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2007-12-12

Nova tempestade em Santo Domingo



A região de Santo Domingo, onde se encontra a Inês, foi
novamente atingida por uma tempestade tropical. Não é tão forte como o Noel, mas é devastador para uma população que ainda não se recompôs da última tempestade do mês passado.
As agências de informação referem que "Pelo menos sete pessoas morreram na cidade dominicana de Santiago, no norte do país, durante a passagem da tormenta Olga, que fez transbordar uma represa na madrugada de terça-feira, informou nesta quarta o Centro de Operações de Emergência da República Dominicana.
"Oficialmente há sete mortos e 24.500 desabrigados em todo o país, devido ao transbordamento de rios e deslizamentos de terra", explicou o diretor do Centro de Operações de Emergência.

Olga também deixou uma dezena de comunidades isoladas em todo o país, mas Santiago, a segunda cidade do país, enfrentava a situação mais grave, onde pelo menos 2.000 pessoas foram evacuadas de maneira preventiva.
O governador da província explicou que em muitos sectores há pessoas que se refugiaram em cima de árvores e nos tetos das casas."

2007-12-09

Notícias da INÊS

Queridos amigos,

A minha estadia em Santo Domingo já está a terminar… Daqui a 15 dias regresso ao Porto cheia de experiências inesquecíveis, que tenho imensa vontade de partilhar com todos!:)

Depois do choque surpresa da tempestade – em que tudo era urgente e tinha de ser organizado de raiz – começaram a aparecer os frutos do trabalho intenso dos primeiros dias.

Formaram-se redes de solidariedade dentro das comunidades, determinou-se quem eram os afectados (maior parte das ONGs só tiveram em conta os refúgios, mas muita gente afectada e sem casa tinha sido hospedada pelos vizinhos) e pouco a pouco foi-se regularizando a situação.
Aprendi muito nesses dias! Entre outras coisas, descobri como é difícil repartir, quando a ajuda (por mais ginástica que se faça) não chega para todos. Quando a pobreza chega ao extremo de faltarem as condições mais básicas, como se pode decidir quem é o mais pobre e o que mais necessita de ajuda?...

Quero agradecer muitíssimo a todos aqueles que enviaram ajudas!!! Não podem imaginar como fiquei sensibilizada, feliz e orgulhosa de conhecer gente tão boa, que decidiu espontaneamente colaborar neste projecto que já faz parte de mim (porque me dou todos os dias mais um bocadinho), mas que para vocês é um pouco distante! Muito obrigada pelo voto de confiança! Muito obrigada, porque tornaram possível ajudar mais pessoas. Pessoas a quem eu quero muito.

Com o dinheiro foi possível fazer muitas coisas:
- Comprar material para preencher os requisitos básicos de saúde exigidos, para que o consultório do bairro se torne oficial. Isso significa que agora o governo é obrigado a enviar uma vez por semana um médico que dê consulta grátis as pessoas, o que é fantástico!
- Comprar mosquiteiros, medicamentos, cloro e outros materiais básicos de limpeza, acompanhados de reuniões de formação para impedir a propagação de epidemias devido à tempestade (o dengue e a leptospirosis, que tem provocado muitas mortes e também gripes).
- Ajudar no financiamento e na compra de materiais de construção, para casa novas construídas em sítios seguros (fora do leito do rio). Este projecto ainda está em elaboração!
Mais uma vez: OBRIGADA! Fizeram toda a diferença!

Já escrevi tanto que não quero aborrecer-vos muito mais… Mas tenho de contar duas histórias que acho fantásticas! Tenho aproveitado os tempos livres para visitar outras cidades da Republica Dominicana e nessas visitas tive a oportunidade de conhecer 4 mulheres fora de série, que são a prova viva (e tão discreta e simples) de que uma Pessoa pode mudar o mundo!

Duas delas mudaram-se há 20 anos para um campo isolado e no correr desses anos conseguiram mobilizar a comunidade (tudo camponeses muito pobres) para construirem uma escola (cada tijolo foi colocado pelos pais dos futuros alunos). Essa escola é agora considerada uma das melhores da América Latina! Neste preciso momento estão a mudar a vida a 300 alunos que tem a possibilidade de usufruir de uma educação excelente (que diferença em relação a outras escolas dominicanas que eu visitei!) e ter pelo menos uma boa refeição por dia. As regras são exigentes, os professores motivados e os pais têm a obrigação de participar em reuniões de formação e educação! Isto tudo é fruto do trabalho de apenas duas mulheres!

As outras duas também se mudaram para um campo isolado, mas tem um projecto diferente. Ajudaram os camponeses a organizarem-se e a tornarem-se mais produtivos. Um pequeno exemplo foi com a plantação de cebolas. Não percebo nada de agricultura, mas o sistema que estes agricultores usavam para as cebolas, requeria que durante um mês por ano se trabalhasse a transplanta-las para outro campo. Este trabalho estava a cargo de crianças e adolescentes que perdiam 1 mês de aulas… Bastou ajudá-los a criar um método de plantação que não requeria a transplantação para poupar muito dinheiro e, muito melhor, evitar que as crianças trabalhem!

Mas como este exemplo há muitos! Ajudaram as pessoas a serem financiadas pelos bancos para construírem casa com condições, formaram um centro de formação que tem cursos de enfermagem, cozinha, costura, cabeleireiro, etc.… Tudo isto 2 mulheres sozinhas! Imaginem como foi conseguirem ser aceites pela comunidade machista de agricultores que não estavam habituados a aceitar opiniões de mulheres…).

Foi assim que juntei provas irrefutáveis que uma pessoa pode fazer toda a diferença, que se pode mudar o mundo de forma simples, que não é uma impossibilidade que nos esmaga e que está ao alcance das nossas mãos, só é preciso querer esticar o braço!

Também juntei provas que as pessoas podem ser muito boas e solidárias, que se deve promover o sentido de comunidade e que os “pobres” nesse aspecto são mais ricos do que aqueles a quem não lhes falta nada. A razão é que ao partilhar um pão que nos faz falta (muito mais do que passar anos a partilhar festas) se criam laços fortes e duradouros com o outro. E isso é que assegura a felicidade!:)

Um beijo enorme para todos!!!
Inês

2007-11-19

Alerta: A Corrente do Golfo está a arrefecer !



No Atântico Norte a Corrente do Golfo é fundamentalmente mantida pelas diferenças de temperatura e de salinidade.
O seu motor de circulação é a diferença de densidade devida à salinidade e à temperatura das águas.
As águas dos polos são mais frias e menos salgadas, e as águas do equador mais quentes e mais salgadas.
No Atlântico norte, a Corrente do Golfo, que vai do equador em direção ao Pólo Norte, transporta o calor para toda a Europa ocidental, onde está Portugal. Chegando ao mar da Noruega a água da corrente do Golf, mais quente e mais salgada, encontra as águas frias e menos salgadas vindas do Pólo.
Se o aquecimento do planeta continuar esta Corrente tenderá a desaparecer e em vez de benefiarmos deste clima ameno passaremos a ter um clima gélido.
O que parece futurismo cientifico já esta a acontecer presentemente.
Parece que a paisagem humana portuguesa já está a ficar gelada. Casas quentinhas, mas corações esfriados.
A corrente de generosidade e empenho vinda do outro lado do Atlântico e o apelo da nossa querida Inês parece que ainda não conseguiu aquecer os corações dos amigos portugueses.
Ainda hoje a Inês pelo telefone me esteve e contar muito rapidamente as necessidades urgentes, por causa das epidemias provocadas pelos ratos que aparecem por todo o lado. Estão a morrer pessoas por falta de remédios e as casas, com as chuvadas, estão em péssimas condições.
E a Inês mostrou-se muito esperançada nos apoios que os amigos lhe poderão enviar.
Pode ser que a corrente quente esteja apenas atrazada, porque até hoje só houve 5 respostas ao apelo.

2007-11-12

Inês na República Dominicana: oportunidade de oração e solidariedade

Como sabem a Inês está a passar uns meses em Santo Domingo, na República Dominicana, junto de comunidades pobres em que as Irmãs Dominicanas do Rosário vivem e trabalham.
Mal lá chegou a região foi assolada pela tempestade tropical Noel que matou mais de 80 pessoas e deixou milhares sem casa.
Assim, a Inês tem sido uma testemunha directa de uma situação dramática em que se juntam epidemias, falta de medicamentos, casas destruídas (muitas são de madeira e chapa), ausência de condições mínimas de uma vida digna, para um povo já tão carecido. A tudo isto se junta
a falta de meios com que se debatem, pois a ajuda internacional com frequência não chega a quem mais precisa.
Todos nós que a conhecemos bem podemos imaginar a generosidade e entrega com que a Inês está a viver a situação dos mais pobres entre os pobres e sobretudo das crianças com quem tem trabalhado.
Estas semanas de vida da Inês em santo Domingo podem também ser para nós uma oportunidade para despertar em gestos de solidariedade e compromisso com aqueles que mais sofrem.
Desde logo, tendo presentes na oração as situações concretas que a Inês nos vai trazendo e aquilo que os meios de informação nos permitem saber.
Mas também pelo apoio material que possamos dar. Que não vai resolver o drama todo causado pela tempestade, mas pode ser de imensa utilidade para aquelas pessoas concretas a quem chegar.
Quem quiser e puder contribuir pode envair-nos um e-mail (regador.fava@gmail.com) solicitando o NIB.

2007-11-01

Inês: raios de Sol no meio da tempestade



Olá, olá a todos!
MUITO obrigada por todos os emails, mensagens e telefonemas! São todos fantásticos!!!
É mesmo bom ter noticias de todos! Continuem o bom trabalho! Desculpem a falta de resposta…prometo que quando voltar compenso!
O primeiro mês passou a voar (de repente 3 meses parece muito pouco…)!

Já sei o nome de todos e todos sabem o meu nome; já visito pessoas sozinha e recebo convites para ir a festinhas; já começo a ver frutos no trabalho e estou a organizar novos projectos; finalmente já falo espanhol naturalmente!
Resumindo: sinto-me parte da comunidade e um bocado dominicana! (Um fim-de-semana fui passear pela zona colonial e voltei a ser tratada como turista…Apetecia-me carimbar na testa: residente!!!)

TEMPESTADE:
Nao sei até que ponto foi divulgado em Portugal, mas a Republica Dominicana foi fortemente atacada pela tempestade Noel nos últimos dias!
Santo Domingo foi muito afectado, assim como outras provincias dominicanas! Há cerca de 60 mortos e muitos feridos e desaparecidos.
Na noite de Domingo começaram as chuvas e ventos muito fortes. A situação foi piorando de dia para dia até que hoje enfim, o sol voltou a brilhar!
Deixaram de existir ruas, cairam pontes, a vida parou. Aquí no bairro muitas pessoas ficaram de repente com as casas completamente submersas!
Onde antes haviam ruelas e casinhas, agora existe um grande lago pastoso e castanho.
A capela e a escola tornaram-se abrigos improvisados onde estive a ajudar. Mesmo aí, a água infiltrava-se (aliás como em todos os sitios)!
Passava pelo cimento e formava gotas no tecto e paredes! Tudo estava empapado de humidade: até as pessoas.
O mundo aquí transformou-se numa sopa de lama!
Mais uma vez fiquei impressionada com o espirito de solidariedade que existe nesta comunidade. Todos se ajudavam: seja com agua pela cintura, em casas alheias, a salvar o que se podia, ou a distribuir comida (mesmo quando tem pouca para si)!
Quem tinha a sorte de ter a casa seca, albergava o maximo de gente que pudesse! (Imaginam isto a passar-se em Portugal?)
Para piorar a situaçao aquí não se aplica o proverbio “depois da tempestade vem a bonança”. Aqui, depois da tempestade vem tudo o resto (como dizia ontem uma señora). Epidemias, dengue, colheitas destruidas, falta de energia, reconstrução de pontes e estradas, reconstrução das casas…
Bem… Espero que o proximo email seja mais alegre!
Beijos!!!
Inês

2007-10-16

Inês em Santo Domingo

La Zaura, Sto Domingo

A Inês foi a mais nova participante no Encontro de Fé e Oração que deu origem ao Regador.
Falei com a Inês pelo telefone (lá são menos 5 horas que em Portugal) que me disse que podia divulgar este primeiro mail de noticias que de lá mandou a 5 de Outubro.
É uma "honra" para nós termos a Inês a fazer esse trabalho fantástico e com tanto entusiasmo
Não deixem de lhe enviar os SMS de que ela gosta e claro... de rezar por ela e pela missão das irmãs dominicanas com quem está a viver.
Um abraço do frei Eugénio


Olá a todos!!!

Aqui estão as primeiras noticias da Republica Dominicana:

Fui muitissimo bem acolhida pelas duas comunidades onde vou viver estes 3 meses! Vou dividir o tempo entre La Zurza e Sabana Perdida, duas comunidades muito diferentes.

La Zurza fica mesmo na cidade de Santo Domingo. E um bairro cheio de casas/barracas tão próximas e encavalitadas umas nas outras, que o ambiente se torna muito claustrofobico. Não há espaço! Juntem muita sujidade, calor, droga, musica e violencia e ficam com uma ideia…


Aquí vivem varios refugiados do haiti, que se encontram numa situaçao complicada. Para serem legalizados precisam de muito tempo e dinheiro. Maior parte sao extremamente trabalhadores, mas mesmo assim mal conseguem ter dinheiro para comer e muito menos juntar para se legalizarem…


Nesta comunidade estou a ajudar na legalizaçao e a dar aulas aos filhos dos refugiados que podem ir para as escolas publicas, porque os pais nao estao legalizados!

Quando não estou a viver em La Zurza, mudo-me de mochila as costas (os trasportes sao mesmo engraçados! Taxis mesmo velhos e amassados que levam 7 pessoas ao mesmo tempo) para Sabana Perdida.


Sabana Perdida fica nos arredores de Santo Domingo. Ha mais espaço para respirar, mas a comunidade e mais pobre. Faltam condicoes basicas. Nunca ha agua e luz o dia todos, ha imensas crianças desnutridas, analfabetos, droga e violencia.


Estou a ajudar no centro de saude, a dar aulas e a dar apoio as varias familias de uma forma geral. O que e bom e se ve em Sabana Perdida, e que ha um grande espirito de comunidade! Quem esta com este projecto ja criou varias redes e delegou tarefas importantes nas pessoas do bairro que as cumprem com diligencia!

Estar no meio desta realidade foi como uma estalada na cara! Estou muito revoltada com as situaçoes injustas (todos os dias novas) com que me deparo! Apesar das dificuladades, todas as pessoas com quem me cruzo me convidam a entrar em sua casa, oferecem-me o que tem para comer e conversam comigo animadas!

Estou muito feliz de estar aquí e neste momento nao me imagino em mais nenhum sitio do planeta!

Nao posso ir com facilidade a Internet e por isso nao vou dar noticias regularmente…Mas escrevam-me muito para matar saudades!


Beijos e beijos para todos,
Inês!