2008-04-29

A room of her own: Santa Catarina de Sena







Perdão pelo empréstimo da expressão de Virginia Woolf, mas é precisamente isso que Santa Catarina conseguiu (1347 - Roma, 29 Abril de 1380): conquistou o seu espaço na vida da Igreja e da Europa.


É uma personalidade central de um século aflitivo para a Europa e para a Igreja: a Peste Negra e a divisão da Igreja em dois papados (um em Roma e outro em Avinhão).


Há varias coisas a admirar nesta mulher: escreve e ensina a ponto de se impor ao mais alto nível na Igreja - e não apenas durante a sua breve vida; é uma leiga (fazia parte do ramo do laicado da Ordem Dominicana) e bateu-se pela reforma da Igreja (o que lhe trouxe não poucos dissabores) mantendo uma activa correspondência com várias personalidades, sendo mesmo consultada por legados papais a respeito de assuntos da Igreja.


Dois pensamentos sobre o que Santa Catarina de Sena nos ensina nos seus escritos: uma linguagem desassombradamente amorosa para exprimir a sua relação com Cristo (a quem chamava "minha doçura, meu amor"); o acento colocado sobre o auto-conhecimento como elemento essencial para a o crescimento interior - ou como lhe chamou em uma das suas cartas, "o quarto do verdadeiro auto-conhecimento".

2008-04-26

Permanece, está contigo


VIVA o EVANGELHO de domingo, 27 de Abril

Jo. 14,15-21.
«Se me tendes amor, cumprireis os meus mandamentos,
e Eu apelarei ao Pai e Ele vos dará outro Paráclito para que esteja sempre convosco,
o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; vós é que o conheceis, porque permanece junto de vós, e está em vós
«Não vos deixarei órfãos; Eu voltarei a vós!
Ainda um pouco e o mundo já não me verá; vós é que me vereis, pois Eu vivo e vós também haveis de viver. Nesse dia, compreendereis que Eu estou no meu Pai, e vós em mim, e Eu em vós.
Quem recebe os meus mandamentos e os observa esse é que me tem amor; e quem me tiver amor será amado por meu Pai, e Eu o amarei e hei-de manifestar-me a ele.»

2008-04-23

Dia Mundial do Livro

la máquina mal fundada destos caballerescos libros -- caterva de los libros vanos de caballerías -- a leer libros de caballerías con tanta afición y gusto, que olvidó casi de todo punto el ejercicio de la caza -- Llenósele la fantasía de todo aquello que leía en los libros -- caballeros andantes (de que tantos, libros están llenos -- a su ordinario remedio, que era pensar en algún paso de sus libros -- estos malditos libros de caballerías -- estos desalmados libros de desventuras -- quemaran todos estos descomulgados libros -- los libros autores del daño

Love's stories written in love's richest book -- the book even of my secret soul -- This precious book of love, this unbound lover, To beautify him, only lacks a cover -- Yea, from the table of my memory I'll wipe away all trivial fond records, All saws of books, all forms, all pressures past, That youth and observation copied there; And thy commandment all alone shall live Within the book and volume of my brain --the bloody book of law -- Your face, my thane, is as a book where men May read strange matters. -- The vacant leaves thy mind's imprint will bear, And of this book this learning mayst thou taste -- Knowing I loved my books, he furnish'd me From mine own library with volumes that I prize above my dukedom. -- Remember First to possess his books; for without them He's but a sot ... Burn but his books. -- Love goes toward love, as schoolboys from their books, But love from love, toward school with heavy looks. -- Poor women's faces are their own fault's books

p.s. dia mundial do livro: assim escolhido por ser o dia da morte de Cervantes e Shakespeare

2008-04-19

VIVA o Evangelho de Domingo, 20 de Abril

Jo. 14,1-12.
«Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus; crede também em mim.
Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, como teria dito Eu que vos vou preparar um lugar?
E quando Eu tiver ido e vos tiver preparado lugar, virei novamente e hei-de levar-vos para junto de mim, a fim de que, onde Eu estou, vós estejais também. Para onde Eu vou, vós sabeis o caminho.»
Disse-lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais, como podemos nós saber o caminho?»
Jesus respondeu-lhe: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim.
Se ficastes a conhecer-me, conhecereis também o meu Pai. E já o conheceis, pois estais a vê-lo.»
Disse-lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta!»
Jesus disse-lhe: «Há tanto tempo que estou convosco, e não me ficaste a conhecer, Filipe? Quem me vê, vê o Pai. Como é que me dizes, então, 'mostra-nos o Pai'?
Não crês que Eu estou no Pai e o Pai está em mim? As coisas que Eu vos digo não as manifesto por mim mesmo: é o Pai, que, estando em mim, realiza as suas obras.
Crede-me: Eu estou no Pai e o Pai está em mim; crede, ao menos, por causa dessas mesmas obras.
Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim também fará as obras que Eu realizo; e fará obras maiores do que estas, porque Eu vou para o Pai.»

2008-04-16

Juventude inquieta

Agora que o abalo da violência nas escolas está a passar, talvez valha a pena confrontar o retrato do país com o retrato da juventude em um país como o Reino Unido. Em Fevereiro o The Tablet publicou uma reportagem intitulada Truth about youth. Há vários elementos dignos de nota:
- a confirmação por estudos do papel decisivo do pai e da sua autoridade na formação de um adolescente;
- a visão de um deputado sobre a radical mudança do país, sobretudo no que toca à completa perda de valores comuns na sociedade e, com isso relacionado, um aumento assustador da criminalidade; as consequências sociais das políticas dos anos 80 (desemprego e consequente rarefacção de núcleos familiares e aumento de mães solteiras)...
- uma mãe que escreve sobre o seu filho adolescente e como os rapazes incorrem em mais perigos que as raparigas dado que há entre eles um elemento muito mais competitivo em matéria de cultura de rua (streetwise).
Há enfim um professor expondo as suas perplexidades perante adolescentes freneticamente à procura da felicidade (na bebida, nos seus encontros amorosos, na Internet...) que conclui:
"Têm cada vez menos disposição para gostarem das actividades em si, de reconhecer o seu valor intrínseco, cada vez menos capazes de aceitarem absorver conhecimento e a vida devagar e de forma contínua. É o resultado final que os alicia, e não o "chegar lá."
.

Dorothy Day: outra América

Educada como protestante e bem cedo influenciada por anarquistas, Dorothy Day (New York, 1897 - NY 1980) converteu-se em 1927 ao Catolicismo, aquando do nascimento da sua filha. É uma figura cuja marginalidade não lhe retira importância no panorama católico americano. Fundou com Peter Maurin o "Catholic Worker Movement" que se baseava em casas de hospitalidade como meios para a prática de obras de misericórdia. Para Dorothy Day, desde cedo (como se pode ver pelo livro auto-biográfico The long loneliness) essa paixão foi decisiva.
O mínimo que se pode dizer é que Dorothy esteve muito à frente do seu tempo. No início dos anos 30 foi dos raros católicos a protestarem contra o regime nazi (mais tarde, de resto, foi uma das fundadores do Comité Católico para a luta contra o Anti-Semitismo); recusou tomar partido na luta da guerra civil espanhola (com o que o jornal do movimento The Catholic Worker, diz-se, perdeu dois terços dos seus leitores) ...
Os seus diários vão ser publicados este mês por R. Ellsberg (que a conheceu no Movimento; vale a pena ler esta sua entrevista a propósito do seu livro The Saints guide to Happiness).

Bento XVI nos EUA

Começou a visita de Bento XVI aos EUA. Foi precedida de uma vídeo-mensagem que colocava a visita sob o lema "Cristo nossa esperança". É uma mensagem bastante inclusiva. Dirige-se a não-crentes e a outras tradições religiosas.
Dizia o The Tablet que um dos desafios desta visita era "não ter medo de assumir um lugar importante nas principais forças do pensamento e da vida americanos". A propósito pode ver-se o documento do grupo preparatório para a Semana de oração pela Unidade dos Cristãos que este ano fazia um resumo histórico da situação ecuménica nos EUA; aí se recorda como historicamente os católicos foram vistos como uma "ameaça ao Cristianismo" americano.
A agenda tem várias questões aquém e além do âmbito católico: desde a política internacional em que o papel dos EUA está cada vez mais em questão à integração do crescente número de latino-americanos nas comunidades.

2008-04-12

Porta. Pastor. Vida em abundância.

"Eu sou a porta das ovelhas.”
João 10,1-14
Quem quer entrar? Quem quer sair? Quem quer voltar a entrar?

2008-04-11

VIVA o Evangelho de Domingo, 13 de Março

Jo. 10,1-10.
«Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no redil das ovelhas, mas sobe por outro lado, é um ladrão e salteador.
Aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. A esse o porteiro abre-a e as ovelhas escutam a sua voz.
E ele chama as suas ovelhas uma a uma pelos seus nomes e fá-las sair.

Depois de tirar todas as que são suas, vai à frente delas, e as ovelhas seguem-no, porque reconhecem a sua voz. Mas, a um estranho, jamais o seguiriam; pelo contrário, fugiriam dele, porque não reconhecem a voz dos estranhos.»
Jesus propôs-lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que lhes dizia.
Então, Jesus retomou a palavra:
«Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas.
Todos os que vieram antes de mim eram ladrões e salteadores, mas as ovelhas não lhes prestaram atenção. Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim estará salvo; há-de entrar e sair e achará pastagem. O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir.
Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.
»

2008-04-06

VIVA o Evangelho de Domingo, 6 de Abril

Lc. 24,13-35.
Nesse mesmo dia, dois dos discípulos iam a caminho de uma aldeia chamada Emaús, que ficava a cerca de duas léguas de Jerusalém; e conversavam entre si sobre tudo o que acontecera.
Enquanto conversavam e discutiam, aproximou-se deles o próprio Jesus e pôs-se com eles a caminho; os seus olhos, porém, estavam impedidos de o reconhecer.
Disse-lhes Ele: «Que palavras são essas que trocais entre vós, enquanto caminhais?»
Pararam entristecidos.
E um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único forasteiro em Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias!»
Perguntou-lhes Ele: «Que foi?»
Responderam-lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; como os sumos sacerdotes e os nossos chefes o entregaram, para ser condenado à morte e crucificado.
Nós esperávamos que fosse Ele o que viria redimir Israel, mas, com tudo isto, já lá vai o terceiro dia desde que se deram estas coisas. É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deixaram perturbados, porque foram ao sepulcro de madrugada e, não achando o seu corpo, vieram dizer que lhes apareceram uns anjos, que afirmavam que Ele vivia. Então, alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas, a Ele, não o viram.»
Jesus disse-lhes, então: «Ó homens sem inteligência e lentos de espírito para crer em tudo quanto os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer essas coisas para entrar na sua glória?»
E, começando por Moisés e seguindo por todos os Profetas, explicou-lhes, em todas as Escrituras, tudo o que lhe dizia respeito.
Ao chegarem perto da aldeia para onde iam, fez menção de seguir para diante.
Os outros, porém, insistiam com Ele, dizendo: «Fica connosco, pois a noite vai caindo e o dia já está no ocaso.»
Entrou para ficar com eles. E, quando se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, entregou-lho. Então, os seus olhos abriram-se e reconheceram-no; mas Ele desapareceu da sua presença.
Disseram, então, um ao outro: «Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?»
Levantando-se, voltaram imediatamente para Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os seus companheiros, que lhes disseram: «Realmente o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!»
E
eles contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho e como Jesus se lhes dera a conhecer, ao partir o pão.

2008-04-05

Transcendente

«Nem os crentes podem demonstrar que Deus existe nem os não crentes que não existe. Deus transcende a razão científica objectivante.
Como diz Jean d'Ormesson, os crentes não estão em condições de "garantir que Deus existe, a única possibilidade é esperar que isso aconteça."
Mas, precisamente na entrega confiada ao Deus criador, transcendente e pessoal, mostra-se a razoabilidade do acto de crer, porque então tudo alcança mais luz e sentido final. »

2008-04-04

Uso túnica branca e tenho barba abundante! Estarei islamizado?

Estou muito satisfeito por ver que o REGADOR pode ser um espaço de debate, neste caso sobre uma questão muito importante e actual que é o relacionamento com os diferentes numa mesma sociedade urbanizada e pluri-cultural.

Espero poder entrar no debate, mas para isso estou a documentar-me, pois prefiro ir verificar as fontes de informação para ver a sua credibilidade.

Apenas uma achega: o artigo do "Figaro" intitulado "L'Islam,première religion à Bruxelles dans vingt ans" diz basear-se num estudo cujas conclusões foram publicadas em meados de Março num jornal de Bruxelas "La libre Belgique".

Também foi publicada um longa análise no jornal "Dimanche express" que tenho aqui diante de mim.

Não encontro nada que possa levar à afirmação "o Islamismo será a primeira religião em Bruxelas dentro de vinte anos". O próprio Olivier Servais, investigador muito respeitado, com quem estive numa conferênia que ele deu aos dominicanos não afirma nada disso.
A preocupação do inquérito é a transmissão da fé e a urgente necessidade de se mudar de estilo. A referência ao crescimento do islamismo em Bruxelas é muito prudente por falta de bases crediveis.

Evidentemente que o artigo do "Figaro" consegue causar certa sensação! Por isso se queremos continuar este debate, por favor procuremos melhor a credibilidade das nossas fontes.

Outra achega que é uma questão: na nossa história lusitana, portuguesa peninsular e portuguesa dos Descobrimentos qual foi a nossa cultura como autóctones e como emigrantes?

Pequena adivinha: Quando ando de bicicleta aqui na cidade não uso nem capacete, nem turbante.
Qual será a minha cultura e a minha religião?

Até breve, se Deus quiser!
frei Eugénio
em Bruxelas

2008-04-01

Bruxelas será muçulmana em 20 anos

"A capital europeia será muçulmana num espaço de vinte anos.
É pelo menos este um cenário antecipado a semana passada pelo jornal La Libre Belgique.
Actualmente, cerca de um terço da actual população de Bruxelas já é muçulmana".

Via Acutilante.

Vale bem a pena ler (no mesmo Blog) estes posts sobre multiculturalismo, de que retiro um extracto:

"Deve a um sikh ser permitido conduzir sem capacete, por ser uma prática cultural do seu grupo o uso habitual do turbante?
Deve uma muçulmana poder fazer a chamada «circuncisão feminina», por ser esta a sua tradição religiosa e familiar?
Deve um hindu estar isento dos feriados religiosos (cristãos) dos países ocidentais, podendo abrir, por exemplo, as suas lojas comerciais em dias em que está proibida a sua abertura por motivo de celebrações religiosas do Cristianismo?"

2008-03-29

VIVA o EVANGELHO de Domingo, 30 de Março

Jo. 20,19-31.
Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes:
«A paz esteja convosco!»

Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o peito. Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor. E Ele voltou a dizer-lhes:
«A paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós.»

Em seguida, soprou sobre eles e disse-lhes:
«Recebei o Espírito Santo.

Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.»
Tomé, um dos Doze, a quem chamavam o Gémeo, não estava com eles quando Jesus veio. Diziam-lhe os outros discípulos:
«Vimos o Senhor!»
Mas ele respondeu-lhes:
«Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu peito, não acredito.»

Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez dentro de casa e Tomé com eles. Estando as portas fechadas, Jesus veio, pôs-se no meio deles e disse:
«A paz seja convosco!»

Depois, disse a Tomé:
«Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e põe-na no meu peito. E não sejas incrédulo, mas fiel.»

Tomé respondeu-lhe:
«Meu Senhor e meu Deus!»

Disse-lhe Jesus:
«Porque me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto».

Muitos outros sinais miraculosos realizou ainda Jesus, na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro.
Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e, acreditando, terdes a vida nele.

2008-03-23

VIVA o EVANGELHO de Domingo de PÁSCOA, 23 de Março


Aleluia! Aleluia! Aleluia! Aleluia! Aleluia! Aleluia!


Lc. 24, 13-35

"Na verdade o Senhor Ressuscitou"

2008-03-22

SÁBADO de ALELUIA

A Criação, 1978, Marc Chagall, Fraumünster Zürich

Gén. 1, 1-2, 2

[...] «Deus viu tudo o que tinha feito: era tudo muito bom.

Veio a tarde e, em seguida, a manhã: foi o sexto dia.

Assim se completaram o céu e a terra e tudo o que eles contêm.

Deus concluiu, no sétimo dia, a obra que fizera e, no sétimo dia, descansou do trabalho que tinha realizado.»

2008-03-21

SEXTA-Feira Santa: PAIXÃO

Cabeça de Cristo ou paixão, 1937, Georges Rouault (1871-1958)

Jo. 18, 1-19, 42
[...]
«Para isso nasci e vim ao mundo,
a fim de dar testemunho da verdade.
Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz.»
[...]

2008-03-20

QUINTA-feira Santa: Ceia do Senhor Jesus

1 Cor. 11, 23-26
Irmãos:
Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: o Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue, tomou o pão e, dando graças, partiu-o e disse:
"Isto é o meu Corpo, entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim."
Do mesmo modo, no fim da ceia, tomou o cálice e disse:
"Este cálice é a nova aliança no meu Sangue. Todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de Mim."
Na verdade, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha.

VIDAS PARALELAS

Sempre se pode ver como são paralelos os destinos de Jesus e de Paulo nos respectivos processos. Se é verdade que a prisão de Paulo, como está relatada nos Actos não termina em condenação, a verdade é que a mesma autoridade do César de Roma que o libertou, o irá martirizar mais tarde.

Jesus é condenado à morte por um imbróglio de motivos entre os quais uma conveniência de um grupo que decide usar a sua morte como instrumento para apaziguar o delicado equilíbrio entre Judeus e o poder Romano (jn 11.48)

Paulo é envolvido em um processo a partir de um aproveitamento , aproveitando a credulidade dos Efésios;

Acusação de querer destruir o templo de Jerusalém

Insinuações de que profanar o Templo de Jerusalém e levar à apostasia da Lei

Conluio entre autoridades judaicas e Romanas para condenar Jesus (Actos, 24, 27; 25.2)

Conluio entre autoridades judaicas e Romanas para condenar Paulo (Actos, 24, 27; 25.2)

Multidão reclama a morte de Jesus (Mt 27.22; Mc 15.3;Lc 23.21; Jn 18.40)

A massa do povo o seguia gritando: À morte com ele! (Actos, 21, 36)

Jesus é levado a Anás, depois a Caifás, a Herodes (Lc. 23.7) por fim a Pilatos (Mt 27.11; Mc 15.2; Lc 23.2; Jn 18.19)

Comparece perante o Sinédrio; depois perante o governador Félix; peranto Pórcio Festo (em Cesaréia, Actos 25), e, por fim, perante o rei Agripa e Berenice

Pilatos ainda mantém uma conversa com Jesus, que até poderia ser um sinal de interesse em conhecer Jesus; mas que termina ironicamente com um desacerto de perguntar a Jesus, que é a Verdade (Jn 14.6): “O que é a verdade?” (Jn 18.38)

O procurador Félix ainda ouve Paulo com alguma atenção; mas desiste, ao ouvi-lo falar sobre as exigências do “Caminho” (Actos, 24.24)

Pilatos está displicentemente convencido de que Jesus está inocente (Mt 27.23; Mc 15.14; Lc 23.22; Jn 18.38)

Agripa, Berenice, Festo também acham que Paulo nada fez que mereça a morte ou a prisão.

Agripa ainda ou ouve mas defende-se com ironia: “Por pouco ainda me fazes cristão!” (Act. 26.28)

Todos parecem dissimular a sua responsabilidade (atirando-a para a multidão; Pilatos propõe entregar Jesus aos Judeus para que estes o julguem conforme a sua lei; estes dizem que a Lei os proíbe (Jn18.31)

Pilatos acaba por lavar as mãos.

O seu cativeiro terminará em libertação mas o segundo cativeiro não o livrará da arbitrariedade dos senhores romanos

Não falta nada aqui: desde os inimigos feitos em acordo ou tornados amigos por causa de um inimigo comum (e.g. Judeus e Romanos, Herodes e Pilatos em Lc. 23.12); não faltam sequer pomposas celebridades (como Berenice que mais tarde fará os encantos do imperador Tito) ou autoridades embriagadas pelo seu poder e enfatuadas que não conseguem ver Jesus senão como um divertimento ou um episódio passageiro na sua agenda.

PS. Ano Paulino começará em 28 de Junho de 2008.

2008-03-17

O Justo


Le juste, comme le bois de santal, parfume la hache qui le frappe
(O justo como a madeira de sândalo perfuma o machado que a corta)
Gravura de Georges Rouault, da série Miserere et Guerre (1926).

2008-03-15

Chiara Lubich


Chiara Lubich, fundadora e presidente do Movimento dos Focolares, faleceu ontem, em Itália, aos 88 anos.

Trento, 1944

Em um refúgio anti-aéreo
abrimos ao acaso o Evangelho
na página do Testamento de Jesus:
“Pai, que todos sejam um, como eu e tu”.
Aquelas palavras pareciam iluminar-se uma a uma.
Aquele "todos" foi o nosso horizonte.
Aquele Projeto de Unidade a razão da nossa vida.

Chiara Lubich

Tal como sucedeu com o Ir. Roger, de Taizé, a sua voação desperta no contexto da II Guerra Mundial, e tal como ele, com uma vocação ecuménica e universal.

"No meio da destruição causada pela guerra, consequência do ódio, a luz do carisma nos leva a uma compreensão totalmente nova. Como se fosse a primeira vez ficamos extasiadas pela verdade sobre Deus: “Deus é amor” (1Jo 4,8): qualquer circunstância que nos atinge, seja ela alegre, triste ou indiferente, tudo nos parece uma expressão do seu amor. A alegria e a surpresa são tão grandes que não hesitamos em escolher a ele, exatamente a ele, Deus Amor, como ideal da nossa vida. E comunicamos logo, a quem está perto de nós – parentes, amigos – a nossa grande descoberta: “Deus é amor, Deus nos ama, Deus o ama!”."

VIVA o EVANGELHO de Domingo de RAMOS, 16 de Março

No primeiro dia da festa dos Ázimos, os discípulos foram ter com Jesus e perguntaram-lhe:
«Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?»

Ele respondeu: «Ide à cidade, a casa de um certo homem e dizei-lhe: 'O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo; é em tua casa que quero celebrar a Páscoa com os meus discípulos.’»
Os discípulos fizeram como Jesus lhes ordenara e prepararam a Páscoa.
Ao cair da tarde, sentou-se à mesa com os Doze.
Enquanto comiam, disse:
«Em verdade vos digo: Um de vós me há-de entregar.»

Profundamente entristecidos, começaram a perguntar-lhe, cada um por sua vez: «Porventura serei eu, Senhor?»
Ele respondeu: «O que mete comigo a mão no prato, esse me entregará.
O Filho do Homem segue o seu caminho, como está escrito acerca dele; mas ai daquele por quem o Filho do Homem vai ser entregue. Seria melhor para esse homem não ter nascido!»
Judas, o traidor, tomou a palavra e perguntou: «Porventura serei eu, Mestre?» «Tu o disseste» respondeu Jesus.
Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, depois de pronunciar a bênção, partiu-o e deu-o aos seus discípulos, dizendo:
«Tomai, comei: Isto é o meu corpo.»

Em seguida, tomou um cálice, deu graças e entregou-lho, dizendo: «Bebei dele todos.
Porque este é o meu sangue, sangue da Aliança, que vai ser derramado por muitos, para perdão dos pecados.
Eu vos digo: Não beberei mais deste produto da videira, até ao dia em que beber o vinho novo convosco no Reino de meu Pai.»
Depois de cantarem os salmos, saíram para o Monte das Oliveiras.
Jesus disse-lhes, então:
«Nesta mesma noite, todos ficareis perturbados por minha causa, porque está escrito: Ferirei o pastor e as ovelhas do rebanho serão dispersas.

Mas, depois da minha ressurreição, hei-de preceder-vos na Galileia.»

2008-03-09

VIVA o EVANGELHO de Domingo, 9 de Março V da Quaresma

Jo. 11,1-45.
Estava doente [...] Lázaro, de Betânia, terra de Maria e de Marta, sua irmã. Maria, cujo irmão, Lázaro, tinha caído doente, era aquela que ungiu os pés do Senhor com perfume e lhos enxugou com os seus cabelos. Então, as irmãs enviaram a Jesus este recado:
«Senhor, aquele que amas está doente.»

Ouvindo isto, Jesus disse: «Esta doença não é de morte, mas sim para a glória de Deus, manifestando-se por ela a glória do Filho de Deus.»
Jesus era muito amigo de Marta, da sua irmã Maria e de Lázaro. [...]
Logo que Marta ouviu dizer que Jesus estava a chegar, saiu a recebê-lo, enquanto Maria ficou sentada em casa. Marta disse, então, a Jesus:
«Senhor, se Tu cá estivesses, o meu irmão não teria morrido.
Mas, ainda agora, eu sei que tudo o que pedires a Deus, Ele to concederá.»
Disse-lhe Jesus: «Teu irmão ressuscitará.»
Marta respondeu-lhe: «Eu sei que ele há-de ressuscitar na ressurreição do último dia.»
Disse-lhe Jesus: «Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, mesmo que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá para sempre. Acreditas nisto?»
Ela respondeu-lhe: «Sim, ó Senhor; eu creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo.»
Dito isto, voltou a casa e foi chamar sua irmã, Maria, dizendo-lhe em voz baixa: «Está cá o Mestre e chama por ti.»
Assim que ela ouviu isto, levantou-se rapidamente e foi ter com Ele. [...]
Quando Maria chegou ao sítio onde estava Jesus, mal o viu caiu-lhe aos pés e disse-lhe: «Senhor, se Tu cá estivesses, o meu irmão não teria morrido.»
Ao vê-la a chorar e os judeus que a acompanhavam a chorar também, Jesus suspirou profundamente e comoveu-se.
Depois, perguntou: «Onde o pusestes?»
Responderam-lhe: «Senhor, vem e verás.»

Então Jesus começou a chorar.
Diziam os judeus: «Vede como era seu amigo!» [...]
Dito isto, bradou com voz forte: «Lázaro, vem cá para fora!»
O que estava morto saiu de mãos e pés atados com ligaduras e o rosto envolvido num sudário. Jesus disse-lhes: «Desligai-o e deixai-o andar.»
Então, muitos dos judeus que tinham vindo a casa de Maria, ao verem o que Jesus fez, creram nele.

2008-03-07

Aniversário


Quase passava o segundo aniversário do REGADOR sem a nossa lembrança...

Em 2 anos 520 post's (ou mensagens como agora aparece), o que dá uma boa média semanal.

E quase 22 mil visitas, o que também é interessante.

PARABÉNS, portanto, a todos!

2008-03-01

Piscina de Siloé, o que ainda se pode visitar

A piscina de Siloé e o Túnel de Ezequias, lugar que continua a ser visitado como sendo aquele onde aconteceu a cura do cego de nascença.

VIVA o EVANGELHO de Domingo, 2 de Março, IV da Quaresma

Jo. 9,1-41.
Ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. [...] cuspiu no chão, fez lama com a saliva, ungiu-lhe os olhos com a lama e disse-lhe:
«Vai, lava-te na piscina de Siloé» que quer dizer Enviado.
Ele foi, lavou-se e regressou a ver. [...]
Então, perguntaram-lhe: «Como foi que os teus olhos se abriram?»
Ele respondeu: «Esse homem, que se chama Jesus, fez lama, ungiu-me os olhos e disse-me: 'Vai à piscina de Siloé e lava-te.' Então eu fui, lavei-me e comecei a ver!» [...]
Levaram aos fariseus o que fora cego. O dia em que Jesus tinha feito lama e lhe abrira os olhos era sábado. Os fariseus perguntaram-lhe, de novo, como tinha começado a ver. Ele respondeu-lhes: «Pôs-me lama nos olhos, lavei-me e fiquei a ver.» [...]
Perguntaram, então, novamente ao cego: «E tu que dizes dele, por te ter aberto os olhos?»
Ele respondeu: «É um profeta!»
Ora os judeus não acreditaram que aquele homem tivesse sido cego e agora visse, até que chamaram os pais dele. E perguntaram-lhes: «É este o vosso filho, que vós dizeis ter nascido cego? Então como é que agora vê?» Os pais responderam: «Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego; mas não sabemos como é que agora vê, nem quem foi que o pôs a ver. Perguntai-lhe a ele. Já tem idade para falar de si.» [...]
Chamaram, então, novamente o que fora cego, e disseram-lhe: «Dá glória a Deus! Quanto a nós, o que sabemos é que esse homem é um pecador!» Ele, porém, respondeu: «Se é um pecador, não sei. Só sei uma coisa: que eu era cego e agora vejo.» Eles insistiram: «O que é que Ele te fez? Como é que te pôs a ver?» Respondeu-lhes: «Eu já vo-lo disse, e não me destes ouvidos. Porque desejais ouvi-lo outra vez? Será que também quereis fazer-vos seus discípulos?» Então, injuriaram-no dizendo-lhe: «Discípulo dele és tu! Nós somos discípulos de Moisés! Sabemos que Deus falou a Moisés; mas, quanto a esse, não sabemos donde é!» Replicou-lhes o homem: «Ora isso é que é de espantar: que vós não saibais donde Ele é, e me tenha dado a vista! Sabemos que Deus não atende os pecadores, mas se alguém honrar a Deus e cumprir a sua vontade, Ele o atende. Jamais se ouviu dizer que alguém tenha dado a vista a um cego de nascença. Se este não viesse de Deus, não teria podido fazer nada.» Responderam-lhe: «Tu nasceste coberto de pecados e dás-nos lições?» E puseram-no fora. Jesus ouviu dizer que o tinham expulsado e, quando o encontrou, disse-lhe: «Tu crês no Filho do Homem?» Ele respondeu: «E quem é, Senhor, para eu crer nele?» Disse-lhe Jesus: «Já o viste. É aquele que está a falar contigo.» Então, exclamou: «Eu creio, Senhor!» E prostrou-se diante dele. Jesus declarou: «Eu vim a este mundo para proceder a um juízo: de modo que os que não vêem vejam, e os que vêem fiquem cegos.» Alguns fariseus que estavam com Ele ouviram isto e perguntaram-lhe: «Porventura nós também somos cegos?» Jesus respondeu-lhes: «Se fôsseis cegos, não estaríeis em pecado; mas, como dizeis que vedes, o vosso pecado permanece.»