2008-07-26

A Vida questiona o EVANGELHO

Mt. 13,44-52.
«O Reino do Céu é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem encontra. Volta a escondê-lo e, cheio de alegria, vai, vende tudo o que possui e compra o campo.
O Reino do Céu é também semelhante a um negociante que busca boas pérolas. Tendo encontrado uma pérola de grande valor, vende tudo quanto possui e compra a pérola.»
«O Reino do Céu é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. Logo que ela se enche, os pescadores puxam-na para a praia, sentam-se e escolhem os bons para as canastras, e os ruins, deitam-nos fora.
Assim será no fim do mundo: sairão os anjos e separarão os maus do meio dos justos, para os lançarem na fornalha ardente: ali haverá choro e ranger de dentes.»
«Compreendestes tudo isto?» «Sim» responderam eles.
Jesus disse-lhes, então: «Por isso, todo o doutor da Lei instruído acerca do Reino do Céu é semelhante a um pai de família, que tira coisas novas e velhas do seu tesouro.»

2008-07-19

Memória de Bronisław Geremek



Atrasado mas nunca inoportuno será relembrar a morte, ocorrida no passado dia 14, deste homem de cultura polaco, historiador, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de Walesa. Pioneiro na defesa da adesão da Polónia à União Europeia, foi eleito eurodeputado e era um convicto defensor de uma Europa fundada na cidadania participativa, no intercâmbio e na solidariedade (entrevista sua ao Paroles d'européens).



A Vida questiona o Evangelho

Mt 13,24-43.
Jesus propôs-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é comparável a um homem que semeou boa semente no seu campo.
Ora, enquanto os seus homens dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e afastou-se.
Quando a haste cresceu e deu fruto, apareceu também o joio.
Os servos do dono da casa foram ter com ele e disseram-lhe: 'Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio?’
'Foi algum inimigo meu que fez isto’ respondeu ele. Disseram-lhe os servos: 'Queres que vamos arrancá-lo?’
Ele respondeu: 'Não, para que não suceda que, ao apanhardes o joio, arranqueis o trigo ao mesmo tempo.
Deixai um e outro crescer juntos, até à ceifa; e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em feixes para ser queimado; e recolhei o trigo no meu celeiro.’»
Jesus propôs-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo.
É a mais pequena de todas as sementes; mas, depois de crescer, torna-se a maior planta do horto e transforma-se numa árvore, a ponto de virem as aves do céu abrigar-se nos seus ramos.»
Jesus disse-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até que tudo fique fermentado.»
Tudo isto disse Jesus, em parábolas, à multidão, e nada lhes dizia sem ser em parábolas.
Deste modo cumpria-se o que fora anunciado pelo profeta: Abrirei a minha boca em parábolas e proclamarei coisas ocultas desde a criação do mundo.
Afastando-se, então, das multidões, Jesus foi para casa. E os seus discípulos, aproximando-se dele, disseram-lhe: «Explica-nos a parábola do joio no campo.»
Ele, respondendo, disse-lhes: «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem;
o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do Reino; o joio são os filhos do maligno;
o inimigo que a semeou é o diabo; a ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros são os anjos.
Assim, pois, como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será no fim do mundo:
o Filho do Homem enviará os seus anjos, que hão-de tirar do seu Reino todos os escandalosos e todos quantos praticam a iniquidade,
e lançá-los na fornalha ardente; ali haverá choro e ranger de dentes.
Então os justos resplandecerão como o Sol, no Reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos, oiça!»

2008-07-13

A Vida questiona o EVANGELHO

Mt. 13,1-23.
Naquele dia, Jesus saiu de casa e sentou-se à beira-mar. Reuniu-se a Ele uma tão grande multidão, que teve de subir para um barco, onde se sentou, enquanto toda a multidão se conservava na praia. Jesus falou-lhes de muitas coisas em parábolas.
«Escutai, pois, a parábola do semeador.
Quando um homem ouve a palavra do Reino e não a compreende, chega o maligno e apodera-se do que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente à beira do caminho.
Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe, de momento, com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, é inconstante: se vier a tribulação ou a perseguição, por causa da palavra, sucumbe logo.
Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra que, por isso, não produz fruto.
E aquele que recebeu a semente em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende: esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta.»

2008-07-10

Porque sabem o que fazem

"A misoginia da Igreja é levada ao paroxismo com S. Paulo. A 1.º Epístola aos Coríntios consagra a menoridade da mulher, que tem que usar véu no culto, em sinal da inferioridade da sua dignidade cristã, e não pode "falar" na Igreja.
Ao contrário da concepção de pecado original de, por exemplo, Orígenes (ou de Santo Ambrósio ou Santo Agostinho), para quem foi o Homem interior quem pecou na sua totalidade conjugal (masculino/feminino, espírito/alma), S. Paulo acusa sibilinamente: "Não foi Adão quem se deixou seduzir, mas a mulher". Assim, do mesmo modo que os judeus carregam a culpa da morte de um outro judeu (e sabe-se a sórdida vingança que a Igreja conduziu ao longo dos séculos contra os judeus por essa "culpa" fundadora), sobre as mulheres subsiste a "sentença de Deus" de que fala Tertuliano. Não surpreende, pois, a posição do Vaticano contra a decisão do Sínodo da Igreja Anglicana de, após o sacerdócio, abrir também o bispado às mulheres. Daqui a uns anos, um Papa há-de vir pedir compungidamente perdão, desta vez às mulheres. Vai-lhes já perdoando, Senhor, porque sabem o que fazem."

Este texto é de Manuel António Pina e vem na última página do JN de hoje.

Vale a pena ver e reflectir sobre o que se diz por aí de S. Paulo. Andamos tão entretidos com as nossas celebrações em circuito fechado, quando é urgente o diálogo com o outro... reconhecendo que muitas vezes são bem lúcidos na análise que fazem.

2008-07-05

A Vida questiona o EVANGELHO

Mt. 11,25-30.

Naquela ocasião, Jesus tomou a palavra e disse:
«Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos.

Sim, ó Pai, porque isso foi do teu agrado.
Tudo me foi entregue por meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai, como ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.»
«Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos.
Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito.
Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve

2008-06-28

Pedro, Paulo, a Palavra e a Igreja

A Vida questiona o EVANGELHO

Mt. 16,13-19.
Ao chegar à região de Cesareia de Filipe, Jesus fez a seguinte pergunta aos seus discípulos:
«Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?»

Eles responderam:
«Uns dizem que é João Baptista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou algum dos profetas.»

Perguntou-lhes de novo:
«E vós, quem dizeis que Eu sou?»

Tomando a palavra, Simão Pedro respondeu:
«Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo.»

Jesus disse-lhe em resposta:
«És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu.

Também Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela.
Dar-te ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que ligares na terra ficará ligado no Céu e tudo o que desligares na terra será desligado no Céu.»

2008-06-24

EUCARISTIA = LOUCURA

A propósito do 49.º Congresso Eucarístico Internacional que leve lugar no Québec, recentemente.
Marguerite Barankitse, do Burundi, fundadora da Maison Shalom, foi uma das pessoas convidadas para falar.
Quando a Maison Shalom se tornou muito conhecida, os bispos inquietaram-se: qual seria a espiritualidade proposta por esta mulher um tanto louca ? «Disse-lhes : é uma espiritualidade… que engloba tudo ! Hoje, são os bispos que me convidam a estar aqui para perder a cabeça convosco. Teremos a audácia de perder a cabeça na Eucaristia ?», pergunta ela.

2008-06-23

Da rua para o altar: ou como deve ser a missa

Em encontro de bispos norte-americanos a aprovação de um novo texto da oração dos fiéis extravasou a tal ponto que se tornou um ponto quente. Um dos bispos era da opinião de que o texto deveria ser acessível: "Por que não pode a liturgia usar palavras que elevem a linguagem da rua ao altar?". Palavras como "inefável", "antiga servidão", frases longas e/ou com várias orações encaixadas, deveriam ser evitadas.(na verdade, tem havido uma tendência no Vaticano para aproximar as orações do original latino). Pior do que isso podem ser os equívocos de um regresso ao rito tridentino da Missa. A questão é que já Bento XVI promulgou em 2007 um documento (desculpem mas só está em latim, ou se preferirem, em húngaro...) que, em atenção às pessoas que estavam tão imbuídas, e tão afectivamente ligadas ao rito anterior à reforma litúrgica saída do Concílio que concedeu que pudessem usar a edição típica (digamos que é como qu eu uma edição matriz) publicado pelo papa João XXIII em 1962 (antes do Concílio e que, segundo o texto citado do actual papa, "nunca foi ab-rogada"). O papa frisava bem que o rito promulgado por Paulo VI era a expressão ordinária enquanto que o anterior era a expressão extraordinária da oração da Igreja (desculpem, mas aí vai outra vez o latim (não é difícil):Missale Romanum a Paulo VI promulgatum ordinaria expressio “Legis orandi” Ecclesiae catholicae ritus latini est. Missale autem Romanum a S. Pio V promulgatum et a B. Ioanne XXIII denuo editum habeatur uti extraordinaria expressio eiusdem “Legis orandi” Ecclesiae).
Mas tal como o discípulo de Heraclito que na ânsia de ser fiel ao seu mestre acabou por contradizê-lo, apareceu um cardeal Castrilón Hoyos a sugerir que deveria ser celebrada missa no rito tridentino em todas as paróquias de Inglaterra e Gales - o que enfim pode ser o princípio de uma divisão tal como a que se vê na Igreja anglicana entre high-church (muito parecida com a liturgia de S. Pedro em Roma, com os clérigos a vestirem impecavelmente a sua sobrepeliz, o incenso etc) e low-church (mais estilo evangélico, com cânticos mais populares e menos solenidade).
Bom restam duas advertências: o pior lugar para uma divisão seria a mesa Eucarística; em segundo lugar como dizia o editorial do The Tablet ; "Deus já não está lá longe nos céus ou nas estrelas. Tal como na Eucaristia, Deus encontra-se na oração, no amor aos outros, no serviço aos pobres, no estudo e na reflexão, nos fenómenos psicológicos e científicos, na discussão. Em consequência muitos querem que a celebração litúrgica seja não apenas condigna, mas também acessível - e, já agora, que seja bela."

2008-06-20

A Vida questiona o EVANGELHO

Mt. 10,26-33.
Não os temais, portanto, pois não há nada encoberto que não venha a ser conhecido.
O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido, proclamai-o sobre os terraços.
Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma. Temei antes aquele que pode fazer perecer na Geena o corpo e a alma.
Não se vendem dois pássaros por uma pequena moeda? E nem um deles cairá por terra sem o consentimento do vosso Pai!
Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados!
Não temais, pois valeis mais do que muitos pássaros.»
«Todo aquele que se declarar por mim, diante dos homens, também me declararei por ele diante do meu Pai que está no Céu.
Mas aquele que me negar diante dos homens, também o hei-de negar diante do meu Pai que está no Céu.

2008-06-16

A deriva da Itália católica (2):
não são "Velhos do Restelo", são "jovens turcos"!


Caro Bruno,

No teu contributo ao post anterior dizes estar cansado dos Velhos do Restelo na Igreja. Olha que não se trata de "velhos do Restelo" mas de "jovens turcos" isto é de adultos jovens que navegam bem na cultura da critica sistemática e numa atitude agressiva contra a modernidade tal como se está a viver na Europa. Evidentemente que este cultura tem valores com os quais não concordo nada, mas como faço parte dela, não me posso colocar fora do jogo, mas estou nele e procuro jogar de forma diferente.
Não são "velhos do Restelo" virados para o passado, mas antes "jovens turcos" apostados em criar um futuro em oposição ao que se vive neste tempo que é o nosso.
Além disso como sabem intervir e não têm medo de o fazer, apresentam-se como os "porta-vozes" dos católicos.
E também é de salientar que nesta tendência católica italiana as pessoas não praticam entre si a cultura do debate, mas estão treinados para a cultura do confronto.
Quem não se revê neles cala-se e assim, como diz o artigo, muitos católicos sentem-se isolados e sem voz audível no interior da própria Igreja. E não são só leigos mas também bispos e padres.
Mas muito modestamente dá-me grande alegria e esperança saber que jovens adultos como tu, alinham na "cultura da FAVA e do Regador" na qual consideramos importante converter a inteligência, pondo questões e debatendo assuntos com os que não concordam connosco, procurando vê-los à luz do Evangelho.
Alem disso a nossa fragilidade de "favinhas" sem braços institucionais fortes, dá-nos uma liberdade de filhos de Deus que considero uma das maiores graças que Jesus nos dá.
Alegro-me por ver o teu gosto de viveres como cristão neste tempo.
frei Eugénio

2008-06-13

A deriva da Itália católica

Um artigo recente (em Alternatives Internationales - n°39 - Juin 2008) chama a atenção para a dispersão ou divisão do catolicismo italiano em dois campos: um clerical e um anti-clerical. Esquecido o anti-clericalismo do séc. XIX e primeira metade do séc. XX, desmoronada a Democracia cristã nos anos 90, aparecem agora na política e na sociedade italianas os Católicos anti-liberais. Do seu programa constam uma concepção tradicional da fé, uma intransigente crítica da modernidade e uma postura mais desafiadora em relação ao Islão. Coincide com a ascensão da Forza Italia (no Norte onde o catolicismo é mais forte, é onde a Forza Italia mais se destaca), mesmo com o apoio de personalidades ateias como o filósofo e membro do Forza Italia, Marcello Pera. No geral, porém, a situação é o resultado do activismo de uma minoria católica e de uma força política que vê no cristianismo "o cimento cultural do Ocidente" e um "baluarte eficaz contra uma modernidade inquietante (imigração, multiculturalismo, globalização...)".
Grande parte da sua força reside na capacidade de mobilização de alguns dos seu movimentos e no apoio ao mais alto nível da Igreja (Cardeal Ruini, o Papa Bento XVI), mas também beneficia da ausência de voz dos católicos que com essa tendência não de identificam. A estes resta o isolamento de uma diáspora.

2008-06-12

A Vida questiona o EVANGELHO

Domingo, 15 de Junho de 2008
Mt. 9,36-38.10,1-8.
Contemplando a multidão, encheu-se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos:
«A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe.»
Jesus chamou doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos malignos e de curar todas as enfermidades e doenças. São estes os nomes dos doze Apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, que o traiu.
Jesus enviou estes doze, depois de lhes ter dado as seguintes instruções: «Não sigais pelo caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. Ide, primeiramente, às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pelo caminho, proclamai que o Reino do Céu está perto. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça.»

2008-06-08

Misericórdia: uma palavra polissémica

Misericórdia» é uma palavra antiga. Durante a sua longa história, tomou um sentido muito rico. Em grego, língua do Novo Testamento, misericórdia diz-se éléos. Esta palavra é-nos familiar através da oração Kyrie eleison, que é um apelo à misericórdia de Deus. Éléos é a tradução habitual, na versão grega do Novo Testamento, da palavra hebraica hésèd. É uma das mais belas palavras bíblicas. Muitas vezes, traduzimo-la simplesmente por amor.

Hésèd, misericórdia ou amor, faz parte do vocabulário da aliança. Da parte de Deus, designa um amor inabalável, capaz de manter uma comunhão para sempre, seja o que for que vier a acontecer: «O meu amor por ti nunca mais será abalado» (Isaías 54,10). Mas, como a aliança de Deus com o seu povo é uma história de rupturas e de recomeços desde o início (Êxodo 32–34), é evidente que um tal amor incondicional implica perdão, e não pode ser senão misericórdia."

Para ler todo.

2008-06-07

A vida questiona o EVANGELHO

Mt. 9,9-13.

Partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: «Segue-me!» E ele levantou se e seguiu-o.
Encontrando-se Jesus à mesa em sua casa, numerosos cobradores de impostos e outros pecadores vieram e sentaram-se com Ele e seus discípulos.
Os fariseus, vendo isto, diziam aos discípulos: «Porque é que o vosso Mestre come com os cobradores de impostos e os pecadores?»
Jesus ouviu-os e respondeu-lhes: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes.
Ide aprender o que significa: Prefiro a misericórdia ao sacrifício. Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.»

2008-06-06

Um apelo à Nossa Selecção

Um adepto português (Miguel Braga) pediu aos jogadores da selecção de futebol das «quinas» para doarem os prémios de presença e de objectivos do Euro 2008 à luta contra a fome no Mundo.
É um apelo aos nossos jogadores, mas também a todos nós, lembrando que
«Quando um (jogador) cair ao chão durante este Europeu - se precisar de dois minutos para ser assistido -, nesse tempo, morrerão 324 crianças à fome no mundo».

2008-05-31

...como uma CASA sobre a ROCHA

Casa Malaparte, Capri
arq: Adalberto Libera, 1938

A vida questiona o Evangelho

Domingo, 1 de Junho 2008
Mt. 7,21-27.
«Nem todo o que me diz: 'Senhor, Senhor’ entrará no Reino do Céu, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está no Céu.
Muitos me dirão naquele dia: 'Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizámos, em teu nome que expulsámos os demónios e em teu nome que fizemos muitos milagres?’
E, então, dir-lhes-ei:
'Nunca vos conheci;
afastai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.’»

«Todo aquele que escuta estas minhas palavras
e as
põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha.
Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; mas não caiu, porque estava fundada sobre a rocha.
Porém, todo aquele que escuta estas minhas palavras e não as põe em prática poderá comparar-se ao insensato que edificou a sua casa sobre a areia.
Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se, e grande foi a sua ruína.»

2008-05-25

A vida questiona o Evangelho

Domingo, 25 de Maio 2008
Mt. 6,24-34.
«Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.»
«Por isso vos digo: Não vos inquieteis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou beber, nem quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir. Porventura não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestido? Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. Não valeis vós mais do que elas? Qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida? Porque vos preocupais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam! Pois Eu vos digo: Nem Salomão, em toda a sua magnificência, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã será lançada ao fogo, como não fará muito mais por vós, homens de pouca fé? Não vos preocupeis, dizendo: 'Que comeremos, que beberemos, ou que vestiremos?’ Os pagãos, esses sim, afadigam-se com tais coisas; porém, o vosso Pai celeste bem sabe que tendes necessidade de tudo isso. Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais se vos dará por acréscimo. Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Basta a cada dia o seu problema

2008-05-24

Trasladação de S. Domingos

Celebra-se hoje uma das duas datas de festa de São Domingos: a trasladação do corpo de Domingos, ocorrida em 1233.
Aqui fica o relato deste acontecimento, contado na primeira pessoa, pelo beato Jordão de Saxónia, contemporâneo de São Domingos.

2008-05-21

A vida questiona o Evangenho

JO. 6,51-58.
Eu sou o pão vivo, o que desceu do Céu: se alguém comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, pela vida do mundo.»
Então, os judeus, exaltados, puseram-se a discutir entre si, dizendo: «Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?!»
Disse-lhes Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós.
Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia,
porque a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida.
Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele.
Assim como o Pai que me enviou vive e Eu vivo pelo Pai, também quem de verdade me come viverá por mim.
Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os antepassados comeram, pois eles morreram; quem come mesmo deste pão viverá eternamente.»

Acórdão inédito

Trata-se de um acórdão inédito em Portugal: o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a competência de um tribunal cível para o apreciar o pedido de compensação pelos anos que Fátima Diogo passou na Liga dos Servos de Jesus, instituição ligada à diocese da Guarda da qual foi expulsa.
A compensação pedida
corresponde, "no mínimo", ao pagamento de metade do salário mínimo, durante os 23 anos de integração na Liga. Montante a que a queixosa, hoje com 53 anos, diz ter direito, porque "trabalhou gratuitamente nos melhores e mais produtivos dias da sua vida, produzindo riqueza para a liga que, assim, viu aumentado o seu património".
Numa primeira decisão os tribunais remeteram a questão para os tribunais eclesiásticos, mas após sucessivos recurso os magistrados do STJ consideraram o contrário, sublinhando que, se assim não fosse, incorrer-se-ia numa situação de "denegação da justiça, com violação da garantia constitucional do acesso ao Direito e aos tribunais".

Não conhceço este acórdão, mas vou tentar obtê-lo para o ler e colocar no Blog.

2008-05-19

A verdadeira catedral da Trindade

Ao mesmo tempo que se fez a Basílica da Trindade em Fátima, publicou-se uma tradução do De Trinitate de Santo Agostinho. Não é um livro sobre a Trindade apenas, mas sobre o homem que é a sua imagem embora imperfeita (livro ix.2.2): "quando amo há três coisas: eu, o que eu amo e o amor em si. Eu não amo o amor se não amar o que ama, pois não há amor onde nada é amado. Há, portanto, três coisas, o que ama, o que é amado e o amor." Esta citação tem 48 palavras, 12 delas são ou amor ou formas do verbo amar. Bom ponto de partida para conhecer Deus e conhecermo-no como suas imagens.

Trindade


Ícone do pintor russo Andrei Rubliev (séc. XIV-XV)

Que melhor dizer sobre a Trindade do que olhar este ícone que a representa a  partir da prefiguração dos 3 anjos que apareceram a Abraão (Gn. 18)?
As três faces são iguais e as três figuras podem ser compreendidas em um círculo. Vestem túnica de cor azul - a cor dos céus. À direita o Espírito, como um manto verde, cor da vida nova; ao fundo uma montanha - lugar de encontro com Deus. A figura do meio representa Cristo: com uma faixa dourada, símbolo da realeza, ao mesmo tempo que uma túnica castanha cor da Terra que alude à sua Humanidade; por trás, há uma árvore que nos sugere, sobretudo, a nova árvore da vida que é cruz.
A figura do lado esquerdo é o Pai para quem as outras duas figuras olham. Por trás uma casa ("na casa de meu pai há muitas moradas"; se alguém me ama .. meu Pai o amará ... e nele estabelecermos a nossa morada)...

2008-05-18

VIVA o Evangelho de Domingo, 18 de Maio

Jo. 3,16-18
Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna.
De facto, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele.
Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no Filho Unigénito de Deus.

2008-05-12

Novas práticas?

Por falar em missas...
Vale a pena ler esta notícia:
25 % dos católicos de França declaram-se praticantes.
Mas apenas 7% dos católicos de França vão à missa ao Domingo.
Isto quer dizer que os outros 18% consideram-se praticantes... de outras práticas.
Quais serão essas novas práticas?

2008-05-10

Um pouco de humoore

No calor da polémica do pastor de Obama e das suas declarações, Hilary terá dito que sairia imediatamente da igreja. Ora Michael Moore, em entrevista a Larry King dias atrás, desculpou o pastor. Claro que as declarações eram ofensivas, mas ponha-se no lugar dele, imagine o que ele viu em termos de discriminação racial ao longo de décadas - dizia. E acrescentou um óptimo conselho para todos nós:

"Bem, eu sou um católico praticante  e se saísse de cada missa em que oiço disparates estaria bem mais magro do que estou agora."