2008-09-05

Dar a César

Pois é. As presidenciais americanas aí estão e a religião lá está com toda a força. Obama escolheu para vice um católico praticante cuja posição pró-aborto ou pró-escolha (como lá dizem) lhe valeu uma reprimenda do Arcebispo de Denver. Até lhe queria negar a comunhão.
McCain não fez por menos e escolheu uma senhora impecavelmente anti-aborto, com circunstâncias auto-biográficas a darem mais realismo à sua posição.
Até uma jovem autora muçulmana Asma Gullan Osan (Why I am a Muslim) apareceu na CNN toda entusiasmada com o discurso de Palin. Não lhe agradou todavia a expressão "terrorismo islâmico" por considerar que ofende muçulmanos que o não apoiam.
O jogo entre religião e política é sério e, diria, violento. Reparem como ambos os partidos, puxa daqui puxa dali, piscam o olho ao eleitorado católico (1/4 do total).
Ora a descida da Igreja à liça é que nem sempre se sai bem. A posição do Arcebispo de Denver, por exemplo, faz parecer a eleição um referendo com uma única questão. Pior do que isso: faz o jogo dos políticos que sabem muito bem o que estão a fazer. E pior do que isso sai fora das linhas que o Papa estabeleceu nessa matéria.
Vamos citar a costumada sensatez do The Tablet: "Pedir à Igreja para não se meter na política é claramente irrazoável. Mas se os bispos católicos quiserem exercer influência política devem fazê-lo com uma apreciação mais subtil de questões complexas. Se não forem prudentes, os líderes da Igreja acabarão por ser cinicamente manipulados por aqueles cujo real interesse
não é a moralidade mas o poder."
Eu, por mim até acho que a Igreja, entenda-se nós cristãos e não apenas, mas também os Srs bispos e etc (cada um no seu devido lugar), se deveria meter mais. Mais ainda deviam levar a sua batalha pela vida a peito e em todas as questões, nomeadamente, nas questões de política externa que não sabemos quantos vidas mais vão ceifar... em nome de ... sei lá bem...

2008-08-28

A vida questiona do Evangelho de Domingo, 31 de Agosto

Mt 16,21-27.
A partir desse momento, Jesus Cristo começou a fazer ver aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito, da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos doutores da Lei, ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar.
Tomando-o de parte, Pedro começou a repreendê-lo, dizendo: «Deus te livre, Senhor! Isso nunca te há-de acontecer!»
Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: «Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um estorvo, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens!»
Jesus disse, então, aos discípulos: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.
Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la.
Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Ou que poderá dar o homem em troca da sua vida?
Porque o Filho do Homem há-de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um conforme o seu procedimento.

2008-08-26

A mulher que converteu Jesus

Mt 15, 21-28

Dans les vies des gens heureux il y deux attitudes très courantes
qui sont opposées une à l’autre:

1- Le première est l’attitude de se protéger.
De protéger les personnes qui sont importantes pour eux,
ainsi que les valeurs qu’ils défendent.
On ne veux pas perdre ce qui est important pour vivre épanoui et heureux
Par rapport à la foi il arrive le même : on désire conserver, protéger et défendre les convictions religieuses et les habitudes dues à la foi chrétienne.
On cherche une bonne paroisse, des collèges catholiques, aussi des amis que partagent la foi catholique.
C’est comme une maison ou on ouvre les fenêtres pour laisser rentrer le soleil et pour regarder ce qui se passe au dehors,
mais la porte reste fermée.

2- Dans l’autre manière de vivre on choisit une attitude opposée: chercher la convivialité avec des gens qui ont des cultures différentes, désirer découvrir d’autres valeurs que les siennes.
Par rapport à la foi : on essaye de connaître autres fois et on cherche des occasions de dialoguer avec des personnes qui ont d’autres pratiques religieuses.

C’est comme une maison ou la porte s’ouvre pour laisser rentrer des différents
et par laquelle on sort pour aller les visiter.

Cette attitude a évidement des risques qui n’a pas la première.
Ce n’est pas étonnant que le peuple d’Israël, le peuple choisi para Dieu ai un grand souci de se protéger des influences religieuses païennes qui pouvaient l’éloigner de l’alliance et de la loi reçues de Dieu par Moïse.

3- La première attitude était celle dans laquelle Jésus a été éduqué et dans laquelle il vivait.
Dans la page d’évangile que nous venons d’entendre
Jésus manifeste clairement qu’il partage cette attitude de auto-défense vis-à-vis des païens. Jésus était un juif pieux fidèle à la loi de Dieu.
Donc il ne peux pas contacter avec cette femme païenne.

4- Cependant nous pouvons remarquer qu’il s’est opéré quelque chose de surprenant en Jésus :
De fait la persistance et le courage de cette femme non-juive
amène Jésus à sortir de l’attitude courante d’un juif pratiquant de la loi,
et à changer d’attitude, aller à la rencontre des demandes de cette femme païenne
entretenir un dialogue avec la cananéenne et accepter de guérir sa fille.
Et ce n’est pas tout : il va faire l’éloge de sa foi – elle qui n’était pas une fidèle juïve.

Nous savons que ce n’était pas la première fois, que cela arrivait à Jésus,
car selon l’évangile il avait déjà eu des attitudes disont « peux orthodoxes » avec des samaritains, des soldats romains païens, des pécheurs et pécheresses, des lépreux.
Mais cette fois-ci dans ce dialogue entre la païenne et Jésus est très clair :
elle réussit à le convaincre.
Jésus change d’attitude, on peut même dire :il se laisse « convertir », il accepte changer d’attitude para rapport à ceus de l’extérieur du peuple élu.
L’humilité, la persévérance, le courage de cette femme lui permetent de manifester son rôle de sauveur universel et non pas seulement d’un peuple.
Et surtout, la foi de la cananéenne devient un modèle pour les disciples de Jésus :
« Ó femme grande est ta foi ! ».

Ce changement d’attitude de Jésus aura une grande importance dans la prédication et la pratique des premiers chrétiens :
au centre du message et du témoignage chrétiens il est le ministère de la réconciliation :
d’abord faire tomber le mur entre chrétiens d’origine juive et d’origine païenne
et ensuite la mission de réconciliation universelle, pour que le monde devienne une maison fraternelle.
Voici qu’avec Jésus, est inauguré un monde nouveau, un monde réconcilié. Un monde où « il n’y a plus ni Juif ni Grec, … », dira saint Paul.

Une cananéenne … un Zachée … un centurion peu importe
Ces personnages sont tout simplement la « porte » qui nous ouvre à la manière d’aimer de Jésus.
A nous de passer par cette porte.
Pour cela, il y faut développer l’ouverture d’esprit et de cœur.
Il faut apprendre à aller à la rencontre de l’autre, vouloir le comprendre dans sa culture et dans ses convictions différentes des nôtres.
Notre conversion au Christ nous demande de nous « convertir », de nous tourner vers les autres pour les rencontrer vraiment.

Qui est la Cananéenne pour nous ?
Il y en a des millions et des millions.
Tous ceux qui ne pensent pas comme nous. Nous en trouvons partout, y compris dans notre propre famille

Probably you and I owe the fact that we are Christians today to the heroism of this woman who dismantled the wall of intolerance between Jews and Gentiles.
We need to consult this woman in this Eucharist,
asking her to teach us how to go about dismantling the structures that create undue division.

The first thing she teaches us in our Christian vocation to reconcile all humankind to God is courage.
She was so small that, she addresses Jesus by his proper Messianic titles: “Have mercy on me, Lord, Son of David” (verse 22),
Jesus ignored her: “He did not answer her at all” (verse 23a).
Most people at this point, would give up and accept defeat.
But not our Canaanite sister.
Rather she intensifies her efforts and embarks on a one-woman demonstration to the point that the disciples had to ask Jesus to do something about it: “Send her away, for she keeps shouting after us” (verse 23b).
Her courage finally paid off.

The second thing we can learn from this woman is focus or what the civil rights movement calls “keep your eyes on the prize.”
But with focus and with her eyes on the prize, she made it.
She is a model of non-violence, if you figure that the words of Jesus to her were unjustified verbal assault on her and on her people.
Finally, it was Jesus who gave in: “Woman, great is your faith! Let it be done for you as you wish” (verse 28) and the woman got what she wanted.

The message of this single woman outsider to every one of us today is:
Be not afraid. Be not afraid to challenge prejudice and falsity even in high places, even in religious high places.


Frei Eugénio, homilia do dia 17 de Agosto.

Maquilhagem

«Ora, o problema da maquilhagem é que cria distância, separa da realidade, é enganadora. E uma Igreja maquilhada, perfeita, é uma Igreja fora do mundo, desencarnada. Como podem, então, as pessoas identificar-se com ela?»

O texto completo pode ser lido aqui (com um video a ilustrar).

Obrigado ao Optimista por opção por mais esta dica.

2008-08-24

A VIDA questiona o Evangelho

Mt. 16,13-20.
Ao chegar à região de Cesareia de Filipe, Jesus fez a seguinte pergunta aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?»
Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou algum dos profetas.»
Perguntou-lhes de novo: «E vós, quem dizeis que Eu sou?»
Tomando a palavra, Simão Pedro respondeu: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo.»
Jesus disse-lhe em resposta: «És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu.
Também Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela.
Dar-te ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que ligares na terra ficará ligado no Céu e tudo o que desligares na terra será desligado no Céu.»
Depois, ordenou aos discípulos que a ninguém dissessem que Ele era o Messias.

2008-08-22

Leitura de férias


Recomendo este livro do dominicano irlandês Jerome Murphy-O'Connor (professor da Escola Bíblica de Jerusalém).

"
O autor, detentor de um excelente conhecimento das fontes e dos documentos da época, não faz ficção da vida de Paulo, nem sequer coloca diálogo algum na sua boca, simplesmente guia o leitor na descoberta dos sentimentos do Apóstolo, que se manifestam nas suas cartas."

Neste ano dedicado a Paulo vale mesmo a pena ler / estudar este livro. Oportunamente espero colocar no Regador alguns tópicos para dar uma pequena amostra do interesse deste livro agora publicado pelas edições Paulinas.

2008-08-08

A VIDA questiona o Evangelho

Mt. 14,22-33.
Depois, Jesus obrigou os discípulos a embarcar e a ir adiante para a outra margem, enquanto Ele despedia as multidões.
Logo que as despediu, subiu a um monte para orar na solidão. E, chegada a noite, estava ali só.
O barco encontrava-se já a várias centenas de metros da terra, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário.
De madrugada, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar.
Ao verem-no caminhar sobre o mar, os discípulos assustaram-se e disseram: «É um fantasma!» E gritaram com medo.
No mesmo instante, Jesus falou-lhes, dizendo: «Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não temais!»
Pedro respondeu-lhe: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas.»
«Vem» disse-lhe Jesus. E Pedro, descendo do barco, caminhou sobre as águas para ir ter com Jesus.
Mas, sentindo a violência do vento, teve medo e, começando a ir ao fundo, gritou: «Salva-me, Senhor!»
Imediatamente Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?»
E, quando entraram no barco, o vento amainou.
Os que se encontravam no barco prostraram-se diante de Jesus, dizendo: «Tu és, realmente, o Filho de Deus!»

2008-08-06

Dançar

"Many humans on Earth exhibit periods of happiness, and one method of displaying happiness is dancing. Happiness and dancing transcend political boundaries and occur in practically every human society. Above, Matt Harding traveled through many nations on Earth, started dancing, and filmed the result. The video is perhaps a dramatic example that humans from all over planet Earth feel a common bond as part of a single species. Happiness is frequently contagious -- few people are able to watch the above video without smiling."
Matt Harding & Melissa Nixon

2008-08-02

A vida questiona o Evangelho

Mt. 14,13-21.
Tendo ouvido isto, Jesus retirou-se dali sozinho num barco, para um lugar deserto; mas o povo, quando soube, seguiu-o a pé, desde as cidades.
Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de misericórdia para com ela, curou os seus enfermos.
Ao entardecer, os discípulos aproximaram-se dele e disseram-lhe: «Este sítio é deserto e a hora já vai avançada. Manda embora a multidão, para que possa ir às aldeias comprar alimento.»
Mas Jesus disse-lhes: «Não é preciso que eles vão; dai-lhes vós mesmos de comer.»
Responderam: «Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes.»
«Trazei-mos cá» disse Ele.
E, depois de ordenar à multidão que se sentasse na relva, tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao céu e pronunciou a bênção; partiu, depois, os pães e deu os aos discípulos, e estes distribuíram-nos pela multidão.
Todos comeram e ficaram saciados; e, com o que sobejou, encheram doze cestos.
Ora, os que comeram eram uns cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.

2008-07-26

A Vida questiona o EVANGELHO

Mt. 13,44-52.
«O Reino do Céu é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem encontra. Volta a escondê-lo e, cheio de alegria, vai, vende tudo o que possui e compra o campo.
O Reino do Céu é também semelhante a um negociante que busca boas pérolas. Tendo encontrado uma pérola de grande valor, vende tudo quanto possui e compra a pérola.»
«O Reino do Céu é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. Logo que ela se enche, os pescadores puxam-na para a praia, sentam-se e escolhem os bons para as canastras, e os ruins, deitam-nos fora.
Assim será no fim do mundo: sairão os anjos e separarão os maus do meio dos justos, para os lançarem na fornalha ardente: ali haverá choro e ranger de dentes.»
«Compreendestes tudo isto?» «Sim» responderam eles.
Jesus disse-lhes, então: «Por isso, todo o doutor da Lei instruído acerca do Reino do Céu é semelhante a um pai de família, que tira coisas novas e velhas do seu tesouro.»

2008-07-19

Memória de Bronisław Geremek



Atrasado mas nunca inoportuno será relembrar a morte, ocorrida no passado dia 14, deste homem de cultura polaco, historiador, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de Walesa. Pioneiro na defesa da adesão da Polónia à União Europeia, foi eleito eurodeputado e era um convicto defensor de uma Europa fundada na cidadania participativa, no intercâmbio e na solidariedade (entrevista sua ao Paroles d'européens).



A Vida questiona o Evangelho

Mt 13,24-43.
Jesus propôs-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é comparável a um homem que semeou boa semente no seu campo.
Ora, enquanto os seus homens dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e afastou-se.
Quando a haste cresceu e deu fruto, apareceu também o joio.
Os servos do dono da casa foram ter com ele e disseram-lhe: 'Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio?’
'Foi algum inimigo meu que fez isto’ respondeu ele. Disseram-lhe os servos: 'Queres que vamos arrancá-lo?’
Ele respondeu: 'Não, para que não suceda que, ao apanhardes o joio, arranqueis o trigo ao mesmo tempo.
Deixai um e outro crescer juntos, até à ceifa; e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em feixes para ser queimado; e recolhei o trigo no meu celeiro.’»
Jesus propôs-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo.
É a mais pequena de todas as sementes; mas, depois de crescer, torna-se a maior planta do horto e transforma-se numa árvore, a ponto de virem as aves do céu abrigar-se nos seus ramos.»
Jesus disse-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até que tudo fique fermentado.»
Tudo isto disse Jesus, em parábolas, à multidão, e nada lhes dizia sem ser em parábolas.
Deste modo cumpria-se o que fora anunciado pelo profeta: Abrirei a minha boca em parábolas e proclamarei coisas ocultas desde a criação do mundo.
Afastando-se, então, das multidões, Jesus foi para casa. E os seus discípulos, aproximando-se dele, disseram-lhe: «Explica-nos a parábola do joio no campo.»
Ele, respondendo, disse-lhes: «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem;
o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do Reino; o joio são os filhos do maligno;
o inimigo que a semeou é o diabo; a ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros são os anjos.
Assim, pois, como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será no fim do mundo:
o Filho do Homem enviará os seus anjos, que hão-de tirar do seu Reino todos os escandalosos e todos quantos praticam a iniquidade,
e lançá-los na fornalha ardente; ali haverá choro e ranger de dentes.
Então os justos resplandecerão como o Sol, no Reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos, oiça!»

2008-07-13

A Vida questiona o EVANGELHO

Mt. 13,1-23.
Naquele dia, Jesus saiu de casa e sentou-se à beira-mar. Reuniu-se a Ele uma tão grande multidão, que teve de subir para um barco, onde se sentou, enquanto toda a multidão se conservava na praia. Jesus falou-lhes de muitas coisas em parábolas.
«Escutai, pois, a parábola do semeador.
Quando um homem ouve a palavra do Reino e não a compreende, chega o maligno e apodera-se do que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente à beira do caminho.
Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe, de momento, com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, é inconstante: se vier a tribulação ou a perseguição, por causa da palavra, sucumbe logo.
Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra que, por isso, não produz fruto.
E aquele que recebeu a semente em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende: esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta.»

2008-07-10

Porque sabem o que fazem

"A misoginia da Igreja é levada ao paroxismo com S. Paulo. A 1.º Epístola aos Coríntios consagra a menoridade da mulher, que tem que usar véu no culto, em sinal da inferioridade da sua dignidade cristã, e não pode "falar" na Igreja.
Ao contrário da concepção de pecado original de, por exemplo, Orígenes (ou de Santo Ambrósio ou Santo Agostinho), para quem foi o Homem interior quem pecou na sua totalidade conjugal (masculino/feminino, espírito/alma), S. Paulo acusa sibilinamente: "Não foi Adão quem se deixou seduzir, mas a mulher". Assim, do mesmo modo que os judeus carregam a culpa da morte de um outro judeu (e sabe-se a sórdida vingança que a Igreja conduziu ao longo dos séculos contra os judeus por essa "culpa" fundadora), sobre as mulheres subsiste a "sentença de Deus" de que fala Tertuliano. Não surpreende, pois, a posição do Vaticano contra a decisão do Sínodo da Igreja Anglicana de, após o sacerdócio, abrir também o bispado às mulheres. Daqui a uns anos, um Papa há-de vir pedir compungidamente perdão, desta vez às mulheres. Vai-lhes já perdoando, Senhor, porque sabem o que fazem."

Este texto é de Manuel António Pina e vem na última página do JN de hoje.

Vale a pena ver e reflectir sobre o que se diz por aí de S. Paulo. Andamos tão entretidos com as nossas celebrações em circuito fechado, quando é urgente o diálogo com o outro... reconhecendo que muitas vezes são bem lúcidos na análise que fazem.

2008-07-05

A Vida questiona o EVANGELHO

Mt. 11,25-30.

Naquela ocasião, Jesus tomou a palavra e disse:
«Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos.

Sim, ó Pai, porque isso foi do teu agrado.
Tudo me foi entregue por meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai, como ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.»
«Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos.
Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito.
Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve

2008-06-28

Pedro, Paulo, a Palavra e a Igreja

A Vida questiona o EVANGELHO

Mt. 16,13-19.
Ao chegar à região de Cesareia de Filipe, Jesus fez a seguinte pergunta aos seus discípulos:
«Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?»

Eles responderam:
«Uns dizem que é João Baptista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou algum dos profetas.»

Perguntou-lhes de novo:
«E vós, quem dizeis que Eu sou?»

Tomando a palavra, Simão Pedro respondeu:
«Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo.»

Jesus disse-lhe em resposta:
«És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu.

Também Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela.
Dar-te ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que ligares na terra ficará ligado no Céu e tudo o que desligares na terra será desligado no Céu.»

2008-06-24

EUCARISTIA = LOUCURA

A propósito do 49.º Congresso Eucarístico Internacional que leve lugar no Québec, recentemente.
Marguerite Barankitse, do Burundi, fundadora da Maison Shalom, foi uma das pessoas convidadas para falar.
Quando a Maison Shalom se tornou muito conhecida, os bispos inquietaram-se: qual seria a espiritualidade proposta por esta mulher um tanto louca ? «Disse-lhes : é uma espiritualidade… que engloba tudo ! Hoje, são os bispos que me convidam a estar aqui para perder a cabeça convosco. Teremos a audácia de perder a cabeça na Eucaristia ?», pergunta ela.

2008-06-23

Da rua para o altar: ou como deve ser a missa

Em encontro de bispos norte-americanos a aprovação de um novo texto da oração dos fiéis extravasou a tal ponto que se tornou um ponto quente. Um dos bispos era da opinião de que o texto deveria ser acessível: "Por que não pode a liturgia usar palavras que elevem a linguagem da rua ao altar?". Palavras como "inefável", "antiga servidão", frases longas e/ou com várias orações encaixadas, deveriam ser evitadas.(na verdade, tem havido uma tendência no Vaticano para aproximar as orações do original latino). Pior do que isso podem ser os equívocos de um regresso ao rito tridentino da Missa. A questão é que já Bento XVI promulgou em 2007 um documento (desculpem mas só está em latim, ou se preferirem, em húngaro...) que, em atenção às pessoas que estavam tão imbuídas, e tão afectivamente ligadas ao rito anterior à reforma litúrgica saída do Concílio que concedeu que pudessem usar a edição típica (digamos que é como qu eu uma edição matriz) publicado pelo papa João XXIII em 1962 (antes do Concílio e que, segundo o texto citado do actual papa, "nunca foi ab-rogada"). O papa frisava bem que o rito promulgado por Paulo VI era a expressão ordinária enquanto que o anterior era a expressão extraordinária da oração da Igreja (desculpem, mas aí vai outra vez o latim (não é difícil):Missale Romanum a Paulo VI promulgatum ordinaria expressio “Legis orandi” Ecclesiae catholicae ritus latini est. Missale autem Romanum a S. Pio V promulgatum et a B. Ioanne XXIII denuo editum habeatur uti extraordinaria expressio eiusdem “Legis orandi” Ecclesiae).
Mas tal como o discípulo de Heraclito que na ânsia de ser fiel ao seu mestre acabou por contradizê-lo, apareceu um cardeal Castrilón Hoyos a sugerir que deveria ser celebrada missa no rito tridentino em todas as paróquias de Inglaterra e Gales - o que enfim pode ser o princípio de uma divisão tal como a que se vê na Igreja anglicana entre high-church (muito parecida com a liturgia de S. Pedro em Roma, com os clérigos a vestirem impecavelmente a sua sobrepeliz, o incenso etc) e low-church (mais estilo evangélico, com cânticos mais populares e menos solenidade).
Bom restam duas advertências: o pior lugar para uma divisão seria a mesa Eucarística; em segundo lugar como dizia o editorial do The Tablet ; "Deus já não está lá longe nos céus ou nas estrelas. Tal como na Eucaristia, Deus encontra-se na oração, no amor aos outros, no serviço aos pobres, no estudo e na reflexão, nos fenómenos psicológicos e científicos, na discussão. Em consequência muitos querem que a celebração litúrgica seja não apenas condigna, mas também acessível - e, já agora, que seja bela."

2008-06-20

A Vida questiona o EVANGELHO

Mt. 10,26-33.
Não os temais, portanto, pois não há nada encoberto que não venha a ser conhecido.
O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido, proclamai-o sobre os terraços.
Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma. Temei antes aquele que pode fazer perecer na Geena o corpo e a alma.
Não se vendem dois pássaros por uma pequena moeda? E nem um deles cairá por terra sem o consentimento do vosso Pai!
Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados!
Não temais, pois valeis mais do que muitos pássaros.»
«Todo aquele que se declarar por mim, diante dos homens, também me declararei por ele diante do meu Pai que está no Céu.
Mas aquele que me negar diante dos homens, também o hei-de negar diante do meu Pai que está no Céu.

2008-06-16

A deriva da Itália católica (2):
não são "Velhos do Restelo", são "jovens turcos"!


Caro Bruno,

No teu contributo ao post anterior dizes estar cansado dos Velhos do Restelo na Igreja. Olha que não se trata de "velhos do Restelo" mas de "jovens turcos" isto é de adultos jovens que navegam bem na cultura da critica sistemática e numa atitude agressiva contra a modernidade tal como se está a viver na Europa. Evidentemente que este cultura tem valores com os quais não concordo nada, mas como faço parte dela, não me posso colocar fora do jogo, mas estou nele e procuro jogar de forma diferente.
Não são "velhos do Restelo" virados para o passado, mas antes "jovens turcos" apostados em criar um futuro em oposição ao que se vive neste tempo que é o nosso.
Além disso como sabem intervir e não têm medo de o fazer, apresentam-se como os "porta-vozes" dos católicos.
E também é de salientar que nesta tendência católica italiana as pessoas não praticam entre si a cultura do debate, mas estão treinados para a cultura do confronto.
Quem não se revê neles cala-se e assim, como diz o artigo, muitos católicos sentem-se isolados e sem voz audível no interior da própria Igreja. E não são só leigos mas também bispos e padres.
Mas muito modestamente dá-me grande alegria e esperança saber que jovens adultos como tu, alinham na "cultura da FAVA e do Regador" na qual consideramos importante converter a inteligência, pondo questões e debatendo assuntos com os que não concordam connosco, procurando vê-los à luz do Evangelho.
Alem disso a nossa fragilidade de "favinhas" sem braços institucionais fortes, dá-nos uma liberdade de filhos de Deus que considero uma das maiores graças que Jesus nos dá.
Alegro-me por ver o teu gosto de viveres como cristão neste tempo.
frei Eugénio

2008-06-13

A deriva da Itália católica

Um artigo recente (em Alternatives Internationales - n°39 - Juin 2008) chama a atenção para a dispersão ou divisão do catolicismo italiano em dois campos: um clerical e um anti-clerical. Esquecido o anti-clericalismo do séc. XIX e primeira metade do séc. XX, desmoronada a Democracia cristã nos anos 90, aparecem agora na política e na sociedade italianas os Católicos anti-liberais. Do seu programa constam uma concepção tradicional da fé, uma intransigente crítica da modernidade e uma postura mais desafiadora em relação ao Islão. Coincide com a ascensão da Forza Italia (no Norte onde o catolicismo é mais forte, é onde a Forza Italia mais se destaca), mesmo com o apoio de personalidades ateias como o filósofo e membro do Forza Italia, Marcello Pera. No geral, porém, a situação é o resultado do activismo de uma minoria católica e de uma força política que vê no cristianismo "o cimento cultural do Ocidente" e um "baluarte eficaz contra uma modernidade inquietante (imigração, multiculturalismo, globalização...)".
Grande parte da sua força reside na capacidade de mobilização de alguns dos seu movimentos e no apoio ao mais alto nível da Igreja (Cardeal Ruini, o Papa Bento XVI), mas também beneficia da ausência de voz dos católicos que com essa tendência não de identificam. A estes resta o isolamento de uma diáspora.

2008-06-12

A Vida questiona o EVANGELHO

Domingo, 15 de Junho de 2008
Mt. 9,36-38.10,1-8.
Contemplando a multidão, encheu-se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos:
«A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe.»
Jesus chamou doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos malignos e de curar todas as enfermidades e doenças. São estes os nomes dos doze Apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, que o traiu.
Jesus enviou estes doze, depois de lhes ter dado as seguintes instruções: «Não sigais pelo caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. Ide, primeiramente, às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pelo caminho, proclamai que o Reino do Céu está perto. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça.»

2008-06-08

Misericórdia: uma palavra polissémica

Misericórdia» é uma palavra antiga. Durante a sua longa história, tomou um sentido muito rico. Em grego, língua do Novo Testamento, misericórdia diz-se éléos. Esta palavra é-nos familiar através da oração Kyrie eleison, que é um apelo à misericórdia de Deus. Éléos é a tradução habitual, na versão grega do Novo Testamento, da palavra hebraica hésèd. É uma das mais belas palavras bíblicas. Muitas vezes, traduzimo-la simplesmente por amor.

Hésèd, misericórdia ou amor, faz parte do vocabulário da aliança. Da parte de Deus, designa um amor inabalável, capaz de manter uma comunhão para sempre, seja o que for que vier a acontecer: «O meu amor por ti nunca mais será abalado» (Isaías 54,10). Mas, como a aliança de Deus com o seu povo é uma história de rupturas e de recomeços desde o início (Êxodo 32–34), é evidente que um tal amor incondicional implica perdão, e não pode ser senão misericórdia."

Para ler todo.

2008-06-07

A vida questiona o EVANGELHO

Mt. 9,9-13.

Partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: «Segue-me!» E ele levantou se e seguiu-o.
Encontrando-se Jesus à mesa em sua casa, numerosos cobradores de impostos e outros pecadores vieram e sentaram-se com Ele e seus discípulos.
Os fariseus, vendo isto, diziam aos discípulos: «Porque é que o vosso Mestre come com os cobradores de impostos e os pecadores?»
Jesus ouviu-os e respondeu-lhes: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes.
Ide aprender o que significa: Prefiro a misericórdia ao sacrifício. Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.»

2008-06-06

Um apelo à Nossa Selecção

Um adepto português (Miguel Braga) pediu aos jogadores da selecção de futebol das «quinas» para doarem os prémios de presença e de objectivos do Euro 2008 à luta contra a fome no Mundo.
É um apelo aos nossos jogadores, mas também a todos nós, lembrando que
«Quando um (jogador) cair ao chão durante este Europeu - se precisar de dois minutos para ser assistido -, nesse tempo, morrerão 324 crianças à fome no mundo».

2008-05-31

...como uma CASA sobre a ROCHA

Casa Malaparte, Capri
arq: Adalberto Libera, 1938

A vida questiona o Evangelho

Domingo, 1 de Junho 2008
Mt. 7,21-27.
«Nem todo o que me diz: 'Senhor, Senhor’ entrará no Reino do Céu, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está no Céu.
Muitos me dirão naquele dia: 'Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizámos, em teu nome que expulsámos os demónios e em teu nome que fizemos muitos milagres?’
E, então, dir-lhes-ei:
'Nunca vos conheci;
afastai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.’»

«Todo aquele que escuta estas minhas palavras
e as
põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha.
Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; mas não caiu, porque estava fundada sobre a rocha.
Porém, todo aquele que escuta estas minhas palavras e não as põe em prática poderá comparar-se ao insensato que edificou a sua casa sobre a areia.
Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se, e grande foi a sua ruína.»