimento dos outros e às suas necessidades;

4-um empenho, nalguns casos verdadeiramente heroico, de muitas pessoas que se sacrificaram para que todos conseguissem superar, do melhor modo possível, o drama das decisões urgentes que era preciso tomar.

 

De tal experiência, brotou mais forte a consciência que convida a todos, povos e nações, a colocar de novo no centro a palavra «juntos».

Com efeito, é juntos, na fraternidade e solidariedade,

que construímos a paz, garantimos a justiça, superamos os acontecimentos mais dolorosos.   […]

 

4.

Entretanto, quando já ousávamos esperar que estivesse superado o pior da noite da pandemia de Covid-19, eis que se abateu sobre a humanidade uma nova e terrível desgraça.

Assistimos ao aparecimento de outro flagelo, uma nova guerra:  a guerra na Ucrânia.       [ …]

Enquanto que para a Covid-19 se encontraram vacinas,

para a guerra ainda não se encontraram soluções adequadas.

 

Com certeza, o vírus da guerra é mais difícil de derrotar do que aqueles que atingem o organismo humano, porque esse vírus não provêm de fora, mas do íntimo do coração humano, corrompido pelo pecado (cf. Marcos 7, 17-23).  […]

 

5.

O que se nos pede que façamos neste ano de 2023?

Antes de mais nada, deixarmos mudar o coração pela emergência que estivemos a viver, ou seja, permitir que, através deste momento histórico,

Deus transforme os nossos critérios habituais de interpretação do mundo e da realidade.

[…]

 

Para vivermos melhor depois da emergência Covid-19, não se pode ignorar um dado fundamental:

as variadas crises morais, sociais, políticas e económicas

que estamos a viver encontram-se todas interligadas.

Os problemas que consideramos como singulares, na realidade um é causa ou consequência do outro.

 

E, assim, somos chamados a enfrentar com responsabilidade e compaixão os desafios do nosso mundo, tendo em atenção:

1-Garantia da saúde pública para todos;

2-Promover ações de paz para acabar com os conflitos e as guerras

que continuam a gerar vítimas e pobreza;

3-Cuidar de forma concertada da nossa casa comum

e implementar medidas claras e eficazes para fazer face às alterações climáticas;

4-Combater o vírus das desigualdades e garantir o alimento

e um trabalho digno para todos,

apoiando quantos não têm sequer um salário mínimo

e passam por grandes dificuldades;

5-Tratar eficazmente o escândalo dos povos famintos;

6-Desenvolver com políticas adequadas

o acolhimento e a integração, especialmente em favor dos migrantes

e daqueles que vivem como descartados nas nossas sociedades.

 

Somente dando o melhor de nós mesmos nestas situações,

com um desejo altruísta inspirado no amor infinito e misericordioso de Deus, é que poderemos construir um mundo novo e contribuir para edificar o Reino de Deus, que é reino de amor, justiça e paz.

 

O Papa Francisco compartilha estas reflexões com a esperança de que, no novo ano de 2023, possamos caminhar juntos valorizando tudo o que a história nos pode ensinar.

[…]

 

In:

https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/peace/documents/20221208-messaggio-56giornatamondiale-pace2023.html

2022-12-24

Diálogo com o Evangelho

Diálogo com o Evangelho da noite de Natal, missa do galo, 25 de dezembro, por Frei Eugénio Boléo, no programa de rádio da RCF "Construir sur la roche". Pode ouvir aqui

 


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EVANGELHO (LC. 2, 1 - 14) 

Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto, para ser recenseada toda a Terra.
Este primeiro recenseamento efetuou-se quando Quirino era governador da Síria.
Todos se foram recensear, cada um à sua cidade.
José subiu também da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e da descendência de David, a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que estava para ser mãe.
Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de ela dar à luz e teve o seu Filho primogénito. 
Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.
Havia naquela região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os rebanhos.
O anjo do Senhor aproximou-se deles, e a glória do Senhor cercou-os de luz; e eles tiveram grande medo.
Disse-lhes o anjo: «Não tenham medo, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura». ´
Imediatamente juntou-se ao anjo uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus, dizendo: «Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens por Ele amados».

 

DIÁLOGO

No Evangelho da noite de Natal, lemos:

“chegou o dia de ela dar à luz

e teve o seu Filho primogénito.

Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura,

porque não havia lugar para eles na hospedaria.”

(Luc 2.7)

 

Nesta noite de 24 para 25 de Dezembro, em Belém, cristãos de todo o mundo estão na Basílica da Natividade para celebrar a missa da noite de Natal, a chamada «Missa do galo» no local onde a tradição nos diz que Jesus nasceu.

 

Permitam-me imaginar, e convido-o(a)s a imaginar comigo, que o Patriarca Latino de Jerusalém que preside à celebração, anunciava que tinha uma  revelação sensacional a fazer.

 

Seria esta a revelação:

Foram feitas pesquisas arqueológicas aqui, sob a Basílica da Natividade e os arqueólogos, no maior segredo, descobriram uma manjedoura, que reconheceram cientificamente como tendo cerca de 2020 anos de idade.

Por um fenómeno ainda desconhecido, a manjedoura ainda tinha a palha que os animais comiam há 2020 anos, sem se ter degradado, quando Jesus nasceu.

 

Conseguem imaginar o que aconteceria, a seguir a esta revelação desta descoberta arqueológica absolutamente extraordinária, tornada pública pelo Patriarca Latino de Jerusalém?

 

Podemos imaginar quanto valeria cada pequena palha da manjedoura?

O Vaticano, igrejas e museus do mundo inteiro e também colecionadores de arte religiosa, fariam todos os possíveis por ter uma relíquia sensacional: uma pequena palhinha da manjedoura onde Jesus Emmanuel, o Filho de Deus e o filho de Maria, tinha sido deitado por sua Mãe.

A sofisticada segurança antirroubo a garantir pela Basílica de Belém, a especulação desenfreada sobre o custo de cada palhinha e muito mais, seria o que neste nosso mundo todos os meios de comunicação iriam dar um enorme relevo e super-valorizar.

 

Mas nós, cristãos a celebrar na alegria a Natividade de Jesus Emanuel e que queremos seguir o Seu exemplo e os Seus ensinamentos, iriamos também entrar nessa explosão mediática?

E o que o próprio Jesus de Nazaré valorizou durante toda a sua curta vida, de acordo com os critérios de Deus-Pai?

 

As palhinhas «milionárias» passariam também a ser as mais valorizadas por nós?

Mas se o sensacional não viesse alterar as nossas convicções de seguidores de Jesus, o que deveríamos continuar a valorizar seria sempre o que Jesus veio valorizar e o que nos ensinou.

 

Podemos então continuar a imaginar!

As palhinhas que pomos nas manjedouras dos presépios que fazemos,  podiam representar cada um de nós, com o que vivemos e com o que apreciamos no nosso mundo, quando usamos os critérios de Jesus para darmos valor às pessoas e às  suas atitudes e comportamentos.

Segundo os Evangelhos, Jesus mostrou e ensinou isto de muitos modos.

 

Relembremos apenas alguns exemplos:

a pobre viúva a dar umas moedinhas no templo, o centurião a pedir que o seu servo fosse curado à distância, a mulher samaritana que vai buscar água ao poço na hora do maior calor,

a mulher pecadora que unge os pés de Jesus, o valor do que é feito aos socialmente mais insignificantes…

 

Diz-se que há crianças «que nascem num berço de ouro».

Mas Jesus, se virmos bem, nasceu num "berço vivo".

O berço de Jesus está cheiinho de Vida, porque Ele, o Filho de Deus, Seu e nosso Pai, veio assumir plenamente toda a humanidade, tudo o que faz parte do ser humano.

Nenhuma pessoa fica de fora para Ele!

 

Desde o seu nascimento, que as facetas mais contraditórias já estavam presentes na Sua vida:

Ele é o filho de uma rapariga ainda solteira, mas que é abençoada por Deus. 

Os anjos cantam a sua glória, mas ao mesmo tempo ele foi concebido por um pai desconhecido.

Ele é descendente de uma linhagem real e não tem sequer um lugar digno e limpo para nascer.

 

Ele é visitado pelos mais pobres e modestos da região - os pastores - e também por homens sábios que vêm de terras longínquas.

Simeão o velho sacerdote, no Templo, reconhece aquele bébé como sendo a luz do mundo. Porém, com Maria e José, essa luz do mundo tem de fugir à pressa para o Egipto, onde se refugiaram para escapar a uma bárbara matança de crianças.

 

Desde a sua conceção no seio de Maria até à Sua vinda prometida no final dos tempos, só encontramos pontos de interrogação, estamos cheios de interrogações e de perguntas e não de provas e de respostas.

 

No entanto, a vida de Jesus revela-nos a inimaginável proximidade com que Deus quer estar connosco.

Não apenas como Aquele que nos acompanha e nos protege, mas como Aquele que se quis tornar carne da nossa carne, totalmente igual a nós (exceto no pecado).

 

Para descobrirmos quem Deus é, e o que Ele quer para nós e para este mundo é em Jesus, o Filho de Deus tornado homem que o podemos descobrir.

É na sua humanidade que podemos descobrir a divindade.

 

Também o que podemos saber sobre a vida das pessoas mais próximas de Jesus é muito pouco.

Sobre Maria, a sua mãe, apoiando-nos nos Evangelhos, ficamos cheios de pontos de interrogação.

Também sobre José, marido de Maria, pouco sabemos.

 

Quanto aos apóstolos e às santas mulheres que O seguiam e aos Seus discípulos, constatamos que também se interrogavam com frequência: Quem é este homem, Jesus de Nazaré?

 

A revelação do Amor de Deus e o Seu plano de libertação e de felicidade para todas as pessoas estão cheios de interrogações.

É um Amor que nos escapa!

Mas a nossa vida de fé consiste em acreditar, dia a dia, que Deus cumpre as promessas que nos fez por Jesus.

 

Podemos descobrir que desde o seu nascimento, mesmo desde a sua conceção, Jesus vem dizer-nos e mostrar-nos quem Deus é e o que Deus quer para nós e para o mundo onde vivemos.

 

Para os crentes judeus e mais tarde para crentes de outras religiões, entra elas o Islão, o que foi e é, mais surpreendente é esta proximidade tão íntima de Deus com a humanidade.

 

No nascimento e vida de Jesus, ele revela-se Emmanuel, isto é, «Deus connosco», de uma forma que frequentemente nos surpreende,

especialmente em situações de fragilidade, fraqueza, dor e sofrimento e de dependência.

 

Vem, Jesus Emmanuel,

Tu que nos revelas

o Rosto humano de Deus!

 

       frei Eugénio op