2007-06-02

PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO


VIVA o EVANGELHO de Domingo, 3 de Junho Santíssima Trindade

Jo. 16,12-15
«Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender por agora. Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, há-de guiar-vos para a Verdade completa. Ele não falará por si próprio, mas há-de dar-vos a conhecer quanto ouvir e anunciar-vos o que há-de vir. Ele há-de manifestar a minha glória, porque receberá do que é meu e vo-lo dará a conhecer. Tudo o que o Pai tem é meu; por isso é que Eu disse: 'Receberá do que é meu e vo-lo dará a conhecer'.»

2007-05-25

VIVA O EVANGELHO DE DOMINGO, 28 de Maio

Jo. 20,19-23.
Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes:
«A paz esteja convosco!»
Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o peito. Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor. E Ele voltou a dizer-lhes:
«A paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós.»
Em seguida, soprou sobre eles e disse-lhes:
«Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.»

2007-05-24

Domingos de Gusmão



Os dominicanos festejam hoje a trasladação do corpo de São Domingos para o túmulo no convento de Bolonha, onde se encontra presentemente.
Extracto do relato deste acontecimento de 1233, contado pelo beato Jordão de Saxónia, contemporâneo de São Domingos:


«Logo que se levantou a laje começou a exalar-se através do pequeno orifício da parte superior um maravilhoso perfume, cuja fragrância deixou a todos os presentes pasmados, pois não sabiam a sua origem.
(...)
O corpo foi trasladado para um sepulcro de mármore, para ali ficar sepultado com os próprios aromas. Do santo corpo saía um cheiro maravilhoso que manifestava a todos, com toda a evidência ser santo odor de Cristo (2 Cor. 2, 15). Celebrou a missa solene o arcebispo e, sendo o terceiro dia de Pentecostes, o coro entoou o intróito 'Recebei o gozo da vossa glória, dando graças a Deus, que vos chamou aos reinos celestes'. Vozes que os irmãos escutaram no meio de grande regozijo como vindas do céu. Soam as trombetas e a gente acende uma inumerável quantidade de velas, celebram-se lindas procissões c em toda a parte se bendiz o nome de Cristo. Tudo isto se passou na cidade de Bolonha no dia 24 de Maio de 1233, indicação VI, ocupando a Sede Romana o Papa Gregório IX e governando o império Frederico II.»

2007-05-23

Mobilização

Recentemente houve uma conferência na Fundação Gulbenkian sobre um conceito que tem alcançado muito sucesso no Reino Unido: as "comunidades de aprendizagem" (learning communities). A iniciativa foi do Fórum de Educação para a Cidadania ( http://www.cidadania-educacao.pt/Somos.htm ).
Partindo do princípio de que aprender transforma as nossas oportunidades a ONG ContinYou trabalha em vários domínios (e.g. envolvimento dos pais na aprendizagem dos filhos; prolongamento do período de funcionamento das escolas...) e com várias organizações em ordem a ligar a aprendizagem ao longo da vida à saúde e à regeneração das comunidades.
Vale a pena conhecer esta mobilização por uma dimensão em que a nossa sociedade tem falhado, e a que tem faltado isso mesmo: mobilização (ver http://www.continyou.org.uk/).

2007-05-22

Hergé - 100 anos


Hergé, criador do Tintin, nasceu há cem anos (22 de Maio de 1907).
É dificil imaginar como seria a nossa infância e juventude sem Tintim e os seus amigos!
E que amigos! Uns bêbados, outros surdos, outros palermas, outros distraídos... Mas com todos Tintin consegue sair-se bem das aventuras em que se mete!
Com Tintin também aprendemos que é sempre bom ter um amigo marinheiro com quem navegar.
Obrigado Hergé!

2007-05-19

Ascensão pintada por Giotto

para ampliar, basta clicar sobre ela

VIVA O EVANGELHO de Domingo - Ascensão do Senhor

Lc. 24,46-53.

Disse-lhes Jesus: «Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e ressuscitar dentre os mortos, ao terceiro dia;
que havia de ser anunciada, em seu nome, a conversão para o perdão dos pecados a todos os povos, começando por Jerusalém.
Vós sois as testemunhas destas coisas. E Eu vou enviar-vos o que meu Pai prometeu. Entretanto, permanecei na cidade até serdes revestidos com a força do Alto.»
Depois, levou-os até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os.
Enquanto os abençoava, separou-se deles e elevava-se ao Céu.
E eles, depois de se terem prostrado diante dele, voltaram para Jerusalém com grande alegria.
E estavam continuamente no templo a bendizer a Deus.

2007-05-16

Papa aos Bispos

Foi considerado o discurso mais marcante que o Papa fez no Brasil, na Catedral de S. Paulo, aos bispos do Brasil, no dia 11 de Maio.

O texto integral pode ser lido aqui.

Para ler um bom resumo visite este site (em espanhol).

2007-05-13

Jovens, Igreja, Brasil

A maioria dos jovens católicos brasileiros, entre 18 e 29 anos, dizem que, mesmo praticando o oposto do que a doutrina prega, são bons católicos. É a Igreja, na opinião deles, que está atrasada.
Esta é a conclusão de uma pesquisa exclusiva do Ibope, que entrevistou quase dois mil jovens, em 315 municípios.
A maioria desses jovens se declarou católica, mas não se sente culpada por não seguir ao pé da letra algumas orientações da Igreja. Para eles, acima de tudo está a fé.
Pode ler aqui um resumo dos resultados da pesquisa, sobre a qual vale a pena reflectir.
Se calhar, em Portugal o resultado não seria muito diferente.

2007-05-11

VIVA O EVANGELHO de Domingo, 13 de Maio

Jo. 14,23-29.
Respondeu-lhe Jesus:
«Se alguém me tem amor, há-de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada.
Quem não me tem amor não guarda as minhas palavras; e a palavra que ouvis não é minha, mas é do Pai, que me enviou».
«Fui-vos revelando estas coisas enquanto tenho permanecido convosco; mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse é que vos ensinará tudo, e há-de recordar-vos tudo o que Eu vos disse.»
«Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo, que Eu vo-la dou. Não se perturbe o vosso coração nem se acobarde. Ouvistes o que Eu vos disse: 'Eu vou, mas voltarei a vós.' Se me tivésseis amor, havíeis de alegrar-vos por Eu ir para o Pai, pois o Pai é mais do que Eu. Digo-vo-lo agora, antes que aconteça, para crerdes quando isso acontecer.»

2007-05-10

Brasil

A viagem de Bento XVI ao Brasil e a V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe podem ser acompanhadas aqui, aqui e aqui.

2007-05-09

Mensagem da Comunidade Dominicana Internacional de Bruxelas

A Message from St Dominic’s International Priory in Brussels
on the occasion of the 50th anniversary of the signing of the Treaty of Rome
(Sumary by Br. Eugénio Boléo at 9 mai, Europes' day)

For the last six years, Dominican friars from different countries of the European Union have been living in community in Brussels, not far from the places where the decisions are being taken which bear upon the future of our continent. From day to day, we share the cares and the joys of the family and professional lives of people who have come to live and work in Brussels.
In these days when we are commemorating the signing of the Treaty of Rome, we wish to give thanks for the boldness and intuition of those who, after the Second World War, set out on the difficult path of reconciliation which has borne fruit even to the present day.
Fifty years on, the links woven by means of a plethora of exchange programmes linking numerous political, cultural and economic institutions, and also individual citizens and families in our different countries, have borne fruit in improved mutual understanding.
In the course of the everyday life of the international Dominican community, we have had the privilege of being able to bring together our histories and our cultures.
This experience nourishes our conviction that the decision to deepen our European unity is the right one, and one which corresponds to the Christian message. It is more than ever necessary.

This process of stimulating mutual respect and collaboration is by no means complete. Real challenges remain for the future. In the European symphony, some dissonant notes can still be heard. Tensions exist, in particular that between the ideal of transparent democracy and the reality of personal self-interest in search of influence and power. Another is that which has developed between the search for peace through solidarity, and the priority given to the free exchange of goods, people and services, not a concern for many Europeans. Another is the tendency to give priority to national interests over against the pursuit of the common good. Again, solidarity with developing nations is out of all proportion with the enormous material wealth of our continent.
In the tradition of the Christian faith, our Dominican community is particularly concerned to see a spiritually alive Europe where the special qualities of each person are respected, a Europe which works for justice and the building of a better future for all its inhabitants including the most deprived and defenceless. Holding out a hand to those who do not necessarily share our basic options of life, we seek to build bridges between men and women of many different horizons.
The anniversary of the signing of the Treaty of Rome is for us an opportunity to speak a word of encouragement the men and women who share the same concerns to work together wherever man suffers the loss of his dignity.

Brussels, 25 March 2007
The members of St Dominic’s International Community, Brussels:
Alain Arnould – Ignace Berten – Eugenio Boleo – Mark Butaye – Bob Eccles – Bernard Olivier – Michel Van Aerde - Jean-Marie Van Cangh – Marian Wojciechowski – Diethard Zils
O texto completo em francês pode ser lido aqui.

9 de Maio


A União Europeia comemora hoje, quarta- feira, 9 de Maio, o "Dia da Europa".

2007-05-08

CRISTÃOS IRAQUIANOS

Vi esta notícia . É muito chocante. Vergonha para extremistas e insurrectos e para as autoridades americanas e iraquianas que os deixam andar.

Kamar Anuar, a 44-year-old Christian, has abandoned his home after he found a threatening letter in his garden, signed by an alleged Islamist group, telling him to convert to Islam or leave the country. Anuar, a resident of Dora district, one of the mainly Christian Baghdad neighbourhoods, has decided to take refuge in a relative's home in Kurdistan in the north. "We [Christians] are at the end of our tether because in four years of [US] occupation and discrimination against our religion, we have never felt so threatened," said Anuar. "In my neighbourhood, every Christian family has received threatening letters." Anuar is one of thousands of people from minority groups who live in fear of their lives. "I saw a family being killed in front of me because they refused to leave their home. Insurgents shot dead the couple, an elderly woman and two children, and left a message by their side saying that it [the killing] was just to show what would happen if any other [Christian] family insisted on remaining in Dora district, which is already populated by Sunni fighters" Anuar added.

2007-05-04

VIVA O EVANGELHO de Domingo, 6 de Maio

Jo. 13,31-33.34-35.
Depois de Judas ter saído, Jesus disse:
«Agora é que se revela a glória do Filho do Homem e assim se revela nele a glória de Deus. E, se Deus revela nele a sua glória, também o próprio Deus revelará a glória do Filho do Homem, e há-de revelá-la muito em breve.»
«Filhinhos, já pouco tempo vou estar convosco. Haveis de me procurar, e, assim como Eu disse aos judeus: 'Para onde Eu for vós não podereis ir', também agora o digo a vós.
Dou-vos um novo mandamento: amai-vos uns aos outros; amai-vos uns aos outros assim como Eu vos amei.
Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros

2007-04-30

Ressurreição / Inssurreição

«Se Cristo está em Deus, está com todos aqueles com quem Deus está, seja onde for. Cristo é nosso contemporâneo. Sempre me aborreceu a ideia de ir a Jerusalém por causa dos lugares santos. Onde houver gente necessitada, gente que precise de presença, de cuidados, há um lugar maldito que é preciso santificar.
No simbólico tribunal da História (Mt 25), ninguém é julgado por não ter visitado a chamada Terra Santa. Mas encontra-se ou desencontra-se com os lugares santos se socorre ou não os doentes, os presos, os nus, os famintos, os abandonados.
A “Terra Santa” da Igreja devem ser os bairros mais abandonados das grandes cidades e, sobretudo, o vasto mundo dos pobres, dos quase mil milhões que vegetam com menos de 73 cêntimos por dia.
A Igreja só testemunha a ressurreição quando participa na insurreição contra tudo aquilo que estraga a vida das pessoas. É essa vontade que a leva a acreditar que aquilo que já ninguém pode fazer, Deus o faz na insurreição contra a morte.»
Bento Domingues, Público, 29.04.2007

2007-04-29

Catarina de Sena

Catarina de Sena (1347 - 1380)

«Aquele que quer ir ao Pai, que é a vida eterna, deve seguir neste mundo o Verbo, que é o caminho (...) e aquele que segue esta via não mergulha em águas turvas, mas num oceano límpido e imenso.»


«A alma que mergulha em Deus, é como aquele que mergulha no mar e nada debaixo de água: só vê e encontra água do mar e o que esta contém. Além desta água, nada vê, nada toca, nada apalpa. Os objectos exteriores só os vê quando se refletem na água, mas só na água e na medida em que nela estão e não de outro modo.»


Oração a Jesus Crucificado:

«Jesus, Tu tens a cabeça inclinada para nos saudar;
uma coroa na fronte para nos embelezar;
os braços abertos para nos abraçar;
os pés cravados para connosco ficar

2007-04-27

VIVA O EVANGELHO de Domingo, 29 de Abril

Jo. 10,27-30.
«As minhas ovelhas escutam a minha voz: Eu conheço-as e elas seguem-me. Dou-lhes a vida eterna, e nem elas hão-de perecer jamais, nem ninguém as arrancará da minha mão. O que o meu Pai me deu vale mais que tudo e ninguém o pode arrancar da mão do Pai. Eu e o Pai somos Um.»

2007-04-25

Intolerância

Três pessoas foram assassinadas numa editora de Biblias, em Malatya, na Turquia, no dia 18 de Abril de 2007, num ataque de cariz religioso que voltou a acender a discussão sobre o regime turco.

Vale a pena ler esta notícia para que o Acutilante nos chama a atenção e de que se reproduz esta passagem:

«Nevertheless, there is no longer any doubt that Turkey has run into serious difficulties as far as the development of its civil society is concerned. The murder of the Turkish Protestants exposes a deep-seated problem: Turkey is at a standstill - or even regressing - when it comes to key issues like tolerance and pluralism. "In Germany, Turks residing there have opened up more than 3,000 mosques. If in our country we cannot abide even by a few churches, or a handful of missionaries, where is our civilization?" wrote Ertugrul Özkök, editor-in-chief of leading secular Turkish daily Hürriyet, in a hard-hitting editorial on the murders. "Where is our humanity, our freedom of belief, our beautiful religion?" he asks.»

2007-04-22

Desafios

«Seja como for, num balanço provisório, toma-se cada vez mais consciência de que, com este Papa ou outro, a grande questão para a Igreja Católica enquanto instituição global vai ser a sua capacidade ou não de, conservando a unidade no essencial, exprimir-se nos diferentes domínios - teológico, litúrgico, jurídico-organizacional e até moral - de modo plural, no respeito pelas diferentes culturas em que está inserida. Mais tarde ou mais cedo, vai ser necessário um novo Concílio, precisamente com a missão de descentralizar.»
Anselmo Borges, no DN de ontem.

2007-04-21

VIVA O EVANGELHO de Domingo, 22 de Abril

Jo. 21,1-19.
Naquele tempo, Jesus apareceu outra vez aos discípulos, junto ao lago de Tiberíades, e manifestou-se deste modo: estavam juntos Simão Pedro, Tomé, a quem chamavam o Gémeo, Natanael, de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos. Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar.» Eles responderam-lhe: «Nós também vamos contigo.» Saíram e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada. Ao romper do dia, Jesus apresentou-se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. Jesus disse-lhes, então: «Rapazes, tendes alguma coisa para comer?» Eles responderam-lhe: «Não.» Disse-lhes Ele: «Lançai a rede para o lado direito do barco e haveis de encontrar.» Lançaram-na e, devido à grande quantidade de peixes, já não tinham forças para a arrastar. Então, o discípulo que Jesus amava disse a Pedro: «É o Senhor!» Simão Pedro, ao ouvir que era o Senhor, apertou a capa, porque estava sem mais roupa, e lançou-se à água. Os outros discípulos vieram no barco, puxando a rede com os peixes; com efeito, não estavam longe da terra, mas apenas a uns noventa metros. Ao saltarem para terra, viram umas brasas preparadas com peixe em cima e pão. Jesus disse-lhes: «Trazei dos peixes que apanhastes agora.» Simão Pedro subiu à barca e puxou a rede para terra, cheia de peixes grandes: cento e cinquenta e três. E, apesar de serem tantos, a rede não se rompeu. Disse-lhes Jesus: «Vinde almoçar.» E nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-lhe: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com o peixe. Esta já foi a terceira vez que Jesus apareceu aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos.

2007-04-16

Ainda a entrevista a João Manuel Resina Rodrigues

«Cristo veio a este mundo entender-se connosco, veio experimentar isto... (...) Veio ter connosco, veio dignificar a condição humana, veio experimentar o que nos tinha dado, veio ser fiel e dar exemplo de fidelidade até ao fim: amou-os até ao fim, não voltou atrás. Tanto que, na véspera, pediu ao Pai que, se fosse possível, lhe [retirasse] esse cálice. Se tivesse sido combinado, seria estupidez estar a pedi-lo. Cristo tomou isto a sério, não brincou.
É um grande desafio o texto do evangelho, [quando Jesus está] na cruz: "Pai, porque me abandonaste?"
Cristo aceitou experimentar o que é isso de andarmos aos papéis, em certas alturas

«A essência da verdade é a liberdade. Este tema concorda com a ideia da verdade [que] libertará. Quando Jesus disse isso, os judeus não perceberam e a Igreja também nunca entendeu. A Igreja, o que quis sempre, foi ter um bando de meninos bem comportados. O ideal da Igreja, como o do marxismo soviético, era ter um jardim-de-infância, tudo muito feliz, muito bem comportado, todos de bibe, ninguém fazia disparates. A Igreja não é isso, o evangelho não é isso.
Jesus veio a este mundo, viveu, enfrentou, não teve medo de tomar posições contra a ortodoxia, dizer mal da lei e do templo. Não se podia tocar num leproso e ele toca num leproso...»

«Jesus quis que os discípulos andassem unidos, que rezassem juntos e celebrassem juntos a eucaristia. Não tenho interesse nenhum em acabar com a Igreja. Por outro lado, patetas somos todos e temos feito broncas ao longo dos tempos e muitas vezes ensinamos e vivemos coisas que são frontalmente contrárias ao evangelho - por exemplo, a Inquisição. Qual é a minha solução? Ter paciência. Escrevi uma vez que, se isto fosse uma fábrica e eu engenheiro, eu saía. Mas eu não considero isto uma fábrica da qual sou engenheiro.»

2007-04-13

VIVA o EVANGELHO de Domingo, 15 de Abril

Jo. 20,19-31.
Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes:
«A paz esteja convosco!»
Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o peito. Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor. E Ele voltou a dizer-lhes:
«A paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós.»
Em seguida, soprou sobre eles e disse-lhes:
«Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.»[...]
Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Estando as portas fechadas, Jesus veio, pôs-se no meio deles e disse:
«A paz seja convosco!»
Depois, disse a Tomé: [...]
«Porque me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto». Muitos outros sinais miraculosos realizou ainda Jesus, na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e, acreditando, terdes a vida nele.

2007-04-12

O Rei Canuto à beira-mar

Há muito tempo, a Inglaterra era governada por um rei chamado Canuto.
Como costuma acontecer com muitos líderes e homens de poder, Canuto estava sempre cercado de pessoas a enaltecê-lo. Bastava entrar num aposento qualquer e já começavam os elogios.
— Vossa Excelência é o homem mais glorioso que já surgiu na face da terra — dizia um.
— Jamais haverá alguém tão poderoso quanto Vossa Majestade — reforçava outro.
— Nada há que Vossa Alteza não seja capaz de fazer — comentava entre sorrisos um terceiro.
— Grande Canuto, monarca de todos! Nada neste mundo ousa desobedecer a vossas ordens — alguém mais dizia em seu louvor.
O rei era uma pessoa bastante sensata e estava a ficar cansado de todas essas tolices.
Um dia, caminhava pela beira-mar, e os seus reais dignitários e fidalgos acompanhavam-no, tecendo-lhe elogios como de costume. Canuto decidiu ensinar-lhes uma lição.
— Pois então, dizeis que sou o maior do mundo? — perguntou a todos os presentes.
— Ó rei — responderam — nunca houve alguém tão poderoso, nem jamais existirá quem tenha tanto valor!
— E dizeis também que tudo me obedece?
— Perfeitamente! O mundo curva-se diante de vós e honra-‑vos.
— Entendo — disse o rei. — Então, trazei minha liteira, e vamos para a água.
— Imediatamente, Alteza! — E desceram todos, carregando o assento real pelas areias da praia.
— Vamos mais para perto — ordenou Canuto. — Colocai a liteira aqui mesmo, na beira da água. O rei então sentou-se e ficou a espreitar o oceano à sua frente. — Vejo que a maré está subir. Deter-se-á, se eu assim ordenar?
Os conselheiros ficaram perplexos, mas não ousaram dizer que não. — Ordenai, ó Grande Rei, e o oceano obedecer-vos-á — garantiu-lhe um deles.
— Pois bem! Oceano — gritou Canuto — ordeno que te detenhas. Maré, interrompe o teu fluxo. Ondas, deixai de quebrar. Não ouseis tocar-me.
Esperou em silêncio alguns instantes, até que uma pequena onda veio espraiar-se aos seus pés.
— Como ousas! — gritou Canuto. — Oceano, retorna agora. Mandei que te recolhas diante de mim, e deves obedecer-me agora. Retorna.
E a resposta foi outra onda que veio quebrar bem ali, juntinho aos pés do rei. A maré subia, tal como sempre fizera. A água aproximava-se cada vez mais. Atingiu a liteira, e molhou não somente os pés do rei, mas também o seu manto. Os conselheiros estavam todos ao redor, alarmados, e curiosos para saber se ele não se irritaria.
— Ora, meus amigos — disse Canuto — parece que não tenho tanto poder quanto me fazeis acreditar. Talvez tenhais aprendido algo no dia de hoje. Talvez agora saibais que só há um Rei todo-poderoso, que governa o mar e detém o oceano na palma da mão. Sugiro que guardeis as vossas expressões de louvor para Ele.
Os conselheiros e dignitários do rei deixaram cair a cabeça e sentiram-se tolos. E dizem por aí que, pouco depois, Canuto tirou da cabeça a coroa e jamais tornou a usá-la.

William J. Bennett
O Livro das Virtudes
Editora Nova Fronteira, 1995
Adaptação

2007-04-08

Jesus não explica o mal, mas convida-nos a combatê-lo, com Ele

Extracto da entrevista a João Manuel Resina Rodrigues (conduzida por António Marujo) na PUBLICA de hoje (que é obrigatório ler):

«O mal no mundo é uma coisa trágica e é o grande desafio. Se há razão para se perder a fé, é o mal. Por outro lado, há coisas boas no mundo, há amor e verdade. Como diz um livro que ainda há dias estive a ler: porque é que Deus existe se há mal, porque não existe Deus se há bem?

A fé cristã é acreditar em Deus, mas é não deixar de reconhecer que o mal é um grande problema. O mundo sem mal não era possível, mas Deus teve a coragem de nos pedir que aceitássemos este mundo. Aceitar este mundo não é ter uma explicação sobre porque é que há mal, é tentar fazer o melhor que se pode: tentar, como Jesus nos ensinou, lutar contra a pobreza, contra a miséria, contra o ódio, com amor.

Deus sabia que era tão duro, que achou que era honesto vir experimentar. Jesus veio experimentar, mas não nos deu as explicações que às vezes queremos. Isto ouvi quando andava no Técnico. Havia a Acção Católica e a JUC, Juventude Universitária Católica e a JUCF, das raparigas, que tinha um assistente que era um jesuíta, o padre Domingos Maurício. Era um historiador de valor e um homem muito inteligente. Uma vez, ele disse uma coisa que me ficou na memória: "Vocês podem ler o evangelho da frente para a trás ou de trás para a frente e nunca encontram Jesus a explicar porque é que há mal." É uma evidência e Jesus de certa maneira ajudou os discípulos a perceber essa evidência.

Há uma coisa que ele disse: "Venham lutar contra o mal, venham comigo." É um erro quando os padres e as pessoas devotas se põem a explicar coisas sobre o mal.

O que há a fazer é pensar como Jesus: há muita coisa mal no mundo, vamos tentar melhorar o que pudermos e, se não se melhora à pancada, melhora-se com amor e com rectidão. »

Ressuscitou, ALELUIA !

«É evidente que a ressurreição nada tem a ver com a reanimação do cadáver, pois, se fosse isso, a pessoa voltaria a morrer.
A ressurreição é a afirmação de fé, com razões, de que Jesus, na morte, não soçobrou no nada, mas foi encontrado pela plenitude do mistério inominável de Deus.
O que é e como é esse encontro ninguém sabe - a ultimidade transcende a razão científica, empírico-matemática. Mas aqueles que acreditam em Deus, o Vivente, que é Amor, Criador de todas as coisas, Fundamento e Sentido último de tudo quanto existe, fazem suas aquelas palavras que, noutro contexto, Espinosa deixou: "Sabemos e experienciamos que somos eternos.
"Quem não viveu na superfície das coisas, quem perguntou até à raiz de tudo, quem se exaltou com a beleza, quem alguma vez teve um gesto absolutamente gratuito de amor, quem se deixou surpreender pelo abismo infinito do olhar de alguém, quem tentou descer até ao fundo sem fundo de si, quem foi abalado pela exigência incondicionada do dever, quem se deixou tocar por um tu que não se possui nem domina, quem foi alguma vez avassaladoramente visitado pela pergunta inconstruível: "Porque há algo e não nada?", foi tangido pela fímbria da eternidade.»

2007-04-06

A Eucaristia não é para santos

«Toda a celebração deve respirar, nos gestos, nas palavras, no canto, a alegria de sermos perdoados e a alegria de darmos o perdão.
A Eucaristia não é de santos, não é um sacramento celestial. É um sacramento da terra, do pão, do vinho e dos trabalhos dos seres humanos.
Se excluirmos os pecadores, em processo de conversão, da Eucaristia, estaremos numa celebração de fariseus, de convencidos que saem piores da missa do que quando dela se aproximaram.»
(...)
«Se Jesus Cristo ressuscitado não for o primeiro a chegar – em toda a sua realidade – à missa e a presidi-la, não haverá missa. E isto é muito difícil de reconhecer. Estamos sempre à espera que o padre chegue ou à espera que ele já tenha chegado. Ora, o padre é, apenas, o sacramento – sinal e instrumento se o não atraiçoar – da presidência de Cristo ressuscitado. Não vem substituir Cristo. A “presença real” de Cristo não começa, pois, na Consagração...
Sobre a “presença real”, a primeira questão é esta: estamos, aqui, realmente presentes uns aos outros ou somos irreais uns para os outros? A saudação da paz não é uma garantia. Acontece que saudamos o vizinho do lado, na missa, mas acabada a missa continuamos estranhos. No entanto, não podemos esquecer uma observação que circula há bastante tempo: procurei a Deus e não o encontrei; procurei a minha alma e não a encontrei; procurei o próximo e encontrei os três.
Seremos, fora da missa, presença real aos pobres, aos sem abrigo, aos desempregados, aos emigrantes (ou somos do partido nacionalista)?
Se esses mundos tiverem alguma coisa contra nós – os que vamos à missa – Cristo apressou-se a dizer-nos a reconciliação que temos de fazer.
S. João, que tem um grande discurso sobre o pão da vida, não relata as palavras da Consagração. Substituiu-as pelos gestos do serviço – o lava pés – sem conotação religiosa. Jesus, aliás, não era um grande liturgo.
O que nos torna realmente presentes a Deus – que nos está sempre presente – é a fé, a esperança e a caridade. São os actos destas virtudes teologais que nos tornam presentes a Deus e aos irmãos

Frei Bento Domingues, homilia de quinta-feira santa