2011-09-03

A Vida questiona o Evangelho de Domingo 4 de Setembro

Mt. ‪18,15-20.‬ 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se o teu irmão pecar, vai ter com ele e repreende o a sós. Se te der ouvidos, terás ganho o teu irmão. 
Se não te der ouvidos, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. 
Se ele se recusar a ouvi-las, comunica-o à Igreja; e, se ele se recusar a atender à própria Igreja, seja para ti como um pagão ou um cobrador de impostos. 
Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes na Terra será ligado no Céu, e tudo o que desligardes na Terra será desligado no Céu.» 

«Digo-vos ainda: Se dois de entre vós se unirem, na Terra, para pedir qualquer coisa, hão-de obtê-la de meu Pai que está no Céu. 
Pois, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles.» 

2011-08-31

Os Cristãos e o Ramadão

"How should the followers of Christ respond to Ramadan and to the socio-religious activities of Muslims in this month? From a Muslim’s point of view, Ramadan is the time of spiritual revival. It is the Islamic spiritual awakening in which a Muslim seeks to pursue purity of mind and heart in words and action. In Ramadan, faithful Muslims fast from sunset to sundown, read the whole Quran, and help the poor as well as needy. They turn away from immoralities, from the vices of the tongue, and evil thoughts. These things are indeed good and, as Christians, we should value all the good deeds that Muslims do. We should further be provoked to affirm our commitment to the teachings of Jesus Christ concerning fasting (Matt 6: 16 – 18), alms giving (Matt 6: 1 – 4), and prayer (Matt 6: 5 – 15). Perhaps, God placed Muslims amongst us to remind us of the sermon of the mount that taught us about fasting, alms giving, and prayer."

Ver aqui o resto do texto.

2011-08-27

Diálogo com o Evangelho - 24

Voltou o Diálogo com o Evangelho, depois de uma interrupção estival.
Aqui fica o

Diálogo com o Evangelho de Domingo 28 de Agosto, pelo Frei Eugénio, no programa de rádio "Raízes de Cá".

A vida questiona o Evangelho de Domingo, 28 de Agosto

Mateus ‪16,21-27.‬
A partir desse momento, Jesus Cristo começou a fazer ver aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito, da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos doutores da Lei, ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar.
Tomando-o de parte, Pedro começou a repreendê-lo, dizendo: «Deus te livre, Senhor! Isso nunca te há-de acontecer!»
Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: «Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um estorvo, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens!»
Jesus disse, então, aos discípulos: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Ou que poderá dar o homem em troca da sua vida? Porque o Filho do Homem há-de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um conforme o seu procedimento.

2011-08-20

A vida questiona o Evangelho de Domingo, 21 de Agosto

Nascente do rio Jordão, em Cesareia de Filipe
Mt. ‪16,13-20.‬
Naquele tempo, ao chegar à região de Cesareia de Filipe, Jesus fez a seguinte pergunta aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?»
Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou algum dos profetas.»
Perguntou-lhes de novo: «E vós, quem dizeis que Eu sou?»
Tomando a palavra, Simão Pedro respondeu: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo.»
Jesus disse-lhe em resposta: «És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu. Também Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela. Dar-te ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que ligares na terra ficará ligado no Céu e tudo o que desligares na terra será desligado no Céu.»
Depois, ordenou aos discípulos que a ninguém dissessem que Ele era o Messias.

2011-08-16

Igreja Baptista


No Domingo passado, com familiares nossos que vivem em Aberdeen, na Escócia, fomos ao serviço religioso na Igreja Baptista de Gerrard Street.
O sermão foi sobre o Salmo 23 (O Senhor é meu Pastor) e pode ser ouvido aqui.
Como na FAVA, no final há chá, café e bolos para quem quiser ficar na conversa.
Ontem tentámos ir à missa na catedral, mas como era dia de ordenação episcopal, não pudemos entrar: só por convite e dentro da lotação da Igreja, que nos disseram já estava esgotada e não pode ser ultrapassada por questões de segurança. Aqui é assim.

2011-08-15

Assunção de Nossa Senhora

Hoje celebramos a vida de uma mulher com vida plenamente realizada!

Nas palavras de Roger Schutz, de Taizé (1915-2005), "A Igreja exprime-se bem na figura de Maria; e quanto mais conseguir ser maternal, mais plenamente pode fazer nascer o Homem como criatura nova em Deus."

Tem muitos fans e deixou segredo do seu sucesso em oração magnifica!

Pode ler-se em Lc. 1, 46-56. Aqui fica:

A minha alma glorifica o Senhor *
E o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.


Porque pôs os olhos na humildade da sua Serva: *
De hoje em diante me chamarão bem aventurada todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: *
Santo é o seu nome.


A sua misericórdia se estende de geração em geração *
Sobre aqueles que o temem.
Manifestou o poder do seu braço *
E dispersou os soberbos.


Derrubou os poderosos de seus tronos *
E exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens *
E aos ricos despediu de mãos vazias.


Acolheu a Israel, seu servo, *
Lembrado da sua misericórdia,
Como tinha prometido a nossos pais, *
A Abraão e à sua descendência para sempre.

2011-08-13

Mulher de grande fé

A propósito do Evangelho deste Domingo aqui fica o comentário de António Couto, retirado do Mesa de Palavras.

MULHER DE GRANDE FÉ

1. O Evangelho deste Domingo XX do Tempo Comum serve-nos uma página absolutamente desarmante: Mateus 15,21-28. Jesus abandona Genesaré, na costa ocidental do Mar da Galileia, e vai para a região de Tiro e de Sídon, actual Líbano, terra pagã.

 2. Uma mulher e mãe «libanesa», carregada com o drama da sua filha doente – situação verdadeira ontem como hoje –, vem implorar de Jesus, num grito que lhe sai do fundo das entranhas, que lhe «faça graça» (eléêsón me, kýrie) (Mateus 15,22), isto é, que olhe para ela com bondade e ternura como uma mãe que dirige o seu olhar embevecido para a criança que embala nos braços.

 3. O texto diz que Jesus nem lhe respondeu (Mateus 15,23). Mas a mulher não desiste, mas insiste e vai mais longe, prostrando-se (verbo proskinéô) agora diante de Jesus (Mateus 15,25). O gesto significa orientar a sua vida toda para Jesus, pôr-se totalmente na dependência de Jesus. A reacção de Jesus é de uma dureza extrema: afasta a pobre mulher e mãe duramente, catalogando-a na classe dos cachorros [= pagãos] e não dos filhos [= judeus] (Mateus 15,26). Só para estes é que ele veio.

 4. A mulher replica de modo admirável: é verdade, Senhor! Os filhos estão reclinados à mesa, mas os cachorros comem debaixo da mesa as migalhas que caem! (Mateus 15,27). «Mulher da grande fé! (megalê hê pístis)», replicou Jesus, «faça-se como queres!» (Mateus 15,28).

 5. Note-se bem que é a única vez que Jesus fala da «grande fé». E atribui-a a uma mulher e mãe «libanesa» cujo amor nunca se vergou perante a dureza e as dificuldades da vida. Em contraponto com esta mulher da «grande fé», note-se bem que Pedro é o homem da «pequena fé» (oligópistos) (Mateus 14,31), do mesmo modo que os discípulos são os homens «da pequena fé» (oligópistoi) (Mateus 6,30; 8,26; 16,8; 17,20). Admirável ainda que Jesus diga a esta mulher que não desiste, mas insiste e persiste: «faça-se como queres» (genêthêtô hôs théleis), um paralelo claro da oração do «Pai Nosso»: «Faça-se a tua vontade» (genêthêtô tò thélêmá sou) (Mt 6,10)!

 6. O episódio é de uma crueza e de uma beleza inauditas. Mas há ainda mais: é a insistência desta mulher e mãe «libanesa» que, por assim dizer, obriga Jesus a passar mais uma fronteira: de hebraeos ad gentes!

 7. Enquanto tentamos compreender melhor a ousadia desta mulher e mãe «libanesa», que enche claramente este Domingo XX, não deixemos também de contemplar o rumor missionário que se faz ouvir, em perfeita sintonia, nas demais passagens ou paisagens bíblicas de hoje: aí está Isaías a adscrever mais um belo nome a Jerusalém: «Casa de oração para todos os povos» (Isaías 56,7). E Paulo a intitular-se «Apóstolo das nações» (Romanos 11,13). E o Salmo 67(66) a juntar as vozes dos povos de toda a terra no mesmo louvor ao Deus que faz graça e misericórdia.

A vida questiona o Evangelho de Domingo, 14 de Agosto

Mt. ‪15,21-28.‬
Naqueles dias, Jesus partiu dali e retirou-se para os lados de Tiro e de Sídon. Então, uma cananeia, que viera daquela região, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem misericórdia de mim! Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio.» Mas Ele não lhe respondeu nem uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-lhe com insistência: «Despacha-a, porque ela persegue-nos com os seus gritos.»
Jesus replicou: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.»
Mas a mulher veio prostrar-se diante dele, dizendo: «Socorre-me, Senhor.»
Ele respondeu-lhe: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorros.» Retorquiu ela: «É verdade, Senhor, mas até os cachorros comem as migalhas que caem da mesa de seus donos.» Então, Jesus respondeu-lhe: «Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se como desejas.» E, a partir desse instante, a filha dela achou-se curada.

2011-08-08

Domingos de Gusmão

Domingos vela por nós, para que não passemos indiferentes diante da miséria, da ignorância e dos erros que desumanizam a vida de tantas pessoas.

2011-08-05

Ramadão

 Teve início esta semana o mês do Ramadão, período durante o qual os muçulmanos praticam o seu jejum ritual (suam, صَوْم), o quarto dos cinco pilares do Islão.

Nas palavras do pensador e estudioso mulçulmano Fethullah Gulen "Todos os muçulmanos, independentemente da sua nacionalidade ou país de origem, temperamento, estatuto social ou condição física, vivem juntos e respiram o mesmo ar na atmosfera bendita do Ramadão. (...) O Ramadão tem um efeito fascinante sobre os muçulmanos, pois deixa as suas impressões positivas até na alma dos mais pobres e dos oprimidos."

Para conhecer melhor este momento tão importante na vida dos irmãos mulçulmanos podemos seguir este link. E este.

A vida questiona o Evangelho de Domingo, 7 de Agosto

Mt 14,22-33.



Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a embarcar e a ir adiante para a outra margem, enquanto Ele despedia as multidões. Logo que as despediu, subiu a um monte para orar na solidão. E, chegada a noite, estava ali só.

O barco encontrava-se já a várias centenas de metros da terra, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. De madrugada, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Ao verem-no caminhar sobre o mar, os discípulos assustaram-se e disseram: «É um fantasma!» E gritaram com medo.

No mesmo instante, Jesus falou-lhes, dizendo: «Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não temais!»

Pedro respondeu-lhe: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas.»

«Vem» disse-lhe Jesus. E Pedro, descendo do barco, caminhou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento, teve medo e, começando a ir ao fundo, gritou: «Salva-me, Senhor!»


E, quando entraram no barco, o vento amainou. Os que se encontravam no barco prostraram-se diante de Jesus, dizendo: «Tu és, realmente, o Filho de Deus!»
Imediatamente Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?»

2011-08-02

As Boas Notícias!

É tão raro abrirmos os jornais e depararmo-nos com boas notícias, notícias que nos trazem esperança em que o mundo não é tão mau como muitos nos dizem e que o bem e a paz ainda são valores defendidos por muitos. É por isso que quis trazer aos leitores do Regador duas notícias com que me deparei hoje.

Hoje ao ler o Público (http://www.publico.pt/Mundo/iraniana-cega-por-acido-perdoa-agressor-antes-da-aplicacao-da-pena_1505518) chamou-me a atenção uma notícia com destaque na última página, no “Sobe e Desce”, referente à iraniana Ameneh Bahrami, mulher que ficou cega e desfigurada num ataque com ácido perpetrado por um homem com quem se recusou a casar.

No desenvolvimento da notícia, nas páginas interiores, noticia-se que Ameneh assumindo um gesto de grande tolerância, sobrepondo ao impulso do ódio que reclamava a vingança com a aplicação da lei de talião, ou qisas, que faz parte da Sharia (lei islâmica), perdoou a esse homem que a atacou, permitindo assim a revogação da pena que levaria a que tirassem a vista ao mesmo e o desfigurassem como ele lhe fez.

O amor sobrepôs-se ao ódio e, como nos disse Jesus para fazer, esta mulher islâmica “ouviu” as palavras do Evangelho: «Ouvistes o que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, digo-vos: Não oponhais resistência ao mau. Mas, se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra. (Mt.5, 38-39)

No mesmo jornal se dá conta de outra notícia que mostra bem como este pedido de Jesus está presente em muitas situações e que é possível que aqueles que são chamados ao ódio se manifestem por sinais de concórdia, de paz e de amor. É isto que se relata em outra notícia do mesmo jornal Público que nos conta que jovens judeus e palestinianos são capazes de conviver pacificamente como o fazem no Boxing Club de Jerusalém onde o único confronto entre esses jovens de povos tão divididos é no "ring de box", de forma cordial e desportiva e com abraços finais. “Aqui é como se fossemos um só povo” refere um jovem judeu religioso.

E não seremos todos nós um só povo, o povo de Deus? Hoje, perante estes gestos de paz e boa vontade entre homens deve haver festa nos Céus.

Hugo Meireles

A INQUISIÇÃO ESTÁ DE VOLTA?

Noticia hoje o jornal “Público” (http://m.publico.pt/Detail/1505640) que o cardeal patriarca, D. José Policarpo, foi chamado a Roma por causa de recentes declarações que fez, em Junho passado, numa entrevista à Revista da Ordem dos Advogados (http://www.oa.pt/upl/%7B28366284-16ca-42e4-af71-343f83619de7%7D.pdf). Nessa entrevista, questionado sobre a ordenação das mulheres, afirma: “Penso que não há nenhum obstáculo fundamental. É uma igualdade fundamental de todos os membros da Igreja”.

Esta afirmação gerou, na altura e nos meios católicos portugueses, uma forte reacção negativa, particularmente nos mais conservadores, já que dos outros poucas opiniões se ouviram. Essa reacção negativa levou D. José Policarpo a fazer um desmentido às suas afirmações no site do Patriarcado de Lisboa (http://www.patriarcado-lisboa.pt/site/index.php?id=904), desmentido que, no entanto, não pode anular a afirmação anteriormente onde afirma que “teologicamente não há nenhum obstáculo fundamental” e que “…A mudança nesta matéria ocorrerá… se Deus quiser que aconteça e se estiver nos planos Dele acontecerá”.

A propósito de declarações idênticas e como também foi na altura publicitado no mesmo jornal “Público”, William Morris, bispo de Toowoomba, Austrália foi demitido do cargo por declarações idênticas proferidas em 2006.

Não me pode deixar de causar surpresa esta posição da hierarquia suprema da Igreja, particularmente num tempo em que escasseiam as vocações, em que se abrem novos horizontes e necessidades à evangelização, agora não aos selvagens e ímpios mas aos povos da Europa civilizada e dita católica.

Mas mais do que surpresa causa-me profunda apreensão esta forma de proceder da hierarquia, pressionando os seus membros a calarem o que pensam, mesmo que nisso acreditem, como se deduz da notícia em causa na qual se afirma que o Cardeal Patriarca “ …recebera uma carta do cardeal William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (cargo anteriormente ocupado pelo actual Papa Bento XVI), órgão que zela pela Teologia oficial” e que “…manifestou um ar grave após ter lido a carta”.

Quero aqui deixar bem claro, mais uma vez, como o fiz a propósito do que escrevi sobre a entrevista a Teresa Toldy, que sou um defensor do papel da mulher na Igreja em igualdade com o homem.

Sem ser suportado em nenhum argumento teológico seguro, mas antes invocando a tradição da Igreja, ao que sei, pois não sou teólogo como na anterior intervenção que citei já disse, os seus responsáveis passam em claro a acção de Nosso Senhor, Jesus Cristo, na libertação das mulheres às quais atribuiu um papel de grande importância, facto de ainda maior realce se se atender à época e à cultura em que Jesus viveu.

São, de facto, abundantes os episódios em que a mulher assume um papel de relevo na vida de Jesus, podendo citar-se, a este propósito, a figura de Maria Madalena primeira pessoa a quem Jesus se manifestou depois da sua Morte e Ressurreição, ou a figura de Maria, irmã de Marta e Lázaro, sem esquecermos o diálogo com a Samaritana.

Ora, se Jesus quis dar esse papel às mulheres no seu tempo, porque razão lhe negamos hoje a possibilidade de virem, nem que seja de forma gradual, para não “chocar” mentes mais empedernidas, a assumir um papel na Igreja em todas as áreas de acção para que Jesus nos chamou? Não foi Jesus que disse “Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada” (Lc. 10, 42b)? Então porque hão-de os homens questionar a humanidade da mulher? E se Jesus tivesse incarnado numa mulher, facto que nada me repugna aceitar pois para Deus homem e mulher são uma e a mesma criatura? Como reagiriam os “homens” da Igreja?

Longe vão os tempos corajosos de D. António, bispo do Porto, que assumiu frontalmente a defesa dos valores cristãos em que acreditava, desafiando os poderes civis e religiosos da altura e sofrendo o exílio por causa das suas ideias. Terão regressado esses tempos à Igreja?


Felizmente, como é nosso hábito dizer, acredito que “Deus não dorme” e por isso nele confio para que se possam realizar as palavras de D. José Policarpo “se Deus quiser que aconteça e se estiver nos planos Dele acontecerá”!

Hugo Meireles

2011-08-01

"DAI-LHES VÓS DE COMER"

Comentando e reflectindo sobre o Evangelho do passado domingo fiz referência ao drama que se vive em África, com milhares de pessoas, sobretudo crianças e velhos – os mais frágeis – a morrerem diariamente. Para acorrer a este drama tem sido feitos apelos por organismos internacionais e o Papa Bento XVI referiu-se em particular ao mesmo pedindo a colaboração de todos para ajudar a mitigar esta dramática situação.

Hoje ao ler o Evangelho deste domingo, não pude deixar de pensar nesta situação ao ouvir as palavras de Jesus: “Dai-lhes vós de comer”. De facto, perante o drama vivido em África como em tantas partes do mundo somos levados muitas vezes a pensar que a oferta que possamos fazer é tão pequena que de nada servirá para aliviar tão grande problema. Então esperamos que representantes de governos ou os que tem mais do que nós, os outros, façam aquilo que nós poderíamos fazer mas entendemos que de nada servirá.

Mas não servirá mesmo o pouco que possamos dar? Jesus, quando os discípulos lhe disseram que apenas tinham cinco pães e dois peixes não achou que tal era pouco e mandou-os distribuir esse pouco pela enorme multidão que se juntara para o ouvir. E não será isso também que nos pede hoje, tomarmos o que nos sobra, por pouco que seja, e reparti-lo com os que precisam? Claro que esta oferta será tanto maior quanto mais acreditarmos no poder do Senhor para multiplicar o pouco que damos e junto com outros poucos que outros possam dar fazer o muito que é necessário para que se cumpra o que nos pede no Evangelho de São Mateus: “viste-me com fome e deste-me de comer”.

Como naquela anedota de um homem que todas as semanas pedia ao Senhor que lhe fizesse sair a lotaria e a quem Deus respondeu “ao menos compra a cautela”, também nós que pedimos nas orações “Senhor dá pão aos que precisam” podemos comprar a nossa cautela e dar algum do pouco que possamos dispor juntando à nossa oferta a oração pedindo ao Senhor que na sua enorme bondade multiplique essa oferta para ajudar aqueles que dela precisam como fez quando multiplicou o pão e os peixes. Então o pouco que damos, junto ao pouco que muitos podem dar e a quem o Espírito Santo pode iluminar para que assim procedam, transforma-se no muito necessário para ajudar os que mais precisam.

Estas palavras que me surgem pela lembrança do drama de África não deixam de ser também verdade no nosso país face à crise que se vive e que muito se irá ainda fazer sentir. Talvez a passagem do Evangelho de São Lucas sobre a oferta da viúva pobre (Lc 21,1-4) nos possa inspirar deixando que as palavras de Jesus então proferidas ecoem no nosso coração: "Em verdade vos digo que esta viúva pobre deitou mais do que todos os outros; pois eles deitaram no tesouro do que lhes sobejava, enquanto ela, da sua indigência, deitou tudo o que tinha para viver.". Oxalá, pelo menos, sejamos capazes de repartir um pouco do que temos com os outros para cumprir o que Jesus hoje nos pede e que repito: “Não precisam de se ir embora: dai-lhes vós de comer.” Poderemos assim cumprir o que ouvimos na aclamação do Evangelho deste domingo: “Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.” (Mt. 4,4b). De facto de que nos vale comermos o pão que o Senhor nos providencia se não formos capazes de nos alimentar das palavras que saem da Sua boca?

Termino com a transcrição de uma alegoria de um texto hoje distribuído a Capela de Gondarém e que bem podia aplicar-se a nós:

(…)
Um sacerdote morreu de repente, aos 81 anos. No seu bolso estava uma frase escrita pelo próprio punho que dizia: “A melhor parte da vida é aquela que está para a frente. O passado não é mais nosso, o futuro está nas mãos de Deus; nosso, inteiramente nosso, é o presente: O tempo é um presente de Deus.” (Citado de um texto de A. Colombo).

Vivamos o nosso presente pois é no hoje que todos os dias vivemos que preparamos o futuro que queremos alcançar. Amanhã poderá ser tarde e vermos as portas fecharem-se como às virgens que se descuidaram e não cuidaram de alimentar as suas candeias. Façamos deste dia o primeiro da nossa Vida.


Hugo Meireles



2011-07-30

A vida questiona o Evangelho de Domingo, 31 de Julho

Mt. ‪14,13-21.‬
Naquele tempo, quando Jesus ouviu que João Baptista tinha sido morto, retirou-Se dali sozinho num barco, para um lugar deserto; mas o povo, quando soube, seguiu-O a pé, desde as cidades.
Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de misericórdia para com ela, curou os seus enfermos.
Ao entardecer, os discípulos aproximaram-se dele e disseram-lhe: «Este sítio é deserto e a hora já vai avançada. Manda embora a multidão, para que possa ir às aldeias comprar alimento.»
Mas Jesus disse-lhes: «Não é preciso que eles vão; dai-lhes vós mesmos de comer.» Responderam: «Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes.»
«Trazei-mos cá» disse Ele.
E, depois de ordenar à multidão que se sentasse na relva, tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao céu e pronunciou a bênção; partiu, depois, os pães e deu os aos discípulos, e estes distribuíram-nos pela multidão. Todos comeram e ficaram saciados; e, com o que sobejou, encheram doze cestos.
Ora, os que comeram eram uns cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.

2011-07-25

Venham mergulhar connosco !

Está a decorrer em Singeverga o Campo da FAVA.

O tema é: H2O: Mergulha e abre os olhos

Aqui ficam algumas imagens. 


Reflexão sobre as leituras deste Domingo (17.º Domingo do Tempo Comum - Ano A)

Nestes tempos difíceis que vivemos no nosso país e no mundo que nos rodeia – veja-se a catástrofe que se vive com a seca na região do corno de África, com a fome que assola a Somália e nos milhares de pessoas, sobretudo os mais jovens e os mais velhos, que morrem todas as semanas - tenho procurado respostas nas leituras que vou fazendo, em particular das que todos os dias me enviam do Evangelho Quotidiano (EAQ).

Ontem, como me é habitual, fiz a primeira leitura da missa vespertina na igreja que costumo frequentar e uma frase da mesma me ressaltou de imediato e me levou a reflectir nessas palavras do Livro 1.º Reis 3,5.7-12 "Dai, portanto, ao vosso servo um coração inteligente, para saber distinguir o bem do mal".

Estas palavras passaram a vir-me à memória todo o dia de hoje, dia em que tive a oportunidade de reflectir nas mesmas face a outras leituras que fui fazendo, particularmente sobre as notícias do dia e, também, da crónica do Frei Bento Domingues no jornal Público.

Referi já a catástrofe que se vive em África, catástrofe provavelmente idêntica a muitas outras que se vivem pelo mundo fora, mas que se vivem também no nosso quotidiano face às muitas dificuldades por que o país está a passar. Mas outras notícias mais mundanas fizeram parte da minha reflexão como, por exemplo, a morte da cantora Amy Winehouse, morte provocada pela procura de prazeres e sensações imediatos, como acontece em tantas situações da nossa vida.

Provavelmente quem estiver a ler estas linhas perguntará: o que é que isto tem a ver com as palavras da primeira leitura?


Bom, das minhas reflexões fez parte, também, a leitura da crónica do Frei Bento Domingues, a qual refere um texto anónimo conhecido como Carta de Diogneto (este texto que descreve o modo de vida dos cristãos do Séc. II pode ser consultado em http://www.snpcultura.org/pedras_angulares_a_diogneto.html) a qual diz a certo passo que "Os cristãos não se distinguem dos demais homens, nem pela terra, nem pela língua, nem pelos costumes".

Então porque se distinguem os cristãos para serem perseguidos e mortos, como se diz na Carta de Diogneto? Certamente pelo que se lê mais adiante "(...) Amam todos e por todos são perseguidos. (...) São pobres mas enriquecem muita gente; de tudo carecem, mas de tudo abundam".

Ora, para que se possa viver de forma cristã é necessário pedirmos ao Senhor, como fez Salomão, "dai-nos um coração inteligente...", um coração para podermos amar os outros, mesmo os que não conhecemos, e uma inteligência para perceber que não são as riquezas do mundo que nos "enriquecem" pois partilhando mesmo o pouco que possamos ter ficaremos ainda mais ricos, com mais "abundância" como dizia esse anónimo do Sec. II.

Das muitas notícias que todos os dias nos são trazidas, das muitas conversas que vamos partilhando com este ou aquele, da nossa própria vivência, uma coisa ressalta: estamos muito mais atentos e apegados ao supérfluo, ao mundano, aos bens materiais, em suma à nossa própria pessoa a ponto de nos esquecermos frequentemente das palavras de Jesus quando nos diz "ama a Deus sobre todas as coisas e aos outros como a ti mesmo!".

Assim, a receita que deveríamos adoptar nestes tempos conturbados, em particular todos os que temos uma responsabilidade acrescida por nos dizermos gente de Cristo, não era procurarmos recompensas mundanas ou riquezas que só servem para nos ofuscar e impedir de ver a verdade - porque tanta gente, eu incluído, passa a vida a sonhar em ganhar o Totoloto ou o Euromilhões para ter na terra recompensas efémeras esquecendo as palavras do Senhor que nos diz que quem recebe as recompensas na terra não as pode esperar receber também nos Céus (Mt. 6,2) - mas pensarmos qual a forma de podermos ajudar o nosso próximo, seja na crise que vivemos no nosso país, seja nas muitas crises de que tomamos conhecimento e que acontecem por esse mundo fora. Para encontrarmos a resposta bom seria fazermos como Salomão e pedirmos apenas um coração inteligente.

Ainda a este propósito ouso, com toda a humildade de quem precisa de todas as ajudas para crescer como cristão, aconselhar uma nova leitura do Livro dos Provérbios, capítulos 10 a 22, pois aí talvez encontremos algumas mensagens que possam ajudar a nossa vontade de mudar o nosso coração.

Hugo Meireles

2011-07-23

A vida questiona o Evangelho de Domingo, 24 de Julho

Mt. ‪13,44-52.‬
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:«O Reino do Céu é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem encontra. Volta a escondê-lo e, cheio de alegria, vai, vende tudo o que possui e compra o campo.
O Reino do Céu é também semelhante a um negociante que busca boas pérolas. Tendo encontrado uma pérola de grande valor, vende tudo quanto possui e compra a pérola.»
«O Reino do Céu é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. Logo que ela se enche, os pescadores puxam-na para a praia, sentam-se e escolhem os bons para as canastras, e os ruins, deitam-nos fora. Assim será no fim do mundo: sairão os anjos e separarão os maus do meio dos justos, para os lançarem na fornalha ardente: ali haverá choro e ranger de dentes.»
«Compreendestes tudo isto?» «Sim» responderam eles. Jesus disse-lhes, então: «Por isso, todo o doutor da Lei instruído acerca do Reino do Céu é semelhante a um pai de família, que tira coisas novas e velhas do seu tesouro.»

2011-07-16

REQUIEN POR UM HOMEM BOM

Fui hoje ter com o Diogo pela última vez. Não posso dizer que o conhecia. Durante a sua juventude tive alguns contactos com ele, nos tempos em que colaborava com o Frei Eugénio em Cristo Rei e em que ele era um dos jovens que frequentavam as reuniões de preparação para a vida cristã, os convívios. Mas, porque era um pouco mais velho do que os meus filhos, nunca houve oportunidade de o conhecer para dele poder ter uma opinião formada. Era para mim um jovem simpático, cheio de vida e de ideias que mais tarde se viriam a manifestar.

Comecei a acompanhar a sua vida pelas notícias que ele ia provocando com as suas actividades públicas as quais foram revelando a sua forte e bem formada personalidade na qual se destacava o dom de se entregar a causas nobres e altruístas.

Encontrei-o anos mais tarde e com ele mantive alguns contactos enquanto responsável pela UMIC. Era então já um jovem adulto, embora com o mesmo olhar sonhador de quem não desistiu das suas causas. Seguro de si e revelando uma segurança profissional, invejável para alguém tão jovem, causou-me a melhor das impressões.

Toda a sua vida que acompanhei a partir desse momento, com contactos esporádicos mas que por ser pública era facilmente percebida, não alterou, antes pelo contrário, a impressão que me tinha deixado. E uma característica é para mim de realçar: nunca o vi assumir nenhuma atitude de vaidade ou de projecção pessoal, nunca o vi aparecer nas páginas do “jet set” nacional como muitos outros jovens da sua idade que procuravam cavalgar uma onda de sucesso, por vezes efémero e despido de conteúdo. Tal facto permitiu-me ver como sua formação cristã na juventude deu os seus frutos.

Era um Homem Bom. Infelizmente para nós partiu e não pode continuar a enorme obra que já construíra para bem de muitos. Deixou no entanto um legado de todos o maior: o seu exemplo, a sua firme determinação na defesa do bem público e na defesa dos mais fracos, atitude que pode e deveria ser seguida num país por vezes perdido e sem rumo.

Cumpriu-se no Diogo aquilo que Jesus veio ensinar: dar sem esperar recompensa neste mundo e amar os outros. Servir e não ser servido.

Sei que a sua família e os amigos o choram por o ver afastado do seu convívio. Mas este é para nós cristãos também um momento de grande alegria pois temos mais um amigo na Terra Prometida para onde todos esperamos um dia partir para nos podermos extasiar perante a grandeza do Deus em que acreditamos, que nos criou e de nós espera o que o Diogo foi capaz de cumprir.

Escrevi um dia, numa das minhas reflexões sobre o Evangelho, reflexões que tenho por hábito muitas vezes redigir, o seguinte:

Jesus diz-nos no Evangelho de São Lucas "Esta geração é uma geração má. Ela busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas." (Lc. 11, 29-32). Mas, no entanto, o Senhor todos os dias nos envia esses sinais e, como dizia no Evangelho de hoje, àqueles que o ouviam "Ide contar a João o que vedes e ouvis", também hoje nos diz ouvi aqueles que falam por mim, os que falam pelas palavras que o Espírito Santo lhes infunde ou que falam pelas obras que fazem em meu nome. Só que nós andamos mais atentos aos falsos profetas para os quais o Senhor nos alertou e deixamos passar em claro as palavras e as obras daqueles que são os verdadeiros profetas, palavras e obras que são os verdadeiros sinais, aqueles sinais que nos permitem ver a grandeza do Senhor mas que constantemente ignoramos.

Ora a vida do Diogo é sem dúvida um desses sinais que o Senhor nos envia para nos ensinar os seus caminhos para a tal Terra Prometida onde diremos verdadeiramente "O Senhor é meu pastor: nada me falta. Leva-me a descansar em verdes prados, conduz-me às águas refrescantes e reconforta a minha alma". Oxalá todos fossemos capazes de ver e ouvir, em Verdade e em Amor, tudo o que o Senhor nos disse através dos muitos exemplos desta vida que desaparece para nós.

O Diogo partiu. Partiu mais um Homem Bom a quem desejamos que viaje em paz, na Paz do Senhor, que acompanharemos com as nossas orações e com o qual esperamos, esperançosamente, reunirmo-nos no dia em que o nosso Deus decidir chamar-nos.

Hugo Meireles

2011-07-14

Diálogo com o Evangelho - 23



Diálogo com o Evangelho de Domingo 17 de Julho, pelo Frei Eugénio, no programa de rádio "Raízes de Cá".

A vida questiona o Evangelho de Domingo, 17 de Julho

Grão de Mostarda, Nazaré, Setembro 2010
Mat. ‪13,24-43.‬
Naquele tempo, Jesus propôs à multidão mais esta parábola: «O Reino do Céu é comparável a um homem que semeou boa semente no seu campo. Ora, enquanto os seus homens dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e afastou-se. Quando a haste cresceu e deu fruto, apareceu também o joio. Os servos do dono da casa foram ter com ele e disseram-lhe: 'Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio?’
'Foi algum inimigo meu que fez isto’ respondeu ele. Disseram-lhe os servos: 'Queres que vamos arrancá-lo?’
Ele respondeu: 'Não, para que não suceda que, ao apanhardes o joio, arranqueis o trigo ao mesmo tempo. Deixai um e outro crescer juntos, até à ceifa; e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em feixes para ser queimado; e recolhei o trigo no meu celeiro.’»
Jesus propôs-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. É a mais pequena de todas as sementes; mas, depois de crescer, torna-se a maior planta do horto e transforma-se numa árvore, a ponto de virem as aves do céu abrigar-se nos seus ramos.»
Jesus disse-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até que tudo fique fermentado.»
Tudo isto disse Jesus, em parábolas, à multidão, e nada lhes dizia sem ser em parábolas. Deste modo cumpria-se o que fora anunciado pelo profeta: Abrirei a minha boca em parábolas e proclamarei coisas ocultas desde a criação do mundo.
Afastando-se, então, das multidões, Jesus foi para casa. E os seus discípulos, aproximando-se dele, disseram-lhe: «Explica-nos a parábola do joio no campo.» Ele, respondendo, disse-lhes: «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem;
o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do Reino; o joio são os filhos do maligno; o inimigo que a semeou é o diabo; a ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros são os anjos. Assim, pois, como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será no fim do mundo: o Filho do Homem enviará os seus anjos, que hão-de tirar do seu Reino todos os escandalosos e todos quantos praticam a iniquidade,
e lançá-los na fornalha ardente; ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como o Sol, no Reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos, oiça!»

2011-07-11

Diogo Vasconcelos: a rede e a necessidade de conhecer e interagir com o Outro


Esta entrevista com Diogo Vasconcelos publicada no ionline, contém algumas das suas ideias sobre a importância de estar em rede e de conhecer e interagir com o outro; ou, como afirma noutra entrevista, ao Expresso, estamos perante um ponto de viragem em que temos de "Assumir que o mundo não deve estar organizado numa lógica de comando e controlo, mas de uma forma participativa."

Diogo Vasconcelos: vida breve para uma obra longa


Das várias evocações de Diogo Vasconcelos (Porto, 16 de Maio de 1968 - Londres, 8 de Julho de 2011), deixamos aqui um perfil da autoria de Marcos Borga.


"É o primeiro português a ocupar um cargo de director internacional na Cisco, um dos gigantes mundiais da tecnologia. Aos 38 anos, sabe que deixa para trás obra feita no sector público.

Já foi deputado, presidente de uma unidade de missão do Governo e tem um lugar na Casa Civil do Presidente da República à sua espera. Aos 38 anos, vai trocar o Porto por Londres, e iniciar uma carreira internacional como director de consultoria para o Sector Público da multinacional Cisco Systems. Os responsáveis a quem vai reportar não estão à espera que faça negócios. Reservaram-lhe um papel mais abrangente, de evangelizador. A sua missão consiste em viajar pelo mundo a pregar as virtudes da sociedade da informação e do conhecimento - área que conhece bem, ou não tivesse deixado a sua marca em 5 planos de acção postos em marcha pela Unidade de Missão Inovação e Conhecimento (UMIC), em apenas dois anos e meio de desempenho.

Antes de surgir o convite, Diogo Vasconcelos passou dois anos sob escrutínio, desde que se destacou numa conferência mundial sobre este tema, em 2005. "Fiquei sob observação, de forma mais implícita do que explícita", reconheceu. O desafio é muito claro: apoiar, quer a nível europeu, junto da Comissão Europeia e dos 27 países-membros, quer a nível mundial, junto de governos e de instituições financeiras multilaterais (FMI, Banco Mundial, BEI, BERD...), a estratégia da Cisco para a promoção da sociedade da informação. É uma área que não é paga. Até é oferecida, mas é estratégica para a multinacional de sistemas de informação. Permite-lhe intensificar o conhecimento sobre as realidades locais e desenvolver novos mercados. "Estou proibido de vender - se for caso disso, haverá concursos internacionais aos quais podem candidatar-se outras empresas, além da Cisco", explicou.

(...)
Diogo foi o segundo de três irmãos. A mãe era bióloga e professora no secundário: o pai, engenheiro electrotécnico, teve na Efacec o primeiro e o último emprego. Ficou lá até se reformar. O jardim de infância e as escolas foram escolhidas a partir do Ameal, onde a família residia. O secundário leva-o para perto da mãe, professora na Escola António Nobre, em Paranhos, junto ao antigo estádio do Salgueiros. Bom aluno em quase todas as áreas, opta pela área D, de Humanísticas, que fará dele um homem de Letras. É para lá dos portões do António Nobre que Diogo ensaia a sua primeira experiência associativa. Mas desde miúdo que era dado a outras experiências, também elas participativas. Ainda na preparatória de Paranhos, faz um jornal com o amigo Carlos Sarmento. Chamava-se Passo a Passo e tirava 12 exemplares. "Mas era um projecto muito ambicioso. E com pretensões: tinha análise, opinião. E tinha um suplemento sobre a guerra das Malvinas", relata. O gosto pelo jornalismo ficou lá.

Na Secundária António Nobre, candidata-se com outros colegas à associação de estudantes e ganha. Teve que se desfazer, com pena, do segundo projecto jornalístico onde se empenhou, o Vida de Estudante, um jornal nacional, para estudantes. Um dia, pegou nuns desenhos do Quino, retratando um ditador sul-americano, baixinho, de bigode e óculos escuros, e usou-o num editorial chamado "O Rei vai nu". A escola não cumpria a lei sobre a participação de alunos no conselho pedagógico e o cartoon vinha mesmo a calhar. O presidente do conselho directivo não gostou. A mãe, docente em biologia, foi chamada. Mas Diogo pôde contar com a compreensão dela. "O meu pai e a minha mãe sempre tiveram preocupações de carácter cívico. Antes do 25 de Abril, pertenciam à JUC e foram fundadores do núcleo do Porto da SEDES. A PIDE chegou a tirar informação sobre o meu pai, na empresa, mas o superior hierárquico era mais à esquerda do que ele, portanto... foi irónico!". Sempre se discutiu política na casa do Ameal. A mãe viria ainda a ser uma destacada membro do Sindicato dos Professores da zona Norte. Fez também parte da primeira comissão política no Porto do PPD, a seguir à fundação.

Não tardou que o filho lhe seguisse as pisadas. Ainda no António Nobre, fez-se militante da JSD. A vida associativa prossegue na Católica do Porto, onde se licenciou em Direito. (...)
Diogo Vasconcelos viria a ser reeleito por duas vezes presidente da FAP. No último mandato, chama Armando Baptista para a vice-presidência. Admite que a política sempre o acompanhou, mas garante que em nada influenciou o seu desempenho enquanto líder dos estudantes do Porto. "'Boy' é a pessoa que sai de uma associação académica e vai para a política. Não foi o meu caso", esclarece. As convicções fizeram com que declinasse um convite de Pedro Passos Coelho para lhe suceder na direcção da JSD. "Fui eleito [para a FAP] numa lista impulsionada pela esquerda académica do Porto! Aliás, o que eu defendia foi adoptado pelo ex-ministro Marçal Grilo", esclareceu. (...)

O mais novo director da Cisco (entra hoje, dia 1, em funções) diz que gosta de usar a metáfora da ampulheta: "De vez em quando, é preciso virar tudo ao contrário". "Entendi que entrar num gabinete ministerial, assim que se acaba um curso, pode ser uma experiência muito interessante, bem paga, mas lá está...". Não lhe agradou a ideia. A opção foi feita a favor da actividade editorial. Depois de um breve estágio na redacção do Porto do diário Público, entrou no grupo Fórum, dirigido por Rui Marques, que conheceu em 1993 durante a viagem do Lusitânia Expresso - missão de paz por Timor-Leste que juntou líderes estudantis e outras personalidades a bordo de um navio. Rui Marques, actual comissário para a Imigração e Minorias Étnicas, elogia-lhe a inteligência, a visão e a capacidade empreendedora, de lançar ideias e de executá-las com eficácia. "Está sempre na linha da frente", disse à VISÃO. Por isso, convidou-o a tornar-se sócio do grupo Fórum, que esteve na génese das revistas Fórum Estudante, Fórum Ambiente, Cais, Cybernet e, mais tarde, Ideias & Negócios - um projecto do próprio Diogo Vasconcelos. É na edição de revistas que Vasconcelos trabalha, depois de feito o estágio de advocacia, até que em 2002 não resiste ao apelo da política e é eleito, nas listas de Durão Barroso, deputado à Assembleia da República. Vai para o Parlamento mas já com o objectivo de vir a desenvolver um projecto na área da sociedade da informação. "Estive lá durante o tempo necessário para montar a UMIC", esclarece.

A orgânica da UMIC viria a ser desenhada de acordo com a sua inspiração: um modelo interministerial, autónomo, semelhante ao que se fazia na Austrália, na Nova Zelândia e no Reino Unido. Confessa: "Podia-se ter posto a questão de ter um cargo no Governo, se quisesse. Não quis. Acho que o modelo inicial da UMIC estava correcto. Falava com os ministros que queria, tinha o orçamento que pedira". Os resultados falam por si: "Num período muito curto, fiz muita coisa". Gosta de pensar que ajudou a mudar o país.


Sempre atento às novidades da tecnologia, acha idiota que lhe perguntem o número de horas que passa diariamente na Internet. "Só quando estou a almoçar, a jantar ou a dormir é que não estou ligado, através do telemóvel, do PDA, do computador [inclusive do i-Pod, do qual nunca se esquece]. Acho essa pergunta pré-sociedade da informação", dispara. Quando chegou a Belém, depois de ter participado na campanha presidencial de Cavaco Silva, fez com que todas as pessoas tivessem acesso a um PDA, para consultar o e-mail em qualquer sítio e a qualquer hora. Desde há um ano que é responsável pelo "site" da presidência, que tem batido sucessivos recordes de visitas. Foi também a partir da Casa Civil que lhe foi feita a despedida, poucos dias antes da partida para Londres: um jantar de confraternização e a reunião, em livro, de mais de 150 depoimentos de pessoas que com ele trabalharam e contactaram. Uma edição que Diogo Vasconcelos vai levar na bagagem.
(Texto de Marcos Borga, pode ser lido na íntegra aqui)

2011-07-09

Diálogo com o Evangelho - 22


Diálogo com o Evangelho de Domingo 10 de Julho, pelo Frei Eugénio, no programa de rádio "Raízes de Cá".

A vida questiona o Evangelho de Domingo, 10 de Julho

Mat. ‪13,1-23.‬ 

Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se à beira-mar. 
Reuniu-se a Ele uma tão grande multidão, que teve de subir para um barco, onde se sentou, enquanto toda a multidão se conservava na praia. 
Jesus falou-lhes de muitas coisas em parábolas: «O semeador saiu para semear. 
Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho: e vieram as aves e comeram-nas. 
Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra: e logo brotaram, porque a terra era pouco profunda; 
mas, logo que o sol se ergueu, foram queimadas e, como não tinham raízes, secaram. 
Outras caíram entre espinhos: e os espinhos cresceram e sufocaram-nas. 
Outras caíram em terra boa e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; e outras, trinta. 
Aquele que tiver ouvidos, oiça!» 
Aproximando-se de Jesus, os discípulos disseram-lhe: «Porque lhes falas em parábolas?» 
Respondendo, disse-lhes: «A vós é dado conhecer os mistérios do Reino do Céu, mas a eles não lhes é dado. 
Pois, àquele que tem, ser-lhe-á dado e terá em abundância; mas àquele que não tem, mesmo o que tem lhe será tirado. 
É por isso que lhes falo em parábolas: pois vêem, sem ver, e ouvem, sem ouvir nem compreender. 
Cumpre-se neles a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis; e, vendo, vereis, mas não percebereis. 
Porque o coração deste povo tornou se-duro, e duros também os seus ouvidos; fecharam os olhos, não fossem ver com os olhos, ouvir com os ouvidos, compreender com o coração, e converter-se, para Eu os curar. 
Quanto a vós, ditosos os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem. 
Em verdade vos digo: Muitos profetas e justos desejaram ver o que estais a ver, e não viram, e ouvir o que estais a ouvir, e não ouviram.» 
«Escutai, pois, a parábola do semeador. 
Quando um homem ouve a palavra do Reino e não compreende, chega o maligno e apodera-se do que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente à beira do caminho. 
Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe, de momento, com alegria; 
mas não tem raiz em si mesmo, é inconstante: se vier a tribulação ou a perseguição, por causa da palavra, sucumbe logo. 
Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra que, por isso, não produz fruto. 
E aquele que recebeu a semente em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende: esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta.»

2011-07-02

Patriarcado Latino de Jerusalém

Uma boa apresentação do Patriarcado Latino de Jerusalém




Link para o projecto da Madaba University (American University of Madaba)

2011-07-01

Diálogo com o Evangelho - 21

Diálogo com o Evangelho de Domingo 3 de Julho, pelo Frei Eugénio, no programa de rádio "Raízes de Cá".

A vida questiona o Evangelho de Domingo, 3 de Julho

Mt. ‪11,25-30.‬
Naquele tempo, Jesus exclamou: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do Céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos.
Sim, ó Pai, porque isso foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai, como ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.»
«Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.»