
2007-11-30
Micro crédito: ao alcance de todos

2007-11-24
Arranque da FAVA
A F.A.V.A. vai iniciar hoje, Sábado, dia 24.11, entre as 15h00 e as 18h00, as suas actividades deste ano.
Desta vez funcionarão novamente 4 grupos : um semanal, à 2ª feira, e três com reuniões de 3 em 3 semanas, também ao Sábado.
Bom ano de actividades!
E que todos, animados e animadores, aproveitem esta oportunidade de crescimento na Fé, na Alegria, na Verdade e na Amizade!
2007-11-23
VIVA o EVANGELHO de Domingo, 25 de Novembro
O povo permanecia ali, a observar; e os chefes zombavam, dizendo:
«Salvou os outros; salve-se a si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito.»
Os soldados também troçavam dele. Aproximando-se para lhe oferecerem vinagre, diziam:
«Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!»
E por cima dele havia uma inscrição:
«Este é o rei dos judeus.»
Ora, um dos malfeitores que tinham sido crucificados insultava-o, dizendo:
«Não és Tu o Messias? Salva-te a ti mesmo e a nós também.»
Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o:
«Nem sequer temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo que as nossas acções mereciam; mas Ele nada praticou de condenável.» E acrescentou:
«Jesus, lembra-te de mim, quando estiveres no teu Reino.»
Jesus respondeu-lhe:
«Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso.»
2007-11-22
Caros amigos
O Frei Eugénio veio mais uma vez pedir-me para inserir uma Homilia dele no Regador, o que faço com muito gosto, particularmente pela beleza do seu conteúdo. E não posso deixar de reforçar o apelo que o Frei Eugénio faz no fim da mesma, em nota, para pedir, pelo menos, uma leitura atenta destas palavras cheias de sabedoria.
HOMILIA DO 31.º DOMINGO (4 de Novembro de 2007)
Numa partilha convosco sobre a passagem do Evangelho deste Domingo 5 Luc 19, 1-10), o primeiro elemento que quero pôr em relevo é a vontade firme de Zaqueu de ver Jesus, apesar das dificuldades que tinha de enfrentar.
Zaqueu soube encontrar uma solução. Se não tivesse subido à árvore, não teria visto Jesus.
É preciso uma vontade firme para encontrarmos, pessoalmente, Jesus.
Mas esta atitude exige também coragem, porque nos obriga a uma desinstalação, a ter de deixar a nossa “comodidade”, a rotina agradável, porque este encontro com Jesus far-nos-á alterar os nossos hábitos, as nossas conveniências, as nossas rotinas e, sobretudo… que as nossas vontades, as nossas escolhas, sejam alteradas pela vontade de Jesus e pelas suas escolhas.
É necessário ter coragem para tomar o partido de Jesus. A conversão pede, de facto, uma mudança das nossas vontades, nas nossas escolhas, nas nossas atitudes.
Zaqueu certamente não disse: “Encontrei Jesus, vou-me reformar, vou-me dedicar-me a um voluntariado de ajuda os pobres!". Antes pelo contrário, continuou a trabalhar como chefe dos colectores de impostos da cidade. Todos o conheciam e todos sabiam que tinha prometido publicamente devolver quatro vezes mais a todos os que tinha defraudado e também dar a metade dos seus bens aos pobres.
Se Zaqueu tivesse um cartão-de-visita sobre a mesa do seu escritório de colector, e se em vez de ter “Chefe dos colectores de impostos” pusesse a sua nova condição de convertido, o cartão deveria ter: “Grande ladrão arrependido", pois tal afirmação corresponderia à sua nova realidade interior. Zaqueu tornou-se num convertido-à-maneira-de-viver de Jesus. Teve uma verdadeira conversão, uma verdadeira transformação interior com efeitos bem concretos.
Ora esta mudança tão profunda aconteceu a Zaqueu porque “a salvação entrou na sua casa”, entrou na sua vida. Mas qual salvação? A vida eterna ? O perdão dos pecados ? O Céu? O que entrou em sua “casa” e foi reconhecido por Zaqueu foi o AMOR, o amor de Cristo, o amor à maneira de Jesus, um amor que salva.
O centro deste encontro passa-se dentro de Zaqueu por causa do amor de Jesus que ele reconheceu, e que o tocou ao mais profundo dele mesmo, e que o transformou.
A nossa experiência mostra-nos que uma grande parte das conversões em cristianismo e noutras religiões se deve sobretudo ao medo: medo do pecado, medo do inferno, medo de doenças, medo de punições ou de recriminações, medo a ser descoberto. Ou medo do comunismo, medo do terrorismo… Utilizar o medo é um método que deu e continua a dar muitos resultados. Mas será este o método de Jesus?
Mas o método de Jesus é outro: Ele quer que seja o Amor a converter-nos. A sua maneira de o fazer é em tudo contrária às ideias da nossa “boa sociedade”. Jesus dá valor a pessoas com atributos muito pouco apreciados por nós: cegos, leprosos, pecadores públicos, samaritanos, publicanos. Ele cura-os, não apenas dos seus defeitos exteriores, o que seria já maravilhoso, mas também cura interiormente. Jesus não os desvaloriza devido às suas fraquezas e aos seus defeitos: pelo contrário, toma as suas fraquezas, as suas enfermidades, a sua condição de pecadores e de pecadoras, e transforma-os, porque é a Fé deles em Jesus que os salva, ou seja, eles acreditam no valor do Amor de Jesus. Da mesma forma que aconteceu com Zaqueu, o Amor entra nas suas vidas.
Um acontecimento marcou-me muito um destes dias.
Uma jovem, filha de um casal amigo, a qual terminou a sua formação universitária, decidiu dar o seu primeiro ano de trabalho num um país pobre. Depois de muito ter procurado, encontrou uma comunidade de irmãs dominicanas, num país da América Central, as quais trabalham com populações muito pobres e que, com a ajuda de uma comunidade jesuíta, dão apoio jurídico a refugiados de um país vizinho. É este o trabalho desta jovem desde há alguns meses. Há duas semanas, ela escrevia aos seus pais:
Num dos últimos fins-de-semana, fui passear para a antiga parte colonial da cidade, que hoje é uma zona turística muito frequentada. Fui tratada como sendo uma turista, o que era a minha experiência habitual noutras ocasiões. Mas, desta vez, senti de forma muito viva uma diferença: a diferença entre cidadã normal e turista. De tal maneira que tive o desejo de pôr um carimbo na minha testa, dizendo: Residente".
Nesta jovem operou-se uma profunda conversão de mentalidade, de sentimentos, de compreensão pela situação das pessoas. A conversão pede uma transformação de perspectivas, do modo como olhamos para as pessoas e as situações. Uma mudança de atitude. Ver e enfrentar a miséria dos outros à maneira de Jesus, porque o Seu Amor transforma o nosso olhar, a nossa maneira de pensar e de reflectir sobre a nossa vontade de colocar a nossa energia e capacidades ao serviço do Reino.
Quando o Amor de Jesus entra na nossa vida, como aconteceu com Zaqueu, se ele é por nós reconhecido e aceite, ele transforma a nossa vida.
Será que queremos viver esse Amor?
Ámen
2007-11-20
Duas correntes
2007-11-19
Alerta: A Corrente do Golfo está a arrefecer !

O seu motor de circulação é a diferença de densidade devida à salinidade e à temperatura das águas.
As águas dos polos são mais frias e menos salgadas, e as águas do equador mais quentes e mais salgadas.
No Atlântico norte, a Corrente do Golfo, que vai do equador em direção ao Pólo Norte, transporta o calor para toda a Europa ocidental, onde está Portugal. Chegando ao mar da Noruega a água da corrente do Golf, mais quente e mais salgada, encontra as águas frias e menos salgadas vindas do Pólo.
Se o aquecimento do planeta continuar esta Corrente tenderá a desaparecer e em vez de benefiarmos deste clima ameno passaremos a ter um clima gélido.
O que parece futurismo cientifico já esta a acontecer presentemente.
2007-11-17
VIVA o EVANGELHO de Domingo 18 de Novembro
«Virá o dia em que, de tudo isto que estais a contemplar, não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído.»
Perguntaram-lhe, então: «Mestre, quando sucederá isso? E qual será o sinal de que estas coisas estão para acontecer?»
Ele respondeu: «Tende cuidado em não vos deixardes enganar, pois muitos virão em meu nome, dizendo: 'Sou eu'; e ainda: 'O tempo está próximo.' Não os sigais. (...)»
Disse-lhes depois: «Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino. Haverá grandes terramotos e, em vários lugares, fomes e epidemias; haverá fenómenos apavorantes e grandes sinais no céu.»
«Mas, antes de tudo, vão deitar-vos as mãos e perseguir-vos, (...), por causa do meu nome. Assim, tereis ocasião de dar testemunho. Gravai, pois, no vosso coração, que não vos deveis preocupar com a vossa defesa, porque Eu próprio vos darei palavras de sabedoria, a que não poderão resistir ou contradizer os vossos adversários.
Sereis entregues até pelos pais, irmãos, parentes e amigos. Hão-de causar a morte a alguns de vós e sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas não se perderá um só cabelo da vossa cabeça.
Pela vossa constância é que sereis salvos.»
2007-11-12
Inês na República Dominicana: oportunidade de oração e solidariedade
Mal lá chegou a região foi assolada pela tempestade tropical Noel que matou mais de 80 pessoas e deixou milhares sem casa.
Assim, a Inês tem sido uma testemunha directa de uma situação dramática em que se juntam epidemias, falta de medicamentos, casas destruídas (muitas são de madeira e chapa), ausência de condições mínimas de uma vida digna, para um povo já tão carecido. A tudo isto se junta a falta de meios com que se debatem, pois a ajuda internacional com frequência não chega a quem mais precisa.
Estas semanas de vida da Inês em santo Domingo podem também ser para nós uma oportunidade para despertar em gestos de solidariedade e compromisso com aqueles que mais sofrem.
Desde logo, tendo presentes na oração as situações concretas que a Inês nos vai trazendo e aquilo que os meios de informação nos permitem saber.
Mas também pelo apoio material que possamos dar. Que não vai resolver o drama todo causado pela tempestade, mas pode ser de imensa utilidade para aquelas pessoas concretas a quem chegar.
Puxão de orelhas e a crise na agricultura
A este propósito vale a pena ver este texto interpelante e provocador do Funes.
PS - O discurso do Papa pode ser lido na íntegra aqui.
Em tempo: Comentário do Movimento Internacional 'Nós Somos Igreja — Portugal' ao discurso de Bento XVI aos bispos portugueses
2007-11-10
VIVA o EVANGELHO de Domingo, 11 de Novembro
2007-11-03
VIVA o EVANGELHO de Domingo, 4 de Novembro
2007-11-01
Inês: raios de Sol no meio da tempestade

Olá, olá a todos!
MUITO obrigada por todos os emails, mensagens e telefonemas! São todos fantásticos!!!
É mesmo bom ter noticias de todos! Continuem o bom trabalho! Desculpem a falta de resposta…prometo que quando voltar compenso!
O primeiro mês passou a voar (de repente 3 meses parece muito pouco…)!
Já sei o nome de todos e todos sabem o meu nome; já visito pessoas sozinha e recebo convites para ir a festinhas; já começo a ver frutos no trabalho e estou a organizar novos projectos; finalmente já falo espanhol naturalmente!
Resumindo: sinto-me parte da comunidade e um bocado dominicana! (Um fim-de-semana fui passear pela zona colonial e voltei a ser tratada como turista…Apetecia-me carimbar na testa: residente!!!)
TEMPESTADE:
Nao sei até que ponto foi divulgado em Portugal, mas a Republica Dominicana foi fortemente atacada pela tempestade Noel nos últimos dias!
Santo Domingo foi muito afectado, assim como outras provincias dominicanas! Há cerca de 60 mortos e muitos feridos e desaparecidos.
Na noite de Domingo começaram as chuvas e ventos muito fortes. A situação foi piorando de dia para dia até que hoje enfim, o sol voltou a brilhar!
Deixaram de existir ruas, cairam pontes, a vida parou. Aquí no bairro muitas pessoas ficaram de repente com as casas completamente submersas!
Onde antes haviam ruelas e casinhas, agora existe um grande lago pastoso e castanho.
A capela e a escola tornaram-se abrigos improvisados onde estive a ajudar. Mesmo aí, a água infiltrava-se (aliás como em todos os sitios)!
Passava pelo cimento e formava gotas no tecto e paredes! Tudo estava empapado de humidade: até as pessoas.
O mundo aquí transformou-se numa sopa de lama!
Mais uma vez fiquei impressionada com o espirito de solidariedade que existe nesta comunidade. Todos se ajudavam: seja com agua pela cintura, em casas alheias, a salvar o que se podia, ou a distribuir comida (mesmo quando tem pouca para si)!
Quem tinha a sorte de ter a casa seca, albergava o maximo de gente que pudesse! (Imaginam isto a passar-se em Portugal?)
Para piorar a situaçao aquí não se aplica o proverbio “depois da tempestade vem a bonança”. Aqui, depois da tempestade vem tudo o resto (como dizia ontem uma señora). Epidemias, dengue, colheitas destruidas, falta de energia, reconstrução de pontes e estradas, reconstrução das casas…
Bem… Espero que o proximo email seja mais alegre!
Beijos!!!
Inês
Evangelho de TODOS os SANTOS
Ao ver a multidão, Jesus subiu a um monte. Depois de se ter sentado, os discípulos aproximaram-se dele. Então tomou a palavra e começou a ensiná-los, dizendo:
Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu.
Felizes os que choram, porque serão consolados.
Felizes os mansos, porque possuirão a terra.
Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.
Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.
Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu.
Felizes sereis, quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa recompensa no Céu; pois também assim perseguiram os profetas que vos precederam.
2007-10-29
Mártires da Guerra Civil Espanhola
Pernas para o ar
2007-10-27
VIVA o EVANGELHO de Domingo, 28 de Outubro
2007-10-26
Uma Europa de Valores
2007-10-21
Como se faz um bispo?
Contém testemunhos pessoais, refere a evolução histórica do método de selecção e conta com comentários críticos de frei Bento e Teresa Toldy.
A daterminada altura é referido que o método de eleição dos bispos não está de acordo com as orientações do Vaticano II. A ser verdade, é toda a Igreja que não está de acordo com o Concílio, pois esta é uma questão central. Ou não é?
2007-10-20
VIVA o EVANGELHO de Domingo, 21 de Outubro
Renovação estética
Se a renovação começar pelo edifício muito bem, mas se for apenas a "pulsão de construção civil" dominante (desde políticos a párocos), enfim, é mais obra feita...
Os leigos nas famílias espirituais
82 % des groupes de laïcs sont apparus après 1976 (soit dix ans après Vatican II) ;
parmi eux, 14 % sont nés entre 1976 et 1985,
36 % entre 1986 et 1995 et
50 % après 1996.
Moins de 10 % des instituts de vie consacrée présents en France disent ne pas avoir de laïcs organisés cheminant avec eux."
Ver mais aqui.
2007-10-19
Evangelho do XXIX Domingo
LITURGIA PAGÃ
Pagão provém do latim pagus = marco de terreno, aldeia,
por oposição à cultura citadina. O radical indo-europeu pak (donde pau) designa a união, estabilidade e a força próprias de Pacto e Paz.
Página também deriva do mesmo étimo, significando originalmente
campo lavrado em esquadria respeitando um marco («pau») bem fixo,
ao que se assemelha uma folha de papel escrita.
Liturgia deriva do grego laos (povo, leigo) e ergon (trabalho),
donde «serviço público».
Liturgia pagã é o esforço de trabalhar com Deus
com a liberdade, consciência e humildade de ser «pagão».
29º Domingo do tempo comum (ano C)
1ª leitura: Livro do Êxodo, 17, 8-13
2ª leitura: 2ª Carta de S. Paulo a Timóteo, 3, 14- 4, 2
Evangelho: S. Lucas, 18, 1-8
Muito custa levantar as mãos!
Não é verdade que as deixamos caídas, demasiadas vezes? Seja por preguiça, seja porque achamos que não vale a pena fazer nada… Outras vezes porque nos sentimos sós, sem alguém que nos anime a levantar os braços.
Também custa dar um sentido aos textos de hoje. Na 1ª leitura, Moisés sobe à montanha para rezar a Deus pela vitória dos Israelitas que combatiam perto do monte. E só enquanto tinha as mãos erguidas, é que os Israelitas venciam. Foi preciso que os companheiros lhe sustentassem os braços. Só assim Israel derrotou os inimigos.
Jesus Cristo conta a história da viúva injustiçada por um juíz iníquo, mas que tanto e tanto importunou o juíz que este, para se ver livre dela, lhe deu um despacho favorável. E Jesus de concluir: se um mau juíz se rende à persistência de uma injustiçada, «Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos que por ele clamam dia e noite?»
Na linha da primeira leitura, é estranho como a humanidade tem levado tanto tempo a deixar de ver em Deus um parceiro das suas políticas de destruição (dos outros, e dos próprios por tabela). Ainda hoje facilmente vestimos Deus com as bandeiras nacionais.
Quanto ao evangelho, não é verdade que Deus parece tão longe das nossas orações, daquelas mais desinteressadas, pela paz, pelo amor entre os homens – como Jesus queria mais que tudo? Não é verdade que nos sentimos oprimidos pelo silêncio de Deus? A última pergunta de Jesus também inquieta: «Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?»
Desta vez, é S. Paulo que parece falar mais claro: «Proclama a palavra, insiste a propósito e fora de propósito, argumenta, ameaça e exorta, com toda a paciência e doutrina». As mãos que trabalham são as mãos que rezam, dizer a verdade já é vencer – mas mesmo aqui, não basta o saber, é preciso muita paciência. E só é muito paciente quem tem fé «como um grão de mostarda» (cfr. o domingo passado), tão pequenino mas com tanta energia que produz um arbusto frondoso.
A oração é o acto humano mais presente na espiritualidade de todos os tempos e religiões. É aquele que mais pode dignificar o ser humano, proporcionando a união com Deus.
A oração é de tal maneira tema central na Bíblia, que esta perde o seu sentido se não é lida com espírito de oração. Com efeito, toda a Bíblia é a oração de um povo que tanto foge como procura o Deus de todas as horas, sem saber como levar uma vida humana à mistura com uma experiência do divino – uma experiência difícil de ser pensada, e ainda mais difícil de traduzir na nossa vida em que se misturam guerras, crimes, amores e poesia. «As Escrituras podem dar-te sabedoria», diz S. Paulo na 2ª leitura: «podem», não dão automaticamente, porque é preciso lê-las com vontade de um encontro com Deus. Lendo hoje os passos estranhos do Antigo Testamento, lemos a nossa própria história, de cada um de nós e de toda a humanidade: como é que nos temos havido com o Deus que se quer juntar a nós, sem violentar a nossa liberdade e jogando com todo o tipo das nossas limitações?
Justamente, uma das grandes limitações é o cansaço, que nos faz perder a esperança. Talvez seja esse o sentido da pergunta de Jesus: será que nós mantemos a nossa fé, apesar do silêncio de Deus, por muito que Ele prometa que nos ouve? Quantas gerações inteiras morrem sem gozar, aparentemente, da experiência da paz e da justiça? Onde está a resposta de Deus? Será mesmo verdade que «Deus dá o frio conforme a roupa»?
Não sou eu quem se atreve a responder. Mas não posso deixar de pensar que esse Jesus do evangelho é o mesmo que morreu sem sequer sentir a lealdade dos apóstolos; e na cruz, no meio da dor e do ódio dos seus inimigos, não gritou ele: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?»
É a mesma pessoa que nos fala de um Pai que nos quer bem como nenhum pai consegue querer; e que Lhe devemos pedir a justiça e tudo o que é bom, sem nos cansarmos de pedir.
Quando já não temos forças para levantar as mãos, temos o estímulo e o apoio dos nossos irmãos. Mesmo a nível político, ambiental, afectivo, há muito que fazer para nos sentirmos bem e mais saudáveis, justamente porque saímos da rotina que nos impede a dimensão divina, a dimensão da nossa «salvação» de todo o stress e maldade.
Talvez seja uma lição de Moisés: também há «técnicas» para nos mantermos atentos a uma visão do mundo menos parcelar ou egoísta e mais capaz de englobar a incómoda diversidade das posições humanas. A «Liturgia das Horas» refere esta dimensão ecuménica: em todo o momento, em todo o mundo, há sempre alguém a levantar as mãos para Deus, «tendo esperança contra toda a esperança». Sobretudo nos grandes momentos da vida, a oração, mesmo só do ponto de vista psicológico, concentra toda a energia espiritual, aumentando a própria resistência corporal. Mas, mais do que isso, dá-nos um pouco da perspectiva divina, só ela capaz de dar sentido ao que parece sem sentido. Só ela capaz de nos fazer sentir «filhos», por muito que o Pai pareça ausente.
Até gostaria de terminar com o meu «Padre Nosso aldrabado:
Acreditamos que és nosso Pai, e por isso te louvamos, reconhecendo que só tu és perfeitamente bom, e lutamos para que reines sobre a terra, não à nossa maneira, mas à tua maneira, embora frequentemente não percebamos o que isso quer dizer; ajuda o nosso trabalho para viver esta vida que nos deste, em que tentamos ser bons para todos (sem pôr de lado a justiça, embora imperfeita, e cientes de que temos muito a perdoar uns aos outros); anima-nos a lutar para que não falte a ninguém o essencial para subsistir e se poder lançar na vida; quando a gente se distrai, não te escondas muito e aumenta a nossa sagacidade e coragem para escolher o bem.
MANUEL ALTE DA VEIGA
m.alteveiga@netcabo.pt
2007-10-17
S. Lucas
História
Médico grego, Lucas cuida dos seus doentes de quem conhece a sua fraqueza e frequentemente a sua miséria.
Até ao dia em que ouve S. Paulo falar de Jesus, que vem trazer a salvação e a ressurreição. Durante 18 anos não deixa o apóstolo das nações. Segue-o até ao seu martírio em Roma, no ano de 67.
É o autor de um evangelho e do Livro dos Actos dos Apóstolos.
Utiliza termos médicos para falar das doenças dos que se dirigem a Jesus. Desejoso de autenticidade, estudou as fontes, como médico escuta o seu paciente para melhor lhe fazer o diagnóstico. Modesto e compassivo, manifesta mais que os outros evangelitas o que destaca a bondade do Salvador: o filho pródigo, o bom samaritano, a ovelha perdida, a prostituta perdoada, o bom ladrão.
Dante disse dele: "Ele é o escriba da misericórdia de Cristo".
Como reconhecê-lo?
S. Lucas é frequentemente representado pintando a Virgem Maria. Um boi, seu principal atributo, pode estar também sentado sabiamente a seus pés.
(http://www.croire.com)
2007-10-16
Inês em Santo Domingo
Falei com a Inês pelo telefone (lá são menos 5 horas que em Portugal) que me disse que podia divulgar este primeiro mail de noticias que de lá mandou a 5 de Outubro.
É uma "honra" para nós termos a Inês a fazer esse trabalho fantástico e com tanto entusiasmo
Não deixem de lhe enviar os SMS de que ela gosta e claro... de rezar por ela e pela missão das irmãs dominicanas com quem está a viver.
Um abraço do frei Eugénio
Olá a todos!!!
Aqui estão as primeiras noticias da Republica Dominicana:
Fui muitissimo bem acolhida pelas duas comunidades onde vou viver estes 3 meses! Vou dividir o tempo entre La Zurza e Sabana Perdida, duas comunidades muito diferentes.
La Zurza fica mesmo na cidade de Santo Domingo. E um bairro cheio de casas/barracas tão próximas e encavalitadas umas nas outras, que o ambiente se torna muito claustrofobico. Não há espaço! Juntem muita sujidade, calor, droga, musica e violencia e ficam com uma ideia…
Aquí vivem varios refugiados do haiti, que se encontram numa situaçao complicada. Para serem legalizados precisam de muito tempo e dinheiro. Maior parte sao extremamente trabalhadores, mas mesmo assim mal conseguem ter dinheiro para comer e muito menos juntar para se legalizarem…
Nesta comunidade estou a ajudar na legalizaçao e a dar aulas aos filhos dos refugiados que podem ir para as escolas publicas, porque os pais nao estao legalizados!
Quando não estou a viver em La Zurza, mudo-me de mochila as costas (os trasportes sao mesmo engraçados! Taxis mesmo velhos e amassados que levam 7 pessoas ao mesmo tempo) para Sabana Perdida.
Sabana Perdida fica nos arredores de Santo Domingo. Ha mais espaço para respirar, mas a comunidade e mais pobre. Faltam condicoes basicas. Nunca ha agua e luz o dia todos, ha imensas crianças desnutridas, analfabetos, droga e violencia.
Estou a ajudar no centro de saude, a dar aulas e a dar apoio as varias familias de uma forma geral. O que e bom e se ve em Sabana Perdida, e que ha um grande espirito de comunidade! Quem esta com este projecto ja criou varias redes e delegou tarefas importantes nas pessoas do bairro que as cumprem com diligencia!
Estar no meio desta realidade foi como uma estalada na cara! Estou muito revoltada com as situaçoes injustas (todos os dias novas) com que me deparo! Apesar das dificuladades, todas as pessoas com quem me cruzo me convidam a entrar em sua casa, oferecem-me o que tem para comer e conversam comigo animadas!
Estou muito feliz de estar aquí e neste momento nao me imagino em mais nenhum sitio do planeta!
Nao posso ir com facilidade a Internet e por isso nao vou dar noticias regularmente…Mas escrevam-me muito para matar saudades!
Beijos e beijos para todos,
Inês!
2007-10-14
Santíssima Trindade
Quanto à histeria que se gera à volta da possível visita de Bento XVI subscrevemos o que Funes escreve e que vale a pena ler.





