2011-04-29

Diálogo com o Evangelho - 13


Diálogo com o Evangelho de Domingo 1 de Maio,  2º Domingo da Páscoa (da divina misericórdia), pelo Frei Eugénio, no programa de rádio "Raízes de Cá".

A vida questiona o Evangelho do 2º Domingo de Páscoa, 1 de Maio

Jo. 20,19-31.
Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!»
Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o peito. Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor. E Ele voltou a dizer-lhes: «A paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós.» Em seguida, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.»
Tomé, um dos Doze, a quem chamavam o Gémeo, não estava com eles quando Jesus veio.
Diziam-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor!» Mas ele respondeu-lhes: «Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu peito, não acredito.»
Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez dentro de casa e Tomé com eles. Estando as portas fechadas, Jesus veio, pôs-se no meio deles e disse: «A paz seja convosco!»
Depois, disse a Tomé: «Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e põe-na no meu peito. E não sejas incrédulo, mas fiel.»
Tomé respondeu-lhe: «Meu Senhor e meu Deus!»
Disse-lhe Jesus: «Porque me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto».

Muitos outros sinais miraculosos realizou ainda Jesus, na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e, acreditando, terdes a vida nele.

29 de Abril: Catarina de Sena

"Tu deves, portanto, tornar-te amor, olhando para o amor de Deus, que tanto te amou, não porque te devesse obrigação alguma, mas por um puro dom, impelido somente pelo seu inefável amor.
Não terás outro desejo para além daquele de seguir Jesus! E, como que inebriada do Amor, não farás caso se te encontras só ou acompanhada: não te preocuparás com tantas coisas mas somente de encontrar Jesus e segui-lo!
Corre, Bartolomea, e não estejas a dormir, porque o tempo corre e não espera nem um momento!
"

Das “Cartas” de Santa Catarina de Sena (1347-1380) (carta n.165 a Bartolomea, esposa de Salviato da Lucca)

2011-04-24

ALELUIA! ALELUIA!



Messias de Haendel
From Andre Rieu's "Live From Radio City Music Hall" in New York City 2004, with the Johann Strauss Orchestra and the Harlem Gospel Choir.

Alelu’Ya Alelu’Ya Alelu’Ya Alelu’Ya
For the Lord God omnipotent reigneth.
The kingdom of this world
is become the kingdom of our Lord
and of His Christ.
And He shall reign for ever and ever!
King of kings, forever and ever, Alelu’Ya Alelu’Ya
and Lord of lords, forever and ever, Alelu’Ya Alelu’Ya
Alelu’Ya Alelu’Ya Alelu’Ya Alelu’Ya

A vida questiona o Evangelho do Domingo de Páscoa, de 24 de Abril

Basílica do Santo Sepulcro (Jerusalém, Setembro 2010)
Jo. ‪20,1-9.‬
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo logo de manhã, ainda escuro, e viu retirada a pedra que o tapava. Correndo, foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, o que Jesus amava, e disse-lhes: «O Senhor foi levado do túmulo e não sabemos onde o puseram.»
Pedro saiu com o outro discípulo e foram ao túmulo. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo correu mais do que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Inclinou-se para observar e reparou que os panos de linho estavam espalmados no chão, mas não entrou.
Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no túmulo e ficou admirado ao ver os panos de linho espalmados no chão, ao passo que o lenço que tivera em volta da cabeça não estava espalmado no chão juntamente com os panos de linho, mas de outro modo, enrolado noutra posição.
Então, entrou também o outro discípulo, o que tinha chegado primeiro ao túmulo. Viu e começou a crer, pois ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

2011-04-23

Mistério de Jesus na Cruz

Com frequência surge esta observação: adorar um pedaço de madeira não tem sentido, pior ainda, pode mesmo ser uma forma de idolatria.
Por vezes a linguagem trai-nos: seria de facto mais correcto dizer "VENERAR O MISTÉRIO DA CRUZ OU "VENERAR O MISTERIO DA CRUCIFIXÃO" de Jesus de Nazaré.
Ainda hoje, sexta-feira santa estive a celebrar a Paixão de Jesus e nela venerei o MISTERIO DA CRUCIFIXÃO.
Quem pode entender que Deus Pai tenha escolhido este caminho para que Jesus nos abrisse as portas de uma vida nova sem morte, nem desamor, nem mal?
Quem eu adoro é JESUS DE NAZARÉ FILHO DE DEUS que misteriosamente se submeteu à humilhação e terrível sofrimento da crucifixão.
frei Eugénio

2011-04-18

Cristianismo não é resignação, é Esperança!

Acabei de ler o post “ O Cristianismo Resignou-se” e não pude deixar de partilhar algumas reflexões que desde a semana passado me tem surgido.


Dei-me conta, nesta passada semana de uma mensagem que circulava na internet a qual fazia alusão à última crónica de Eduardo Prado Coelho no jornal “Público” sob o título “Precisa-se matéria-prima para construir um país”. Esta crónica foi publicada após o seu falecimento, a 25 de Agosto de 2007, sendo por alguns considerada como uma crónica testamentária. Em conversa com várias pessoas percebi que também tinham recebido a mesma mensagem plena de actualidade.

Não sendo eu um seguidor do pensamento de Eduardo Prado Coelho pois divirjo de muitas das opiniões que ele exprimiu no “Público”, bem como em outros meios, opiniões que vão contra a minha consciência de cristão, não posso deixar de dizer que esta sua última crónica me tocou particularmente pois expressa, de forma inteligente e clarividente, o que também há muito penso do comportamento da nossa sociedade e de mim próprio que não deixei de ser moldado à sua imagem.

Começa ele por dizer:

  “A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria-prima de um país.”

Foi esta última frase que me ficou a “bater” na cabeça, procurando responder-lhe à luz da minha Fé em Cristo. E foi então que, ontem, domingo, ao ler a crónica semanal do Frei Bento no mesmo jornal “Público” sob o título “A triste figura dos discípulos”, na qual ele faz também uma reflexão, usando outras palavras, sobre o mesmo tema colocado há quatro anos por Prado Coelho, comecei a encontrar parte da resposta ao problema e que julgo deve ser encarada por todos aqueles que se dizem cristãos. No seu texto semanal, Frei Bento escrevia:

  “Hoje, está na moda fazer dos políticos os bodes expiatórios de todos os nossos males, precisamente, porque transferimos, para eles, de forma mágica, a salvação do país, distraindo-nos da nossa intransferível responsabilidade cívica. Alienamo-nos, repetindo que eles não deixam espaço à sociedade civil, mas é esta que se demite da sua vocação e entrega tudo na mão dos partidos que, por natureza, são apenas parte da acção política.

   A vida em sociedade tem muitas dimensões e expressões e, por vezes, os meios de comunicação, cegos pela poeira dos acontecimentos políticos e por tudo o que corre mal, roubam, aos cidadãos, o país real, na sua complexidade. A verdade passa a ser a representação que eles nos distribuem. Por outro lado, a publicidade torna as pessoas infelizes se não comprarem as suas propostas. Ora, é a civilização expressa nessas propostas que está falida.”

Ora, Eduardo Prado Coelho, depois de desenvolver a crónica a que aludi à volta das razões porque faz a afirmação inicial, procurando colocar as alternativas de resposta, conclui:

  “Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror?
   Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... igualmente abusados! É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
   Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias. Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.
   Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, somos tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.
   Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.
   Sim, decidi procurar o responsável e estou seguro de que o encontrarei quando me olhar no espelho.
   Aí está, não preciso de o procurar noutro lado.
   E você, o que pensa?... Medite!”

Este texto escrito, como disse, há quase quatro anos continua de uma enorme actualidade e, se fosse escrito por um cristão, não teria mais importância e relevo do que a que Prado Coelho lhe imprimiu. Quantos de nós temos coragem de nos olhar no espelho? Quantos de nós confrontados com a passagem dos Evangelhos sobre a mulher adúltera estaremos em condições de cumprir a Lei de Moisés como pretendiam os que a prenderam? E qual de nós não pensou, ou agiu, como os apóstolos discutindo quem seria o primeiro, quem se sentaria a direita e esquerda do Senhor, procurando um lugar de poder? E quantos de nós, perante situações em que devemos assumir uma posição não adoptamos a atitude de Pilatos, abstendo-nos de uma atitude, seja nas palavras, seja nos actos, “lavando, por isso, as nossas mãos”?

Neste tempo de quaresma e renovação bom seria que todos meditássemos, pelo menos, sobre a passagem do Juízo Final do Evangelho de São Mateus e procurássemos responder às perguntas que Jesus, no seu trono de realeza nos fará quando nos encontrarmos de novo com Ele. E essas respostas mais do que uma obrigação de todos os dias, são questões com que vamos ou estamos já a ser confrontados nestes tempos de crise nacional por que estamos a passar. Oxalá cada um de nós pense nas respostas que temos de dar como cidadãos perante o nosso país e sejamos capazes de olhar para os nossos irmãos, não condenando-os pelos excessos que eventualmente fizeram, mas ajudando-os a superar as enormes dificuldades por que vão passar partilhando com eles como os primeiros cristãos pondo os nossos bens em comum.

Os bens que Deus nos dá não são para guardarmos mas para nos alimentarmos como os pássaros dos céus, para nos vestirmos como os lírios dos campos e servi-Lo e dar-Lhe graças, sendo que um dos maiores serviços a Deus é cumprir o segundo mandamento que Jesus nos ensinou e amar o nosso irmão indo ao encontro dele e saber "dar a César o que é de César e dar a Deus o que é de Deus".

Hugo

O Cristianismo resignou-se


Martin Luther King notou que o amor e uma acção assente sobre ele podiam tornar-se "um poder social eficaz em larga escala, ultrapassando assim uma mera interacção entre pessoas singulares". (...) "Para Ghandi, o amor era um poderoso instrumento de transformação social e colectiva. Na sua doutrina do amor e do pacifismo, descobri método para uma reforma social que procurava há meses. (...) Cheguei à convição de que este era o único método aceitável, em termos morais e práticos, na luta de um povo reprimido na sua liberdade".
No momento da sua entrada na história da Humanidade, o cristianismo possuíra um enorme potencial de mudança, mas não conseguira preservar este ímpeto revolucionário do cristianismo primitivo. Com efeito, este élan perdeu-se quase totalmente, tornando o cristianismo vulnerável a comportamentos reacionários. «O mundo ocidental, habituado ao espetáculo de altos representantes da igreja cristã lado a lado com a alta finança e os generais, transformou a sua prática no contrário da sua teoria.».
O cristianismo resignou-se, tornou-se demasiado modesto, exigindo muito pouco de si mesmo. «O cristianismo enquanto movimento caritativo – meu Deus, ninguém duvida disso. Mas esta religião não terá optado pelo amor ao próximo apenas para não começar o outro, o decisivo, o amor ao inimigo?». King compreendia assim o significado profundamente pessoal, mas também político, do mandamento do amor ao inimigo. «Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem» (Mateus, 5:44).
in "Martin Luther King", de Gred Presler, Expresso, 2011 

2011-04-17

Diálogo com o Evangelho - 12


Diálogo com o Evangelho de Domingo 17 de Abril,  Domingo de Ramos, pelo Frei Eugénio, no programa de rádio "Raízes de Cá".

2011-04-16

A vida questiona o Evangelho do Domingo de Ramos, de 17 de Abril

Mt 21, 1-11
Quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé, junto do monte da Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos, dizendo lhes: "Ide à povoação que está em frente e encontrareis uma jumenta presa e, com ela, um jumentinho. Soltai os e trazei-mos. E se alguém vos disser alguma coisa, respondei que o Senhor precisa deles, mas não tardará em devolvê-los". Isto sucedeu para se cumprir o que o Profeta tinha anunciado: "Dizei à filha de Sião: 'Eis o teu Rei, que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho, filho de uma jumenta'". Os discípulos partiram e fizeram como Jesus lhes ordenara: trouxeram a jumenta e o jumentinho, puseram lhes em cima as suas capas e Jesus sentou-Se sobre elas. Numerosa multidão estendia as capas no caminho; outros cortavam ramos de árvores e espalhavam nos pelo chão. E, tanto as multidões que vinham à frente de Jesus como as que O seguiam, diziam em altos brados: "Hossana ao Filho de David! Bendito O que vem em nome do Senhor! Hossana nas alturas!". Quando Jesus entrou em Jerusalém, toda a cidade ficou em alvoroço. "Quem é Ele?" – perguntavam. E a multidão respondia: "É Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia"

2011-04-13

Para reflectir

Há dias atrás dei com este texto de José Comblin, padre belga que viveu no Brasil desde 1958 e recentemente falecido (através da Tribo de Jacob).

Neste texto apresenta-se de forma evidente uma concepção de cristianismo bem diferente da que é retratada no recente livro de Ratzinger, e que este quer combater.


«El evangelio viene de Jesucristo. La religión no viene de Jesucristo. Hay que partir de una distinción básica que ahora varios teólogos ya han propuesto entre el evangelio y la religión.

El evangelio viene de Jesucristo. La religión no viene de Jesucristo.

El evangelio no es religioso. Jesús no ha fundado ninguna religión. No ha fundado ritos; no ha enseñado doctrinas; no ha nada de eso. Se dedicó a anunciar, organizado un sistema de gobierno y a promover el reino de Dios. O sea, un cambio radical de toda la humanidad en todos sus aspectos. Un cambio, y un cambio cuyos autores serán los pobres. Se dirige a los pobres pensando que solamente ellos son capaces de actuar con esa sinceridad, con esa autenticidad para promover un mundo nuevo.

¿Eso sería un mensaje político? No es político en el sentido de que propone un plan, una manera humana es suficiente; pero como meta política, porque esto es una orientación dada a toda la humanidad.

¿La religión? ¡Aah! Jesús no ha fundado una religión... Y pero sus discípulos han creado una religión a partir de Él. ¿Por qué? Porque la religión es algo indispensable a los seres humanos. No se puede vivir sin religión. Si la religión actual aquí se desintegra, ¡hay 38.000 religiones registradas en Estados Unidos! O sea, no faltan religiones, aparecen constantemente. El ser humano no puede vivir sin religión, aunque se aparte de las grandes religiones tradicionales.»

2011-04-08

Diálogo com o Evangelho - 11


Diálogo com o Evangelho de Domingo 10 de Abril,  5º Domingo da Quaresma (ressurreição de Lázaro), pelo Frei Eugénio, no programa de rádio "Raízes de Cá".

A vida questiona o Evangelho do 5º Domingo da Quaresma - 10 de Abril

Jo 11,1-45.

Estava doente um homem chamado Lázaro, de Betânia, terra de Maria e de Marta, sua irmã. Maria, cujo irmão, Lázaro, tinha caído doente, era aquela que ungiu os pés do Senhor com perfume e lhos enxugou com os seus cabelos. Então, as irmãs enviaram a Jesus este recado: «Senhor, aquele que amas está doente.»

Ouvindo isto, Jesus disse: «Esta doença não é de morte, mas sim para a glória de Deus, manifestando-se por ela a glória do Filho de Deus.»

Jesus era muito amigo de Marta, da sua irmã e de Lázaro. Mas, quando recebeu a notícia de que este estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde se encontrava. Só depois é que disse aos discípulos: «Vamos outra vez para a Judeia.» Disseram-lhe os discípulos: «Rabi, há pouco os judeus procuravam apedrejar-te, e Tu queres ir outra vez para lá?» Jesus respondeu: «Não tem doze horas o dia? Se alguém anda de dia, não tropeça, porque tem a luz deste mundo. Mas, se andar de noite, tropeça, porque não tem a luz com ele.»

Depois de ter pronunciado estas palavras, acrescentou: «O nosso amigo Lázaro está a dormir, mas Eu vou lá acordá-lo.» Os discípulos disseram então: «Senhor, se ele dorme, vai curar-se!» Mas Jesus tinha falado da sua morte, ao passo que eles julgavam que falava do sono natural. Então, Jesus disse-lhes claramente: «Lázaro morreu; e Eu, por amor de vós, estou contente por não ter estado lá, para assim poderdes crer. Mas vamos ter com ele.» Tomé, chamado Gémeo, disse aos companheiros: «Vamos nós também, para morrermos com Ele.» Ao chegar, Jesus encontrou-o sepultado havia quatro dias.

Betânia ficava perto de Jerusalém, a quase uma légua, e muitos judeus tinham ido visitar Marta e Maria para lhes darem os pêsames pelo seu irmão. Logo que Marta ouviu dizer que Jesus estava a chegar, saiu a recebê-lo, enquanto Maria ficou sentada em casa.

Marta disse, então, a Jesus: «Senhor, se Tu cá estivesses, o meu irmão não teria morrido.

Mas, ainda agora, eu sei que tudo o que pedires a Deus, Ele to concederá.» Disse-lhe Jesus: «Teu irmão ressuscitará.» Marta respondeu-lhe: «Eu sei que ele há-de ressuscitar na ressurreição do último dia.» Disse-lhe Jesus: «Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, mesmo que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá para sempre. Crês nisto?» Ela respondeu-lhe: «Sim, ó Senhor; eu creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo.» Dito isto, voltou a casa e foi chamar sua irmã, Maria, dizendo-lhe em voz baixa: «Está cá o Mestre e chama por ti.» Assim que ela ouviu isto, levantou-se rapidamente e foi ter com Ele. Jesus ainda não tinha entrado na aldeia, mas permanecia no lugar onde Marta lhe viera ao encontro. Então, os judeus que estavam com Maria, em casa, para lhe darem os pêsames, ao verem-na levantar-se e sair à pressa, seguiram-na, pensando que se dirigia ao túmulo para aí chorar. Quando Maria chegou ao sítio onde estava Jesus, mal o viu caiu-lhe aos pés e disse-lhe: «Senhor, se Tu cá estivesses, o meu irmão não teria morrido.»

Ao vê-la a chorar e os judeus que a acompanhavam a chorar também, Jesus suspirou profundamente e comoveu-se. Depois, perguntou: «Onde o pusestes?» Responderam-lhe: «Senhor, vem e verás.» Então Jesus começou a chorar. Diziam os judeus: «Vede como era seu amigo!» Mas alguns deles murmuravam: «Então, este que deu a vista ao cego não podia também ter feito com que Lázaro não morresse?» Jesus, suspirando de novo intimamente, foi até ao túmulo. Era uma gruta fechada com uma pedra.

Disse Jesus: «Tirai a pedra.» Marta, a irmã do defunto, disse-lhe: «Senhor, já cheira mal, pois já é o quarto dia.» Jesus replicou-lhe: «Eu não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?» Quando tiraram a pedra, Jesus, erguendo os olhos ao céu, disse: «Pai, dou-te graças por me teres atendido. Eu já sabia que sempre me atendes, mas Eu disse isto por causa da gente que me rodeia, para que venham a crer que Tu me enviaste.»

Dito isto, bradou com voz forte: «Lázaro, vem cá para fora!»

O que estava morto saiu de mãos e pés atados com ligaduras e o rosto envolvido num sudário. Jesus disse-lhes: «Desligai-o e deixai-o andar.» Então, muitos dos judeus que tinham vindo a casa de Maria, ao verem o que Jesus fez, creram nele.

2011-04-06

A irracionalidade de novo em acção


Assassinado à queima-roupa por homens encapuzados à frente do filho de um ano. Foi este o desfecho da vida de Juliano Mer-Khamis, o actor árabe-israelita de 53 anos, considerado um símbolo da luta pela causa palestiniana.

Numa terra de divisões ele cometeu o sacrilégio de ser um arabe israelense cristão.

Aqui fica um depoimento de quem o conheceu pessoalmente.



Pray for Japan

Aqui.

http://prayforjapan.jp/message/?lang=pt-br

2011-04-01

Diálogo com o Evangelho - 10

Diálogo com o Evangelho de Domingo 3 de Abril,  4º Domingo da Quaresma (Cura do cego de nascença), pelo Frei Eugénio, no programa de rádio "Raízes de Cá".

A vida questiona o Evangelho do 4º Domingo da Quaresma, de 3 de Abril

A piscina de Siloé e o Túnel de Ezequias, lugar que continua a ser visitado como sendo aquele onde aconteceu a cura do cego de nascença.
Jo ‪9,1-41.‬
Ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. Os seus discípulos perguntaram-lhe, então: «Rabi, quem foi que pecou para este homem ter nascido cego? Ele, ou os seus pais?»
Jesus respondeu: «Nem pecou ele, nem os seus pais, mas isto aconteceu para nele se manifestarem as obras de Deus. Temos de realizar as obras daquele que me enviou enquanto é dia. Vem aí a noite, em que ninguém pode actuar.  Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.»
Dito isto, cuspiu no chão, fez lama com a saliva, ungiu-lhe os olhos com a lama e disse-lhe: «Vai, lava-te na piscina de Siloé» que quer dizer Enviado. Ele foi, lavou-se e regressou a ver. Então, os vizinhos e os que costumavam vê-lo antes a mendigar perguntavam: «Não é este o que estava por aí sentado a pedir esmola?» Uns diziam: «É ele mesmo!» Outros afirmavam: «De modo nenhum. É outro parecido com ele.» Ele, porém, respondia: «Sou eu mesmo!» Então, perguntaram-lhe: «Como foi que os teus olhos se abriram?» Ele respondeu: «Esse homem, que se chama Jesus, fez lama, ungiu-me os olhos e disse-me: 'Vai à piscina de Siloé e lava-te.' Então eu fui, lavei-me e comecei a ver!» Perguntaram-lhe: «Onde está Ele?» Respondeu: «Não sei.» Levaram aos fariseus o que fora cego.
O dia em que Jesus tinha feito lama e lhe abrira os olhos era sábado. Os fariseus perguntaram-lhe, de novo, como tinha começado a ver. Ele respondeu-lhes: «Pôs-me lama nos olhos, lavei-me e fiquei a ver.»
Diziam então alguns dos fariseus: «Esse homem não vem de Deus, pois não guarda o sábado.» Outros, porém, replicavam: «Como pode um homem pecador realizar semelhantes sinais miraculosos?» Havia, pois, divisão entre eles. Perguntaram, então, novamente ao cego: «E tu que dizes dele, por te ter aberto os olhos?» Ele respondeu: «É um profeta!»
Ora os judeus não acreditaram que aquele homem tivesse sido cego e agora visse, até que chamaram os pais dele. E perguntaram-lhes: «É este o vosso filho, que vós dizeis ter nascido cego? Então como é que agora vê?»
Os pais responderam: «Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego;
mas não sabemos como é que agora vê, nem quem foi que o pôs a ver. Perguntai-lhe a ele. Já tem idade para falar de si.» Os pais responderam assim por terem receio dos judeus, pois estes já tinham combinado expulsar da sinagoga quem confessasse que Jesus era o Messias. Por isso é que os pais disseram: 'Já tem idade, perguntai-lhe a ele'.
Chamaram, então, novamente o que fora cego, e disseram-lhe: «Dá glória a Deus! Quanto a nós, o que sabemos é que esse homem é um pecador!» Ele, porém, respondeu: «Se é um pecador, não sei. Só sei uma coisa: que eu era cego e agora vejo.» Eles insistiram: «O que é que Ele te fez? Como é que te pôs a ver?» Respondeu-lhes: «Eu já vo-lo disse, e não me destes ouvidos. Porque desejais ouvi-lo outra vez? Será que também quereis fazer-vos seus discípulos?» Então, injuriaram-no dizendo-lhe: «Discípulo dele és tu! Nós somos discípulos de Moisés! Sabemos que Deus falou a Moisés; mas, quanto a esse, não sabemos donde é!» Replicou-lhes o homem: «Ora isso é que é de espantar: que vós não saibais donde Ele é, e me tenha dado a vista!
Sabemos que Deus não atende os pecadores, mas se alguém honrar a Deus e cumprir a sua vontade, Ele o atende. Jamais se ouviu dizer que alguém tenha dado a vista a um cego de nascença. Se este não viesse de Deus, não teria podido fazer nada.» Responderam-lhe: «Tu nasceste coberto de pecados e dás-nos lições?» E puseram-no fora.
Jesus ouviu dizer que o tinham expulsado e, quando o encontrou, disse-lhe: «Tu crês no Filho do Homem?» Ele respondeu: «E quem é, Senhor, para eu crer nele?» Disse-lhe Jesus: «Já o viste. É aquele que está a falar contigo.» Então, exclamou: «Eu creio, Senhor!» E prostrou-se diante dele. Jesus declarou: «Eu vim a este mundo para proceder a um juízo: de modo que os que não vêem vejam, e os que vêem fiquem cegos.»
Alguns fariseus que estavam com Ele ouviram isto e perguntaram-lhe: «Porventura nós também somos cegos?» Jesus respondeu-lhes: «Se fôsseis cegos, não estaríeis em pecado; mas, como dizeis que vedes, o vosso pecado permanece.»

2011-03-31

Ideias erradas dos católicos sobre os ateus

No blog Tribo de Jacob: Cinco ideias erradas dos católicos sobre os ateus ... apresenta 5 ideias erradas dos católicos sobre os ateus, da autoria de Jennifer Fulwiler, colunista do “National Catholic Register”.

Vale a pena dar uma espreitadela, pois ela foi ateia até há poucos anos, por isso sabe do que fala.

Aqui fica um resumo, retirado da Tribo de Jacob:
Os católicos estão (erradamente) convencidos que os ateus:
1. Sentem falta de algo.
2. Acham que a Bíblia é convincente.
3. Estão à vontade com a doutrina católica.
4. Podem ser convencidos apenas por argumentos.
5. Estão imunes ao poder da oração.

Condordo também com as atitudes que devem ser cultivadas pelos católicos e que aí são referidas, numa época que o que está na moda é um "catolicismo de combate" e não de diálogo.E o diálogo exige conhecimento mútuo.

2011-03-26

Diálogo com o Evangelho - 9

Diálogo com o Evangelho de Domingo 27 de Março,  3º Domingo da Quaresma (Samaritana), pelo Frei Eugénio, no programa de rádio "Raízes de Cá".

A vida questiona o Evangelho do 3º Domingo da Quaresma, de 27 de Março

João 4,5-42.
Chegou, pois, a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto do terreno que Jacob tinha dado ao seu filho José. Ficava ali o poço de Jacob. Então Jesus, cansado da caminhada, sentou-se, sem mais, na borda do poço. Era por volta do meio-dia. Entretanto, chegou certa mulher samaritana para tirar água. Disse-lhe Jesus: «Dá-me de beber.»
Os seus discípulos tinham ido à cidade comprar alimentos. Disse-lhe então a samaritana: «Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber a mim que sou samaritana?» É que os judeus não se dão bem com os samaritanos.
Respondeu-lhe Jesus: «Se conhecesses o dom que Deus tem para dar e quem é que te diz: 'dá-me de beber', tu é que lhe pedirias, e Ele havia de dar-te água viva!»
Disse-lhe a mulher: «Senhor, não tens sequer um balde e o poço é fundo... Onde consegues, então, a água viva? Porventura és mais do que o nosso patriarca Jacob, que nos deu este poço donde beberam ele, os seus filhos e os seus rebanhos?»
Replicou-lhe Jesus: «Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede; mas, quem beber da água que Eu lhe der, nunca mais terá sede: a água que Eu lhe der há-de tornar-se nele em fonte de água que dá a vida eterna.»
Disse-lhe a mulher: «Senhor, dá-me dessa água, para eu não ter sede, nem ter de vir cá tirá-la.»
Respondeu-lhe Jesus: «Vai, chama o teu marido e volta cá.»
A mulher retorquiu-lhe: «Eu não tenho marido.» Declarou-lhe Jesus: «Disseste bem: 'não tenho marido', pois tiveste cinco e o que tens agora não é teu marido. Nisto falaste verdade.»
Disse-lhe a mulher: «Senhor, vejo que és um profeta! Os nossos antepassados adoraram a Deus neste monte, e vós dizeis que o lugar onde se deve adorar está em Jerusalém.»
Jesus declarou-lhe: «Mulher, acredita em mim: chegou a hora em que, nem neste monte, nem em Jerusalém, haveis de adorar o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. Mas chega a hora e é já em que os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são assim os adoradores que o Pai pretende. Deus é espírito; por isso, os que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade.»
Disse-lhe a mulher: «Eu sei que o Messias, que é chamado Cristo, está para vir. Quando vier, há-de fazer-nos saber todas as coisas.»
Jesus respondeu-lhe: «Sou Eu, que estou a falar contigo.»
Nisto chegaram os seus discípulos e ficaram admirados de Ele estar a falar com uma mulher. Mas nenhum perguntou: 'Que procuras?', ou: 'De que estás a falar com ela?'
Então a mulher deixou o seu cântaro, foi à cidade e disse àquela gente: «Eia! Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz! Não será Ele o Messias?»
Eles saíram da cidade e foram ter com Jesus. Entretanto, os discípulos insistiam com Ele, dizendo: «Rabi, come.» Mas Ele disse-lhes: «Eu tenho um alimento para comer, que vós não conheceis.»
Então os discípulos começaram a dizer entre si: «Será que alguém lhe trouxe de comer?» Declarou-lhes Jesus: «O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e consumar a sua obra. Não dizeis vós: 'Mais quatro meses e vem a ceifa'? Pois Eu digo-vos: Levantai os olhos e vede os campos que estão doirados para a ceifa. Já o ceifeiro recebe o seu salário e recolhe o fruto em ordem à vida eterna, de modo que se alegram ao mesmo tempo aquele que semeia e o que ceifa. Nisto, porém, é verdadeiro o ditado: 'um é o que semeia e outro o que ceifa'. Porque Eu enviei-vos a ceifar o que não trabalhastes; outros se cansaram a trabalhar, e vós ficastes com o proveito da sua fadiga.»
Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram nele devido às palavras da mulher, que testemunhava: «Ele disse-me tudo o que eu fiz.» Por isso, quando os samaritanos foram ter com Jesus, começaram a pedir-lhe que ficasse com eles.
E ficou lá dois dias. Então muitos mais acreditaram nele por causa da sua pregação, e diziam à mulher: «Já não é pelas tuas palavras que acreditamos; nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é verdadeiramente o Salvador do mundo.»

2011-03-25

Igreja Mulheres e Celibato – a propósito da entrevista a Teresa Toldy

Depois de ler com atenção, e reler duas ou três vezes, o texto publicado no jornal i que o Paulo inseriu no Regador, não pude deixar de fazer este comentário.

Começo por dizer que nada tenho quanto ao facto de as mulheres poderem vir a ser ordenadas para exercerem um sacerdócio católico e muito menos quanto àquelas que se possam afirmar como teólogas. Conheço mulheres que poderiam estar, legitimamente, nesta situação e penso que quando Jesus se refere ao homem não se está a referir, seguramente, ao homem como género mas ao ser humano na sua totalidade. Se assim não fosse, então só os homens poderiam aspirar à salvação o que contrariava desde logo a ideia de um Deus de Amor.

De facto, se há lição do Evangelho que se pode tirar, sem grandes análises ou interpretações teológicas, é de que Jesus deu uma particular atenção à mulher, como se depreende de múltiplas passagens nele relatadas. Jesus conduz a mulher para uma situação de dignidade que, na altura, lhe era negada, como lhe é ainda negada, em múltiplos aspectos, nas sociedades mais primitivas ou mesmo nas sociedades modernas. A figura feminina é parte intrínseca de toda a vida evangélica de Jesus, acompanhando-O nas mais diversas situações e tem um papel de grande relevo na sua vida, sendo a mulher elevada a um estatuto de dignidade de ser humano que, na altura, só era reconhecido ao homem.

Mas vamos aos factos que estão plasmados no artigo inserto no Regador. Serão, eventualmente, um retrato pobre da pessoa que é entrevistada pelo que a minha análise não se refere à mesma mas, simplesmente, ao que é escrito e que pode não traduzir com correcção o pensamento ou a pessoa que está por trás.

Em primeiro lugar, não posso deixar de estranhar a forma, aparentemente elogiosa, como se fala de uma atitude que, sem outra explicação, não pode deixar de justificar o “horror” com que algumas pessoas terão visto a situação da entrevistada, não negada no texto, de abandonar, com aparente frieza, um filho recém-nascido. Sem querer julgar factos ou situações que não conheço, como comecei por dizer, não posso deixar, também, de ficar perturbado com uma atitude de “abandono” de um filho recém-nascido, com o desprendimento que as palavras aparentemente traduzem, pois a maternidade, não sendo imposta, deve ser assumida por inteiro e com a responsabilidade de criar laços afectivos por todos conhecidos como essenciais a um saudável desenvolvimento de uma criança. E, já agora, com tanta interpretação psicanalítica no resto do texto, não terá essa teoria permitido perceber esta importância da presença da figura feminina para o saudável crescimento e formação da pessoa do recém-nascido?

Em segundo lugar, não posso deixar de questionar o que se pretende chamar de “teologia feminista”. Será que há uma teologia para cada sexo? Pela minha parte, nunca ouvi falar de “teologia machista”. Aliás, as simples palavras feminista e machista já mexem comigo como cristão pois tenho para mim que Jesus não distinguia homem de mulher, não pregou uma Boa Nova para os homens e outra para as mulheres. Pelo que, ironizando, nunca vi Bíblias de cores diferentes para o sexo masculino ou feminino.

Certamente irão pensar muitos dos que venham a ler estas palavras que não passo de um machista. Aceito esse risco porque, em verdade e tendo por testemunhas aqueles que me conhecem, para não falar d’O que me conhece, nenhum pensamento machista prespassou jamais pela minha mente. Só que não gosto destas modernices como a do dia da mulher tal como está concebido e que, para mim, só legitimaria o, felizmente inexistente, dia do homem.

Quanto à ordenação das mulheres e ao seu papel na vida de família, tenho a mesma opinião no que respeita à vida dos homens ordenados. Devendo ser, para mim, o celibato uma opção dos ordenados sacerdotalmente, sejam homens ou mulheres, então, sejam homens ou mulheres, todos tem particulares responsabilidades em relação à vida comum que queiram assumir, se essa for a opção, responsabilidades que podem ser diferentes, não porque os géneros são diferentes mas porque são diferentes os carismas de cada um.

Quanto à análise das figuras femininas que, de forma mais proeminente, aparecem no Evangelho, a figura de Maria, mãe de Jesus, e a figura de Maria Madalena, a qual não me parece ter liderado nenhum grupo de mulheres no tempo de Jesus, essa análise para além de uma estrema superficialidade é desadequada no pensamento cristão.

Quanto se fala de Maria e da sua virgindade como se esta fosse um opróbrio e não uma consequência de uma livre vontade de decidir por parte da mulher, está-se a denegrir aquilo que é uma virtude exercida por opção. Não falo, por isso, da virgindade como um bem absoluto, mas como uma virgindade que não confunde sexo com sexualidade, construída e legitimamente assumida numa relação de verdade com o outro e em que a partilha é afectiva e não por mero impulso primário. E assumir uma interpretação psicanalista da pessoa de Maria, sendo um exercício teórico admissível, não é a meu ver uma forma adequada para discorrer sobre a sua virgindade pois tal é feito recorrendo a uma teoria em que o sexo é elevado à condição de motor de toda a vida do ser humano. Por outro lado, para mim, a conciliação da figura de mãe e de virgem apontada no texto é sempre possível quando assumimos que a virgindade, no geral das mulheres, não está no facto de existir uma relação sexual com um homem mas na forma como essa entrega é realizada (já agora por parte dos dois pois ser virgem pode ser uma condição a assumir sem vergonha pelo homem). Ou seja, para mim, virgindade tem a ver com pureza de pensamento e não com acto sexual.

Por outro lado, questionar a virgindade de Maria é questionar o poder do nosso Deus e Senhor de fazer em nós maravilhas que ultrapassam o nosso entendimento. Poderemos ter dificuldade em entendê-las pois só a verdadeira Fé, que é fruto do Espírito de Deus, nos pode permitir assumi-las. É verdade que o Senhor poderia ter escolhido um nascituro para nele infundir o seu Espírito. Mas não seria então mais difícil aceitá-lo? Não estaria esse nascituro longe do que vinha a ser anunciado e profetizado? E, então, Deus Criador do homem iria destruir uma vida por Ele criada para se poder manifestar já que antecedendo a sua vinda Deus tinha permitido que um ser nascesse fruto de um acto criador que Ele preparou para depois nele se manifestar? Sendo assim, não é muito mais fácil perceber que Deus se manifesta nessa Mulher descendo até ela e nascendo como homem para com eles se identificar sem perder a sua divindade e sem destruir o que já tinha criado?

Muito mais e com adequada correcção teológica ou mesmo cultural poderia ser dito, mas não é fácil a um não teólogo e ignorante, como é o meu caso, escrever sobre um assunto tão complexo. Contudo, apesar dessa minha ignorância, não posso deixar de entrar nesta polémica, mesmo correndo o risco do ridículo, pois não aprecio a ligeireza com que alguns textos são publicados. E volto a referir que a minha análise não é à mulher que está por trás deste artigo mas ao conteúdo do mesmo.

Hugo

2011-03-22

Igreja, mulheres e celibato: Teresa Toldy no "i"

Tribo de Jacob: Igreja, mulheres e celibato. Teresa Toldy no "i":
"Teresa Toldy, teóloga feminista, em declarações ao 'i'. Para ler, pensar e sorrir (vejam-se as respostas às perguntas na segunda página)"


Pode também ser lida aqui.

2011-03-20

Rowan Williams: A truly Islamic state protects Christians

Artigo de Rowan Williams, Arcebispo de Cantuária, publicado no Times de 7 de Março: pode ser lido aqui (a partir do site do Common Ground News Service)

Entretando ficam estes extractos:

"Pakistan was created by Muhammad Ali Jinnah as a consciously Muslim state in which, nonetheless, the non-Muslim enjoyed an absolute right of citizenship and the civic securities and liberties that go with it. In common with the best historical examples of Muslim governance, there was a realistic and generous recognition that plural and diverse convictions would not go away and that therefore a just Muslim state, no more and no less than a just Christian or secular state, had to provide for the rights of its minorities.

(...)

Bhatti died, for all practical purposes, as a martyr – let me be clear – not simply for his Christian faith, but for a vision shared between Pakistani Christians and Muslims. When he and I talked at Lambeth Palace in London last year, he was fully aware of the risks he ran. He did not allow himself to be diverted for a moment from his commitment to justice for all.

That a person of such courage and steadfastness of purpose was nourished in the political culture of Pakistan is itself a witness to the capacity of that culture to keep its vision alive and compelling. And that is one of the few real marks of hope in a situation of deepening tragedy that urgently needs both prayer and action. "



2011-03-18

Diálogo com o Evangelho - 8


Diálogo com o Evangelho de Domingo 20 de Março,  2º Domingo da Quaresma (transfiguração), pelo Frei Eugénio, no programa de rádio "Raízes de Cá".

A vida questiona o Evangelho de Domingo, 20 de Março

Mateus 17,1-9.
Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e seu irmão João, e levou-os, só a eles, a um alto monte.
Transfigurou-se diante deles: o seu rosto resplandeceu como o Sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz.
Nisto, apareceram Moisés e Elias a conversar com Ele.
Tomando a palavra, Pedro disse a Jesus: «Senhor, é bom estarmos aqui; se quiseres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias.»
Ainda ele estava a falar, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra, e uma voz dizia da nuvem: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado. Escutai-o.»
Ao ouvirem isto, os discípulos caíram com a face por terra, muito assustados.
Aproximando-se deles, Jesus tocou-lhes, dizendo: «Levantai-vos e não tenhais medo.»
Erguendo os olhos, os discípulos apenas viram Jesus e mais ninguém.
Enquanto desciam do monte, Jesus ordenou-lhes: «Não conteis a ninguém o que acabastes de ver, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos.»

2011-03-15

PAZ

Neste dia em que se comemoram os 50 anos da Guerra Colonial aqui fica um apelo à PAZ entre todos os povos em guerra.

“Ao oferecermos uns aos outros um sinal de paz, não estamos tanto a fazer a paz quanto a aceitar o dom da paz de Cristo. Quando Mahatma Gandhi morreu, tinha apenas uma imagem no seu quarto, a de Cristo ressuscitado, com a citação na base: “Ele é a nossa paz” (Ef. 2,14). Esta é uma paz que as nossas contendas não podem destruir. No principio Deus disse: “Faça-se a luz”. E a luz foi feita. No início da nova criação, a Palavra de Deus proclamou: “A paz esteja convosco”, e assim acontece. Nos antigos cemitérios cristãos em Roma, as inscrições referem que as pessoas morreram “in pace”, em paz. Isto significa tão só que elas morreram como membros da Igreja, que é a paz de Cristo, embora tenham lutado tanto como nós. Ser membro da Igreja é partilhar a paz de Cristo, por muito perturbados que possamos estar. (...)

Ou seja, não se exige uma sensação subjetiva de paz; se estamos em Cristo, podemos estar em paz (in pace) e, portanto, sem desassossego, mesmo quando não sentimos paz. O início da paz deve ser a aceitação da míngua de paz, tal como o início da relaxação deve ser a aceitação da tensão. (...)

Se Jesus é apresentado atravessando portas trancadas, não é porque nisso consista essencialmente a ressurreição, mas porque Ele é o único no qual todos os obstáculos são transcendidos. Pouco antes da queda do muro de Berlim, em 1989, alguém escreveu nele um grafito: “Todas as barreiras devem cair”. Assim aconteceu com elas em Cristo ressuscitado. É o amor que não simpatiza com muros. Completando a citação de Gandhi tirada da Carta aos Efésios: “Ele é a nossa paz, Ele que, de nós, fez um só, e destruiu o muro de separação, a inimizade.”

In Timothy Radcliffe, “Ir à Igreja Porquê?”, p. 228 e ss.






Guerra Colonial: 50 anos


Mensagem do Frei Eugénio nos 50 anos do início da Guerra Colonial em Angola (15.03.1961), que viveu por dentro como Fuzileiro


GUERRA: ONDE OS CONTRA-VALORES SE APRESENTAM COMO VALORES
 
A minha comissão em Angola como oficial de Marinha fuzileiro especial, foi de 1963 a 65 e quase toda passada nas fronteiras, no rio Zaire e em Cabinda.

A meio da comissão, tive que ficar a comandar o meu Destacamento e a ter que lidar com os Serviços de Informações Militares, a colaborar com a PIDE, a tratar de questões com informadores e refugiados no outro lado das fronteiras e a participar em reuniões operacionais a um nível que habitualmente se tinha quando se era comandante de batalhão.

Aos 25 anos “entrei” na podridão da guerra. Foi um choque tremendo!

Não era a guerra das operações militares, a guerra dos tiros, bazucadas e morteiros. Era a “guerra” que estava por trás, onde não há escrúpulos, nem regras morais de qualquer espécie.

A tortura mexeu muito comigo.

Descobri que nas guerras modernas de guerrilhas são as populações civis que mais sofrem e vivem numa insegurança constante.

Descobri que as guerras criam uma situação em grande escala, onde os contra-valores se apresentam como valores.

Viver assim é viver no verdadeiro inferno, onde a Historia se faz com

guerras e destruições sucessivas. É a espiral da violência como motor da História.

Foi no meu meio deste “quadro” que dentro de mim surgiu a convicção de que esse Deus que nunca ninguém viu, era mesmo Pai, como Jesus de Nazaré veio dizer.

Foi esta presença de Deus que passei a reconhecer que é Pai de cada um e de todos, violentos e violentados, que deu uma orientação nova à minha vida.

Descobri ainda que a maioria das pessoas que encontrava, militares e civis, mesmo os que se diziam crentes, no fundo de si mesmos tinham um grande receio de Deus, muito poderoso e distante, cuja protecção desejavam mas na qual acabavam por pouco confiar.

Senti-me impelido então a trocar as armas de guerra pelas armas de paz.

Mas sendo eu oficial de carreira, em plena guerra colonial era
praticamente impossível sair da Marinha a não ser por motivos médicos muito graves. Ora saúde tinha eu!

Se pude trocar a farda branca e azul da Marinha pelo hábito branco e

preto dos frades pregadores, foi graças a uma série de circunstâncias e de ajudas imprevisíveis. A coisas acontecem como Deus quer e quando Deus quer. Ontem, hoje e amanhã.

Muitos vieram do Ultramar com grandes traumas e eu também trouxe um pesadelo que me acompanhou durante muitos anos. Mas dou graças a Deus que me permitiu desenvolver até hoje a capacidade de me indignar e de ser persistente em causas consideradas perdidas ou que abalam as normas estabelecidas. Quando uma causa é inspirada por Deus e o homem se empenha nela, Ele próprio abre as portas ou deita abaixo os muros.

A paz, supremo Bem, não se constrói com guerras, sejam elas militares, económicas, religiosas, politicas ou culturais, mas apenas com as” armas” de Jesus concretizadas em gestos de PAZ.

Frei Eugénio Paiva Boléo, OP



2011-03-14

Deus e a economia "ninho-de-cuco"


Mais uma vez se vem propor aqui neste espaço a leitura de um artigo do The Tablet. Desta vez é uma reflexão, a modo de espelho e exemplo para nós Portugueses, sobre a crise Irlandesa. O artigo é da autoria de John Waters e dele resumo alguns argumentos talvez não fielmente mas ... enfim o melhor é ler o original.

A Irlanda é um país rico em recursos naturais mas desde o período em que surgiu como o Tigre Celta os recursos naturais ou deixaram de ser explorados pelos próprios (exemplo: pesca entregue a espanhóis) ou são ineficientemente aproveitados como a agricultura limitada ao leite e produção de carne.

Em contrapartida, favoreceram-se os negócios com o exterior (a marca dessa febre é o IRC a 12,5 %).

O resultado foram duas economias - a autóctone, estagnada e a eficiente e bem sucedida economia transnacional do sector industrial (componentes de computadores, farmacêutica, sector financeiro) que criou a impressão de uma economia moderna quando o que se tinha era a economia "ninho-de-cuco".

Do ponto de vista religioso as coisas são definidas por John Waters assim: com um sentido de Deus inadequado e escondidos sob a capa de uma piedade vistosa, os Irlandeses pensaram no materialismo como salvação e acabaram a descobrir que ainda vão precisar de muitos e dolorosos empréstimos para fechar o buraco que a religião deixou vazio.


Como consequência de um como que complexo de inferioridade profundo que os leva a imitar sociedades supostamente mais modernas ou avançadas cavou-se um fosso entre modernidade e tradição, nacionalismo e abertura ao exterior, que se tornou impossível o diálogo. A religião não escapou a esta mudança e a falta de ligação entre a realidade e a ideia de Deus ou da providência acabaram por levar a que o debate público seja explicitamente agnóstico quando não ateísta.
Semelhanças? Lições?

2011-03-12

Terra Santa


Aqui fica este site que é uma óptima ajuda para quem quiser visitar a Terra Santa. Ou para quem quer conhecer à distância, com um simples clique.
E permite acompanhar as notícias da Terra Santa, como este video mostra.