2010-04-27

Robert Fisk

Robert Fisk, notável jornalista e escritor, um dos mais premiados jornalistas do mundo, deu esta entrevista a Carlos Vaz Marques, da TSF. É britânico e vive em Beirute.

Para ouvir e reflectir. Essencial para perceber melhor o conflito do Médio Oriente.
Aqui.

2010-04-24

Evangelho do 4º Domingo de Páscoa - Bom Pastor


Jo. 10, 27-30
Naquele tempo. disse Jesus: "As minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão-de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que Mas deu, é maior que todos e ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai. Eu e o Pai somos um só".

2010-04-20

Debtate FAVA

Hoje, no meio da crise, cresce o número de pessoas sós, sem emprego e sem esperança num futuro melhor. Neste contexto, cresce a resignação e o fatalismo, a ideia de que nada pode ser mudado.



Perante isso sabemos que há também inúmeras pessoas que se juntaram a outras e foram capazes de lançar iniciativas concretas, geradoras de esperança e de uma vida nova e com mais sentido para muitos, provando que não estamos condenados ao fatalismo e à resignação.

Para isso vamos conhecer algumas dessas iniciativas, certos de que podem ser para todos, jovens e adultos, crentes e não crentes, uma fonte de esperança e inspiração.

Iniciativas a apresentar:

- Hub Porto -
Plataforma de Inovação Social para a Promoção do Empreendedorismo em áreas de inovação, com preocupação com as questões éticas, culturais e ambientais (Miguel Seabra)

- CrescerSER - Associação Portuguesa para o Direito dos Menores e da Família (Isabel Varandas)

- Microcrédito - Associação Nacional de Direito ao Crédito (Joana Afonso)

Debate, FAVA, dia 23 de Abril, pelas 21h30.

Veja aqui outros exemplos de empreendedorismo social.

2010-04-16

Evangelho do 3º Domingo de Páscoa

Jo. 21,1-19.
Algum tempo depois, Jesus apareceu outra vez aos discípulos, junto ao lago de Tiberíades, e manifestou-se deste modo: estavam juntos Simão Pedro, Tomé, a quem chamavam o Gémeo, Natanael, de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos.
Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar.» Eles responderam-lhe: «Nós também vamos contigo.» Saíram e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada.
Ao romper do dia, Jesus apresentou-se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele.
Jesus disse-lhes, então: «Rapazes, tendes alguma coisa para comer?» Eles responderam-lhe: «Não.» Disse-lhes Ele: «Lançai a rede para o lado direito do barco e haveis de encontrar.» Lançaram-na e, devido à grande quantidade de peixes, já não tinham forças para a arrastar. Então, o discípulo que Jesus amava disse a Pedro: «É o Senhor!» Simão Pedro, ao ouvir que era o Senhor, apertou a capa, porque estava sem mais roupa, e lançou-se à água.
Os outros discípulos vieram no barco, puxando a rede com os peixes; com efeito, não estavam longe da terra, mas apenas a uns noventa metros. Ao saltarem para terra, viram umas brasas preparadas com peixe em cima e pão.
Jesus disse-lhes: «Trazei dos peixes que apanhastes agora.»
Simão Pedro subiu à barca e puxou a rede para terra, cheia de peixes grandes: cento e cinquenta e três. E, apesar de serem tantos, a rede não se rompeu.
Disse-lhes Jesus: «Vinde almoçar.» E nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-lhe: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com o peixe.
Esta já foi a terceira vez que Jesus apareceu aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos. Depois de terem comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-me mais do que estes?» Pedro respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta os meus cordeiros.»
Voltou a perguntar-lhe uma segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-me?» Ele respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas.»
E perguntou-lhe, pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu és deveras meu amigo?» Pedro ficou triste por Jesus lhe ter perguntado, à terceira vez: 'Tu és deveras meu amigo?' Mas respondeu-lhe: «Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que eu sou deveras teu amigo!» E Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais novo, tu mesmo atavas o cinto e ias para onde querias; mas, quando fores velho, estenderás as mãos e outro te há-de atar o cinto e levar para onde não queres.»
E disse isto para indicar o género de morte com que ele havia de dar glória a Deus. Depois destas palavras, acrescentou: «Segue-me!»

Should I stay or should I go?

Should I stay or should I go? Clerical-abuse scandal
by Timothy Radcliffe


Fresh revelations of sexual abuse by priests in Germany and Italy have provoked a tide of anger and disgust. I have received emails from people all around Europe asking how can they possibly remain in the Church? I was even sent a form with which to renounce my membership of the Church.

Why stay? First of all, why go? Some people feel that they can no longer remain associated with an institution that is so corrupt and dangerous for children. The suffering of so many children is indeed horrific. They must be our first concern. Nothing that I will write is intended in any way to lessen our horror at the evil of sexual abuse.

But the statistics for the US, from the John Jay College of Criminal Justice in 2004, suggest that Catholic clergy do not offend more than the married clergy of other Churches.

Celibacy does not push people to abuse children.

(...)

It is unjust to project backwards an awareness of the nature and seriousness of sexual abuse which simply did not exist then. It was only the rise of feminism in the late 1970s which, by shedding light on the violence of some men against women, alerted us to the terrible damage done to vulnerable children.

But what about the Vatican? Pope Benedict has taken a strong line in tackling this issue as prefect of the Congregation for the Doctrine of the Faith (CDF) and since becoming Pope. Now the finger is pointed at him. (...) There are demonstrators in front of St Peter’s calling for his resignation. I am morally certain that he bears no blame here. It is generally imagined that the Vatican is a vast and efficient organisation. In fact it is tiny. The CDF only employs 45 people, dealing with doctrinal and disciplinary issues for a Church which has 1.3 billion members, 17 per cent of the world’s population, and some 400,000 priests.

(...)People are furious with the Vatican’s failure to open up its files and offer a clear explanation of what happened. Why is it so secretive? Angry and hurt Catholics feel a right to transparent government. I agree. But we must, in justice, understand why the Vatican is so self-protective. There were more martyrs in the twentieth century than in all the previous centuries combined. Bishops and priests, Religious and laity were assassinated in Western Europe, in Soviet countries, in Africa, Latin America and Asia.

Many Catholics still suffer imprisonment and death for their faith.

And some people in the media do, without any doubt, wish to damage the credibility of the Church. But we owe a debt of gratitude to the press for its insistence that the Church face its failures. If it had not been for the media, then this shameful abuse might have remained unaddressed.

Why go? If it is to find a safer haven, a less corrupt Church, then I think that you will be disappointed. I too long for more transparent government, more open debate, but the Church’s secrecy is understandable, and sometimes necessary. To understand is not always to condone, but necessary if we are to act justly.

Why stay? I must lay my cards on the table; even if the Church were obviously worse than other Churches, I still would not go. I am not a Catholic because our Church is the best, or even because I like Catholicism. I do love much about my Church but there are aspects of it which I dislike. I am not a Catholic because of a consumer option for an ecclesiastical Waitrose rather than Tesco, but because I believe that it embodies something which is essential to the Christian witness to the Resurrection, visible unity. When Jesus died, his community fell apart. He had been betrayed, denied, and most of his disciples fled. It was chiefly the women who accompanied him to the end. On Easter Day, he appeared to the disciples. This was more than the physical resuscitation of a dead corpse. In him God triumphed over all that destroys community: sin, cowardice, lies, misunderstanding, suffering and death. The Resurrection was made visible to the world in the astonishing sight of a community reborn. These cowards and deniers were gathered together again.

(...) All Christians are one in the Body of Christ. I have deepest respect and affection for Christians from other Churches who nurture and inspire me. But this unity in Christ needs some visible embodiment. Christianity is not a vague spirituality but a religion of incarnation, in which the deepest truths take the physical and sometimes institutional form. Historically this unity has found its focus in Peter, the Rock in Matthew, Mark and Luke, and the shepherd of the flock in John’s gospel. From the beginning and throughout history, Peter has often been a wobbly rock, a source of scandal, corrupt, and yet this is the one – and his successors – whose task is to hold us together so that we may witness to Christ’s defeat on Easter Day of sin’s power to divide. And so the Church is stuck with me whatever happens. We may be embarrassed to admit that we are Catholics, but Jesus kept shameful company from the beginning.

2010-04-11

Abalo na Igreja IV

O texto aqui publicado em inglês foi para nós traduzido pelo António Alte da Veiga, com esta epígrafe: "Eles podem falar comigo porque «dormi com eles na cama, sou da mesma condição" (Pedro Homem de Mello/Amália Rodrigues)

Paddy McCafferty é um padre que foi ele próprio vítima de abuso do clero. Ele oferece-se como uma ponte entre os que sofreram como ele e a Igreja.

Comecei a falar publicamente em 1996 porque senti que os bispos não respondiam às vítimas com compaixão e verdadeira vontade de ser justos. Isso não me trouxe amigos e sofri real hostilidade, mas não era o que me preocupava. Eu queria, como padre, mostrar solidariedade às vítimas desses crimes. Foi uma tarefa difícil porque eu tinha as minhas próprias feridas desde criança e seminarista.
A resignação forçada do Cardeal Arcebispo de Boston, Bernard Law, em Dezembro de 2002, foi um catalisador. Nessa altura pedi publicamente a resignação do Cardeal Desmond Connell, então Arcebispo de Dublin, que só foi aceite por João Paulo II em Abril de 2004.
O relatório Murphy sobre abusos na Diocese de Dublin mostrou que o Cardeal Connell tinha tratado “mal” os escândalos dos abusos porque ele foi “lento em reconhecer a gravidade da situação”. As respostas que ele deu sobre o conhecimento dessas actividades sob o seu controlo foram julgadas inadequadas.
Sem fé não teria sobrevivido à depressão que sofri. Graças a Deus, eu tinha uma boa experiência na Igreja e isso ajudou-me a separar o abuso de padres e a minha fé em Deus, mas a minha vida espiritual foi afectada e conduziu-me a uma escuridão terrível. A oração já não me dava conforto e ainda sofro muito com a depressão.
Tenho agora 47 anos e trabalho numa paróquia enquanto preparo o doutoramento no Milltown Institute. A minha tese é em teologia da Cruz como um conforto para os sobreviventes de abuso. Faço algum trabalho pastoral não oficial com vítimas de abuso. A maioria das vítimas que me contactaram não foram abusadas pelo clero, mas algumas foram, e estas sentem que podem falar comigo porque sofri a mesma experiência.
Muito mais deste assunto tem de ser contado e a Igreja tem de continuar a ouvir. Os abusos cometidos pelo clero são diferentes dos outros abusos, porque se alguém foi abusado na família talvez encontre conforto na fé e na Igreja. As vítimas de abuso do clero sentem geralmente que esse conforto lhes está vedado.
É necessário que estes casos sejam totalmente transparentes e que se ponha fim a este lento escape do escândalo. Deixem isto vir à luz numa sessão de verdade para todos os bispos.
Não deve haver qualquer esconderijo para qualquer cardeal, bispo ou qualquer um que ponha crianças em perigo. Mas este lento escape de escândalos e o frenesim público que se lhe segue retraumatiza as vítimas, traz-lhes novamente a angústia e mergulha-as no inferno. É como picar novamente a ferida. Põe em perigo o bem-estar mental das vítimas. Algumas aguentam, outras não.

(Fr. Paddy McCafferty é capelão paroquial em Rathmines, Dublin. Deu uma entrevista a Sarah Mac Donald, jornalista freelance.)


Aqui fica também a carta enviada por Bento XVI aos Irlandeses.

2010-04-10

Evangelho do 2º Domingo de Páscoa

Jo. 20,19-31.
Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!» Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o peito. Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor.
E Ele voltou a dizer-lhes: «A paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós.» Em seguida, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.»
Tomé, um dos Doze, a quem chamavam o Gémeo, não estava com eles quando Jesus veio. Diziam-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor!» Mas ele respondeu-lhes: «Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu peito, não acredito.»
Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez dentro de casa e Tomé com eles. Estando as portas fechadas, Jesus veio, pôs-se no meio deles e disse: «A paz seja convosco!» Depois, disse a Tomé: «Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e põe-na no meu peito. E não sejas incrédulo, mas fiel.» Tomé respondeu-lhe: «Meu Senhor e meu Deus!»
Disse-lhe Jesus: «Porque me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto».
Muitos outros sinais miraculosos realizou ainda Jesus, na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e, acreditando, terdes a vida nele.

2010-04-04

Esta é a NOTÍCIA

Jo. 20,1-9.
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo logo de manhã, ainda escuro, e viu retirada a pedra que o tapava.
Correndo, foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, o que Jesus amava, e disse-lhes: «O Senhor foi levado do túmulo e não sabemos onde o puseram.»
Pedro saiu com o outro discípulo e foram ao túmulo. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo correu mais do que Pedro e chegou primeiro ao túmulo.
Inclinou-se para observar e reparou que os panos de linho estavam espalmados no chão, mas não entrou.
Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no túmulo e ficou admirado ao ver os panos de linho espalmados no chão, ao passo que o lenço que tivera em volta da cabeça não estava espalmado no chão juntamente com os panos de linho, mas de outro modo, enrolado noutra posição.
Então, entrou também o outro discípulo, o que tinha chegado primeiro ao túmulo. Viu e começou a crer, pois ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

2010-04-03

Cruz


"Também Jesus, no Gólgota, foi confrontado com o abandono dos homens e de Deus. E, naquele abismo, gritou aquela oração que atravessa os séculos: "Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?"

Aparentemente, foi o fim. Pouco depois, os discípulos reencontraram-se a partir de uma experiência avassaladora de fé: Jesus, o crucificado, não caiu no nada, mas vive em Deus para sempre. Sem esta fé, que testemunharam até ao martírio e que mudou a História, não haveria cristianismo."


Anselmo Borges, aqui.

2010-04-02

Abalo na Igreja - III

Estes dois artigos do "The Tablet", de 3 de Abril, são notáveis por várias razões:
O primeiro é de um padre de 47 anos e que foi vitima de pedofilia da parte de um padre. Diz claramente que se não tivesse fé não tinha aguentado o sofrimento.
O outro é de um canonista que há 25 anos trata de casos de crianças vitimas de abusos sexuais.
Ambos apresentam de modo impressionante o sofrimento e as marcas profundissimas dos abusos sofridos da parte de padres.
Outra razão é que o que apresentam não é "contra" ou "a favor" do Papa e da Igreja Católica: são a favor de uma atitude justa para com os principais intervenientes: as vitimas. Vê-se também que conhecem bem a realidade e os processos.
Votos a todos de uma Páscoa vivida por dentro do Mistério da nossa Fé: dar-se totalmente à maneira de Jesus ("não há maior amor do que dar a vida pelos outros") e assim mergulhar na libertação "radical" (pela raiz) da Morte, do Desamor e do Mal.
frei Eugénio


‘They can talk to me because I’ve been in their shoes’
Paddy McCafferty is a priest who was himself a victim of clerical abuse. He is offering to act as a bridge between those like himself who have suffered, and the Church

I began to speak out publicly in 1996 because I felt the bishops weren’t responding to victims with compassion and a true desire to be just. It didn’t make me any friends, and I experienced real hostility, but that wasn’t my main concern. I wanted to show solidarity as a priest to the victims of these crimes. It was a difficult and painful journey and it brought me to the brink because I had my own wounds.
The forced resignation of the Cardinal Archbishop of Boston, Bernard Law, in December 2002, was a catalyst. At the time I called publicly for the resignation of Cardinal Desmond Connell, then Archbishop of Dublin, whose retirement as archbishop Pope John Paul II accepted in April 2004.
The Murphy report on abuse in Dublin Diocese subsequently found that Cardinal Connell had handled the abuse scandals “badly” as he was “slow to recognise the seriousness of the situation”. Answers he gave regarding the extent of his knowledge of the abusive activities of priests under his control were regarded as inadequate.
In 2003, before the cardinal’s resignation, I had a nervous breakdown, and as a result I had to seek help. I’d been putting a sticking plaster on deep wounds that needed healing. I had suffered abuse as a child and then as a seminarian. The Diocese of Down and Connor funded counselling in the United States because one of my abusers was a priest.
Without faith I would not be alive. Thank God, I’d experienced plenty of good in the Church and that’s what helped me separate the abuse by the priest from my faith in God. I knew that the abuse had nothing to do with God. But it did affect my spiritual life.
It caused me to go into terrible darkness, and prayer didn’t bring me the comfort it
had always brought me. I still suffer a lot with depression, but I just try to keep going.
I am now 47 and work as a parish chaplain while studying for a doctorate at the Milltown Institute. My thesis is on the theology of the Cross as a comfort to survivors of abuse. I do some unofficial pastoral work with victims of abuse. Some of them have contacted me, having heard me speak publicly about my experiences; others have heard of me through the rape crisis centre.
Most of the victims who have contacted me are not victims of clerical abuse. But there are some who are, and they feel they can talk to me because I’ve been in their shoes.
A lot more of the story needs to be told and the Church needs to continue to listen.
It needs to study and engage with the spiritual effects and spiritual harm caused by clerical abuse.
Abuse by clergy is different from other abuse, because if you were abused in your family, you can perhaps find comfort and healing in faith and the Church. Victims of clerical abuse often feel that that comfort is shut down to them.
There needs to be complete transparency about what occurred and an end to this slow release of scandal. Let it all come out into the open through a truth session of some form for every bishop in the country.
There should be no hiding place for any cardinal, bishop or anybody who has endangered children. But this slow release of scandal and the public frenzy that follows re-traumatises victims. It brings them back into their anguish and plunges them into hell. It is like puncturing the wound again. It is draining and endangers victims’ mental well-being. It puts them at risk of despair.
Some can take so much but some can’t. It is putting straws on camels’ backs, and each revelation could be the one straw that breaks the camel’s back.

Fr. Paddy McCafferty is a parish chaplain in Rathmines, Dublin. He spoke to Sarah.
Mac Donald, a freelance journalist.


‘Church officials often rebuffed the victims’
A canon lawyer involved with child-abuse cases for 25 years, Thomas Patrick Doyle
believes the Church must move beyond the facts and consider why such abuse happens

There is no doubt Pope Benedict truly believed that his pastoral letter to the Irish people would have a healing effect. Yet widespread reactions confirm that it not only failed in this respect, but in fact was a cause of more pain and certainly more anger.
The victims of sexual abuse, the most important of those to whom the letter was addressed, saw only more words when what they desperately hoped for was action. The Pope, his curial officials and far too many bishops persist in believing that their words are equivalent to action and will change reality. From that standpoint alone, the letter is a failure.
On the positive side, Pope Benedict acknowledged the toxic role of clericalism as a cause of the scandal. Yet he neutralized this realistic assessment by shifting blame to the secular culture and what he believes to be a misinterpretation of the Second Vatican Council. A more serious flaw was placing the “immense harm to victims” on the same level as the damage done to the institutional Church and to the image of the priesthood. There is no comparison.
The violation of victims by trusted clerics and the rejection by bishops is far worse than harm. It is the murder of their souls.
It is clear that the Pope believes that the path to healing is through reconciliation with the institutional Church. But for many victims, that would symbolise a return to their abuse.
The injection of several references to the reputation and renewal of the Church reveals that the core issue for the Vatican, even if not consciously acknowledged by the Holy Father, is not healing the victims or purging the evil, but power – the institutional Church’s power – and the assurance that more of it won’t be lost.
The tumultuous week ended with the reve lation of official documents regarding the case in the United States of a priest in Milwaukee who had molested 200 deaf boys. The papers showed that the then Archbishop of Milwaukee, Rembert Weakland, wrote to Pope Benedict in his then capacity as head of the Congregation for the Doctrine of the Faith, requesting that the priest be defrocked. Cardinal Ratzinger did not reply, but eight months later the priest was subject to a canonical trial, later halted after the priest wrote to the future Pope, saying he had repented.
Then there was the case in Germany when the Pope was Archbishop of Munich, where an abusive priest from another diocese was transferred to the city, and after being sent for therapy went back to work. The vicargeneral of the time in Munich said he had made the decision.
The resulting media frenzy was predictable. The Vatican and its supporters faced off with the expected denials and blame-shifting. Yet the latest revelations, even though they implicate the Pope, should not be shocking because they are part of a church-wide culture. This includes accusations that the media is engaged in a campaign to defame the Pope and bring nothing but embarrassment to the Church.
The problem with these claims is that the secular media didn’t invent the cause of embarrassment, nor did it fabricate stories to stoke public outrage. The Pope himself admitted that when victims found the courage to speak, “no one would listen”. Not only would no one listen, but church officials often rebuffed the victims, telling them to avoid the media and to keep it a secret. In so doing, they sentenced the victims to return to their prisons of shame, fear and guilt.
It took the media to rip away the Church’s protective blanket of denial and give voice to the victims. Had they not spearheaded this exposure, carried to even deeper levels by the civil court actions, there is little doubt that the abuse would have continued.
The press in several countries continues to report what Church defenders dismiss as “old cases”. No matter how “old” the case is, it is not a dossier of paper. It is a human being who was once an innocent, devout and trusting Catholic child who now, as an adult, still lives with the intense pain and spiritual isolation that the years cannot heal.
The victims were pushed into the shadows back then, and today, in the middle of the debate, one wonders what has changed. They have suffered devastation and yet they are still relegated to the shadows by a Church obsessed with protecting its hierarchy.
What we need now is a fearless probing of the clerical caste and hierarchical governing culture of the Church to determinewhy the spiritual welfare of the Church’s most vulnerable members was sacrificed for the image and power of the institution and its office-holders. All the expressions of regret and sympathy offered by the Pope and the bishops will be meaningless unless they move past the fact that it happened to the threatening question of why it happened.

Thomas Patrick Doyle is the co-author of Sex, Priests, and Secret Codes: the Catholic Church’s 2,000-year paper trail of sexual abuse. He is a drug and alcohol counsellor on a military base in North Carolina, USA.

2010-04-01

Deux manières de faire mémoire


La Parole de Dieu

« Levé de table, Jésus se met à laver les pieds de ses disciples. »
Évangile selon saint Jean, chapitre 13, versets 4-5


La méditation
L'évangile d'aujourd'hui commence dans un climat d'exceptionnelle majesté. Au début du repas qui va se terminer par l'institution de l'eucharistie, Jésus déclare qu'il vient de Dieu et qu'il retourne à Dieu.

Or, bien que sachant cela, il se lève de table pour faire ce qui, en ce temps-là, était une tâche de serviteur : il quitte son vêtement, remplit d'eau une bassine, s'agenouille devant chacun de ses apôtres, lui lave les pieds et les essuie avec un linge dont il a pris soin de se ceindre. L'intention se laisse facilement deviner. Jésus veut conférer aux services les plus obscurs une dignité spirituelle que, spontanément, nous ne donnerions qu'aux actions éclatantes. Et il ajoute qu'il a fait cela pour nous donner un exemple afin que nous aussi, nous fassions les uns pour les autres ce qu'il a fait lui-même.

Vient ensuite l'institution de l'eucharistie. Jésus, sachant que Judas va le livrer, prend les devants pour se livrer lui-même. "Prenez et mangez, ce pain est mon corps qui est pour vous". "Prenez et buvez car cette coupe est la nouvelle Alliance mon sang. Faites cela en mémoire de moi". En tout cela, il nous apparaît comme exerçant sur les événements une maîtrise absolue.

Or, quelques heures plus tard, il supplie son Père d'écarter de lui cette coupe et sombre ensuite dans la déréliction du "Mon Dieu, mon Dieu, pourquoi m'as-tu abandonne?". Comment expliquer ce revirement? Par l'excès d'amour filial et fraternel qui a poussé le Fils de Dieu à se conduire à notre égard comme un berger qui entrerait lui-même dans le fourré dont les épines emprisonnent ses brebis.

2010-03-31

Abalo na Igreja - II

Recomenda-se:

Roma, cidade fechada

"Os escândalos recentemente conhecidos são apenas epifenómenos. Mas tão importantes, porque de tal maneira chocantes, que devemos não só denunciá-los com toda a veemência como explicar todos os contextos acima enunciados, que os tornaram e tornam possíveis.
"

Na semana da Páscoa


"É assim que Deus demonstra o seu amor para connosco: quando ainda éramos pecadores é que Cristo morreu por nós. Com muito mais razão, uma vez reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, havemos de ser salvos pela sua vida."
Rom 5,1-11

2010-03-27

Abalo na Igreja

Sobre a questão da pedofilia - que está a causar um abalo na Igreja Católica que não tem precedentes - é dada aqui por Anselmo Borges uma boa achega para a reflexão que urge fazer.

"O pior, no meio deste imenso escândalo, foi a muralha de silêncio, erguida por quem tinha a obrigação primeira de defender as vítimas. Afinal, apenas deslocavam os abusadores, que, noutros lugares, continuavam a tragédia.
Há na Igreja uma pecha: o importante é que se não saiba, para evitar o escândalo. Ela tem, aliás, raízes estruturais: o sistema eclesiástico, clerical e hierárquico, acabou por criar a imagem de que os hierarcas teriam maior proximidade de Deus e do sagrado, de tal modo que ficavam acima de toda a suspeita. Mas, deste modo, aconteceu o pior: esqueceu-se as vítimas - no caso, crianças e adolescentes, remetidos para o silêncio e sem defesa."

Outra contribuição para a reflexão é este artigo de António Marujo, no Público.

"A mês e meio da viagem de Bento XVI a Portugal, percebe-se que a crise continuará a revelar mais casos. Como em todas as histórias, percebe-se que também há interessados em atingir a credibilidade da Igreja. Mas esta tem que ser a primeira a reflectir o porquê dessa aversão e a procurar razões no seu interior – uma atitude própria desta Semana Santa que os cristãos hoje começam a viver. O cerco à volta de Ratzinger também continuará. Será, por isso, um Papa ferido aquele que virá a Portugal. Talvez rodeado por grupos interessados prioritariamente em defender a instituição dos “ataques” – já correm textos nesse sentido na Internet, em blogues, em mails…

Convém não esquecer que foi a preocupação pela defesa da honra da instituição que levou ao actual estado de coisas. Só uma atitude purificadora e aberta à mudança permitirá à Igreja recuperar a credibilidade perdida nesta crise. Os cristãos chamam a esse acontecimento ressurreição. E celebram-na no próximo domingo."


A maior crise da Igreja Católica dos últimos 100 anos - Mundo - PUBLICO.PT

2010-03-26

A vida questiona o Evangelho de Domingo de Ramos, 28 de Março

Giotto di Bondone (1267-1337), Scenes from the Life of Christ: Entry into Jerusalem, 1304-06,
Fresco, 200 x 185 cm, Cappella Scrovegni (Arena Chapel), Padua

Lc 19, 28-40
Naquele tempo, Jesus seguia à frente dos seus discípulos, subindo para Jerusalém. Quando Se aproximou de Betfagé e de Betânia, perto do Monte das Oliveiras, enviou dois discípulos e disse-lhes: "Ide à povoação que está em frente e, ao entrardes nela, encontrareis um jumentinho preso, que ainda ninguém montou. Soltai-o e trazei-o. Se alguém perguntar porque o soltais, respondereis: ‘O Senhor precisa dele’".
Os enviados partiram e encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito. Quando estavam a soltar o jumentinho, os donos perguntaram: "Porque soltais o jumentinho?" Eles responderam: "O Senhor precisa dele". Então levaram-no a Jesus e, lançando as capas sobre o jumentinho, fizeram montar Jesus. Enquanto Jesus caminhava, o povo estendia as suas capas no caminho. Estando já próximo da descida do Monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos começou a louvar alegremente a Deus em alta voz por todos os milagres que tinham visto, dizendo: "Bendito o Rei que vem em nome do Senhor. Paz no Céu e glória nas alturas!". Alguns fariseus disseram a Jesus, do meio da multidão: "Mestre, repreende os teus discípulos". Mas Jesus respondeu: "Eu vos digo: se eles se calarem, clamarão as pedras".

2010-03-25

Com um brilhozinho nos olhos...


Sinais de esperança:
"Se conseguirmos acertar em algumas coisas - imigração, padrões educativos, largura de banda, política fiscal - talvez nos safemos."

Fiquei com a sensação de que Alice Wei Zhao, da North High School de Sheboygan (Wisconsin), escolhida pelos seus pares para porta-voz do grupo, estava coberta de razão quando disse à assistência: "Não se preocupem com os problemas com que a nossa geração terá de se confrontar. Acreditem que o nosso futuro está em boas mãos."
Basta que não lhe fechemos a porta
.

Ver aqui o texto integral.

E aqui fica um breve retrato dos 3 vencedores do "
Intel Science Talent Search 2010"

2010-03-22

Custódia da Terra Santa

Acabo de receber este video em português com um noticiário que me parece que completa muito bem a entrevista do Patriarca.
É do noticiário da "Custódia da Terra Santa" dos franciscanos, que são os responsáveis da parte da Igreja Católica pelos Lugares Santos da Palestina há mais de 8 séculos.
Frei Eugénio

2010-03-21

3P's: Entrevista com o patriarca de Jerusalém

A voz não ouvida da Terra Santa

JERUSALÉM, segunda-feira, 15 de março de 2010
.
Ainda que os cristãos árabes sejam minoria na Terra Santa, poderiam ser uma ponte importante no conflito que dividiu a região durante tanto tempo, afirma o patriarca Fouad Twal.

O patriarca latino de Jerusalém lamenta, no entanto, que, dado que a comunidade internacional não os leva em consideração, o número de cristãos esteja diminuindo. Parte do problema, observa, é que o alto muro que cerca os territórios palestinos tornou quase impossível a vida diária de muitos.

Há aproximadamente 50 mil cristãos na Faixa de Gaza, Jerusalém Oriental e Cisjordânia, com mais de 200 mil em Israel.

Nesta entrevista lança um convite aos 3 "P" (em inglês: oração, Projetos,Pressão).

- O senhor poderia nos dizer qual é a situação atual dos cristãos na Terra Santa?

Temos de recordar que o Patriarcado Latino abrange 3 Estados: Jordânia, Palestina e Chipre. Não é fácil falar sobre um Estado, porque a situação muda de um para outro. Como sabemos, no mundo há normalmente um Estado com muitas dioceses; em nosso caso, temos uma diocese dentro de muitos Estados.

O fato de que vivamos em conflito significa que as fronteiras entre os Estados criam problemas; cruzar as fronteiras significa problemas; designar uma paróquia a outra paróquia não é fácil. Precisamos de passes – autorizações – de Israel para nos movermos dentro desses três Estados, que fazem parte de um único patriarcado de Jerusalém.

-Como descreveria os sentimentos das pessoas em Jerusalém, na Terra Santa, especialmente os dos cristãos?

É uma cidade especial, uma cidade belíssima e uma cidade dramática na qual inclusive o Senhor chorou. E ainda estamos chorando. Todos querem que Jerusalém seja sua própria capital; e Jerusalém, para mim, deve ser a mãe de todas as igrejas, a mãe de todos os crentes, e não para um só povo.

É um prazer ver, por um lado, essas pessoas que vêm visitar os Lugares Santos e, por outro, é doloroso ver que a igreja local, os cristãos locais não podem sequer visitar esses lugares santos. Um pároco de Belém não pode trazer seus fiéis em peregrinação a estes lugares santos. A mesma situação ocorre em Ramallah, na Jordânia e em outras paróquias; não podem se mover com facilidade, com tantos pontos de controle e o muro que os separa.

-Esta é a questão-chave. A situação dos cristãos da Terra Santa piorou a partir da construção do muro?

Claro que sim, o muro separou as famílias. Não é somente uma questão dos Lugares Santos, mas também uma questão de famílias, de algumas famílias, alguns jovens que não podem visitar seus avós do outro lado do muro. Não podem ir ao seu sítio, ao seu jardim ou ao seu olivar, do outro lado. O problema é grande e não é uma questão somente dos Lugares Santos, mas de dignidade das famílias, da separação entre jovens e idosos. Não podem sequer visitar alguém que morreu do outro lado.

-O senhor viaja com um passaporte diplomático do Vaticano?

Sim. O problema surge quando temos de transferir algum sacerdote. Na Jordânia – a maior parte do patriarcado e a fonte dos nossos sacerdotes, seminaristas e freiras –, a questão sempre é se poderemos trazê-los à Palestina. Outra questão é a que tem a ver com nossos jovens seminaristas que estão em Beit Jala, perto de Belém: se poderão passar as férias na Jordânia, para ver suas famílias.

-Os cristãos se encontram entre os extremistas muçulmanos e os extremistas sionistas. Como encaixam os cristãos? Há uma sensação de agressão à comunidade cristã de ambas as partes ou o senhor acha que não?

Penso que esta dramática situação deveria fazer que levássemos mais a sério o Evangelho. No Evangelho, o Senhor diz: “Quem quiser me seguir, tome sua cruz e me siga”.

E este é o nosso “pão de cada dia”: carregar a cruz nos mesmos lugares em que Ele a carregou. E como cristãos, como minoria, se esta cruz vem dos judeus, dos muçulmanos, de nós menos, não importa. O fato é que não podemos viver na Terra Santa, não podemos amar a Terra Santa, não podemos trabalhar na Terra Santa sem a cruz, de forma que a situação do muro nos faz levar ao pé da letra o Evangelho. Ao mesmo tempo, no Evangelho, o Senhor diz: “Não tenhais medo, eu estou convosco, nunca vos deixareis sozinhos”.

-Disse que os cristãos árabes são como uma ponte entre o Oriente e o Ocidente. Qual é o papel deles, neste contexto?

Em primeiro lugar, conservar e respeitar nossa identidade, tanto de árabes como de cristãos; não podemos esquecer esta identidade. Como árabes, temos as mesmas tradições, temos a mesma língua e temos a mesma concepção dos muçulmanos. Podemos falar com eles. Sentimo-nos mais árabes que eles; havia árabes no Oriente Médio vários séculos antes da chegada do Islã e estamos orgulhosos de dizer que somos árabes e viemos do deserto. Eu digo isso com prazer e não tenho nenhum problema com isso.

Ao mesmo tempo, somos cristãos e temos uma cultura, e uma cultura cristã, uma cultura ocidental; e podemos ser e devemos ser um fator de moderação, um fator de reconciliação, um fator ou ponte entre povos em conflito. A questão é se a comunidade internacional nos aceita ou nos considera dessa forma. Este é o ponto.

Costumam se esquecer de nós. Costumam tomar decisões sobre o Oriente Médio sem pensar na pequena minoria cristã desta região. E costumam pagar o preço das suas decisões porque ninguém nos considera nem considera nossa presença entre uma maioria de muçulmanos e uma maioria de judeus.

-Se tivesse que fazer uma petição aos católicos, o que pediria para os cristãos da Terra Santa?

A petição é fácil: é a petição dos três grandes “pês” (em inglês).

Oração: pedimos que a Igreja do mundo inteiro – com suas comunidades, seus sacerdotes e seus fiéis – reze pela paz na Terra Santa, porque ainda acreditamos no poder da oração. O Senhor disse: eu vos darei a minha paz. A paz que o mundo, que os políticos não podem dar, ou que talvez não queiram dar, Ele nos dará. Esta paz significa serenidade, fé, amor e respeito por todos.

O segundo “P” é projeto: adotem, por favor, algum projeto social, religioso ou cultural. Podem adotar escolas, podem adotar seminaristas e podem adotar o patriarcado; podem e devem ajudar.

O último “P” é pressão sobre os governos, para alcançar a paz. Precisamos disso mais que de qualquer outra coisa. Precisamos da paz. Precisamos de um calendário que acabe com os postos de controle, com o muro; e temos de estar em paz com todos.

Queremos garantir a todos que, com as armas, muros e postos de controle, não haverá paz nem segurança. A paz e a segurança serão para todos ou não serão para ninguém. Nenhum povo, nem o israelense nem o palestino, pode ter uma segurança ou uma paz unilateral: ambos devem ter paz e segurança ou, de outra forma, continuarão se matando e nunca acabaremos com esta violência. E não queremos isso.

Queremos paz e segurança para todos: judeus, muçulmanos e cristãos.

* * *

Esta entrevista foi realizada por Mark Riedemann, para “Deus chora na Terra”, um programa semanal produzido pela Catholic Radio and Television Network (CRTN), em parceria com a organização católica Ajuda à Igreja que Sofre.

Mais informação em www.aisbrasil.org.br, www.fundacao-ais.pt

2010-03-20

A vida questiona o Evangelho de Domingo, 21 de Março

Jo. 8,1-11.

Jesus foi para o Monte das Oliveiras.

De madrugada, voltou outra vez para o templo e todo o povo vinha ter com Ele.
Jesus sentou-se e pôs-se a ensinar. 
Então, os doutores da Lei e os fariseus trouxeram-lhe certa mulher apanhada em adultério, colocaram-na no meio 
e disseram-lhe: «Mestre, esta mulher foi apanhada a pecar em flagrante adultério. 
Moisés, na Lei, mandou-nos matar à pedrada tais mulheres. E Tu que dizes?»
Faziam-lhe esta pergunta para o fazerem cair numa armadilha e terem de que o acusar.
Mas Jesus, inclinando-se para o chão, pôs-se a escrever com o dedo na terra. 

Como insistissem em interrogá-lo, ergueu-se e disse-lhes: «Quem de vós estiver sem pecado atire-lhe a primeira pedra!» 
E, inclinando-se novamente para o chão, continuou a escrever na terra. 
Ao ouvirem isto, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher que estava no meio deles. 

Então, Jesus ergueu-se e perguntou-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?» 
Ela respondeu: «Ninguém, Senhor.» Disse-lhe Jesus: «Também Eu não te condeno. Vai e de agora em diante não tornes a pecar.» 


2010-03-19

EUA: Reforma da saúde divide católicos

Vale a pena ler esta noticia e reflectir sobre ela:

"La réforme de la santé, chère au président Barack Obama, divise profondément l´Eglise catholique. Les évêques sont contre le projet de loi, l´Association catholique de la santé y est favorable.
Au moment où la Chambre des représentants se prépare pour un vote final, la réforme continue de diviser l´Eglise catholique.
"Malgré le bien que le projet de loi veut ou pourrait atteindre, les évêques catholiques des USA estiment avec regret qu´il faut s´y opposer, à moins et jusqu´à que l´on fasse face à ces problèmes moraux sérieux", écrit le cardinal Francis George, archevêque de Chicago et président de la Conférence des évêques catholiques des Etats-Unis.

Association catholique de la santé, la "Catholic Health Association" (CHA), qui travaille à la base, dans la réalité concrète, rappelle que 31 millions des 47 millions d´Américains qui n´ont actuellement aucune couverture maladie, pourront être assurés en cas d´acceptation de la loi. C´est un grand gain du point de vue social.

Pour Soeur Carol Keehan, présidente de la CHA, c´est une "chance historique de faire de grandes améliorations dans la vie de si nombreux Américains". Certes, admet-elle, la loi n´est pas parfaite, et elle n´assurera pas tout le monde. "Mais c´est un premier pas majeur", poursuit-elle. Raison pour laquelle la religieuse demande aux parlementaires américains d´adopter rapidement la nouvelle législation. 
Des changements pourront y être apportés plus tard, estime la Soeur de la Charité.
Mais les évêques américains, rappelle le cardinal Francis George, considèrent par contre que les défauts de cette loi (en ce qui concerne l´avortement en certaines conditions) hypothèquent ce qu´il y a de bon dans la nouvelle législation. Ces défauts justifient le maintien de leur opposition.
"
in DEPECHES CATHOBEL - INTERNATIONAL

Porque razão há estas duas posições tão opostas em relação a esta possível "revolução social" nos EUA, caso a reforma da saúde proposta se torne realidade?
Vale a pena ver as razões de quem está a favor e de quem está contra.
Poderemos assim descobrir o que preocupa uns e o que preocupa os outros?
Felizmente Jesus deixou uma Igreja formada por uns e por outros!
Felizmente o Espirito de Deus continua actuar com a liberdade soberana de Jesus!
frei Eugénio

2010-03-16

A cada um a sua verdade III

No Reino Unido há agências de adopção católicas. O ano passado perderam em tribunal a batalha contra a legislação inglesa: são obrigadas a aceitar casais do mesmo sexo (ver notícia) ao abrigo da Sexual Orientation Regulation (nº 18).

Outro problema semelhante colocou recentemente também no Reino Unido a já aqui falada Equality bill. Um colunista no The Guardian - que classifica as opiniões da Igreja sobre homossexualidade como odiosas- diz que neste caso o Papa tem razão e Harriet Harman autora da lei está errada. É que segundo essa lei a Igreja Católica não pode recusar o emprego a um homossexual.

Tem sido sob este pano de fundo que se prepara a visitaido Papa a Inglaterra.

PS. Bem com este abalo dos escândalos de pedofilia, esta questão parece algo bizantina, mas o problema é interessante do ponto de vista dos fundamentos teóricos. Fica a questão.

2010-03-13

A luta continua...


Vale a pena ouvir e reflectir.

Reportagem de Manuel Vilas-Boas.

E se as mulheres fizessem greve na Igreja ? - TSF

A vida questiona o Evangelho de Domingo, 14 de Março


"O regresso do filho pródigo", Rembrandt, 1662, The Hermitage, St. Petersburg

Lc 15,1-3. 11-32

Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: "Este homem acolhe os pecadores e come com eles". Jesus disse-lhes então a seguinte parábola:

"Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos.

Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.

Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Voume embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’.

Pôs-se a caminho e foi ter com o pai.

Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa.

Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque ele chegou são e salvo’. Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. Mas ele respondeu ao pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’.

Disse o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrarnos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’".

2010-03-07

Let my people go: a propósito deste Domingo...



Sugestão de Manuel Clemente, bispo do Porto

Exodus 8:1

"And the LORD spake unto Moses, go unto Pharaoh, and say unto him,thus saith the LORD, Let my people go, that they may serve me."


When Israel was in Egypt's Land,

Let my people go,

Opressed so hard they could not stand,

Let my people go.


Go down, Moses,

Way down in Egypt's Land.

Tell ol' Pharoah,

Let my people go.


Thus saith the Lord, bold Moses said,

Let my people go,

If not, I'll smite your first-born dead,

Let my people go.

2010-03-06

A vida questiona o Evangelho de Domingo, 7 de Março

Lc 13, 1-9
Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam. Jesus respondeu‑lhes: "Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? Eu digo‑vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou? Julgais que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu digo‑vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante".
Jesus disse então a seguinte parábola: "Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro. Deves cortá‑la. Porque há‑de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’ Mas o vinhateiro respondeu‑lhe: ‘Senhor, deixa‑a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar‑lhe em volta e deitar‑lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá‑la‑ás cortar no próximo ano".

2010-03-02

A cada uma sua verdade II

A fidelidade ao Evangelho de modo algum restringe a liberdade dos outros - pelo contrário antes serve a sua liberdade ao oferecer-lhes a verdade. Disse Bento XVI ao comentar legislação inglesa sobre igualdade (trata-se do Equality Bill, uma legislação para combater diversas desigualdades sociais).
Eis o busílis da questão. A liberdade, hoje, é para muita gente talvez o artigo de fé. E aqui o Papa coloca precisamente a questão da verdade acima da liberdade o que como diz Conor Gearty, professor de direito na London School of Economics, em artigo no The Tablet (edição de 13 de Fevereiro passado) é algo com que a cultura contemporânea não se dá muito bem. Quem tem razão?

2010-02-27

A vida questiona o Evangelho de Domingo, 28 de Fevereiro


Lc 9,28-36.
Uns oito dias depois destas palavras, levando consigo Pedro, João e Tiago, Jesus subiu ao monte para orar.
Enquanto orava, o aspecto do seu rosto modificou-se, e as suas vestes tornaram-se de uma brancura fulgurante. E dois homens conversavam com Ele: Moisés e Elias, os quais, aparecendo rodeados de glória, falavam da sua morte, que ia acontecer em Jerusalém.
Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele.
Quando eles iam separar-se de Jesus, Pedro disse-lhe: «Mestre, é bom estarmos aqui. Façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias.» Não sabia o que estava a dizer. Enquanto dizia isto, surgiu uma nuvem que os cobriu e, quando entraram na nuvem, ficaram atemorizados.
E da nuvem veio uma voz que disse: «Este é o meu Filho predilecto. Escutai-o.» Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou só. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, nada contaram a ninguém do que tinham visto.