2007-02-15

VIVA o EVANGELHO de Domingo 18 de Fevereiro

Lc. 6,27-38.
«Digo-vos, porém, a vós que me escutais:
Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam, rezai pelos que vos caluniam. [...]
Amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem nada esperar em troca.
Então, a vossa recompensa será grande e sereis filhos do Altíssimo, porque Ele é bom até para os ingratos e os maus.
Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso.»
«Não julgueis e não sereis julgados;
não condeneis e não sereis condenados;
perdoai e sereis perdoados.
Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço.
A medida que usardes com os outros será usada convosco.»

A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos...

“Depois disto, o Senhor designou outros setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois, à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. Disse-lhes: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe.” Lc. 10,2.
(do Evangelho de hoje, 14 de Fevereiro de 2007)

Escrevi há meses, num comentário que fiz a um post do REGADOR, que era necessário que houvesse mais participação e que se animasse o debate para que, através das várias opiniões expressas, se pudesse caminhar para um maior esclarecimento de todos os que aceitam participar neste espaço. Resumia a minha participação, nessa altura, a simples comentários aos textos que iam sendo “postados”.

Entretanto, há dias, vi um comentário da Pequenina em que dizia não ter o hábito de se manisfestar, talvez por insegurança. Esta insegurança não é só dela, é também de muitos de nós que nem sempre temos coragem de dar a cara. Mas, por isso mesmo, devemos apoiarmo-nos uns aos outros, para que todos saibamos e possamos dar a cara e defender as nossas opiniões. Se estiverem certas, servirão para escalarecer os outros e ajudá-los; se estiverem erradas, irão, certamente, desencadear as opiniões contrárias que nos permitirão evoluir no nosso pensamento, e melhor esclarecer a nossa consciência de cristãos.

Tendo em conta a passagem do Evangelho de hoje que acima transcrevo, e considerando que me aceitaram como um parceiro activo dest Blog, não posso deixar de reiterar o apelo que então fiz. Esta é uma forma de contribuir para a evangelização de que Jesus falava e para a qual nos deixou o seu apelo. E não é nosso dever de cristãos fazer a vontade de Jesus?

Este é, de facto, mais um desafio que Jesus nos coloca e ao qual temos o dever de responder. E este até é um dos desafio mais fáceis de assumir, se perdermos a vergonha de dar a cara e defender as nossas ideias. Eu já perdi e sei que tenho dito, e vou continuar a dizer, muitas asneiras, e que vou ter o frei Eugénio a “puxar-me as orelhas”. Mas não me importo. Com as críticas dele – e as vossas, está claro – vou conseguir aprender mais e esclarecer melhor as minhas ideias.

E se atentarmos no último post do Paulo, sobre a percentagem de católicos no mundo, vemos bem como são necessários trabalhadores para a messe do Senhor.

Oxalá muitos aceitem o desafio, pois este espaço é também, como tem sido hábito, mercê do “alimento” que o Paulo e a Domingas nos vão deixando, um espaço de oração em que podemos “dar as mãos” e irmanarmo-nos numa comunhão que responda ao outro desafio de Jesus: “Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles”. E este é um espaço de união entre nós, onde Jesus também vai estar.

2007-02-11

Depois da vitória do Sim

Como já se esperava, venceram os que defendem o aborto. Desde o início da campanha que a armadilha que foi nos colocada na formulação da pergunta fazia adivinhar o desfecho deste referendo.

De facto, a pergunta tinha duas questões distintas as quais unificou, facto que deu origem a um dilema de resolução impossível: se se era a favor da despenalização da mulher, então tinha que se ser a favor da liberalização do aborto até às 10 semanas; se se era contra a liberalização do aborto, então tinha que se ser contra a despenalização da mulher. Ou seja, não podiamos decidir uma coisa sem que essa decisão arrastasse a outra.

Fomos, assim, questionados neste quadro falacioso, infelizmente legalizado pelos nossos políticos, e pelo Tribunal Constitucional que se revelou, nesta questão, mais um órgão ao serviço da política do que da defesa dos direitos dos constituintes. E tivemos, por isso, de decidir contra a mulher e contra o seu filho. Para defender a mãe tínhamos que aceitar que se podia matar o filho; e para defender o filho, tínhamos que aceitar que a mãe podia ser penalizada.

Triste mundo (e país) em que vivemos!

Que o Senhor que hoje nos ensina a alegria das bem-aventuranças, nos ajude a sermos humildes e percebermos que os seus caminhos são insondáveis.

Que o Senhor tenha misericórdia e ilumine aqueles de quem disse: “Ai de vós, os que agora rides, porque gemereis e chorareis!”

E agora que terminou o debate e se assumiram decisões, que nós cristãos saibamos dar as mãos para encontrar as formas de ajudar os que precisam para ajudar a evitar o mal que o aborto representa. No mínimo, juntemos as nossas orações pelas mães que estão grávidas e vivem a angústia dessa decisão, e também pelos filhos que não vão ter o direito de nascer.

Que o nosso Deus nos ilumine e nos permita a humildade de acreditar nas palavras do Pai Nosso: “seja feita a Vossa vontade… e perdoai-nos as nossas ofensas…!”.

2007-02-10

15.000 crianças!

Em Portugal há 15.000 crianças "institucionalizadas".
Isto é, crianças sem família e que vivem em instituições.
Fonte: JN, de hoje.

2007-02-08

Ovos da Felicidade

VIVA o EVANGELHO de Domingo 11 de Fevereiro

Lc. 6,17.20-26.

Descendo com eles, deteve-se num sítio plano, juntamente com numerosos discípulos e uma grande multidão de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e de Sídon.
Erguendo os olhos para os discípulos, começou a dizer:
«Felizes vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus.
Felizes vós, os que agora tendes fome, porque sereis saciados.
Felizes vós, os que agora chorais, porque haveis de rir.
Felizes sereis, quando os homens vos odiarem, quando vos expulsarem, vos insultarem e rejeitarem o vosso nome como infame, por causa do Filho do Homem.
Alegrai-vos e exultai nesse dia, pois a vossa recompensa será grande no Céu. Era precisamente assim que os pais deles tratavam os profetas».
«Mas ai de vós, os ricos, porque recebestes a vossa consolação!
Ai de vós, os que estais agora fartos, porque haveis de ter fome!
Ai de vós, os que agora rides, porque gemereis e chorareis!
Ai de vós, quando todos disserem bem de vós! Era precisamente assim que os pais deles tratavam os falsos profetas».

Mulheres

Num momento em que se fala tanto das mulheres é oportuno salientar o lugar destacado que as mulheres ocupam nos evangelhos, em particular no de Lucas.
De acordo com a lição de António Couto, a que tive o gosto de assistir esta semana, aparecem em Lc as seguintes mulheres:

Isabel
Maria
Ana
Viúva de Naim
Pecadora agradecida
Maria Madelena
Marta e Maria
Mulheres curadas
Mulher que felicita Maria
Mulheres curvadas
Viúva importuna
Filhas de Jerusalém
Temos muito a aprender com elas.

2007-02-07

NÃO SOUBE DO MUNDO...

NÃO SOUBE DO MUNDO...

Era tão pequeno que ninguém o via,
dormia sereno enquanto crescia...
Sem falar pedia – porque era semente –
Ver a luz do dia como toda a gente.
Não tinha usurpado a sua morada,
não tinha pecado, não fizera nada...


Não soube do mundo...

Foi sacrificado enquanto dormia,
Esterilizado com toda a mestria.
Antes que a tivesse, taparam-lhe a boca,
Tratando-o, parece, qual bicho na toca.
Não soltou vagido, não teve amanhã.
Não ouviu "Querido"... Não disse "Mamã!"
Não sentiu um beijo, nunca andou ao colo...
Nunca teve o ensejo de pisar o solo,
com o andar hesitante,
sorrindo no encalço do abraço distante.

...Não soube do mundo...

Nunca foi à escola de sacola ao ombro,
nem olhou estrelas com olhos de assombro.
Crianças iguais à que ele seria,
não brincou com elas, nem soube que havia.
Não roubou maçãs, não ouviu os grilos,
não apanhou rãs nos charcos tranquilos.
Nunca teve cão, vadio que fosse,
a lamber-lhe a mão à espera de um doce.


...Não soube do mundo...

Não soube que há rios, e ventos, e espaços...
Invernos, estios, mares e sargaços,
as flores e os poentes.
E peixes e feras... d’hoje e d’outras eras.
Não soube do mundo – nem sentiu magia!


...Não soube do mundo...

Num breve segundo...
Foi neutralizado com toda a mestria.
Com alvas batas, máscaras de Entrudo, técnicas exactas,
mãos especializadas negaram-lhe tudo!
O destino inteiro!
Porque os abortistas, nasceram primeiro!


...Não soube do mundo.

(poema de Renato de Azevedo)

A minha posição no Referendo Sobre o Aborto

O que está em discussão no presente referendo são aspectos importantes que ultrapasam, em meu entender, a simples questão da punição da mulher, argumento mais utilizado pelos defensores do SIM. E é para mim óbvio que aqueles que são verdadeiramente cristãos não poderão nunca desejar a punição da mulher. Se o fizerem, estão a negar a essência do cristianismo que se afirma pelo Amor e pela Misericórdia, como tão bem Jesus nos explicou na passagem da mulher adúltera.

Todavia, num referendo sobre este tema são vários os aspectos em causa e é importante tê-los em conta quando se vai decidir. Para mim, são essencialmente três os principais aspectos: a Vida, a mulher que aborta e aqueles que, ilegalmente pelo menos, a ajudam activamente a praticá-lo, ou a influenciam nesse sentido.

O primeiro aspecto é para mim o essencial e é este que não vejo debatido com profundidade. É evidente que, seja do ponto de vista filosófico, seja do ponto de vista científico, existem posições divergentes, todas respeitáveis, se seriamente expostas. E, sendo o essencial muitas vezes invisível aos olhos dos homens, como dizia Saint-Exupery no seu belo livro “Le Petit Prince”, só com o coração o podemos ver. Por outro lado, sendo a vida humana um mistério que a ciência ainda não desvendou, se é que algum dia conseguirá desvendá-lo, apenas a podemos conceber para além da visão materialista dos nossos olhos.

Mas sempre haverá quem, na sua autosuficiência, afirme que a vida é um valor, mas não o Valor absoluto como é assumido pelos que acreditam num Deus criador. Esta é uma questão cujo debate é, e será, sempre difícil, pois que se confrontam dois planos: o da Fé que procura ver para além da razão (espreitar o tal “essencial”) e o do materialismo que nega a existência de um Criador, e para o qual a vida só existe no plano da minha consciência, portanto do meu “eu”.

Este último conceito de vida é, na minha opinião, um conceito que tende a promover o egocentrismo, na medida em que em que só aceita a vida enquanto confinada à própria existência física e real, existência que é para esse ser mais importante do que o que lhe está ao lado. É um conceito que tende a afastar-se da essência do Amor de Cristo, no que respeita à noção do nosso próximo, mesmo aceitando que, nessa concepção do mundo, entram os valores da solidariedade.

É por isso que, como cristão, só posso defender o valor essencial da Vida e negar o direito à opção livre pelo aborto, pelo menos sempre que a ciência não consegue provar uma definitiva incompatibilidade de o ser criado poder vir a ter uma existência real.

Admito, contudo, que o Deus em que acredito, porque é infinitamente Misericordioso e a Essência do Conhecimento e Sabedoria, não irá nunca “desperdiçar” a criação que se consumou com a junção de duas células, a masculina e a feminina, sempre que a Sua presença se manifesta por intermédio do Espírito Santo. Só isso me permite perceber as palavras de Deus que os profetas nos transmitem: “…Eu te criei, desde o ventre te formei…”.

Por esta razão, pela Fé que professo e pela confiança infinita que quero depositar no meu Criador, vou votar NÃO à pergunta que me interroga, não se concordo com a despenalização do aborto, mas se concordo com essa despenalização e com a legalização do aborto livre até às dez semanas.

No que respeita ao segundo aspecto que tem a ver com a punição das mulheres que abortam, não posso deixar de, à luz da mesma Fé que professo, me afirmar claramente pela alteração da legislação, pois se Jesus nos ensinou, na passagem da mulher adúltera, a não condenar ninguém, como podem os homens defender essa condenação.

A este respeito, antes do mais se deve perceber que a maioria das mulheres praticam o aborto sob pressões psicológicas enormes, ou fortes coações sociais, estando, por isso, indefesas e perturbadas. Tal explica os inúmeros testemunhos de arrependimento de muitas que o praticam e a imensa culpa que carregam com elas, punição bem mais forte do que aquela que as leis humanas poderiam acarretar.

Por outro lado ainda, nem todas as mulheres que abortam tem a mesma Fé e a mesma crença que nós cristãos professamos, não acreditando na existência de vida para além da manifestação real que tem da mesma após o nascimento. Sendo assim, é sem grande culpabilidade ou dúvida que, naquele momento, encaram o acto de abortar como uma simples extirpação de um corpo extranho que nada lhes diz. E, como Jesus nos disse que só Deus sabe quem será salvo, só a Ele compete julgar estas mulheres que decidem de acordo com a sua consciência.

Mas, pese embora este facto de nem todos acreditarem nos mesmo princípios e valores que defendo, ou que os cristãos defendem, entendo que nenhum Estado de direito pode ignorar o valor primordial da Vida que reconhece noutras áreas da jurisdição, para dar o direito de decisão unicamente à mulher.

Por este motivo, continuo a votar NÃO.

Finalmente, aqueles que auxiliam a prática do aborto. Para estes, emboram prevaleçam os valores cristãos atrás assumidos, não posso deixar de defender a punição sempre que infringirem a legislação em vigor. Estes não estão sob a pressão psicológica, nem a coação social a que a mulher pode estar sujeita e, por isso, praticam esse acto por meros interesses comerciais, com consciência plena e clara da infração ou crime cometido. Para eles serve a “lei de César”, pois como é dito, “a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.

Por este motivo, votaria sempre e continuo a votar NÃO.

Em resumo, voto NÃO porque acredito que o feto é um ser vivo, onde Deus já habita e que serve o Seu Plano da Criação. Faço-o, também, porque é a única forma de defender o que é indefeso e não se pode manifestar. Faço-o ainda, porque entendo haver formas de evitar a maioria das gravidezes que terminam ou motivam o aborto, seja pela educação sexual, seja pela intervenção com os vários métodos anti-concepção que existem. Faço-o, finalmente, na convicção de que ao Estado cabe defender todas as formas de vida, promovendo as acções necessárias, para ajudar as mulheres em situação de dificuldade, psicológica ou social, ou acolhendo os que nascem e são rejeitados pelas mesmas, na certeza de sempre haverá alguém que os queira ajudar integrando-os em família. É para isso que deve servir a minha contribuição de cidadão que paga os seus impostos e com eles contribui para o bem social.

Voto ainda pelo NÃO, porque nada me permite até hoje assumir que às dez semanas há uma diferença qualitativa em relação ao momento da criação do ovo, ou ao tempo que segue a esse período. E, neste último caso, os que legislam e que defendem o SIM já admitem a punição, sem atenderem às mesmas pressões psicológicas e sociais, e sem assumirem que continua a existir a liberdade da mulher decidir, “mandar na sua barriga” como temos vindo a ver escrito por muitas delas.

Finalmente, entendo que o voto em branco é a posição mais cómoda, mas é a posição que nos transforma em Pilatos e nos faz não sermos dignos da liberdade, civíl ou, também, cristã, de que estamos imbuídos.

Um último comentário para o post 15 Questões sobre o Referendo. Como disse, estou de acordo com a maioria das afirmações e o que vou dizer não é uma crítica ao documento. Mas entendo que é sempre mais clara e transparente uma posição destas quando o seu autor dá a cara e assume a autoria. Porquê escondermo-nos atrás do anonimato em questões que são vitais para a nossa sociedade?

Hugo Meireles

2007-02-06

Referendo aborto

Introduzi este texto num comentário, por não saber introduzi-lo aqui. Graças à ajuda que estou a ter, vou passá-lo de novo:


Recebi o seguinte comentário a um mail que enviei:
«Como não sabes no que vais votar?? Achas que a despenalização, obriga alguem a abortar?? Achas que uma mulher que fez um aborto, deve ser condenada e/ou presa?? Não seria melhor, o aborto com 10 semanas, que o assassinato ao fim de 8 ou 9 anos, como a miuda do Algarve (joana?). Quantas Joanas existem por aí????
PENSA POR ESTA VIA ...............»


Ao qual respondi:

«Acho que estás a ver o problema com muita emoção e pouca informação.
«Considerando que:
1 - é sabido que a legislação espanhola é igual à portuguesa;
2 - que se fazem muitos abortos legais em Espanha porque os médicosespanhóis atendem muito ao argumento de danos psíquicos (consideradosna lei actual) e os médicos portugueses, não;
3 - que um número elevado das espanholas que abortaram legalmente sofre agora de problemas psíquicos por tê-lo feito;
4 - que a generalidade do povo espanhol está satisfeita com alegislação e não vê motivos para a alterar;

«eu votaria indiferentemente no NÃO ou no SIM, se:

1 - fosse garantido que as mulheres que querem abortar tivessem um acompanhamento/aconselhamento psicológico honesto que promovesse o seubem-estar no momento da decisão (seja ela qual for) e no futuro; é preciso não esquecer que o bem-estar da mulher significa o bem-estardo embrião (?), do feto e da criança nascida, se a gravidez for mantida;
2 - fossem criados todos os meios necessários (em pessoal, logísticos e financeiros) à mulher e à criança no caso de se manter a gravidez;
3 - permanecesse o acompanhamento psicológico e material à mulher que abortou;
4 - implementasse uma educação sexual e planeamento familiar fiáveis;
5 - fosse alterada a actual lei da adopção para a agilizar (há muitos casais à espera de autorização para adoptar).
«Como vês, eu não tenho dúvidas sobre o que pretendo acerca do aborto - eu tenho certezas. A minha dúvida está somente no sentido do voto, que provavelmente será em branco. Tudo o resto que se diz por aí a favor ou contra é cientificamente discutível, ou preconceituado, emocional, muitas vezes falso e, portanto, irrelevante. É de lamentar que, quem tem poder de decisão ou de a precionar tenha andado a dormir sobre o assunto e só acorde para os referendos.

«Considero este referendo prematuro. Devia ter-se criado primeiro as condições necessárias (e depois até nem seria necessário o referendo). Por outro lado, o referendo tem que ser feito agora para pressionar a alteração da má situação actual, pois os indivíduos e instituições só pensam no problema quando sentem o rabo a arder.»"


António da Veiga

2007-02-05

Caros amigos

Depois de algumas incursões por este Blog sob o nome de umamigo resolvi, ontem, após um aceso e interessante debate com o frei Eugénio, a Zaida, o Paulo e o Bruno, sobre o tema da actualidade, o referendo sobre o aborto, dar a cara e começar a participar mais activamente no mesmo.

Será este o meu pequeno contributo, humilde e, não tenho dúvidas, muitas vezes sem sentido, mas que faço para me afirmar como gente de Cristo. Será este, também, o meu modo de regressar à FAVA.

Vou, assim, aceitar desafio do frei Eugénio no seu último post e começar a "regar" neste espaço. Para isso, para além da ajuda que vou pedir na oração, venho também pedir que na vossa oração se lembrem de pedir por mim para que as minhas palavras possam ser sempre palavras de Fé, Amor , Verdade e Amizade.

A minha regadela de hoje vai para a invocação final do comentário ao Evangelho do dia feito por : Santa Faustina Kowalska (1905-1938), religiosa (Pequeno Diário, § 948-949):

"Ó Deus eterno, cuja misericórdia é insondável e cujos tesouros de compaixão são inesgotáveis, olha-nos com bondade e cumula-nos da tua misericórdia, para que não desesperemos nos momentos difíceis, nem percamos a coragem, mas nos submetamos, com grande confiança, à Tua santa vontade, que é o Amor e a própria Misericórdia."

Nestes momentos de debate tão intenso sobre um tema tão importante para nós que acreditamos na Vida, mas também na Misericórida do nosso Deus e Senhor, nunca é demais pedirmos que Ele nos dê a coragem e a lucidez para decidirmos dizendo intimamente: Seja feita a Tua vontade, assim na terra como nos Céus...

2007-02-03

Desafio

Na fotografia do post anterior está o esquema/resumo da reflexão de hoje, com pais e filhos, na FAVA, sobre a formação da consciência.
É do espírito da FAVA aprendermos uns com os outros.
É uma reflexão pode ser regada com os contributos de todos.
Vamos a isso!

FAVA: é urgente escutar a voz da consciência


Diante de uma situação a consciência bem formada não pergunta
"que mal está nisso?",
mas sim "que bem há nisso?"

2007-02-02

Eco do Evangelho de Domingo, 4 de Fevereiro

Lc. 5,1-11.

Entrou num dos barcos, que era de Simão, pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra e, sentando-se, dali se pôs a ensinar a multidão.
Quando acabou de falar, disse a Simão:
«Faz-te ao largo; e vós, lançai as redes para a pesca.»
Simão respondeu: «Mestre, trabalhámos durante toda a noite e nada apanhámos; mas, porque Tu o dizes, lançarei as redes.»
Assim fizeram e apanharam uma grande quantidade de peixe. [...]
Ao ver isto, Simão Pedro caiu aos pés de Jesus, dizendo: «Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador.»
Ele e todos os que com ele estavam encheram-se de espanto por causa da pesca que tinham feito; o mesmo acontecera a Tiago e a João, filhos de Zebedeu e companheiros de Simão. Jesus disse a Simão: «Não tenhas receio; de futuro, serás pescador de homens
E, depois de terem reconduzido os barcos para terra, deixaram tudo e seguiram Jesus.

2007-01-31

Primeiro árabe "Justo"

O tunisino Khaled Abdelwahhab, arqueólogo amador e arquitecto, é o primeiro árabe nomeado para ser reconhecido como "Justo entre as Nações" pelo Yad Vashem, o memorial oficial do Holocausto. A honra está guardada para os não judeus que arriscaram a vida para salvar judeus dos nazis.
No auge da Segunda Guerra Mundial, Khaled Abdelwahhab escondeu um grupo de judeus na sua quinta na Tunísia, salvando-os das tropas nazis que ocupavam este país do Norte de África.

2007-01-26

Eco do Evangelho de Domingo, 28 de Janeiro

Lc. 4,21-30.
Começou, então, a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir.» Todos davam testemunho em seu favor e se admiravam com as palavras repletas de graça que saíam da sua boca. Diziam: «Não é este o filho de José?» Disse-lhes, então: «Certamente, ides citar-me o provérbio: 'Médico, cura-te a ti mesmo.' Tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaúm, fá-lo também aqui na tua terra.» Acrescentou, depois: «Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua pátria. Posso assegurar-vos, também, que havia muitas viúvas em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou durante três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a terra; contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas, mas sim a uma viúva que vivia em Sarepta de Sídon. Havia muitos leprosos em Israel, no tempo do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi purificado senão o sírio Naaman.» Ao ouvirem estas palavras, todos, na sinagoga, se encheram de furor. E, erguendo-se, lançaram-no fora da cidade e levaram-no ao cimo do monte sobre o qual a cidade estava edificada, a fim de o precipitarem dali abaixo. Mas, passando pelo meio deles, Jesus seguiu-o seu caminho.

2007-01-25

Pelo Sim, Pelo Não

Uma reflexão séria sobre o referendo do próximo dia 11 de Fevereiro impõe a leitura do Acórdão n.º 617/2006, do Tribunal Constitucional.
Para além do corpo do acórdão, de que foi relatora Maria Fernanda Palma, vale a pena ler as declarações de voto de vencido, nomeadamente, de Rui Moura Ramos, Paulo Mota Pinto e de Maria dos Prazeres Pizarro Beleza.

2007-01-22

Abbé Pierre



Faleceu o fundador da comunidade Emaús e uma das mais emblemáticas figuras da luta contra a pobreza, o francês abade Pierre, aos 94 anos de idade.

É dele o grito de alarme de 1954, início da campanha a favor dos sem abrigo:

«Mes amis, au secours...
Une femme vient de mourir gelée, cette nuit à trois heures, sur le trottoir du boulevard Sébastopol, serrant sur elle le papier par lequel, avant hier, on l’avait expulsée...»

2007-01-20

Eco do Evangelho de Domingo, 21 de Janeiro (III do Tempo Comum)

Lc. 1,1-4.4,14-21.
[...]
Impelido pelo Espírito, Jesus voltou para a Galileia e a sua fama propagou-se por toda a região. Ensinava nas sinagogas e todos o elogiavam. Veio a Nazaré, onde tinha sido criado.
Segundo o seu costume, entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-se para ler. Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías e, desenrolando-o, deparou com a passagem em que está escrito:
«O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres;
enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista;
a mandar em liberdade os oprimidos,
a proclamar um ano favorável da parte do Senhor.»
Depois, enrolou o livro, entregou-o ao responsável e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Começou, então, a dizer-lhes:
«Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir.»

2007-01-17

Referendo ao aborto: por falar em crimes...

Vale a pela ler a Lei Orgânica do Regime do Referendo (Lei 15-A/98, 3 Abril).

No seu artigo 206º (Abuso de funções) lê-se:

"O cidadão investido de poder público, o funcionário ou agente do Estado ou de outra pessoa colectiva pública e o ministro de qualquer culto que se sirvam abusivamente das funções ou do cargo para constranger ou induzir eleitores a votar ou a deixar de votar em determinado sentido são punidos com pena de prisão até dois anos ou com pena de multa até 240 dias."

E pelo artigo 190º fica a saber-se que "A tentativa é sempre punida."

Para mais esclarecimentos ver este post.

Por uma boa causa

Foi lançada uma petição electrónica à assembleiada república, com o objectivo de que a Internet, o software, o Multibanco, a televisão, as comunicações móveis e máquinas de venda de produtos e serviços, sejam acessíveis a todos, incluindo as pessoas com deficiência e idosas, que constituem cerca de 20% da população portuguesa.
Tal acessibilidade é essencial para a melhoria da qualidade de vida, tanto profissional como pessoal, de grande fatia da população, pois os meios electrónicos estão cada vez mais presentes na nossa vida e são cada vez mais importantes.
É imperioso que todas as pessoas possam usufruir deles.
A petição pode ser lida e assinada em: http://www.lerparaver.com/acessibilidade

2007-01-15

Diferentes vivências do Cristianismo

Só ficamos a ganhar quando partilhamos diferentes formas de viver o Cristianismo.
Aprende-se muito.
É o caso deste post que relata a experiência de um Católico num meio de maioria protestante, na Escócia dos nossos dias.
Uma boa sugestão de reflexão, na semana da unidade dos cristãos (18 a 25 de janeiro).

2007-01-14

Já se estava a adivinhar

«(...) os párocos de Montalegre e Chaves vão começar agora a seleccionar e a propor leigos para a preparação [de celebrações dominicais sem padre].
Mas vai ser difícil seguir a recomendação do bispo da diocese para propor sobretudo homens. "São as mulheres que têm mais jeito para isso, são as que cantam, fazem catequese...", adianta Vítor Pereira.
Também Delmino Fontoura aponta que há dificuldades em "encontrar homens com boa dicção". E há ainda os problemas da literacia. Padre de quatro paróquias, tem nove aldeias a seu cargo. Numa delas, vai apenas propor um leigo para a preparação, porque só essa pessoa sabe ler.
Noutra aldeia, onde moram 25 pessoas, só há duas jovens, de 16 e 17 anos, que dominam as artes da leitura. "Elas faltando, mais ninguém sabe ler."»
Vale a pena ler este artigo, que nos revela o país real, no DN de hoje.

2007-01-12

Eco do Evangelho de Domingo, 14 de Janeiro

Jo. 2,1-12.
Ao terceiro dia, celebrava-se uma boda em Caná da Galileia e a mãe de Jesus estava lá. Jesus e os seus discípulos também foram convidados para a boda.
Como viesse a faltar o vinho, a mãe de Jesus disse-lhe:
«Não têm vinho!»
Jesus respondeu-lhe: «Mulher, que tem isso a ver contigo e comigo? Ainda não chegou a minha hora.»
Sua mãe disse aos serventes:
«Fazei o que Ele vos disser!»
Havia ali seis vasilhas de pedra preparadas para os ritos de purificação dos judeus, com capacidade de duas ou três medidas cada uma.
Disse-lhes Jesus: «Enchei as vasilhas de água.»
Eles encheram-nas até cima.
Então ordenou-lhes:
«Tirai agora e levai ao chefe de mesa.»
E eles assim fizeram.
O chefe de mesa provou a água transformada em vinho, [...] chamou o noivo e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho melhor e, depois de terem bebido bem, é que serve o pior. Tu, porém, guardaste o melhor vinho até agora!»
Assim, em Caná da Galileia, Jesus realizou o primeiro dos seus sinais miraculosos, com o qual manifestou a sua glória, e os discípulos acreditaram nele.

2007-01-11

Gandhi e os pecados sociais

(fonte: sitio da visita do Presidente da República à India - http://www.presidencia.pt/india2007/)

Baseado nos princípios éticos do hinduísmo e do Sermão da Montanha, Mahatma Gandhi denunciou os sete pecados Sociais modernos:
1. Política sem princípios
2. Riqueza sem trabalho
3. Prazer sem consciência
4. Educação sem caráter
5. Negócios sem moral
6. Ciência sem humanismo
7. Religião sem sacrifício

Principios pensados nos anos 40, mas que continuam bem actuais.

2007-01-08

2007-01-05

Eco do Evangelho de Domingo, 7 de Janeiro (EPIFANIA)


Mt. 2,1-12.
[...] Herodes mandou chamar secretamente os magos e pediu-lhes informações exactas sobre a data em que a estrela lhes tinha aparecido.
E, enviando-os a Belém, disse-lhes:
«Ide e informai-vos cuidadosamente acerca do menino; e, depois de o encontrardes, vinde comunicar-mo para eu ir também prestar-lhe homenagem.»
Depois de ter ouvido o rei, os magos puseram-se a caminho.
E a estrela que tinham visto no Oriente ia adiante deles, até que, chegando ao lugar onde estava o menino, parou.
Ao ver a estrela, sentiram imensa alegria; e, entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, adoraram-no; e, abrindo os cofres, ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra.
Avisados em sonhos para não voltarem junto de Herodes, regressaram ao seu país por outro caminho.

2007-01-04

FELIZ ANO NOVO !


Arma Secreta


Tenho uma arma secreta
ao serviço das nações.
Não tem carga nem espoleta
mas dispara em linha recta
mais longe que os foguetões.
Não é Júpiter, nem Thor,
nem Snark ou outros que tais.
É coisa muito melhor que todo o vasto teor
dos Cabos Canaverais.
A potência destinada
às rotações da turbina
não vem da nafta queimada,
nem é de água oxigenada
nem de ergóis da furalina.
Erecta, na torre erguida,
em alerta permanente,
espera o sinal da partida.
Podia chamar-se VIDA.
Chama-se AMOR, simplesmente.

António Gedeão